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Segunda-Feira 16.set.2019

Ano VIII - Nº 363

Poder

Novos Mais Médicos: alternativas e dúvidas

Governo promete anunciar novo programa, mas alguns estados e municípios já bolaram suas alternativas

Postado em 21 de Junho de 2019 - Maíra Mathias e Raquel Torres – Outra Saúde

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Foi prometido para esta semana – e não aconteceu - o anúncio do novo programa que vai substituir o Mais Médicos. No último dia 13 houve uma audiência pública sobre isso na Câmara e o secretário de Atenção Primária à Saúde, Erno Harzeheim, disse que a transição vai ser “gradual”, e os atuais contratos dos profissionais serão mantidos até o fim. O Saúde Popular resumiu a audiência.

Há meses o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, promete um novo programa, mas alguns estados e municípios cansaram de aguardar. Ceará, Espírito Santo e Tocantins são alguns dos estados que aprovaram ou estão em vias de aprovar alternativas ao conturbado Mais Médicos. Como sempre falamos por aqui, depois da saída dos cubanos, alguns locais não se recuperaram. É o caso do Ceará. Segundo mais afetado pela debacle, o estado acaba de criar o programa Médicos da Família.

A iniciativa prevê bolsas mensais no valor de R$ 11,8 mil. Na contramão da decisão do ministro da Saúde de não repor vagas ociosas em municípios maiores, os cearenses não têm preconceito com grandes cidades. Fortaleza já aderiu, e a expectativa é contratar 140 novos médicos a partir de julho. “Mesmo em uma capital de estado, temos áreas de grande vulnerabilidade em que é muito difícil preencher as vagas. Com a vinculação acadêmica, a reposição será permanente”, afirmou à Folha a secretária municipal de saúde, Joana Maciel. Espírito Santo e Tocantins ainda estão desenhando seus projetos. 

No time dos municípios, Campinas foi o primeiro a criar uma lei para aprovar um programa semelhante. O Mais Médicos Campineiro prevê 120 vagas de residência ou especialização em medicina de família e comunidade com bolsas de R$ 11 mil e atuação nos postos de saúde. O objetivo é substituir gradativamente os profissionais do programa federal, cujos contratos acabam entre 2020 e 2021. 

Ouvida pela reportagem, a especialista Ligia Giovanella, da Fiocruz, faz um alerta: atenção básica forte significa usuários do SUS acompanhados ao longo do tempo. E o modelo de atração de médicos via residências não consegue fixar os profissionais. “Se a residência fosse acompanhada de concurso público, poderia facilitar a fixação”, diz. 

Foram pra Cuba

Falando em cubanos. Depois do acidente na usina de Chernobyl em 1986, mais de 20 mil crianças afetadas receberam atendimento médico em Cuba, num programa desenvolvido desde 1990 até muito recentemente, em 2011. A BBC ouviu algumas dessas experiências. Os problemas de saúde eram variados e incluíam cânceres, paralisia cerebral, problemas dermatológicos, malformações, doenças digestivas e distúrbios psicológicos.

As crianças eram atendidas num complexo que tinha residências para as crianças e seus acompanhantes, hospital, clínica, cozinha, teatro, escolas, parques e áreas de lazer – e uma bela praia a 15 minutos de distância.

“Costumávamos nadar muito, o mar era lindo. Íamos com os professores até a praia, fazia parte do tratamento. Sempre que quiséssemos, podíamos ir (…) Não era como estar em um hospital. Até mesmo as crianças mais doentes se divertiam”, recorda um dos ex-pacientes. 


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