Semana On

Terça-Feira 22.out.2019

Ano VIII - Nº 368

Coluna

Vem mais vergonha aí

O jornalista Victor Barone resume a semana política, com humor e acidez

Postado em 18 de Setembro de 2019 - Victor Barone

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Jair Bolsonaro deve fazer o discurso de abertura na Assembleia Geral das Nações Unidas, na próxima terça (24), em Nova York. Caso o presidente seja sincero sobre o que pensa de meio ambiente, floresta amazônica, proteção de indígenas e quilombolas, direitos da população LGBTQ+, trabalho infantil e trabalho escravo, desenvolvimento sustentável, respeito a migrantes estrangeiros pobres e refugiados, equidade de gênero, corrupção, nepotismo, liberdade de imprensa, direitos humanos, civilidade, enfim, a vida, deve causar surpresa e espanto mesmo a diplomatas acostumados com o diferente e o bizarro.

Se assim for, nossos produtos vão perder mercado e nossas empresas, investidores.

Por isso, ele deve tentar mostrar que sua administração vem protegendo os biomas brasileiros (sic), mantendo a dignidade aos povos e trabalhadores (sic), abraçando as liberdades e proteções previstas em acordos e tratados ratificados pelo país (sic) e garantindo que todos os produtos e empreendimentos brasileiros tenham qualidade social e ambiental (sic).

A diplomacia pode ser hipócrita, mas não rasga dinheiro. Pelo menos, em tese. Se ela prevalecer, será engraçado ver um "Bolsonaro para Exportação", diferente daquela figura que vem marcando sua presidência entre declarações sobre cocôs e publicações de golden showers.

Na primeira oportunidade de falar como presidente em um evento internacional, no Fórum Econômico Mundial, em Davos, na Suíça, em janeiro, Bolsonaro disse muito pouco. Mas o suficiente para passar vergonha. Em um discurso genérico e vazio de menos de 15 minutos — quando dispunha, pelos organizadores de 45 — Bolsonaro, ao invés de transmitir os planos, dados e metas que os Chefes de Estado costumam apresentar em Davos, convidou os presentes a irem fazer turismo no Brasil e apresentou um par de informações falsas. Conforme analistas presentes, incluindo o Prêmio Nobel de Economia Robert Schiller e a jornalista chefe do Washington Post, Heather Long, o discurso foi um grande fracasso, e deixou o presidente brasileiro carimbado como alguém medíocre.

O presidente sente-se mais à vontade nos ambientes amigáveis, como nas visitas aos governos israelense e norte-americano. Tão à vontade que chega também a passar vergonha junto à sociedade e a mídia locais. Em abril, após visitar o Memorial do Holocausto, afirmou que o nazismo foi um movimento de esquerda. Em março, ao lado de Donald Trump, disse que ambos os países estão irmanados na luta contra a "ideologia de gênero", o "politicamente correto" e as "fake news". Foi criticado até pela conservadora Fox News.

Na Assembleia Geral das Nações Unidas, cabe, historicamente, o discurso de abertura. Como, na sequência, fala o presidente dos Estados Unidos, os olhos de todos os governos e da imprensa estarão voltados para aquele púlpito. Seria, portanto, um momento didático: Mundo, isto é Bolsonaro. Bolsonaro, este é o mundo.

O mundo não vai se retirar do plenário da Assembleia Geral. Michel Temer passou por isso por governos contrariados por aquilo que, hoje, ele mesmo chama de "golpe". Mas o mundo pode fazer cara de reprovação, balançar negativamente a cabeça, dar risada irônica e fazer beicinho enquanto ele estiver lendo o discurso no púlpito. Uma coisa é você receber isso da oposição em seu país, a outra é a humilhação de sentir isso de forma global.

Costuma-se dizer que governantes não fazem discursos para os outros países na Assembleia Geral, mas para o seu próprio, quase como uma autopromoção. Contudo, depois de uma crise internacional por conta do fogo na Amazônia e de respostas agressivas do governo brasileiro, o mundo está curioso com o pronunciamento de Mr. Bolsonaro. Pelo que verifiquei, fundos de investimento bilionários com preocupação socioambiental que contam com dinheiro no Brasil também. E não é preciso ter uma Abin grampeando ligações ou invadindo celulares para saber que o mundo faz manifestação. Basta, para isso, dar um Google e ver as movimentações da sociedade civil organizada brasileira e internacional se preparando para acolher o presidente com carinho.

Quando foi anunciado que Jair Bolsonaro seria homenageado como a "Personalidade do Ano" pela Câmara de Comércio Brasil-Estados Unidos, com cerimônia em Nova York, as empresas e instituições apoiadoras e patrocinadoras do evento passaram a ser alvos de críticas, reclamações e protestos. No dia 3 de maio, o presidente informou que, diante dos ataques, não iria mais receber seu prêmio na cidade. O Museu de História Natural, que hospedaria inicialmente o evento, voltou atrás, devido às suas posições sobre o meio ambiente, o desenvolvimento sustentável e as mudanças climáticas – que vão contramão daquilo que é defendido pela instituição. O prefeito de Nova York, Bill de Blasio, do Partido Democrata, disse que Bolsonaro não era bem-vindo, chamando-o de "um homem perigoso", racista e homofóbico e elogiando a decisão do museu. Deputados e congressistas norte-americanos passaram a criticar tanto o hotel Marriott Marquis, substituto escolhido para receber o jantar de gala, quanto as empresas patrocinadoras. Na pauta de reclamações, estavam as históricas declarações homolesbotransfóbicas, machistas, racistas e preconceituosas de Bolsonaro. A Delta Airlines, a Bain & Company e o Financial Times tomaram o mesmo rumo do Museu de História Natural e caíram fora. Se não tivesse desistido, saberia que o mundo produz cartazes como "Bolsonaro, o carrasco da Amazônia" ou "Bolsonaro é homofóbico" e vai fazer questão de mostrá-los.

Não é incomum governantes mentirem para o mundo naquele púlpito às margens do East River. Talvez ele opte por um discurso que fale, fale, fale, mas não diga nada. Tudo em nome do comércio e de investimentos, que receberam uma pancada com as queimadas na Amazônia. Uma coisa é discordar do que ele dirá, a outra é torcer para que ele não diga nenhuma bobagem. De qualquer maneira, é triste que uma parte significativa dos brasileiros esteja com medo do seu presidente causar vergonha ao país frente às outras nações. Isso é algo que ele não tinha o direito de nos causar.

