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Domingo 08.dez.2019

Ano VIII - Nº 374

Comportamento

Cerca de 800 mil pessoas se suicidam por ano, diz OMS

No Brasil, os jovens estão entre os que mais tiram a própria vida

Postado em 10 de Setembro de 2019 - DW e Carina Brito (Galileu)

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Cerca de 800 mil pessoas, uma a cada 40 segundos, se suicidam todos os anos no mundo, de acordo com um relatório apresentado nesta segunda-feira (09/09) pela Organização Mundial da Saúde (OMS). O suicídio é a segunda principal causa de morte de jovens entre 15 e 29 anos, atrás apenas de acidentes de trânsito.

"Cada morte é uma tragédia para a família, amigos e colegas. Suicídios, porém, são evitáveis. Pedimos a todos os países que incorporem estratégias comprovadas de prevenção ao suicídio nos programas nacionais de saúde", afirmou o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus.

Os dados mais recentes disponíveis revelam que, em 2016, a taxa global de suicídios ficou em 10,5 por 100 mil pessoas. No Brasil, os casos ficaram abaixo da média global, com 6,1. No país, 13.467 tiraram a própria vida naquele ano.

De acordo com a OMS, enquanto a maioria dos suicídios, 79%, ocorre em países de baixa e média renda, países mais ricos registram, porém, a maior taxa (11,5 por 100 mil habitantes).

O país com a maior taxa de suicídio é a Guiana, com mais de 30 por 100 mil habitantes, seguido da Rússia, com 26,5. No topo desta lista, figuram também Lituânia, Lesoto, Uganda, Sri Lanka, Coreia do Sul, Índia e Japão, além dos Estados Unidos, que registraram 13,7 suicídios por 100 mil habitantes.

O relatório mostrou ainda que, em todas as idades, o suicídio apresenta uma taxa maior entre homens do que entre mulheres, com uma média global 1,8 vez superior. Nos países desenvolvidos, porém, o número de homens que tiram a própria vida é três vezes maior que o das mulheres, embora os números entre os gêneros sejam mais semelhantes nos países em desenvolvimento, onde quase quatro em cada cinco suicídios são registrados.

A OMS destaca ainda uma redução na taxa global de suicídios, que de 14 por cada 100 mil habitantes no início deste século para 10,5 em 2016, sendo o continente americano a única região onde houve um aumento no número de casos.

Segundo o relatório, os métodos mais comuns de suicídio são enforcamento, envenenamento por agrotóxicos e armas de fogo. Reduzir o acesso às armas e outros meios de tirar a própria vida é, segundo a OMS, uma das melhores medidas preventivas.

A OMS iniciou campanha para proibir ou pelo menos limitar o acesso a pesticidas, método usado para um em cada cinco suicídios e muito frequente nas áreas rurais dos países em desenvolvimento. Muitas vezes, suicídios com agrotóxicos "ocorrem em momentos de angústia, de maneira impulsiva, quando a pessoa pode ter dúvidas sobre se deve ou não tirar a própria vida. Nesta circunstância, você não deveria ter acesso a um método tão rápido", disse Alexandra Fleischmann, do departamento de saúde mental da OMS.

A organização argumenta, por exemplo, que na Coreia do Sul, um país com uma alta taxa de suicídio, os casos foram reduzidos pela metade entre 2011 e 2013 após a proibição de um potente herbicida.

O suicídio é, depois dos acidentes de trânsito, a segunda principal causa de mortes entre jovens de 15 a 29 anos, com mais de 200 mil casos em 2016, por isso a OMS procura focar na prevenção em faixas etárias mais jovens.

"É importante trabalhar com jovens nas escolas, ensiná-los como superar os problemas e situações estressantes", afirmou Fleischmann, também destacando o papel dos meios de comunicação para prevenir o suicídio, por exemplo não lhe dando uma aura romântica nem sensacionalista.

As Nações Unidas estabeleceram nos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável reduzir em um terço a taxa global de suicídios antes de 2030, no entanto, com o atual ritmo, essa meta não seria alcançada, alerta a organização.

6 fatos que provam por que ainda precisamos falar de suicídio

1. Uma pessoa morre a cada 40 segundos

Apesar do progresso nos programas de prevenção, os dados ainda são assustadoramente altos: uma pessoa morre a cada 40 segundos por suicídio. Em comunicado, o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesu, lembra que o suicídio pode ser evitado (saiba mais no item 5). 

2. A taxa de suicídio é mais alta nos países ricos

A taxa global de suicídio é 10,5 casos para cada 100 mil habitantes, segundo um levantamento global feito em 2016 pela OMS. Mas os índices variam bastante entre países: apesar de 79% dos suicídios no mundo terem acontecido em nações de baixa e média renda, os territórios ricos concentram a maior prevalência, 11,5 episódios a cada 100 mil pessoas.

Além disso, há diferenças entre homens e mulheres: a taxa de suicídio é quase três vezes maior entre eles nos países de alta renda. Já em lugares mais pobres, os índices são mais equilibrados entre os sexos.

3. Segunda principal causa de morte entre jovens

O suicídio é a segunda principal causa de morte entre jovens de 15 a 29 anos; só fica atrás de acidentes nas estradas. Entre os adolescentes de 15 a 19 anos, o suicídio é a segunda principal causa de morte entre meninas e a terceira principal causa de morte em meninos.

4. Todo ano, 800 mil pessoas morrem por suicídio 

Com 800 mil mortes, o suicídio está entre as 20 principais causas de morte em todo o mundo. Mais pessoas perdem a vida para esse problema do que para doenças como malária e câncer de mama ou mesmo guerra e homicídio.

5. O suicídio é evitável

Considerando que as principais formas de suicídio são enforcamento, ingestão de pesticidas e armas de fogo, é possível tomar medidas para evitá-lo. De acordo com a OMS, algumas delas são: restringir o acesso aos meios pelos quais a pessoa pode se matar; educar a mídia sobre denúncia responsável de suicídio; implementar programas entre os jovens para desenvolver habilidades que os permitam lidar com o estresse; identificação precoce, gerenciamento e acompanhamento de pessoas em risco de suicídio.

Segundo a OMS, há cada vez mais evidências de que proibir certos pesticidas pode levar a uma redução nas taxas nacionais de suicídio. O país mais estudado é o Sri Lanka, onde uma série de proibições reduziu em 70% os suicídios. Estima-se que 93 mil vidas foram salvas entre 1995 e 2015. 

6. Casos aumentam no Brasil

O assunto tem importância ainda maior no Brasil: a cada 46 minutos, alguém tira a própria vida. Mais preocupante ainda é o fato de que, ao acontrário do que vem acontecendo no resto do mundo, os índices de suicídio crescem por aqui, especialmente entre os mais novos.

Segundo uma pesquisa publicada no Jornal Brasileiro de Psiquiatria, a taxa de suicídio entre adolescentes de 10 a 19 anos aumentou 24% entre os anos de 2006 e 2015, considerando os moradores das maiores cidades brasileiras. De acordo com o Ministério da Saúde, é a quarta maior causa de morte em jovens no nosso país.


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