Semana On

Quinta-Feira 12.dez.2019

Ano VIII - Nº 374

Poder

Treze capitais já anunciaram atos em defesa da educação no dia 30

Manifestações ocorrem em repúdio aos cortes de verba nas universidades e à proposta de reforma da Previdência

Postado em 24 de Maio de 2019 - RBA

Clique aqui e contribua para um jornalismo livre e financiado pelos seus próprios leitores.

Após o sucesso do Dia Nacional Em Defesa da Educação, ocorrido em 15 de maio, estudantes e professores convocam os brasileiros para mais um dia de luta e reforço da defesa da educação pública, gratuita e de qualidade, e também contra os cortes de 30% da verba destinada às universidades federais anunciados pelo ministro da Educação, Abraham Weintraub. O Segundo Dia Nacional Em Defesa da Educação acontece no dia 30 de maio com atos em todas as regiões do país.

De acordo com a Confederação Nacional de Trabalhadores da Educação (CNTE), mais de um milhão de pessoas participaram das manifestações do dia 15 de maio em 200 municípios de todos os estados brasileiros. A mobilização do dia 30 promete ser ainda maior, segundo os organizadores. O novo ato também é um "esquenta" para a Greve Geral contra a reforma da Previdência que ocorre no dia 14 de junho. 

Até o momento, treze capitais brasileiras divulgaram horário e local das mobilizações no dia 30. Confira:

São Paulo (SP)

Local: Largo da Batata

Horário: 16h

Rio de Janeiro (RJ)

Horário: 15h

Porto Alegre (RS)

Local: Esquina Democrática - Borges de Medeiros X Rua dos Andradas

Horário: 18h

Belo Horizonte (MG)

Local: Praça da Estação - Avenida dos Andradas

Horário: 09h

Brasília (DF)

Horário: 10h

Salvador (BA)

Local: Praça do Campo Grande

Horário: 10h

Curitiba (PR)

Local: Praça Santos Andrade

Horário: 18h

Fortaleza (CE)

Horário: 10h

Belém (PA)

Horário: 13h

Recife (PE)

Local: Rua da Aurora

Horário: 15h

Manaus (AM)

Local: Praça da Saudade

Horário: 15h

Natal (RN)

Horário: 10h

São Luis (MA)

Local: Praça Deodoro

Horário: 15h

“É preciso voltar às ruas”, diz autor de petição com 1,5 mi assinaturas

“As universidades estão realmente ameaçadas de fechar.” É o que acredita Daniel Tourinho Peres, professor de filosofia da Universidade Federal da Bahia (UFBA), caso o governo não volte atrás na decisão de bloquear em cerca de 30% as verbas destinadas a despesas de custeio das universidades e institutos federais. Contra esse cenário e em defesa das instituições de ensino, o professor juntou 1,5 milhão de apoiadores em um abaixo-assinado entregue à Câmara dos Deputados e agora segue na expectativa da mobilização organizada para o dia 30, quando milhares devem voltar às ruas em protestos a favor da educação.

“É preciso mais uma vez voltarmos às ruas, de modo ainda mais forte do que no dia 15. [O ato do] dia 15 demonstrou que a educação é uma pauta que unifica a sociedade, e isso deve ser ainda mais aprofundado”, comenta o professor sobre as manifestações realizadas no Dia de Luta pela Educação. Na ocasião, o docente estava em Brasília, e foi recebido na Câmara dos Deputados pela 1ª Secretária, deputada Soraya Santos (PR-RJ), e pelo presidente da Comissão de Educação da Casa, deputado Pedro Cunha Lima (PSDB-PB), para os quais entregou o calhamaço de assinaturas recolhidas na petição aberta na plataforma Change.org.

Especialista em filosofia alemã, Tourinho Peres convive com a realidade da vida acadêmica há duas décadas e meia. Segundo ele, o bloqueio dos recursos anunciado pelo Ministério da Educação (MEC) deixará as universidades federais em “completa falta de condições de tocar seu dia a dia”, já que os repasses são utilizados para o pagamento de despesas básicas ao funcionamento das instituições, como contas de água e energia elétrica.

O professor rebate as alegações do governo de que a medida se trata de um “contingenciamento”, pois as verbas podem não ser liberadas se o país não conseguir retomar sua arrecadação. Para Tourinho Peres, a medida deveria ter sido adotada em outras áreas, que não educação ou saúde, consideradas prioritárias. “A escolha das universidades foi política. Desde o início esse governo se mostrou inimigo das universidades e da educação”, desabafa.

O abaixo-assinado em defesa das universidades continua aberto na plataforma e o número de assinaturas, que agora está em 1.542.3214, não para de crescer. A mobilização foi apoiada por artistas e pessoas públicas como a atriz Patricia Pillar, a blogueira e professora universitária Lola Aronovich (dona do blog “Escreva Lola Escreva”), a jornalista Astrid Fontenelle e a economista e pesquisadora Monica de Bolle. Outros que assinaram ou divulgaram a petição em suas redes sociais foram o cantor Leoni, o cartunista Laerte Coutinho e o músico Arnaldo Antunes.

Tourinho Peres acredita que tanto o abaixo-assinado quanto as manifestações possam surtir efeito via Congresso Nacional, que sensibilizado pode agir para reverter a decisão. Desde o início do mês o ministro da Educação, Abraham Weintraub, compareceu três vezes ao Congresso – uma ao Senado, como convidado, e outras duas à Câmara, depois de convocado. A última audiência foi na quarta-feira (22), quando respondeu questionamentos dos deputados da Comissão de Educação quanto ao bloqueio das verbas. No mesmo dia, o governo anunciou que utilizará uma reserva do orçamento para liberar R$ 1,58 bilhão ao MEC. O valor, entretanto, não está relacionado à suspensão do repasse de verbas às universidades.


Voltar


Comente sobre essa publicação...