Por Leonardo Sakamoto

Até o início desta semana, assessores do Palácio do Planalto admitiam que o presidente poderia não comparecer ao evento na Assembleia Geral das Nações Unidas, por medo das possibilidades de protestos. O contexto internacional não é o dos mais favoráveis ao presidente, por conta das polêmicas envolvendo as queimadas e desmatamento na Amazônia, assim como as intrigas com o presidente da França, Emmanuel Macron. Na noite de terça (17), o porta-voz da Presidência, Otávio do Rêgo Barros, também admitiu que a ida de Bolsonaro à ONU estava “sob análise”.

A deputada federal Carla Zambelli (PSL-SP) até iniciou uma mobilização nas redes sociais pedindo para o presidente não participar da Assembleia Geral das Nações Unidas para, segundo ela, se recuperar com calma da cirurgia que fez. Zambelli disse que a ONU pode esperar e lançou a tag #BolsonaroFiqueCuideSe.

O vereador Carlos Bolsonaro (PSC-RJ), disse em seu Twitter que está tudo sob controle.

O ex-aliado, deputado federal Alexandre Frota (PSDB-SP), não perdoou.

BERRA BEZERRA

A batida da Polícia Federal no gabinete do senador Fernando Bezerra (MDB-PE) mostra que a expressão "diz-me com quem andas que eu te direi quem és" não quer dizer muita coisa para Jair Bolsonaro. Fernando Bezerra é líder do governo no Senado. Portanto, um presidente que se elegeu prometendo ser implacável com a corrupção escolheu ser representado no Senado por um político encrencado com a lei. Há quatro meses, Bolsonaro voou para o Nordeste, em sua primeira viagem à região após a posse, levando Bezerra a tiracolo. Por uma trapaça da sorte, a incursão ocorreu no mesmo dia em que que o TRF-4, tribunal que julga as causas da Lava Jato, determinou o bloqueio de R$ 258 milhões em dinheiro ou bens de Bezerra. A decisão foi motivada por uma ação de improbidade administrativa movida pela força-tarefa de Curitiba.

Antes de virar líder de Bolsonaro, Bezerra foi apoiador de Lula, ministro de Dilma Rousseff e avalista da nomeação do primogênito Fernando Bezerra Filho, também alcançado pela batida policial, para o posto de ministro de Minas e Energia da gestão de Michel Temer. A opeaçao da PF deixa o governo Bolsonaro um pouco mais sem nexo. A experiência de Fernando Bezerra ajuda Bolsonaro a obter no Senado os votos para aprovação de extravagâncias como a indicação do filho Eduardo Bolsonaro para a embaixada em Washingotn. Mas o custo político é alto. Bezerra eleva o déficit estético da gestão Bolsonaro. Nesta quinta-feira, o senador telefonou para o ministro Onyx Lorenzoni, chefe da Casa Civil. Colocou o cargo de líder à disposição de Bolsonaro. O Planalto ainda não se manifestou.

Jair Bolsonaro se aborreceu ao saber que a ordem do Supremo Tribunal Federal para a realização da batida de busca e apreensão nos endereços do líder do governo no Senado, Fernando Bezerra Coelho (MDB-PE), foi expedida a pedido da Polícia Federal, contra a posição da Procuradoria-Geral da República. O presidente farejou no protagonismo da PF um aroma de desafio à sua autoridade. Algo que o ministro Sergio Moro (Justiça) negou num encontro emergencial, fora da agenda. A defesa de Bezerra acusou Moro de retaliação.

Por Josias de Souza

UMA PEDRA NO CAMINHO

A operação da Polícia Federal mirando o líder do governo no Senado, Fernando Bezerra Coelho, é um baque na articulação para a aprovação do nome de Eduardo Bolsonaro para a Embaixada do Brasil em Washington. A indicação do filho do presidente, aventada por ele em julho, ainda nem foi encaminhada ao Senado, dado o cipoal de resistências ao nome, falta de timing político –dada a profusão de matérias tramitando ao mesmo tempo na Casa– e a possibilidade de haver uma guerra judicial que desgaste ainda mais politicamente a família.

Agora, a ação contra Bezerra Coelho abate um dos principais articuladores da indicação de Eduardo. Se Bolsonaro optar por dar uma satisfação ao público que votou nele pelo discurso da “nova polítuca” e jogar o líder ao mar, não só perderá sua ação como vai se indispor com uma fatia razoável do MDB e do Centrão, vital para aprovar o filho à embaixada.

Ao mesmo tempo, a ação de busca e apreensão nos gabinetes do Senado, pedida e executada pela Polícia Federal depois de autorização do STF, irritou o presidente da Casa, Davi Alcolumbre, outra peça-chave na costura pelo nome de Eduardo, sem cuja atuação a vida do filho do presidente pode ser muito dificultada.

Por Vera Magalhães

ACABOU A MAMATA...

Bolsonaro está, aos poucos, comendo as instituições de fiscalização e controle da República em nome de seu projeto de poder e do bem-estar de sua família. Uma parte de seus apoiadores já demonstra incômodo pela desenvoltura com a qual interfere na Receita Federal, no Coaf, no Ministério Público Federal, na Polícia Federal – o que se traduz em queda de aprovação e ranger de dentes em redes sociais. Mas um naco continua botando fé, incondicionalmente e inacreditavelmente, que essas ações do "mito" visam a combater a corrupção e a proteger a Lava Jato.

VISITA ÍNTIMA

Pressionado pela falta de verbas e pela ameaça de perder a ascendência sobre a direção da Polícia Federal, o ministro Sergio Moro (Justiça) voou até São Paulo para visitar Jair Bolsonaro no hospital. Estava acompanhado de Rosângela Moro, sua mulher. Passou cerca de 15 minutos com o presidente e a primeira-dama Michelle Bolsonaro. Foi um encontro de poucas palavras. Por conta própria, o capitão se absteve de comentar a visita também por escrito. Limitou-se a postar a foto nas redes sociais. Preferiu não demonstrar em palavras o constrangimento de manter na frigideira um auxiliar que continua atencioso, apesar de bem passado. Moro também pendurou a fotografia no Twitter. Mas adicionou à imagem meia dúzia de palavras: "…Conversa agradável. Presidente recupera-se muito bem. O homem é forte."

