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Terça-Feira 22.out.2019

Ano VIII - Nº 368

Coluna

Dezoito marcas suspendem compra de couro do Brasil, diz indústria

Vans, Kipling e Timberland estão entre as fabricantes, segundo carta do Centro das Indústrias de Curtumes do Brasil; motivo são as queimadas na Amazônia

Postado em 28 de Agosto de 2019 - Veja

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Ao contrário do que divulgou o presidente Jair Bolsonaro (PSL), na tarde de quarta-feira (28), dizendo que era falsa a notícia de que 18 marcas suspenderam a compra de couro brasileiro, empresas ouvidas pela Folha de S.Paulo na quinta (29) confirmaram o boicote. Em nota, as marcas alegaram que a suspensão será aplicada até que “haja uma segurança em relação a origem dos produtos”.

“A VF Corporation e suas marcas decidiram não seguir abastecendo diretamente com couro e curtume do Brasil para nossos negócios internacionais até que haja a segurança que os materiais usados em nossos produtos não contribuam para o dano ambiental no país”, alegou a empresa, que atua como gestora da Kipling, Timberland, Vans e outras marcas que também suspenderam o uso do couro brasileiro.

Na mensagem, a empresa também defendeu que seus negócios “visam empoderar movimentos de estilo de vida ativo e sustentável”.

A notícia de que mais de 18 marcas internacionais cancelariam a compra de couro brasileiro foi divulgada na terça-feira (27) por meio de uma carta aberta enviada ao ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, pelo Centro das Indústrias de Curtume no Brasil (CICB). No texto, as marcas justificam o boicote por conta das notícias que relacionavam as queimadas na Amazônia ao agronegócio e à irresponsabilidade ambiental do governo de Jair Bolsonaro.

No grupo de marcas de grife da VF Corporation que suspenderam as compras de couro brasileiro estão Timberland, Dickies, Kipling,Vans, Kodiak,Terra, Walls, Workrite, Eagle Creek, Eastpack, JanSport, The North Face, Napapijri, Bulwark, Altra, Icebreaker, Smartwoll e Horace Small.

Na nota, a CICB ainda relata que a suspensão foi recebida com “muita preocupação” pelo setor. “Para uma nação que exporta mais de 80% de sua produção de couros, chegando a gerar 2 bilhões de dólares em vendas ao mercado externo em um único ano, trata-se de uma informação devastadora”, acrescenta.

Na visão da indústria, existe uma “interpretação errônea do comércio e da política internacionais acerca do que realmente ocorre no Brasil e o trabalho do governo e da iniciativa privada com as melhores práticas em manejo, gestão e sustentabilidade. Porém, é inegável a demanda de contenção de danos à imagem do país no mercado externo sobre as questões amazônicas”, completa a nota.

Ao todo, dezoito empresas são citadas na nota: Timberland, Dickies, Kipling, Vans, Kodiak, Terra, Walls, Workrite, Eagle Creek, Eastpack, JanSport, The North Face, Napapijri, Bulwark, Altra, Icebreaker, Smartwoll e Horace Small.

Números

Dados mais recente sobre a exportação de couro, elaborados pela entidade, revelam que, em julho, o setor vendeu para fora do país 84,2 milhões de dólares, aumento de 8,4% em relação ao mesmo mês do ano passado, quando foram exportados 77,7 milhões de dólares. Na comparação com junho deste ano, no entanto, quando a exportação foi de 87,5 milhões de dólares, houve queda de 3,7%.

Empresa americana confirma suspensão de compra de couro brasileiro

A VF Corporation, empresa americana que controla 20 marcas de vestuário e calçados – entre elas a Timberland, Vans, Kipling e The North Face – confirmou na quinta-feira (29) que não vai mais comprar couro de produtores brasileiros.

Segundo a empresa, a medida vai valer até que ela "tenha confiança e segurança de que os materiais usados em seus produtos não estão contribuindo para a degradação ambiental no país".

"Desde 2017, nós aprimoramos nosso abastecimento global de couro através de estudos para garantir que os fornecedores de couro estejam de acordo com nossos requisitos de abastecimento responsável. Como um resultado desse estudo detalhado, não conseguimos assegurar satisfatoriamente que nossos volumes mínimos de couro comprados de produtores brasileiros sigam esse compromisso", disse a empresa em nota distribuída para veículos de imprensa. 

"Sendo assim, a VF Corporation e suas marcas decidiram não seguir abastecendo diretamente com couro e curtume do Brasil para nossos negócios internacionais até que haja a segurança de que os materiais usados em nossos produtos não contribuam para o dano ambiental no país", completou a nota.

A decisão da VF Corporation representa uma das primeiras consequências econômicas para produtores brasileiros desde o início da crise ambiental, que foi alimentada pelos dados negativos do desmatamento e as políticas do governo de Jair Bolsonaro na área ambiental – que são alvo de críticas de ambientalistas e nações estrangeiras.

Diversos políticos brasileiros ligados ao agronegócio já vinham manifestando temor de que a forma como o governo Bolsonaro vem lidando com a crise poderia diminuir o espaço dos produtores do Brasil em mercados do exterior e até mesmo provocar sanções.

As queimadas e a política ambiental brasileira também já levaram a Irlanda e a França, duas nações com fortes lobbies agrícolas locais, a se posicionarem contra o acordo de livre-comércio entre o Mercosul e a União Europeia.

Além da Timberland, Vans, Kipling e The North Face, outras marcas da VF Corporation, que tem sede em Denver, também deixaram de usar couro brasileiro: Dickies, Kodiak, Terra, Walls, Workrite, Eagle Creek, Eastpack, JanSport, Napapijri, Bulwark, Altra, Icebreaker, Smartwoll e Horace Small.


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