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Quarta-Feira 21.ago.2019

Ano VII - Nº 359

Brasil

93% dos brasileiros são contra a caça, diz Ibope

Dados foram divulgados na campanha ‘Todos contra a caça e as armas’, da Frente Parlamentar Ambientalista

Postado em 24 de Maio de 2019 - Victor Farias e Felipe Moura – O Globo

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Uma pesquisa do Ibope divulgada na quarta-feira 22 indica que 93% da população brasileira é contra a liberação da caça. Os dados foram apresentados durante o lançamento da campanha "Todos contra a caça e as armas ", da Frente Parlamentar Ambientalista, na Câmara dos Deputados.

De acordo com a pesquisa feita a pedido da ONG ambientalista WWF Brasil, há regularidade na rejeição à caça quando analisadas as respostas por gênero, escolaridade, ou localização geográfica. A diferença entre a opinião de homens e mulheres, por exemplo, é de apenas 5 pontos percentuais: enquanto 95% das brasileiras rejeitam a caça, 90% dos homens são contra.

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Além dos dados do Ibope, os parlamentares divulgaram também um manifesto contra uma série de projetos protocolados no Congresso Nacional que legalizariam a caça "por diversão", nas palavras dos signatários. O documento foi assinado por cerca de 700 entidades, pesquisadores e personalidades, entre elas, a ex-candidata à presidência Marina Silva.

Um dos quatro projetos de lei mencionados no manifesto é do atual ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni. Na proposta, ele sugere que o poder municipal tenha a autonomia de permitir a caça em casos "de superpopulação animal, danos ao meio ambiente, ataques a seres humanos, transmissão de doenças e ataques a lavouras comerciais e de subsistência". A Casa Civil não respondeu aos questionamentos da reportagem sobre o tema.

Outro projeto citado no texto é do deputado Alexandre Leite (DEM-SP). O parlamentar quer conferir aos órgãos ambientais competência para regular como irá ocorrer a caça, além de tornar a prática "direito de todo cidadão brasileiro". Os outros dois textos sobre o tema são o PL 436/2014, do deputado Rogério Peninha Mendonça (MDB-SC), e PL 6.268/2016, do ex-deputado Valdir Colatto, que não conseguiu se reeleger em 2018, mas foi nomeado chefe do Serviço Florestal Brasileiro (SFB).

Porte de armas

O decreto do presidente Jair Bolsonaro que facilitou o direito ao porte de armas para 20 profissões, como colecionadores, atiradores e caçadores, também foi alvo de críticas do WWF Brasil. De acordo com a instituição, a lei é "prejudicial à fauna brasileira".

Publicado em 7 de maio no Diário Oficial, o texto permite que os trabalhadores de algumas categorias não precisem comprovar efetiva necessidade junto à Polícia Federal (PF) para solicitar a posse ou o porte de armas de fogo. O decreto também facilita o transporte de armas e retira o limite anual de munições para caçadores.

Para o analista de Políticas Públicas da WWF Brasil Warner Bento Filho, o decreto é mais um passo em direção ao "desmonte da proteção da natureza que o Brasil vem sofrendo há anos".

– O conjunto desses movimentos tem um impacto muito grande. Não tem nenhum artigo no decreto que diz que a caça está liberada, mas o projeto facilita com que se tenha mais atividades desse tipo do que tem hoje.


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