Semana On

Segunda-Feira 14.out.2019

Ano VIII - Nº 367

Campo Grande

Nova etapa da Caravana da Saúde vai até o dia 5 de julho

Principal causa de cegueira no mundo, catarata é a maior demanda da Caravana

Postado em 18 de Junho de 2019 - Redação Semana On

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Em uma estrutura montada no estacionamento do Hospital Regional Rosa Pedrossian, na Capital, a Caravana da Saúde iniciou uma nova etapa para consultas e cirurgias na área de oftalmologia. Serão realizadas cirurgias de catarata, yag laser, pterígio e vitrectomia. Os procedimentos na estrutura vão até 5 de julho.

A serviços gerais Kátia Nayara de Oliveira saiu às 3h40 de Sidrolândia e ao amanhecer do dia já estava na Caravana da Saúde com o filho Pedro Henrique Santana de Oliveira, de 9 anos. Ela procurou atendimento para resolver o problema de estrabismo do menino. “Ele sofre muito com bullyng na escola, por isso trouxe ele para tentar resolver o problema”, afirmou.

Tayene Heloise Solis Sena, de 5 anos, tem o mesmo problema de Pedro Henrique, estrabismo. A mãe, Rosenilda Solis, de 41 anos, disse que há três anos tenta conseguir uma cirurgia para a menina. Na Caravana da Saúde não serão realizadas cirurgias para estrabismo, mas, segundo os médicos, em muitos casos é possível corrigir o problema com o uso de óculos, por exemplo.

O motorista aposentado Sebastião Honorato Araújo, de 73 anos, já foi atendido pela Caravana da Saúde, em 2017, quando passou por uma cirurgia de catarata. Morando em Caarapó, ele conta que saiu a 1h30 desta madrugada para ser atendido na Caravana da Saúde, no Hospital Regional de Campo Grande. “Graças a Deus consegui a cirurgia da catarata agora vim aqui para fazer uma revisão”.

Já a dona de casa Albina Vargas Ortiz, de 68, foi levada pelo filho e a nora para receber atendimento na Caravana da Saúde. Ela disse que quase já não enxerga, e há seis anos espera por um atendimento oftalmológico no sistema público de saúde. Quem também disse estar contente o serviço prestado é a Nadir Mecenas, de 52 anos. Acompanhada da filha Ingrid, acadêmica do curso de Publicidade e Propaganda, foi examinada pelos profissionais que trabalham na Caravana. “Fomos muito bem atendidas, foi muito rápido, achei que ia demorar”, comentou Nadir, que foi encaminhada pela UBS do bairro Caiçara, de Campo Grande.

O governador Reinaldo Azambuja explicou que pacientes de todos os municípios de Mato Grosso do Sul serão atendidos. “Vamos disponibilizar nesta etapa, que se inicia hoje, mais de 8 mil consultas e mais de 2 mil cirurgias. Serão atendidos os 79 municípios para irmos diminuindo a fila. A Caravana não parou. Se você olhar, muitos hospitais continuam fazendo as cirurgias eletivas”, disse Reinaldo Azambuja.

Quem ainda não passou pela regulação também poderá ir à estrutura montada no HR, segundo o secretário de Estado de Saúde, Geraldo Resende. “Só queria reafirmar que se algum paciente de Campo Grande por demanda espontânea vier aqui, ele vai ser atendido dentro da regulação de Campo Grande. Nenhum paciente oftalmológico que precisar de consulta vai ficar sem ser atendido”, afirmou. Nesta nova etapa, o Ministério da Saúde é parceiro do Estado e o investimento dos governos, somente na parte cirúrgica, é superior a R$ 2 milhões.

Durante a visita à estrutura, o governador Reinaldo Azambuja aproveitou para anunciar à imprensa que a Caravana da Saúde Indígena também será retomada, indo para Dourados e Caarapó. Ela já foi realizada em Miranda, Amambaí e Aquidauana.

Primeiro dia

Mais de 1,8 mil procedimentos- consultas e exames- foram realizados no primeiro dia da nova etapa da Caravana da Saúde, no último dia 17. Foram mais de 460 consultas oftalmológicas. Além da consulta, cada paciente é submetido ainda a diversos exames, o que faz o número de procedimentos triplicar. Mais de 340 cirurgias foram agendadas.