Quando deixar o hospital. Bolsonaro deve retomar a articulação para levar à bandeja o escalpo de Maurício Valeixo, o delegado que Moro acomodou na direção-geral da Polícia Federal. A visita deste domingo pode retardar o movimento da lâmina. Mas auxiliares do presidente consideram improvável que o agora paciente desista da ideia de entregar o comando da PF ao delegado Anderson Gustavo Torres, um chegado da família Bolsonaro.Por

METRALHADORA DO GILMAR

O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), criticou duramente a cúpula da Operação Lava Jato, a mídia e a tentativa de senadores de tentarem instalar uma CPI para investigar a conduta de integrantes da corte. Em entrevista à Folha de S.Paulo e ao UOL, Gilmar afirmou que o Supremo não pode se curvar à popularidade do ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro, e que integrantes da Lava Jato deveriam assumir que foram “crápulas”, confessar seus crimes e sair de cena. Para ele, as mensagens reveladas pelo site The Intercept Brasil e outros veículos desnudam um “jogo de promiscuidade” no seio da operação. “Simplesmente dizer: nós erramos, fomos de fato crápulas, cometemos crimes. Queríamos combater o crime, mas cometemos erros crassos, graves, violamos o Estado de Direito.”

Na entrevista a Thaís Arbex e Tales Faria, Gilmar defende o encerramento do “ciclo de falsos heróis”, em alusão a Moro e ao procurador Deltan Dallagnol, coordenador da força-tarefa da em Curitiba – os dois são os principais alvos das reportagens do Intercept. O ministro diz que o Supremo e o Congresso foram vilipendiados pela Lava Jato e pela mídia. “Esse fenômeno de violação institucional não teria ocorrido de forma sistêmica não fosse o apoio da mídia. Portanto, são coautores dos malfeitos”, disse. O pedido de suspeição de Moro, apresentado pela defesa do ex-presidente Lula. “O conúbio [casamento] entre juiz, promotor, delegado, gente de Receita Federal é conúbio espúrio. Isso não se enquadra no nosso modelo de Estado de Direito.”

Veja o que ele disse sobre Moro: “Se um tribunal passar a considerar esse fator [a popularidade de Moro], ele que tem que fechar, porque ele perde o seu grau de legitimidade. A população aplaude linchamento. E a nossa missão, qual é? É dizer que o linchamento é legal porque a população aplaude? [...] No caso do juiz, isso é mais grave porque ele tem que aplicar a lei. Do contrário, a nossa missão falece. Se é para sermos assim legitimados, entregamos, na verdade, a função ao Ibope.”

Sobre Moro no Supremo: “Isso terá que ser considerado no seu tempo. Começamos com o Moro quase como primeiro-ministro, agora já não se sabe mais nem se ele será ministro amanhã, se continua [no governo] ou em que condições continua. Em suma, esse processo é muito dinâmico, e a política é um pouco assim. Nós estamos vivendo tempos de vertigem, de mudanças. Precisamos esperar, mas certamente não será uma indicação muito simples.”

Sobre Dallagnol: “As pessoas percebem que esse promotor não está atuando de maneira devida. Esse juiz não está atuando de maneira devida. Se nós viermos a anular ou não esses julgamentos, o juízo que está se formando é o de que não é assim que a Justiça deve funcionar. Que isso é errado, que essas pessoas estavam usando as funções para outra coisa. Isso ficou cada vez mais evidente”

Sobre Lava Jato x democracia: “Quando alguma autoridade se investe de um poder incontrastável ou soberano, ela de fato ameaça a democracia. Quando se diz que não se pode contrariar a Lava Jato, que não se pode contrariar o espírito da Lava Jato —e muitos de vocês na mídia dão um eco a isso—, nós estamos dizendo que há um poder soberano. Onde? Em Curitiba. Que poder incontrastável é esse? Aprendemos, vendo esse submundo, o que eles faziam: delações submetidas a contingência, ironizavam as pessoas, perseguiram os familiares para obter o resultado em relação ao investigado. Tudo isso que nada tem a ver com o Estado de Direito.”

So0bre Lava Jato x Congresso: “Vamos imaginar que essa gente estivesse no Executivo. O que eles fariam? Certamente fechariam o Congresso, fechariam o Supremo. Esse fenômeno de violação institucional não teria ocorrido de forma sistêmica não fosse o apoio da mídia. Portanto, são coautores dos malfeitos.”

Sobre mensagens da Lava Jato: “Por sorte e a despeito de vir de uma fonte ilegal, houve essa revelação. E parece que os colegas hoje percebem a gravidade, que na verdade se estava gerando o ovo da serpente. Pessoas inexperientes que se deslumbraram, sem controle, porque não havia controle sequer dos órgãos correcionais. Eles começaram a delirar no sentido literal do termo.”

Sobre provas ilícitas: “A gente já tem precedentes, talvez tópicos aqui e acolá, [sobre] o uso da prova ilícita em benefício do réu. Quando você, por exemplo, tem uma informação que isenta alguém de responsabilidade por um homicídio, ainda que tenha sido obtido ilicitamente, deve ser de alguma forma reconhecida.”

Sobre a CPI da Lava Toga: “É notório que uma CPI para investigar o Supremo ou um dado ministro, pela própria jurisprudência da Casa, é flagrantemente inconstitucional. Acho que os próprios signatários, os principais líderes, sabem disso. Se essa CPI fosse instalada, produziria nenhum resultado. Certamente, o próprio Supremo mandaria trancá-la. A independência dos Poderes não permite esse tipo de investigação, está dentro das cláusulas pétreas.”

Tem gente no Ministério Público achando que o procurador Deltan Dallagnol vive seus últimos momentos na Lava Jato. Segundo o Painel da Folha, os acenos de Dallagnol para Augusto Aras, indicado pelo presidente Jair Bolsonaro para o cargo de procurador-geral da República, significariam que o chefe da força-tarefa está buscando uma “saída honrosa” do posto. Aras tem conquistado os senadores avisando que quer uma Lava Jato sem “espetaculização” e, antes de ser indicado como PGR, dizia que faria bem para Dallagnol “mudar de ares” após as denúncias da Vaza Jato.

DOENÇA CONGÊNITA

Momentos após receber alta hospitalar, o presidente Jair Bolsonaro, ainda no recinto, deu razão a seu filho Carlos, que declarara, enquanto o pai se recuperava de uma cirurgia para retirada de uma hérnia abdominal, que “por vias democráticas, a transformação que o Brasil quer não acontecerá no ritmo que almejamos”.

