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Sexta-Feira 15.nov.2019

Ano VIII - Nº 371

Auau Miau

Como as raças de cachorro evoluíram ao longo da história

Do mimoso poodle ao furioso rottweiler, os diferentes tipos de cães foram desenvolvidos para propósitos específicos

Postado em 20 de Agosto de 2019 - Tomás Mayer Petersen - Galileu

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Humanos e cães se desenvolvem e evoluem juntos há pelo menos 15 mil anos, quando surgiu uma nova espécie (Canis lupus familiaris) derivada da domesticação de lobos cinzentos (Canis lupus). De lá pra cá, realizamos ao longo dos séculos uma das maiores experiências genéticas da história, que resultou em pelo menos 400 raças diferentes de cachorros.

Um estudo publicado em 2017 na revista científica Cell Reports analisou amostras de sangue e mucosa bucal de 1.346 cães de 161 raças diferentes. O trabalho demorou 20 anos para ficar pronto e concluiu que todas essas raças são originadas de 23 tipos específicos a de cães (clados, no jargão da biologia). Essa informação, somada aos registros históricos das grandes migrações humanas e civilizações, nos permite ver com maior clareza como, onde e por quê surgiram as diversas raças caninas.

Do mimoso poodle ao furioso rottweiler, as diversas raças de cães foram desenvolvidas para propósitos específicos. No casos desses dois exemplos, ser uma demonstração viva de fofura ou uma máquina dilacerante, respectivamente.

Conheça as funções que os diversos tipos de raça desempenham e em qual contexto elas foram criadas:

Cães de trenó

Uma das evidências mais antigas de cães domesticados desempenhando um papel na sociedade data de 9 mil anos atrás. Naquela época, a atual Ilha de Zhukov, no nordeste da Sibéria, tinha ligação com o continente. Lá, os cães eram usados tanto com meio de transporte, puxando trenós de neve, quanto como ajudantes na caça.

Como características essenciais para esse tipo de trabalho, esse tipo de cachorro tem pelagem grossa, muita força, espírito de cooperação, patas largas, que funcionam como pás na neve, e capacidade de alternar níveis de velocidade.

Ao longo da história, raças de cães de trenó foram desenvolvidas por povos localizados no Círculo Polar Ártico, como os esquimós do Alasca ou da Groenlândia. Também desempenharam importante papel na Era Heróica da Exploração da Antártida, final do Século 19 e início do Século 20, integrando as comitivas de Ernest Shackleton e Roald Amundsen.

Raças mais conhecidas: Husky Siberiano, Malamute do Alasca e Cão da Groenlândia.

Cães pastorais

Foram desenvolvidos conforme a civilização humana evoluiu na pecuária. São divididos em dois tipos: os cães pastores e os cães de proteção ao rebanho. Os primeiros ajudam a guiar o rebanho. Geneticamente, tiveram suas características predatórias atenuadas a ponto de perseguir as presas (bois ou ovelhas, no caso) sem lhes causar dano. Já os cães de proteção ao rebanho servem como guardas contra predadores.

Os tamanhos dos dois tipos podem variar. O que importa é que eles sejam confiáveis, inteligentes, ágeis e atentos. Cães pastorais foram criados em praticamente todas as regiões do mundo ao longo da história.

Raças mais conhecidas: Komodor, Mastim Espanhol, Rottweiler, Border Collie, Pastor Belga.

Cães de caça

A caça é a atividade que mais utiliza as diversas habilidades dos cães: agilidade, inteligência, atenção, obediência, adestramento, latido alto, olfato apurado. Primeiro, surgiram para ajudar os humanos como uma força de combate extra na luta pela sobrevivência em busca de proteína animal. Conforme a caça deixou de ser uma necessidade e passou a ser mais um esporte, esses cães foram sendo treinados para diversos papéis, como farejar trilhas, apontar as presas, espantar pássaros, capturar os abates em todos os tipos de terreno. Seus tamanhos também são variados, de acordo com o terreno da caça e a presa a ser perseguida.

Raças mais conhecidas: Cocker Spaniel Americano, Labrador, Golden Retriever, Setter Inglês, Pointer Inglês, Poodle.

Cães de guarda

Desde os pequenos pinschers, com seus latidos estridentes, até o grande e feroz fila brasileiro, diversas raças desempenham a função de guarda. Registros de cães de guarda datam da antiguidade: os romanos, por exemplo, colocavam mosaicos na entrada das casas sinalizando aos intrusos a presença de cães de guarda. Embora alguns exemplares de cães pastorais ou de caça sejam usados para guarda, algumas raças foram desenvolvidas especificamente para esse serviço, como o dobermann ou o dogue brasileiro.

Raças mais conhecidas: Doberman, Fila Brasileiro, Akita, Boxer, Pinscher, Chow Chow, Bull Terrier, Cane Corso.

Cães de estimação

Pequenos, inofensivos, obedientes (embora alguns sejam bravos e temperamentais). As próprias características genéticas foram desenvolvidas para isso, como os olhos grandes, os pelos finos e compridos, o tamanho reduzido e a facilidade de adestramento. Os cães de estimação existiram em todas as culturas e períodos da história: o pequinês na China Imperial, os pugs, popularizados na Era Vitoriana na Grã-Bretanha, e os poodle toy, muito populares atualmente.

Raças mais comuns: Shi-tzu, Pug, Poodle, Lulu da Pomerânia, Fox Terrier, Maltês, Beagle, Chihuahua.


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