“Me ligaram para que eu viesse aqui, graças a Deus. Eu só tenho 20% de uma das vistas e a outra eu já não enxergo mais. Eu estava na fila do São Julião, mas o atendimento ainda seria no fim de julho ou agosto”, disse a aposentada Maria Odilza de Carvalho, 72 anos. Antes mesmo de passar pela consulta de Maria Odilza já estava emocionada e não conseguiu segurar as lágrimas.

“Eu fico muito preocupada com ela porque ela é diabética. Ela mora comigo e eu sei como foi difícil perder a vista e agora vai poder aliviar o outro olho que só esta com 20% de visão”, disse Maria Ruth, ao lado da mãe.

Cheia de bom humor, a paciente Rita Francisca dos Santos, 81 anos, era só alegria enquanto aguardava na fila dos exames. Com catarata diagnosticada, ela disse que a “vista já estava embaçada” e desde janeiro aguardava uma consulta. Para falar da alegria e satisfação com a Caravana, Rita falou de Deus e e disse que Ele e esperança caminham juntos.

“Deus é pai, sabe o que faz. Quem espera em Deus não cansa. Você pode deitar e levantar pensando em Deus, que Ele está no teu caminho. Tenho esperança forte em Jesus. Vai dar tudo certo. E minha vista será recuperada”, disse ela.  

Maior programa de saúde da história de Mato Grosso do Sul, a Caravana da Saúde já fez mais de 500 mil atendimentos e 60 mil cirurgias em quatro anos e meio, com investimento de R$ 70 milhões do Governo do Estado.

Principal causa de cegueira no mundo, catarata é a maior demanda da Caravana da Saúde

Uma das principais causas de cegueira no mundo, a catarata é responsável por quase 90% dos atendimentos cirúrgicos da Caravana da Saúde. No programa do Governo do Estado, criado para atender pacientes que aguardam por consultas, exames e cirurgias, a maior parte dos procedimentos é de cirurgia de catarata. Mais comum em pacientes com idade acima dos 50 anos, a doença evolui de forma lenta, mas existe a catarata congênita, ou seja, crianças que já nascem com a cegueira. Em ambos os casos é possível reverter o problema.

No entanto, a única solução para a doença é a cirurgia, como explicou o médico oftalmologista Diogo Garcia, que atende na Caravana da Saúde. “Não há tratamento para a catarata. O tratamento é cirúrgico. O paciente começa a ter perda de visão progressiva até ficar totalmente cego e só a cirurgia pode resolver”.

O médico explicou que a doença é a opacificação de uma lente intraocular natural, chamada de cristalino. Essa lente nos proporciona o foco da visão em diferentes distâncias. Com o avanço da idade, o primeiro sintoma é a vista cansada, quando as fibras do cristalino aumentam de espessura e também de diâmetro. Muitas pessoas começam a usar óculos nessa fase, para descansar os olhos. Quando a lente natural começa também a perder a elasticidade e torna-se opaca, a vista começa a embaçar, até que o indivíduo não consiga enxergar nada além de vultos e luzes, podendo ficar totalmente cego.

“Eu comecei a sentir que a minha vista estava embaçando. De repente, em questão de meses, não estava mais enxergando nada do olho direito. É muito ruim. Muito mesmo. Eu não tinha dinheiro para fazer uma cirurgia particular porque é muito caro pra mim. Estou esperando na fila do SUS há quatro meses pela cirurgia”,  contou a merendeira Maria Alves, 67 anos. “Agora posso respirar aliviada porque sei que sairei daqui, no dia da cirurgia, enxergando tudo”, 

Há 12 anos participando do mutirão, o oftalmo Diogo afirma que todos os procedimentos realizados na Caravana da Saúde são feitos com muita qualidade e o resultado é o mesmo como se o paciente estivesse em outro ambiente. “Conseguimos dar qualidade a todo processo de exames, consultas e cirurgias. Além disso, fazemos isso há muito tempo. É uma satisfação imensa ver pessoas saindo da cirurgia e se emocionando ao enxergar coisas simples”.


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