“É uma opinião dele e ele tem razão”, disse, em entrevista exibida pela Record TV na noite de segunda-feira, 16. “Se fosse em Cuba ou na Coreia do Norte, já não teria aprovado tudo quanto é reforma, sem Parlamento?”, questionou. De acordo com Bolsonaro, a transformação mencionada pelo filho demora porque “tem a discussão e isso é natural”. “Ele até falou o óbvio”, disse. “Pelo amor de Deus, há alguma manifestação minha, dizendo que a democracia não pode ser feita diferente?”, questionou. A declaração do 02 gerou repúdio de cúpulas das principais instituições de Poder do País, como as duas Casas legislativas, a Vice-Presidência, Supremo Tribunal Federal e o Ministério Público Federal.

Por Equipe BR Político

O GURU DOIDIVANAS

O maior problema do Brasil não é a corrupção nem a economia, mas o poder esquerdista. A conclusão é do professor de filosofia on-line e escritor Olavo de Carvalho, o guru do bolsonarismo, que convocou os seguidores a se organizarem para ajudar o governo. “Não pense no que o Bolsonaro pode fazer por você, mas no que você pode fazer com ele”, disse Carvalho em vídeo postado no último domingo (15).

A reação dos seguidores, porém, foi de divisão. Alguns influenciadores digitais próximos ao presidente, como o jornalista Allan dos Santos, resolveram seguir literalmente a orientação. Santos, que é dono de um site de notícias simpático ao governo, lançou na internet um formulário para a militância se inscrever e se organizar. Para tanto, é necessário registrar e-mail e número de contato no aplicativo WhatsApp.

Já a deputada estadual por São Paulo Janaína Pascoal (PSL), uma das personalidades mais influentes do bolsonarismo, atacou firmemente a iniciativa. “Não posso deixar de reconhecer ter me causado profunda tristeza (profunda mesmo) assistir ao vídeo de Olavo de Carvalho, ontem [domingo]”, postou Janaína no Twitter, na manhã desta segunda-feira (16/09/2019). “O filósofo que se consagrou por denunciar o Imbecil Coletivo do PT, quase criou um Imbecil Coletivo em torno de si mesmo e agora, pasmem, prega um Imbecil Coletivo Bolsonarista”, continuou a jurista, que se tornou célebre por ter ajudado a escrever o pedido de impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff. “Olavo de Carvalho acabou ontem”, concluiu a parlamentar, em um post que já reunia mais de 1,6 mil respostas duas horas após a publicação.

Sobrou também para o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, que Olavo atacou tanto no vídeo quanto em outras postagens. “O Brasil só terá futuro com o fim da nhonhocracia”, escreveu o filósofo, referindo-se a um dos apelidos de Maia mais usados pelos bolsonaristas: Nhonho.

Olavo de Carvalho também voltou as armas novamente contra o que considera um dos inimigos do governo Jair Bolsonaro: o Supremo Tribunal Federal (STF). “O STF não manda, obedece. Obedece a quem lhe inspira medo. No dia em que ele tiver mais medo do povo que do esquema comunoglobalista, ele fará a coisa certa”, tuitou. A frase remete à declaração do deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), seu doutrinado, que durante a campanha eleitoral disse que bastam um soldado e um cabo para fechar o STF. Obcecado por criar uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar o Foro de São Paulo e exterminar da vida pública os dirigentes de partidos de esquerda, Olavo também voltou ao tema.

CAI NÃO CAI

O ex-ministro Ciro Gomes deu um palpite de que o presidente Jair Bolsonaro não chega ao fim do mandato porque, segundo ele, pode renunciar. “Acho que ele não termina o governo. Isso é um mero palpite. Espero que não seja pelo suicídio. Meu palpite, é um mero palpite, é que vai ser por renúncia”, afirmou ele ao Estadão. O pré-candidato presidencial para 2022 enumerou alguns agouros para os próximos seis meses, como a deterioração do cenário internacional e da paciência do ministro Paulo Guedes com as “irracionalidades” do chefe, o que vai gerar a saída do titular da Economia do governo.

Equipe BR Político

PARANÓIA DA BOA

Com receio de traições, o presidente Jair Bolsonaro “fez uma limpa” na ala do seu governo que integrou a cúpula de sua campanha eleitoral. O grupo foi substituído por amigos de longa data e nomes próximos aos filhos do presidente, em especial ao vereador Carlos Bolsonaro (PSC-RJ). Jorge Oliveira, da Secretaria-Geral e Subchefia de Assuntos Jurídicos, e Luiz Eduardo Ramos, da Secretaria de Governo, viraram nomes fortes no Planalto e têm a confiança do presidente. Oliveira já foi chefe de gabinete do deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), enquanto Ramos é amigo do presidente há anos. 

Equipe BR Político

HONESTÍSSIMO

O governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel (PSC), copiou ao menos 63 parágrafos de trabalhos publicados por seis autores, incluindo um artigo inteiro e um capítulo de outro texto. Witzel apresentou em 2010, na Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), o trabalho "Medida Cautelar Fiscal", em que trata do instrumento criado em 1992 para auxiliar a cobrança de dívida fiscal por vias judiciais. Dos seis autores com passagens semelhantes encontradas, cinco não constam da bibliografia da dissertação. De acordo com a BBC Brasil, o autor exceção aparece, no entanto, citado por um outro trabalho. Um desses autores, o advogado Juliano Ryzewski vê um possível problema ético no caso. "Por ser uma pessoa pública, deveria tomar maior cuidado com isso. Ele está autointitulando autor de um texto que ele não escreveu, mas copiou. É complicado", afirmou à reportagem.

Em maio, o jornal O Globo revelou que o governador colocou em seu currículo um doutorado em andamento em Ciência Política na Universidade Federal Fluminense (UFF) com intercâmbio na Universidade Harvard, nos Estados Unidos. Mas ele não cursou a instituição americana nem se candidatou ao processo de seleção para uma vaga lá. Witzel alegou que não havia erro seu currículo, porque havia previsto a possibilidade de "aprofundar os estudos em Harvard", mas a ideia acabou suspensa em razão da campanha eleitoral em 2018. Depois, ele retirou do documento a menção a Harvard.

GASTAR MAIS

Segundo o Datafolha, aumentou o percentual de brasileiros que caracterizam como “insuficiente” o nível atual dos gastos públicos. De acordo com o levantamento, feito no final de agosto, 50% fazem essa avaliação. Na pesquisa anterior, de dezembro de 2016, eram 39%.

POUCO PRESTÍGIO?

Em nove meses de governo, o ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta só teve uma reunião particular com Bolsonaro no Planalto. De acordo com contagem de Paloma Rodrigues, no Poder360, Mandettafoi o ministro que menos teve esse tipo de encontro com o presidente. Damares Alves (ministra da Mulher, Família e Direitos Humanos) também teve poucas reuniões sozinha, só duas. Depois deles, o menos prestigiado foi o titular da Infraestrutura, Tarcício Freitas, com quatro reuniões. Na outra ponta está Onyx Lorenzoni (Casa Civil), com 34. seguido por Ernesto Araújo (Relações Exteriores), com 19.

