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Quarta-Feira 20.nov.2019

Ano VIII - Nº 372

Viver bem

Má higiene bucal aumenta chances de câncer, sugere estudo da USP

De acordo com especialistas, há uma correlação na incidência da doença e no perfil socioeconômico dos pacientes

Postado em 04 de Junho de 2019 - Giuliana Viggiano – Galileu

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Uma pesquisa realizada na Universidade de São Paulo (USP) mostra que a má higiene oral está diretamente ligada com uma maior probabilidade de desenvolver câncer de pescoço, boca e cabeça. De acordo com estimativas do Instituto Nacional do Câncer (INCA), entre 2018 e 2019 o Brasil registrará em média 14,7 mil novos casos de câncer em cavidade oral por ano — somando os casos de esôfago e laringe, o número chegará a mais de 33 mil casos anuais.

De acordo com Nayara Fernanda Pereira, uma das responsáveis pela pesquisa, os dados indicam a desregulação na microbiota e as inflamações na boca contribuem para o desenvolvimento do câncer. "Também foi observado que pessoas com má higiene oral têm maior formação de nitrosamina endógena — conhecido carcinógeno. Assim, esse conjunto de fatores podem estar ligados entre si, colaborando com o complexo mecanismo do câncer", disse a profissional.

Outra hipótese é que uma bactéria específica ou um conjunto delas possam ter a capacidade de prejudicar a imunidade, estimulando o ambiente favorável ao crescimento excessivo de bactérias. Segundo Pereira, isso poderia criar um ambiente propício para a iniciação e propagação da doença.

Os pesquisadores utilizaram o banco de dados do projeto Gencapo (Genoma dos Cânceres de Cabeça e Pescoço) e estudaram quase mil casos para chegar aos resultados. "Comparando os grupos, conseguimos ver que os pacientes com câncer tinham mais dentes perdidos, relatavam mais sangramento gengival, além de terem menor frequência de escovação e idas ao dentista", resume Pereira. 

Além disso, a especialista conta que existe uma relação entre a incidência desses tipos da doença e o perfil socioeconômico dos pacientes: por ter menos acesso à informação, a parcela mais pobre da população é mais atingida.

"Embora nos últimos anos tenhamos visto um número crescente de pacientes que não se enquadram no perfil clássico dos cânceres de cabeça e pescoço, a desigualdade social é muito presente", destaca. "Há trabalhos mostrando a diferença gritante no prognóstico e nas chances de cura nas camadas como menos acesso dentro de uma mesma cidade."

Atenção

Dentre os sintomas dos cânceres de boca, pescoço e cabeça estão úlceras (aftas) que não cicatrizam em duas semanas — elas também podem indicar infecções, diabetes e uso de corticoides. Por isso, é importante que o paciente procure o médico ou cirurgião-dentista para fazer o diagnóstico. Além disso, nódulos na região do pescoço devem ser investigados.

Vale lembrar que uma boa higiene bucal consiste na escovação e no uso do fio dental, além da utilização de um raspador lingual, após todas as refeições.


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