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Segunda-Feira 16.set.2019

Ano VIII - Nº 363

Brasil

47,8% de crianças de 0 a 14 anos vivem em situação de pobreza no Brasil, aponta estudo

63,5 milhões de pessoas vivem em situação de pobreza no Brasil; 26,8 milhões delas se encontram em situação de extrema pobreza, vivendo com até um quarto do salário mínimo per capta

Postado em 24 de Maio de 2019 - Bruna Ribeiro - Estadão

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O Cenário da Infância e Adolescência no Brasil 2019, estudo da Fundação Abrinq, revelou que 47,8% das crianças de 0 a 14 anos vivem em situação de pobreza. Esse é um dos 31 indicadores sociais relacionados a crianças e adolescentes, com informações sobre temas como mortalidades, gravidez na adolescência, cobertura de creche, trabalho infantil e violências.

O estudo pode ser encontrado no site da Fundação Abrinq e relaciona os indicadores aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Organização das Nações Unidas (ONU). Os ODS fazem parte da Agenda 2030, compromisso global do qual o Brasil é signatário que estabelece metas para avanços socioambientais.

De acordo com a Fundação Abrinq, 63,5 milhões de pessoas vivem em situação de pobreza no Brasil, sendo que, deste total, 26,8 milhões se encontram em situação de extrema pobreza, vivendo com até um quarto do salário mínimo per capta.

Dessas 26,8 milhões de pessoas, 9,4 milhões são crianças e adolescentes em situação de extrema pobreza e 10,6 milhões em situação de pobreza.

Pobreza na infância

Um relatório da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico), publicado em 2018, apontou que uma criança brasileira pobre levaria nove gerações para atingir renda média.

O dado revela que o “elevador social” está estagnado em vários países industrializados, levando em média cinco gerações para que um descendente de uma família pobre alcance o padrão de vida médio em seu país.

Impacto no desenvolvimento

Em condições peculiares de desenvolvimento, as crianças são mais afetadas pela pobreza. A pobreza infantil impacta diretamente no desenvolvimento físico e neurológico, impedindo que as crianças alcancem seus plenos potenciais.

Terminar com a Pobreza Extrema: Um Foco nas Crianças, divulgado em 2016 pela Unicef e pelo Banco Mundial, mostrou que as crianças têm duas vezes mais probabilidade de viver na pobreza extrema do que os adultos.

O risco maior é na Primeira Infância quando, nos países em desenvolvimento, mais de um quinto dos menores de cinco anos vivem em famílias extremamente pobres. O resultado tem relação com a configuração das famílias mais pobres, que tendem a ter mais filhos.

Pobreza multidimensional

Quando pensamos em pobreza, temos a tendência de relacioná-la como um fator de renda. De fato, é como se classificam os grupos sociais, a partir da renda familiar per capita. Mas nas últimas décadas do século XX, a definição de pobreza começou a experimentar uma compreensão mais ampla e complexa.

A pobreza implica sofrer várias privações, não somente econômicas, mas especialmente pelo que se conhece como pobreza multidimensional. É por isso que a criança em situação de pobreza e extrema pobreza fica tão vulnerável a outras violações, como evasão escolar, trabalho infantil, gravidez precoce e dificuldade de acesso à saúde.

Erradicar a pobreza e as desigualdades se torna essencial para a proteção integral de crianças e adolescentes nas suas mais diversas dimensões.


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