GOLPE

Em entrevista ao programa Roda Viva , o ex-presidente Michel Temer negou que tenha se empenhado para dar um golpe durante o processo que levou ao afastamento da ex-presidente Dilma Rousseff (PT).  “O pessoal dizia 'o Temer é golpista' e que eu teria apoiado o golpe. Diferente disso, eu jamais apoiei ou fiz empenho pelo golpe” - disse Temer.  Aliados de Dilma se referem ao impeachment como um golpe, sendo que Temer também foi criticado por supostamente ter atuado contra a presidente.

Michel Temer também afirmou que se o ex-presidente Lula tivesse sido nomeado para a Casa Civil na gestão de Dilma Rousseff, não teria havido o afastamento dela. “Se ele (Lula) fosse chefe da Casa Civil, é muito provável, ele tinha bom contato com o Congresso Nacional, que não se conseguiria fazer o impedimento, não se conseguiria fazer o impeachment”, disse Temer. “Disso, eu não tenho dúvida.” A posse acabou suspensa pelo ministro do STF, Gilmar Mendes, após o então juiz Sergio Moro divulgar uma conversa em que Dilma dizia a Lula que enviaria o termo de posse para o ex-presidente – o que foi interpretado, à época, como uma tentativa de impedir uma eventual prisão do petista.

Equipe BR Político

ÀS ARMAS

Jair Bolsonaro sancionou o projeto de lei 3.715/19, que amplia a posse de arma em propriedades rurais, permitindo que um proprietário possa andar armado por toda a extensão de uma fazenda, por exemplo. Perguntado se vetaria algum item do texto, disse que não viu o projeto, mas que não vai mais “tolher ninguém de bem de ter a sua posse ou porte de arma de fogo”…

RELAÇÃO PREDATÓRIA

As relações entre o SUS e os planos de saúde são tema da entrevista de José Sestelo – que há tempos pesquisa o empresariamento na saúde – ao IHU-Unisinos: “No Brasil, vivemos uma situação peculiar porque, diferente dos EUA, temos um sistema público de saúde (o SUS) acessível, em tese, a qualquer cidadão, mas ao mesmo tempo um enorme esquema de intermediação assistencial privativa que favorece cerca de 28% da população e se apropria, em média, de quatro vezes mais recursos assistenciais do que aqueles que estão disponíveis para a população em geral. Esse esquema, embora seja de uso privativo, é beneficiário de uma série de subsídios à demanda, na forma de renúncia fiscal e compartilhamento da infraestrutura do sistema público, de tal forma que, na prática, o SUS e o orçamento público funcionam como uma espécie de resseguro para o seu funcionamento. Em outras palavras, só é possível vender planos de saúde de uso privativo para tanta gente com uma oferta exclusiva e abundante de serviços porque existe uma articulação íntima com a esfera pública como garantia de última linha.” 

IRONIA É SEMPRE BOM

Professora do Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), pesquisadora do Australian Research Council no projeto New Consumer Cultures in the Global South e colunista do Intercept Brasil, a cientista social e antropóloga Rosana Pinheiro-Machado ironizou a perseguição que vem sofrendo pelo ministro da Educação, Abraham Weintraub, e o deputado Jerônimo Goergen (PP-RS). “Esperando até agora o ministro e o deputado descobrirem quem paga minhas viagens. Está muito devagar essa investigação!”, tuitou a professora, compartilhando imagem de uma nota publicada no dia 7 de julho pelo jornalista conservador Políbio Braga. Na nota, o jornalista afirma que a professora “faz circuito por universidades públicas gaúchas e foruns internacionais, tudo para injuriar gravemente o presidente Jair Bolsonaro, o governo Bolsonaro e o ministro Sérgio Moro”. Políbio teria declarado ainda que Jerônimo Braga teria dito que iria procurar o ministro da Educação “para que ele informe se a servidora pública federal Rosana Pinheiro-Machado usa os salários dos contribuintes para viajar e falar contra o presidente da República, em última análise o seu chefe hierarquicamente mais superior”.

BOZONARO

Durante a apresentação do programa de debates “Estúdio i”, da GloboNews, no último dia 16, Maria Beltrão trocou ao vivo o nome do presidente Jair Bolsonaro (PSL) e o chamou de “Bozonaro”, fazendo referência ao apelido sarcástico que foi dado a ele nas redes sociais. No mesmo momento em que percebe a troca, Beltrão corrige o erro.

QUATRO CPIs

Não faz muito tempo, as comissões parlamentares de inquérito (CPIs) tinham poder de derrubar governos. A administração de Fernando Collor começou a desmoronar depois das revelações trazidas pela CPI do PC Farias. O Congresso também foi colocado de pernas para o ar com o escândalo dos desvios no Orçamento na CPI dos Anões. Até mesmo o Judiciário já foi alvo dessas investigações, numa comissão que revelou superfaturamentos de obras, pagamentos irregulares e tráfico de influência entre outros problemas. Depois de perderem espaço para as investigações conduzidas pela Polícia Federal, Ministério Público, Receita, entre outros, as CPIs estão recuperando seu papel como instrumento de investigações complexas e que enfrentam resistências políticas para irem adiante. Hoje, há pelo menos quatro CPIs funcionando ou com pedido para serem abertas que causam desconforto para grupos políticos importantes.

1. CPI da Lava Toga – Senadores tentam, pela terceira vez, instalar a comissão para investigar irregularidades no Judiciário. O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, já barrou duas vezes o pedido considerando que a investigação não tem fato definido e seria inconstitucional por interferir em outro Poder. Agora, a tentativa de barrar a comissão é liderada pelos bolsonaristas, que são acusados de fechar um acordão com o Supremo.

2. CPI da Vaza Jato – Baseada nas trocas de conversas entre integrantes da Operação Lava Jato, a comissão quer investigar supostos abusos cometidos nas decisões tomadas pela força-tarefa e pelo então juiz Sergio Moro, hoje ministro da Justiça. A esquerda lidera o pedido, mas boa parte do Centrão endossou a iniciativa. A CPI já tem as assinaturas necessárias para funcionar na Câmara, mas depende do sinal verde de Rodrigo Maia.

3. CPI do BNDES – Funciona na Câmara e já está na fase final de tomada de depoimentos e investiga o suposto uso político da instituição pelos governos petistas para desviar recursos públicos e ajudar aliados. O relatório deve pedir indiciamento de políticos importantes do PT.

