Semana On

Domingo 25.ago.2019

Ano VII - Nº 360

Viver bem

Como você pode evitar a demência na velhice — começando agora mesmo

Alguns cuidados podem ajudar a manter a saúde cognitiva do cérebro

Postado em 11 de Junho de 2019 - Galileu

Clique aqui e contribua para um jornalismo livre e financiado pelos seus próprios leitores.

Muitas pessoas não querem pensar sobre demência, especialmente se suas vidas ainda não foram afetadas por ela. Mas um total de 9,9 milhões de pessoas no mundo todo são diagnosticadas com demência todos os anos. IO número está crescendo: cerca de 50 milhões de pessoas vivem com demência atualmente, e o número vai aumentar para mais de 130 milhões no mundo todo até 2030.

Você não tem que esperar até os 65 anos para tomar uma atitude. Na ausência de tratamento, temos que pensar em maneiras de proteger a saúde do nosso cérebro mais cedo. No meu trabalho no Instituto de Pesquisa Rotman de Baycrest, estudo fatores cognitivos, de saúde e de estilo de vida no envelhecimento. Eu investigo como podemos manter a saúde do nosso cérebro, enquanto reduzimos o risco de demência ao envelhecer. No momento, estou recrutando participantes para dois testes clínicos que exploram os benefícios de diferentes tipos de treinamento cognitivo e intervenções no estilo de vida para prevenir demência.

Existem três fatores de riscos para demência que você não pode evitar: idade, sexo e genética. Mas um número crescente de evidências tem revelado fatores de risco de início, meio e fim de vida que podemos, sim, mudar — seja pelo futuro do nosso cérebro ou do dos nossos filhos.

Antes de ir além, vamos eliminar algumas confusões comuns entre o Alzheimer e a demência. Demência é um termo usado para descrever o declínio em habilidades cognitivas como memória, atenção, linguagem e resolução de problemas severo o suficiente para afetar o dia a dia de uma pessoa. A demência pode ser causada por uma variedade de doenças, mas a mais comum é o Alzheimer.

Fatores de risco no início da vida

Crianças que nascem com pouco peso para sua idade gestacional têm duas vezes mais risco de ter disfunções cognitivas mais tarde na vida. Muitos estudos também identificaram uma relação entre posição socioeconômica na infância ou nível educacional e risco de demência. Por exemplo, baixa posição socioeconômica na primeira infância está relacionada ao declínio de memória na velhice, e uma análise identificou 7% de redução em risco de demência para cada ano adicional de educação.

Oportunidades nutricionais mais pobres que geralmente acompanham baixas posições socioeconômicas podem resultar em condições vasculares e metabólicas como hipertensão, colesterol alto e diabetes, que são fatores de risco adicionais para demência.

E baixo nível educacional reduz oportunidades de participar de ocupações intelectualmente estimulantes durante toda a vida, além de atividades de lazer que constróem redes neurais mais complexas e resilientes.

Trabalhe e se divirta muito na meia idade

Existem evidências substanciais de que pessoas que realizam trabalhos mais complexos apresentam funções cognitivas melhores quando mais velhas, correndo menor risco de demência. Da mesma forma, participar de atividades estimulantes na meia idade, como leitura e jogos, pode diminuir o risco de apresentar a doença em 26%.

Todos sabemos que exercício é bom para a saúde física, mas participar em atividades físicas moderadas ou intensas também podem diminuir o risco de demência. Atividades aeróbicas não só nos ajudam a manter um peso saudável e a manter a pressão sanguínea baixa, mas também promovem o crescimento de novos neurônios, especialmente no hipocampo, área do cérebro responsável por formar novas memórias.

E você já ouviu que você é aquilo que você come, certo? Acontece que o que comemos também é um importante fator de risco para demência. Comer grãos não refinados, frutas, legumes, vegetais, azeite de oliva, peixe e pouca carne — isto é, uma dieta Mediterrânea — está associado a menores taxas de demência.

Sempre que apresento esse tipo de informação, alguém diz: “mas minha mãe fez tudo isso e ainda assim teve demência”. Meu pai teve Ensino Superior, foi diretor criativo de uma grande agência de publicidade, tinha uma rede social ativa durante toda a vida adulta e foi casado por 60 anos. Ele teve Alzheimer. Minha experiência com meu pai motiva minha pesquisa.

Ter um estilo de vida saudável e ativo ajuda a aumentar a reserva cognitiva, aumentando a resiliência do cérebro a ponto de pessoas conseguirem manter a capacidade cognitiva durante o envelhecimento, apesar do potencial acumulado da patologia do Alzheimer.

Portanto, embora todos esses fatores talvez não evitem a enfermidade, eles podem permitir que pessoas vivam por mais tempo com uma boa saúde cognitiva. A meu ver, isso é o suficiente para levar uma vida mais saudável e ativa.

Nicole Anderson é professora de psiquiatria geriátrica na Universidade de Toronto. Texto originalmente publicado no The Conversation.


Voltar


Comente sobre essa publicação...