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Sábado 23.nov.2019

Ano VIII - Nº 373

Brasil

Desigualdade também na falta de internet

Cerca de 48 milhões de brasileiros não têm acesso. Embora os smartfones tenham aumentado o número de internautas – 76% na classe C e 40% na classe D – falta de conexão isola ainda mais a população que mais carece de serviços públicos

Postado em 12 de Setembro de 2019 - Camilo Rocha - Nexo

Foto: Nacho Doce Foto: Nacho Doce

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O número de brasileiros que se conecta à internet aumentou mais uma vez na comparação ano a ano, dando continuidade à tendência histórica de crescimento. No total, 70% da população acessou a rede pelo menos uma vez nos últimos três meses, segundo dados do Cetic (Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação), ligado ao Comitê Gestor da Internet do Brasil.

A informação está no levantamento TIC Domicílios 2018. O estudo, realizado desde 2005, traz uma radiografia do uso da internet no país. Entre os dados que ele contém estão:

Graças à popularização dos smartphones, as classes C e D/E tiveram aumentos consideráveis no uso da internet. Os índices subiram de 60% para 76% (classe C) e de 23% para 40% (D/E)

Entre os usuários totais de internet, 89% acessam a rede todos os dias ou quase todos os dias.

Em relação aos dados sobre o local em que a pessoa acessa a rede, o levantamento mostra que 95% da população fica online em casa e 47% “em deslocamento”, ou seja, por meio de dispositivo móvel como smartphone ou tablet.

Um total de 67% dos domicílios brasileiros contam com acesso à internet, o equivalente a 46,5 milhões de lares.

Entre aqueles que acessam a internet, 97% usam o celular para isso. O uso do computador para o mesmo fim varia conforme a classe social. Se na classe A, 88% também se valem do computador, nas classes D e E esse índice cai para 15%.

Os ‘sem internet’

A pesquisa mostra também a maneira como a desigualdade digital reproduz a desigualdade real do país nos recortes que compõem o grupo de pessoas que nunca acessaram a internet. Um total de 23% dos brasileiros nunca ficou online, aproximadamente 48 milhões de pessoas, mais do que o número de habitantes do estado de São Paulo.

Com a crescente disponibilidade de serviços de toda sorte na internet, cidadãos desconectados tendem a ficar cada vez mais excluídos. Indivíduos e comunidades fora da rede ficam alijados de inúmeras facilidades em áreas como procura de emprego, serviços públicos, conteúdo educacional, cultura e comunicação.

Por área

De acordo com os dados do levantamento, as pessoas que nunca acessaram a internet têm maior probabilidade de morar fora da cidade. Nas áreas rurais, chega a 41% a fatia da população que nunca entrou na rede. Entre habitantes de áreas urbanas, o índice cai para 20%.

Por região

Quando se olha para as regiões do Brasil, não há disparidades significativas. Os extremos são o Nordeste, onde 29% das pessoas jamais estiveram online, e o Sudeste, onde o índice está em 20%.

Por faixa etária

Previsivelmente, pessoas de mais idade têm mais chances de não terem conhecido a internet. O índice de 32% para brasileiros entre 45 e 59 anos, entretanto, é bastante alto. Quando se olha para a população com mais de 60 anos, a taxa vai para 68%.

Por grau de instrução

Entre a parte da população que é analfabeta ou só frequentou a educação infantil, 83% nunca acessaram a rede. Quando se olha para pessoas que tiveram o ensino fundamental, o índice cai, mas ainda assim é elevado: 35%. A porcentagem de brasileiros com ensino médio (6%) e superior (2%) que nunca estiveram online indicam uma situação de grande disparidade.

Classe social

Novamente, o alcance do acesso varia substancialmente conforme a classe social. Se na classe A, apenas 8% nunca navegaram na internet, na faixa D e E, esse índice dispara para 41%.

Renda familiar

Quanto mais dinheiro em casa, maior a probabilidade de ter acesso à rede. Se entre famílias que ganham mais de 10 salários mínimos, apenas 7% das pessoas nunca entraram na internet, aqueles que ganham até um salário mínimo contam com uma taxa de 35% de acesso zero.


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