4. CPMI das Fake News – Bancada pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre, a comissão mista (formada por deputados e senadores) investiga a prática de espalhar informações mentirosas nas redes sociais e em aplicativos com interesses escusos. Os bolsonaristas são contra a existência da CPMI e tentam obstruir seus trabalhos. A oposição comanda a comissão.

Por Marcelo Moraes

CIRO NA BBC

A entrevista de Ciro Gomes à BBC.

DILMA NA SOURBONNE

Vestida de vermelho, diante do auditório lotado da mais tradicional universidade francesa, a Sorbonne, em Paris, a ex-presidente do Brasil Dilma Rousseff, explicou as razões do seu impeachment e os fatores que possibilitaram a eleição de Bolsonaro. “O golpe de 2016, a prisão do Lula e a destruição dos partidos de centro e de direita. Tudo isso com o apoio da mídia, das Forças Armadas, do mercado e de setores políticos, que achavam que seria possível controlá-lo”, disse. A ex-presidente continuou: “O problema é que Bolsonaro não tem chip de moderação”, acrescentou. Sem meias palavras, a ex-presidente também chamou a elite brasileira de “golpista”.

‘BARRIGA DE ALUGUEL’ DOS AGROTÓXICOS

Um levantamento da Agência Pública e da Repórter Brasil mostrou que 75 empresas praticam “transferência de titularidade” no caminho para aprovar novos agrotóxicos. Há outro termo que expõe melhor o que isso significa: “barriga de aluguel”. Em vez de as próprias companhias obterem as licenças para seus produtos, quem faz isso são empresas que dão entrada no pedido, ficam na fila, conseguem os registros e depois os repassam às companhias verdadeiramente interessadas, seja por compra, venda ou transferência. Assim, o longo processo de aprovação é burlado. Só nos últimos 20 meses, 326 registros de comercialização de agrotóxicos mudaram de dono no país. O processo é permitido por lei. Mas traz riscos, pois trocar o proprietário do registro torna o agrotóxico mais suscetível a mudanças em sua composição.

E o governo continua registrando agrotóxicos em velocidade máxima: ontem, o Ministério da Agricultura publicou no Diário Oficial autorizações para mais 63. Desse total, dois são princípios ativos (que servirão de base para produtos inéditos) e cinco são novos produtos que estarão à venda. Os 56 restantes são genéricos de pesticidas que já existem no mercado. Agora, o acumulado do ano chegou a inacreditáveis 325 produtos

Um levantamento feito pela Folha comparou 325 agrotóxicos registrados no Brasil ao longo de 2019 com produtos analisados em várias partes do mundo. E a conclusão é mesmo que estamos consumindo por aqui veneno proibido no resto do planeta. Na União Europeia, 28 dos 96 ingredientes ativos liberados em terras tupiniquins são proibidos. A situação se repete na comparação com Austrália (36), Índia (30) e Canadá (18). Os EUA são o país que chega mais perto na nossa situação: eles aprovaram 93 desses 96 ingredientes que receberam sinal verde aqui.  

LOBÃO E O FAKEIRO

O cantor Lobão afirmou em entrevista ao Catraca Livre, do jornalista Gilberto Dimenstein, que o blogueiro bolsonarista Allan dos Santos está morando em uma “mansão” no lago sul de Brasília, que seria bancada pelo deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP). “A minha fonte lá de Brasília me mandou um whatsapp: você sabe quem está morando aqui? O Allan dos Santos. Morando numa mansão no lago Sul, que o Eduardo Bolsonaro está bancando”, afirmou Lobão, ressaltando que o objetivo do clã Bolsonaro era colocar o blogueiro como presidente da Empresa Brasil de Comunicação (EBC).

Em tuíte, o blogueiro, que atua produzindo fake news pró-Bolsonaro desde a campanha, não negou as informações e atacou Lobão. “Seria tão bom se o Lobão quisesse falar de mim apenas. Falar que não sou conservador, que sou reacionário etc. Porém, falar onde moro para colocar a vida da minha esposa e dos meus bebês em risco? Pare com isso, cara. Deixa de ser filho da puta”, declarou Allan.

CANALHICE DAS BOAS

Incluída na pauta de votações da Câmara repentinamente, a proposta que proíbe auditores fiscais de repassar para o Ministério Público indícios de crimes como lavagem de dinheiro, evasão de divisas e corrupção é reincidente e indecorosa. É reincidente porque os parlamentares já haviam tentado aprovar a novidade como carona na medida provisória editada por Jair Bolsonaro para reestruturar a Esplanada dos Ministérios. É indecorosa porque é uma manobra tão inqualificável que ficou muito fácil de qualificar: Pilantragem.

Por Josias de Souza

ACUSADOS NO MARANHÃO

O núcleo político da família Sarney sofreu um revés. Ricardo Murad, cunhado de Roseana Sarney e ex-secretário de saúde do Maranhão durante seu governo, foi acusado pelo Ministério Público Federal de liderar um esquema criminoso de desvio de verbas federais destinadas ao estado. O prejuízo ao Fundo Nacional de Saúde teria sido de R$ 2,9 milhões entre 2011 e 2013, segundo os procuradores à frente do caso. O dinheiro era administrado por uma Oscip chamada Bem Viver, que teria emitido cheques para empresas de fachada que, na verdade, beneficiariam oito pessoas, incluindo o deputado estadual Antonio Pereira Filho (DEM) e empresários. 

SHOW DO MILHÃO

Dizem nos bastidores de Brasília que o deputado federal Alexandre Padilha (PT-SP) teve que exercer a medicina em pleno Congresso. Mas por um bom motivo: é que três dos 49 assessores da liderança do Partido dos Trabalhadores na Câmara tiveram picos de pressão após receber a notícia do sorteio da Mega-Sena. O bolão feito pelo grupo, que aposta há anos, levou sozinho o prêmio de R$ 120 milhões. 

Piadas à parte, os novos milionários petistas tiveram uma atitude nobre. De acordo com informações do cientista político Emir Sader, eles vão “compartilhar o prêmio com as 4 copeiras que costumavam participar, mas não o fizeram esta semana”.

O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), foi parar nos TTs do Twitter ao responder para o seu colega de partido, o deputado federal Kim Kataguiri: “Deputado Kim, você tem que ser liberal em tudo, não dá pra querer o dinheiro dos outros”. Um pouco antes, Kim pediu a palavra no plenário da casa parabenizou os assessores da liderança do PT vencedores do prêmio da Mega-Sena de R$ 120 milhões. Logo a seguir, com ironia, o deputado disse: “Quero ver se o pessoal vai socializar esse dinheiro ai ou se vai ficar só na liderança do PT”.

