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Sexta-Feira 15.nov.2019

Ano VIII - Nº 371

Legislativo

Aparelhos portáteis que medem a quantidade de material particulado do ar começam ser testados em Campo Grande

Por ano, em média, morrem 50 mil pessoas no Brasil por conta de problemas agravados ou gerados a partir da poluição do ar

Postado em 29 de Agosto de 2019 - Redação Semana On

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Até o final do ano. Esta é a previsão para que comece a ser feito monitoramento em tempo real da qualidade do ar, por meio de uma central que será instalada no campus da UFMS em Campo Grande. Enquanto a central não é instalada, professores da Faculdade de Física já testam dois aparelhos portáteis utilizados para medir partículas inaláveis finas presentes no ar e que são nocivas à saúde.

O professor doutor Widinei Fernandes, da Faculdade de Física da UFMS, demonstrou ao vereador Eduardo Romero (Rede) como funciona o medidor de material particulado. O aparelho utilizado está regulado para medir a concentração das mais finas partículas, que são as mais nocivas para a saúde, pois conseguem entrar na corrente sanguínea e atingir os alvéolos pulmonares. Há outro aparelho na UFMS em teste que está regulado para medir material particulado mais grosso como fuligem das queimadas.

As medições instantâneas desta manhã foram feitas em três pontos da Praça Ary Coelho. A primeira foi próxima ao chafariz e a presença de material particulado chegou ao nível de 8 microgramas por metro cúbico. O segundo local foi um ponto de ônibus na Rua 13 de Maio que teve índice de 18 microgramas por metro cúbico. O local com maior presença de material particulado foi em um ponto de ônibus na Avenida Afonso Pena que chegou a 30 microgamas por metro cúbico.

Para se ter uma ideia do que representam os índices captados nas medições instantâneas, a Organização Mundial de Saúde (OMS) preconiza que a partir de 25 microgramas por metro cúbico já é considerado índice prejudicial à saúde. A legislação brasileira é mais permissiva e preconiza que a partir de 60 microgramas por metro cúbico é que começa a ser prejudicial à saúde. Fazendo ainda um comparativo, o ponto da Praça Ary Coelho que teve maior presença de material particulado representou naquele momento o mesmo que uma pessoa ter ficado exposta a 1,5 cigarro aceso.

No dia 18 de agosto o professor Widinei fez uma medição instantânea nas proximidades de uma área atingida por incêndio em vegetação, na saída para Cuiabá, nas proximidades de um shopping e um condomínio. Lá o índice foi alarmante de 400 microgramas por metro cúbico, ou seja, o mesmo que se uma pessoa tivesse ficado exposta a 18 cigarros acesos.

O professor destaca que o chuvisco que teve em vários pontos de Campo Grande contribuiu para melhorar um pouco a qualidade do ar. Além disso, o equipamento utilizado está calibrado para partículas finas e ao alcance do nariz. Na proximidade do chão é bem mais carregado.

O vereador Eduardo Romero, que é vice-presidente da Comissão Permanente de Meio Ambiente da Câmara, pontua que estes dados que começam a ser calibrados pela UFMS são de grande valia para conscientização da população quanto aos males que incêndios urbanos e florestais causam, além de reforçar a importância de ser pensar a mobilidade urbana além do uso de veículos motorizados e a importância da preservação do meio ambiente.

Eduardo Romero é autor de uma emenda parlamentar ao orçamento deste ano para alocar recursos para colocar em funcionamento a central de monitoramento fixa da qualidade do ar, no campus da UFMS. O recurso está previsto na pasta da Semadur e está dependendo apenas de questões burocráticas da pasta para liberação. Por meio de painel de led o campo-grandense vai poder acompanhar como está a qualidade do ar, numa estrutura prevista para ser montada próxima ao monumento conhecido como paliteiro.

A central fixa de monitoramento foi liberada pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) e pelo termo de cedência existe um prazo para que seja colocada em operação sob o risco de ser retomada pelo instituto.

Riscos

Por ano, em média, morrem 50 mil pessoas no Brasil por conta de problemas agravados ou gerados a partir da poluição do ar. O número é praticamente o mesmo de mortes no trânsito. Estes foram alguns dados apresentados pelo professor Paulo Saldiva, da USP, que durante a 71ª Reunião Anual da SBPC, maior evento científico da América Latina que aconteceu no campus da UFMS em Campo Grande.

O médico apresentou pesquisas realizadas em São Paulo e outras cidades do País, além de dados internacionais que mostram a relação do modo de vida, o local que se vive, o tempo de deslocamento e exposição no trânsito e os reflexos que a poluição do ar junto a tudo isto ou apenas ela traz de malefícios para o ser humano.

Paulo Saldiva destacou durante a palestra o fato de Campo Grande estar com projeto para instalar a primeira estação de monitoramento da qualidade do ar. 'Recebi esta informação aqui e fiquei muito feliz’, destacou.

O que são

Partículas Inaláveis Finas (MP 2,5) podem ser definidas de maneira simplificada como aquelas cujo diâmetro aerodinâmico é menor ou igual a 2,5 µm (micrômetro por metro cúbico). Devido ao seu tamanho diminuto, penetram profundamente no sistema respiratório, podendo atingir os alvéolos pulmonares.

Estudos relacionados aos efeitos da poluição na saúde mostraram a associação entre a exposição ao material particulado fino com mortes prematuras, doenças mutagênicas e problemas respiratórios, pois é esta a fração que penetra no trato respiratório humano (nível alveolar) (Fonte: Cetesb)


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