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Sexta-Feira 15.nov.2019

Ano VIII - Nº 372

Coluna

ONU alerta que a humanidade precisará consumir menos carne: entenda

Relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas sugere dietas com produtos a base de plantas ou de origem sustentável para diminuir os impactos climáticos

Postado em 14 de Agosto de 2019 - Galileu

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Um relatório das Nações Unidas publicado no último dia 8, referente ao Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC),  apoia a redução do consumo de carne por meio de dietas com base em plantas e produtos de origem animal com fontes sustentáveis sustenta que, como forma de mitigar e se adaptar ao aquecimento global.

“Nós não queremos dizer às pessoas o que elas devem comer”, afirmou o ecologista Hans-Otto Pörtner, que é co-presidente de um grupo do IPCC. “Mas seria de fato benéfico, tanto para o clima quanto para a saúde humana, se as pessoas de muitos países ricos consumissem menos carne, e se as políticas locais tivessem incentivos para esse efeito."

O relatório se baseou em um trabalho de dois anos, no qual participaram voluntariamente 103 peritos de 52 países. Antes de ser lançado, o documento foi discutido com governos em Genebra, na Suíça, em agosto.

Em média, cada boi ou vaca produz de 250 a 500 litros de metano por dia – só no Brasil, o rebanho está estimado em 218 milhões de cabeças de gado, de acordo com números do IBGE. O metano tem potencial poluente 25 vezes superior ao gás carbônico. O bilionário volume tóxico é somado à derrubada de vegetação nativa para a abertura de pastos, que diminuem o número de árvores responsáveis por sequestrar o  gás carbônico  durante o processo da fotossíntese e consequentemente aumentar a quantidade de poluentes na atmosfera. 

A expansão territorial para as atividades da pecuária, aliás, não se restringem à destinação de espaços para os animais viverem: relatório da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO-ONU) indica que metade dos grãos produzidos no planeta é utilizada para os 70 bilhões de animais criados para a alimentação humana.

O IPCC ainda incluiu a necessidade de realizar mudanças no uso do solo para limitar o aquecimento global em uma temperatura abaixo de 2º C  — meta prevista  pelo Acordo de Paris, em 2015. Só a agricultura e a silvicultura (cultivo de florestas para atender ao mercado) representam 23% das emissões humanas de gases do efeito estufa, responsáveis pelo aquecimento global.

A publicação alerta também para a necessidade de proteção de florestas tropicais úmidas como as da Amazônia e mostra como as mudanças climáticas podem causar a degradação do solo no mundo, prejudicando a produção de alimentos. Segundo o relatório, um quarto da área da Terra já tem o solo degradado.

Cerca de 500 milhões de pessoas vivem em áreas de desertificação, zonas que são mais vulneráveis às mudanças climáticas e a eventos extremos, incluindo secas, ondas de calor e tempestades de poeira.

“As escolhas que fazemos sobre a gestão sustentável do solo podem ajudar a reduzir e, em alguns casos, a reverter esses impactos adversos”, afirma Kiyoto Tanabe, copresidente da Força-Tarefa sobre Inventários Nacionais de Gases do Efeito Estufa.


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