COM FORO OU SEM FORO

Mais polêmicas no caso Queiroz. Após a procuradora Soraya Taveira Gaya ter decidido conceder foro privilegiado ao senador Flávio Bolsonaro (PSL-RJ), promotores do Grupo de Atuação Especializada no Combate à Corrupção (GAECC), do Ministério Público do Rio de Janeiro, protestaram contra a decisão. Os promotores de 1ª instância, que investigam o caso Queiroz, querem manter “a competência da Justiça Estadual do Rio de Janeiro em primeiro grau para o eventual processamento e julgamento do senador”. Eles argumentam que não se aplica o foro privilegiado em casos como o de Flávio desde 1999.

O filho do presidente Jair Bolsonaro é investigado por suposto crime de “rachadinha” no período em que foi deputado estadual. A defesa solicita que o caso seja analisado pelo Órgão Especial do Tribunal de Justiça (TJ) do Rio, alegando que a Justiça de 1ª instância não tem competência para julgar o caso devido ao suposto direito de Flávio ao foro privilegiado. Como você viu aqui no BRP, a procuradora de 2ª instância, Soraya, atendeu ao pedido da defesa por entender que, como as investigações têm relação com a época em que o senador foi deputado, ele teria direito ao foro. Porém, segundo o GAECC, que investiga o caso Queiroz, a concessão de foro privilegiado a alguém que já não ocupa mais o cargo público em questão foi abolida do direito brasileiro em 1999.

Equipe BR Político

O deputado Alexandre Frota (PSL-SP) retomou sua metralhadora giratória no Twitter, mirando o clã Bolsonaro. Na quarta-feira (18), o parlamentar voltou a criticar as manobras jurídicas de Flávio Bolsonaro (PSL-SP) sobre as investigações do caso Queiroz e já se mostrou arrependido de ter participado dos movimentos que resultaram no golpe contra Dilma Rousseff (PT). O deputado Alexandre Frota (PSL-SP) retomou sua metralhadora giratória no Twitter, mirando o clã Bolsonaro. Nesta quarta-feira (18), o parlamentar voltou a criticar as manobras jurídicas de Flávio Bolsonaro (PSL-SP) sobre as investigações do caso Queiroz e já se mostrou arrependido de ter participado dos movimentos que resultaram no golpe contra Dilma Rousseff (PT).

E os seguidores Carlos Bolsonaro nas redes sociais começaram a se dar conta de que o filho Zero Dois do presidente da República modula suas diatribes com uma escala métrica. A distância é crítica. A proximidade é conivente.

Na noite deste sábado (14), enquanto fazia companhia a Jair Bolsonaro no hospital, Carluxo foi às redes para insinuar que a imprensa ignora o pedido de CPI protocolado pela oposição na Câmara para fustigar Sergio Moro. Leia abaixo:

Carluxo recebeu uma enormidade de respostas cobrando um posicionamento sobre o esforço do irmão Flávio Bolsonaro para sepultar no Senado a chamada CPI da Lava Toga. Além de ser o único senador do PSL que não assinou o requerimento da CPI sobre a atuação dos ministros do Supremo, Flávio se move nos subterrâneos para convencer os colegas a retirar seus jamegões do requerimento. Alguns internautas capricharam na acidez. Vão empilhados abaixo os exemplos:

Tomados pelo teor das cobranças que endereçaram a Carluxo, os internautas enviaram para o Zero Dois o seguinte recado: Quem tem calos não deve se meter em apertos. Criticar quem está distante e ser conivente consigo mesmo e com seus familiares é mais ou menos como bater bumbo sob um telhado de vidro.

O senador Flávio Bolsonaro diz ser um político honesto, muito honesto, honestíssimo. Mas o Ministério Público do Rio de Janeiro colocou em dúvida a honestidade do primogênito de Jair Bolsonaro. Correm contra o Zero Um e seu ex-faz-tudo Fabrício Queiroz processos constrangedores. Um inocente convencional faria questão de ser julgado rapidamente, para demonstrar sua honorabilidade. Mas Flávio vai se revelando um inocente sui generis.

Acusado de peculato, lavagem de dinheiro e formação de organização criminosa, Flávio parece incomodado com a perspectiva de ser investigado e julgado. O personagem conspira contra a celeridade do sistema judiciário. Parece considerar que Justiça boa é Justiça lenta, de preferência parada.

Eleito senador, Flávio pediu que o caso subisse para o Supremo. O ministro Marco Aurélio Mello indeferiu. O Zero Um requereu à Suprema Corte o trancamento do processo. O ministro Dias Toffoli deferiu a trava. Agora, Flávio exige ser julgado em foro privilegiado de âmbito estadual. Quer que seu processo migre das mãos de um juiz singular de primeira instância para um colegiado do Tribunal de Justiça do Rio, com 25 desembargadores.

Os novos pedidos de Flávio Bolsonaro foram à mesa da desembargadora Mônica Tolledo de Oliveira. Ela requisitou a manifestação do Ministério Público. Coube à procuradora Soraya Taveira Gaya responder. A doutora produziu para Flávio uma manifestação de sonho.

Soraya Gaya Anotou que a condição de filho do presidente faz crescer o "interesse da nação no desfecho da causa…". Escreveu que o juiz de primeiro grau carrega "um grande fardo nos ombros". Colocou-o em honrosa companhia: "Nem Cristo carregou sua cruz sozinho". Tomada pelas palavras, a procuradora parece enxergar na primeira instância não um juiz, mas uma piada.

No seu esforço para retardar o veredicto, Flávio Bolsonaro não deseja apenas fazer o processo subir de instância. Ele reivindica que o Tribunal de Justiça anule tudo o que foi enfiado dentro dos autos até o momento —dos despachos do magistrado às provas e indícios recolhidos em função das quebras de sigilo bancário e fiscal.

Flávio Bolsonaro quebra lanças por um julgamento lento. Apaixonou-se pela dúvida que paira sobre sua cabeça. E vem sendo plenamente correspondido. Atribui o rebuliço à sua volta a uma hipotética perseguição.

O primogênito enxerga suspeitos em toda parte —no ex-Coaf, no Ministério Público, na primeira instância do Judiciário… Para Flávio, todos são suspeitos. Só ele é imaculado. No ritmo que escolheu ser processado, o filho mais velho do presidente será candidato em 2022 não à reeleição para o Senado, mas ao posto de santo.

