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Quarta-Feira 13.nov.2019

Ano VIII - Nº 371

Saúde

Obesidade registra aumento nos últimos três anos, indica pesquisa do Ministério da Saúde

Dados indicam aumento da taxa que vinha se mantendo estável até 2015

Postado em 30 de Julho de 2019 - Outra Saúde

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A prevalência da obesidade volta a crescer no Brasil, é o que aponta a Pesquisa de Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel), de 2018, do Ministério da Saúde. Sobre esse índice, houve aumento de 67,8% nos últimos treze anos, saindo de 11,8% em 2006 para 19,8% em 2018. A taxa manteve-se estável até 2015, com 18,9%.

O Vigitel também registrou crescimento considerável de excesso de peso entre a população brasileira. No Brasil, mais da metade da população, 55,7% tem excesso de peso. Um aumento de 30,8% quando comparado com percentual de 42,6% no ano de 2006, quando o Ministério da Saúde começou a realizar a pesquisa.

A pesquisa telefônica é realizada com maiores de 18 anos, nas 26 capitais e no Distrito Federal, sobre diversos assuntos relacionados à saúde. Assim, entre fevereiro e dezembro de 2018, foram entrevistados por telefone 52.395 pessoas.

A pesquisa detectou que a prevalência da obesidade é maior entre as faixas etárias de 18 a 24 anos, com 55,7%. Quando verificado o sexo, os homens apresentam crescimento de 21,7% e as mulheres 40%.

Por outro lado, a pesquisa indica o crescimento de 15,5% no consumo regular de frutas e hortaliças, no período de 2008 e 2018, passando de 20% para 23,1%. A prática de atividade física no tempo livre também aumentou 25,7% (2009 a 2018) e o consumo de refrigerantes e bebidas açucaradas caiu 53,4% (de 2007 a 2018), entre os adultos das capitais.

Outro dado interessante é que ao receber o diagnóstico de diabetes (40%), entre 2006 e 2018, os entrevistados demonstraram maior conhecimento sobre sua saúde, para buscar o atendimento na Atenção Primária, receber o diagnóstico e iniciar o tratamento.

“Nós temos um aumento maior da obesidade em decorrência do consumo muito elevado de alimentos ultraprocessados, de alto teor de gordura e açúcar. Então, o incentivo ao consumo de hortaliça entre as crianças e os adultos é fundamental. Está acontecendo uma mudança de comportamento, de paradigma importante no Brasil. E também, compete a nós, a gestão, ampliarmos o incentivo ao consumo de alimentos mais saudáveis e também promover a economia local, com o consumo de hortaliças. Quanto mais próximo de casa eu compro o alimento, mais saudável ele é, e mais fresco eu vou consumi-lo”, afirmou o secretário de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde, Wanderson Oliveira.

Para avaliar a obesidade e o excesso de peso, a pesquisa leva em consideração o Índice de Massa Corporal (IMC). O parâmetro possibilita classificar um indivíduo em relação ao seu próprio peso, bem como saber de complicações metabólicas e outros riscos para a saúde.

Investimento em hábitos saudáveis

A prática de alguma atividade física no tempo livre, pelo menos 150 minutos na semana, aumentou 25,7% (de 2009 a 2018) no Brasil, saindo de 30,3%, em 2009, para 38,1% em 2018. São os homens que mais realizaram alguma atividade física no tempo livre, 45,4% ante 31,8% das mulheres. Com relação à faixa etária, o aumento é mais expressivo na população de 35 a 44 anos, com crescimento de 40,6% nos últimos dez anos. A inatividade física entre os brasileiros caiu 13,8% em nove anos.

Os organizadores da pesquisa atribuíram o interesse pela prática de uma atividade física aos investimentos do governo federal. O Ministério da Saúde lançou, em 2011, o Programa Academia da Saúde, para aumentar o hábito da prática de atividades físicas e reduzir as doenças relacionadas ao sedentarismo entre os brasileiros. Atualmente existem 4.838 polos habilitados e 1.475 funcionando em 1.100 municípios.

Se as mulheres não foram as primeiras na prática de atividade física, foram elas que optaram por alimentação mais saudável. A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda que a população consuma cinco porções diárias de frutas e hortaliças pelo menos cinco vezes por semana. A pesquisa telefônica identificou que, entre 2008 e 2018, cresceu de 20% para 23,1% a quantidade de brasileiros que segue essa orientação. Considerando apenas as mulheres, esse número foi de 27,2% frente a 18,4% dos homens.

O Guia Alimentar para a População Brasileira é o principal orientador das ações de promoção da alimentação adequada e saudável e traz recomendações para promover a saúde e evitar enfermidades. As informações também são úteis para a prevenção e controle de doenças específicas, como a obesidade, a hipertensão e o diabetes.

“Outra importante mudança”, diz a Vigitel é a queda expressiva de consumo regular de refrigerante e suco artificial entre adultos, que caiu para cerca da metade entre 2007 e 2018. No ano passado, 17,7% dos homens ingeriam as bebidas regularmente, contra 11,6% das mulheres.


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