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Segunda-Feira 18.nov.2019

Ano VIII - Nº 372

Coluna

“Era uma vez em... Hollywood”: a homenagem de Quentin Tarantino ao cinema

Nono filme do diretor revisita os assassinatos cometidos pela seita de Charles Manson nos anos 60

Postado em 14 de Agosto de 2019 - Marília Marasciulo - Galileu

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Por algumas semanas do verão do ano passado, Los Angeles foi transportada de volta para o fim da década de 1960. É que Quentin Tarantino estava gravando seu nono longa-metragem, Era Uma Vez em Hollywood, que estreia nos cinemas brasileiros no dia 15 de agosto. Com um estilo tão particular de criação que o faz parar longos trechos de freeways e preenchê-los com carros de época só para não usar efeitos especiais, o diretor recriou os cenários de décadas atrás para fazer uma declaração de amor ao cinema hollywoodiano.

“Por muito tempo eu queria fazer algo não necessariamente sobre 1969, mas um filme sobre fazer filmes, e algo que fosse na Los Angeles da minha juventude”, disse o diretor, que nasceu no estado norte-americano do Tennessee, mas cresceu no sul de Los Angeles. Sobre parar a cidade para as filmagens ele brinca: “acho que não agradamos muito aos moradores com isso”.

As bilheterias da estreia nos EUA (por lá, o filme chegou aos cinemas no dia 26 de julho), porém, sugerem o contrário. No primeiro fim de semana, o filme arrecadou US$ 40 milhões (equivalente a R$ 160 milhões na atual cotação), maior bilheteria de abertura da carreira do diretor.

Embora tenha sido anunciado como “o filme de Tarantino sobre os crimes cometidos pela seita de Charles Manson”, a história conta a relação de um ator decadente de filmes de western (os famosos bang-bang do Velho Oeste), Rick Dalton (Leonardo DiCaprio), com o seu seu dublê, Cliff Booth (Brad Pitt).

Dalton é vizinho de Roman Polanski e Sharon Tate (Margot Robbie). E como era de se esperar, ele e Booth acabam envolvidos na trama do assassinato cometido pelo grupo de Manson. Toda a história se passa nos três dias anteriores ao crime, com alguns flashbacks.

Ironicamente, o filme é menos violento do que outros clássicos tarantinescos, como Pulp Fiction e Bastardos Inglórios, talvez por estabelecer desde o início que os momentos sangrentos do crime inevitavelmente devem acontecer. Ele foca na relação dos personagens principais, com boas doses de sarcasmo que arrancam risadas do público, para montar um bom retrato da passagem do tempo e das mudanças geracionais na indústria. Essa construção é um pouco lenta no começo e o filme é de fato longo (são 2h40), mas há boas recompensas para quem mergulha na história criada por Tarantino, especialmente após os primeiros 30 minutos.

“Preciso dizer que passei muitos anos imaginando como seria fazer um filme de Tarantino, que personagem eu teria, e toda vez eu tinha armas e estava coberta em sangue”, disse Margot Robbie. “Foi um pouco hilário passar horas fazendo compras ou em um berçário falando sobre coisas de bebê, e isso ser uma cena”, completa. Tarantino concorda: “É o filme mais legal”.

Mas ele diz discordar que o novo longa-metragem seja somente uma carta de amor a Hollywood ou um filme cheio de nostalgia. “Acho que é principalmente uma carta de amor, mas não tem uma visão completamente filtrada por óculos cor de rosa”, diz. “Acho que é 75% uma carta de amor, mas tem 25% de crítica.”


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