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Sábado 24.ago.2019

Ano VII - Nº 360

Auau Miau

Pesquisa tenta entender envelhecimento e mostra como tutor percebe Alzheimer canino

Assim como acontece com os humanos, os pets sentem os efeitos da idade avançada

Postado em 04 de Junho de 2019 - Lívia Marra – Bom pra Cachorro

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Assim como acontece com os humanos, os pets sentem os efeitos da idade avançada. O animal pode dormir mais, brincar menos e ter sintomas de doenças como o chamado Alzheimer canino.

Para investigar como o comportamento dos cães muda com a idade e com que idade aparecem os sintomas do envelhecimento, um grupo da Eötvös Loránd University, da Hungria, coletou dados com tutores sobre mais de 15.000 cães, em 56 países.

No Brasil, a pesquisa contou com participação do zootecnista e especialista em comportamento animal Alexandre Rossi, e a amostra envolve 4.417 cães, de diferentes idades e raças.

Nesse recorte brasileiro, os tutores que responderam a perguntas em rede social consideram que os cães envelhecem por volta dos 8 anos —o que vai ao acordo da literatura. É nessa idade também que são percebidos os sintomas da Síndrome da Disfunção Cognitiva Canina, conhecida como o Alzheimer canino.

A doença, degenerativa, afeta idosos e provoca desorientação, mudanças no ciclo do sono, mudanças no comportamento social e problemas de memória, entre outros sintomas.

Para Rossi, estudar o assunto é importante para, além de entender a longevidade, dar indicativos para o bem-estar dos animais. “Hoje em dia, uma das coisas que as pessoas mais querem é que os bichos vivam mais, que eles tenham uma qualidade de vida.”

O Alzheimer canino se assemelha à doença que atinge idosos humanos, afetando memória e cognição. De acordo com a pesquisa, há relação com o porte do animal: cães de porte mini mostram um aumento mais gradual com a idade do que os cães de grande porte.

O que fazer?

Medicamentos podem amenizar os sintomas. Mas, segundo o especialista, algumas medidas podem ser adotadas para garantir o bem-estar do animal.

Alguns cachorros podem ter uma espécie de apagão e ficar desorientados —não conseguir sair de uma varanda ou cair em uma piscina são riscos, por exemplo. Nesse caso, é importante que o local conte com um telas e proteção.

Tapetes higiênicos espalhados pela casa podem ajudar o peludinho que se perde na hora de fazer as necessidades. E facilitar o acesso à água é fundamental para que o animal não esqueça de se hidratar.

Rossi afirma que é possível associar cheiros a lugares para localizar o animal. Etiquetas com diferentes óleos essenciais podem ser deixados perto da água ou comida para traçar um mapa de olfato para o animal desorientado —ou cego.

Carpetes antiderrapantes também são opção para deixar o pet mais seguro.

Para o especialista, outro sinal que mostra que o animal está ficando velho é o desinteresse pela brincadeira.

“No jovem, o que fica mais evidente é a brincadeira. Essa pesquisa mostrou o jeito de a gente ver o bem-estar do envelhecimento do cão. Provavelmente ele deve parar de brincar porque está mais velho, talvez esteja com mais dor, menos energia”, diz. “Muda também a aprendizagem, a motivação. Tudo tende a diminuir. Fica um cachorro menos ativo, reage menos, não quer brincar tanto, não interage tanto com estranhos.”

Curiosidades

A partir desse extrato brasileiro da pesquisa, foi feito um levantamento das dez raças mais presentes nos lares e dos nomes mais comuns, de acordo com o público que participou do questionário.

Confira:
Nomes:
1 – Mel
2 – Nina
3 – Belinha
4 – Meg
5 – Luna
6 – Thor
7 – Billy
8 – Bob
9 – Pingo
10 – Lola, Nick (empate)

Raças:
1 – poodle miniatura
2 – yorkshire terrier
3 – lhasa apso
4 – shih tzu
5 – dachshund
6 – pinscher miniatura
7 – labrador retriever
8 – poodle grande
9 – cocker spaniel inglês
10 – maltês

Entre os tutores que responderam às perguntas, o recorte feito pelo especialista aponta que a maioria (43%) tem fêmeas castradas; machos castrados são 24%.

A grande maioria dos animais (68%) vive dentro de casa ou apartamento; 15% é mantido em jardim ou canil, e 17% dos pets passam o mesmo tempo dentro e fora de casa.

Ainda segundo a pesquisa, 42% dos tutores responderam que os cães têm uma rotina diária, mas que não é muito rígida; 25% disseram que “talvez para uma ou dias atividades”, 20% afirmaram que a maioria das atividades diárias são agendadas e 13% disseram que o pet não segue uma rotina.


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