Por Josias de Souza

SABE NADA

Com a experiência de quem sofreu um processo de impeachment em 1992, o ex-presidente Fernando Collor considera que o presidente Jair Bolsonaro tem adotado em seu governo um rumo negativo, que pode lhe colocar em "palpos de aranha" (apuros). Na sua leitura, o atual ocupante do Palácio do Planalto parece não ter "noção" do que está fazendo, ao manter o discurso radicalizado de campanha.

INACEITÁVEL

Observada isoladamente, a proposta que desvirtua as regras eleitorais e partidárias é inaceitável. Mas ela se torna inacreditável quando é vista como peça de uma engrenagem maior. Vale a pena tomar distância da cena específica para enxergar o cenário por inteiro. Quem faz isso percebe que há sobre o palco algo muito parecido com uma máquina de moer moralidade. Além do projeto que abre brecha para o caixa dois e otras cositas más, há em cena a lei de abuso de autoridade, uma CPI da Lava Jato, uma emenda que proíbe juízes de primeira instância de decretar medidas cautelares contra políticos graúdos, um projeto que impede auditores de comunicar indícios de crimes ao Ministério Público. (Veja comentário abaixo)

TEM QUE ACEITAR

O Conselho Federal de Medicina publicou esta semana uma resolução estabelecendo “normas éticas para a recusa terapêutica”. Ela diz que todo paciente “maior de idade, capaz, lúcido, orientado e consciente” pode recusar se submeter a procedimentos ou tratamentos propostos pelo médico. Mas, no artigo 5º, uma bizarra exceção: “A recusa terapêutica manifestada por gestante deve ser analisada na perspectiva do binômio mãe/feto, podendo o ato de vontade da mãe caracterizar abuso de direito dela em relação ao feto” – embora não fique claro como se vai analisar e decidir o que é ou não é abuso.  

Noutras palavras: se uma mulher se recusar a passar por procedimentos invasivos e desnecessários que caracterizam violência obstétrica, isso pode ser considerado “abuso de direito”. E, quando há abuso de direito, “a recusa terapêutica não deve ser aceita pelo médico”.  

A matéria de Bruna de Lara, no Intercept, lembra a distópica Gilead, criada por Margaret Atwood em O conto da aia. Lá, mulheres só servem para o estupro, a gravidez e a maternidade e, durante a gestação, são tratadas como incubadoras, precisando abdicar de toda e qualquer vontade em detrimento do feto. “O Conselho passa a mensagem de que o feto está em condição superior à da mulher, que não tem capacidade de escolher o que autoriza ou não que seja feito a seu corpo. E de que a gravidez é, agora, uma condição infantilizadora, capaz de transformar uma adulta lúcida em criança, adolescente ou pessoa desprovida do ‘pleno uso de suas faculdades mentais’ – os únicos grupos que, até o início desta semana, não tinham direito à recusa terapêutica”, diz a repórter. 

MAIS UM ESQUEMA ENVOLVE ‘OS’

Uma mesada de R$ 500 mil, viagens em jatinhos particulares, consultas médicas em unidades de saúde de luxo… Essas são algumas das vantagens indevidas que, segundo uma investigação da Polícia Federal, teriam sido recebidas pelo senador Omar Aziz (PSD-AM) e seus familiares. Aziz foi governador do Amazonas e esses recursos teriam sido desviados da saúde. Mais especificamente dos repasses da secretaria ao Instituto Novos Caminhos (INC), organização social contratada para gerenciar unidades de saúde que recebeu entre 2014 e 2015 – período investigado – R$ 276 milhões. O INC lavava o dinheiro contratando empresas que não prestavam serviços descritos nas notas fiscais ou superfaturavam os valores cobrados. 

UOL teve acesso ao relatório sigiloso da PF, de mais de 300 páginas, construído a partir de interceptações telefônicas e mensagens de celulares apreendidos. O material mostra, por exemplo, o dirigente do INC, Mouhamad Moustafa, pedindo a um funcionário que compre um relógio de R$ 36 mil para o senador. Moustafa foi preso no âmbito da operação Maus Caminhos, que atingiu o INC e, desde julho, tenta chegar perto do núcleo político. Naquele mês, a mulher e três irmãos de Aziz chegaram a ser presos, mas foram soltos na sequência. A PF indiciou o senador por lavagem de dinheiro e participação em organização criminosa. Mas a defesa de Aziz conseguiu suspender a investigação. A reportagem do UOL nota a influência de Aziz, que foi um dos principais articuladores da eleição de Davi Alcolumbre (DEM-AP) para a presidência do Senado e, atualmente, preside a Comissão de Assuntos Econômicos da Casa. 

GREVE PELO CLIMA

A Greve Global pelo Clima realizada nesta sexta (20) em vários países e, por aqui, deve ter atos em pelo menos 50 cidades. Na Câmara, parlamentares e ativistas anunciaram que o movimento no Brasil vai reivindicar 15 medidas para o governo, como a aplicação dos recursos previstos para o Fundo Clima, o Fundo Amazônia, a Compensação Ambiental e a Conversão de Multas. Para dar sequência à mobilização, os movimentos populares e ambientais pretendem organizar um Fórum Socioambiental para o início do ano que vem.

NOS EIXOS

A Suprema Corte precisa colocar o país nos eixos, defendeu o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em entrevista ao portal Fórum, gravada na quarta-feira (18), e veiculada na noite de quinta-feira (19). Lula disse que espera que o Supremo Tribunal Federal (STF) reconheça que o juiz de primeira instância e atual ministro da Justiça de Bolsonaro, Sergio Moro, “deitou e rolou”. Lula fez a afirmação referindo-se ao conluio entre o juiz e os procuradores do Ministério Público Federal, para acusá-lo no processo da Lava Jato que levou à sua prisão. Fez referência também ao recurso de sua defesa que o STF julgará em breve quanto à suspeição de Moro.

CHICO

Na tarde de quinta-feira (19), o cantor Chico Buarque visitou o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva na carceragem da Polícia Federal em Curitiba (PR). O artista esteve acompanhado da advogada Carol Proner, integrante da Associação Brasileira de Juristas pela Democracia (ABJD), o ex-ministro Celso Amorim e o ex-prefeito de São Paulo, Fernando Haddad. Na saída, Chico Buarque pediu a liberdade de Lula e se solidarizou com os militantes que seguem na frente da sede da Polícia Federal, mesmo após as fortes chuvas que prejudicaram as instalações.


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