Semana On

Quarta-Feira 26.jun.2019

Ano VII - Nº 356

Coluna

Governo segue troppeçando nas pernas

A política, no que ela tem de surreal: com o jornalista Victor Barone

Postado em 22 de Maio de 2019 - Victor Barone

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O presidente Jair Bolsonaro (PSL) disse aos seus seguidores numa rede social: "Somente com o apoio de todos vocês poderemos mudar de vez o futuro do nosso Brasil". A manifestação veio um dia após ter compartilhado texto sobre as dificuldades de seu mandato dizendo que o Brasil “é ingovernável” sem os “conchavos” que ele se recusa a fazer. A mensagem, atribuída por ele a um autor desconhecido, diz que o mandatário estaria impedido de atuar por não concordar com os interesses das corporações.

Parte dos auxiliares do presidente no Palácio do Planalto diz que ele se deixa levar por teorias da conspiração espalhadas pelo grupo que segue o escritor Olavo de Carvalho e por influência de seus filhos —o vereador Carlos Bolsonaro (PSC-RJ) já havia exposto conceitos do tipo em rede social.

A mensagem chegou a motivar boatos acerca de eventual renúncia do presidente —alguns aliados viram nela um arcabouço narrativo para uma saída do cargo por culpa de resistências à suposta agenda antiestablishment de Bolsonaro.

Seria, para eles, uma espécie de “cenário Jânio Quadros” no mundo político, segundo o qual Bolsonaro poderia emular o presidente que renunciou em 1961 após oito meses de inação, colocando a culpa em supostas “forças terríveis”.

No Alto Comando do Exército, instância máxima do poder militar brasileiro, foi esta a hipótese que mais circulou. Segundo um general ouvido, a mensagem seria uma sinalização pública do presidente a aliados, mas ele disse não acreditar que por ora isso seja mais do que um “chamado às armas” para os apoiadores numa das piores semanas do governo.

Integrantes do Judiciário e do Legislativo dizem que o presidente recorreu à estratégia do ataque ao Congresso e ao STF (Supremo Tribunal Federal) para tentar “sair das cordas” naquele que é considerado o pior momento de seu governo.

Também viram no gesto dele uma tentativa de “jogar para a plateia” e se eximir da responsabilidade de governar, transferindo para os demais Poderes a causa dos problemas enfrentados pelo país.

Desprezo

“Depois de ter distribuído pelo WhatsApp um texto segundo o qual o País é ‘ingovernável’ sem os ‘conchavos’ políticos e de dizer que conta ‘com a sociedade’ para ‘juntos revertermos essa situação’, o presidente Jair Bolsonaro voltou a fazer apelos diretos ao ‘povo’ contra o Congresso – em relação ao qual nutre indisfarçável desprezo, embora tenha sido obscuro parlamentar durante 28 anos. ” Trecho do editorial do Estadão do último dia 21.

Chamado aos camisas pretas

O texto distribuído por Jair Bolsonaro a aliados foi lido por dirigentes de partidos como um sinal de que o presidente acenou à radicalização para voltar a comandar a cena política. A mensagem foi interpretada como uma tentativa de incendiar convocatória que circula nas redes bolsonaristas para ato em defesa dele, contra o Congresso e o Supremo, dia 26. Em áudio que chegou ao Planalto, um caminhoneiro fala em mostrar força à Câmara, ao Senado e “àqueles 11 togados de merda”.

Deep web

O presidente foi abastecido por aliados com as mensagens que estavam circulando. Em um áudio, um caminhoneiro diz ter se dado conta de que “a parte podre do Congresso —Câmara e Senado—, mais o STF com o apoio da Rede Globo, estão se unindo para tentar derrubar o capitão”. “E a gente não vai deixar”, ele conclui.

Deep web 2

“O povo vai se levantar em favor do presidente para dar a ele salvo-conduto para fazer o que for necessário. (…) Nem que seja para fechar esse Congresso maldito e interditar esse STF”, diz o caminhoneiro. O texto compartilhado por Bolsonaro, endossa, de forma menos virulenta, a tese de uma conspiração.

Presidencialismo esvaziado

“Quando um presidente da República fala, costuma-se prestar atenção. Afinal, é de sua autoridade política e institucional que emanam decisões de impacto em todo o país, nos diferentes setores da sociedade. No caso do presidente Jair Bolsonaro, contudo, suas falas desencontradas e seus discursos desconexos têm tornado incompreensíveis suas intenções e seus planos, mesmo para aqueles que estão em seu entorno e cujo trabalho é auxiliá-lo. Bolsonaro começa a se tornar um presidente cuja palavra não é levada em conta, já que não é possível ter certeza se ele mesmo sabe do que está falando.”. Trecho de editorial do Estadão.

Sem Rumo

Em menos de cinco meses de governo, a lista de mal-entendidos presidenciais já é longa – inclui gestões indevidas para a queda dos juros dos bancos públicos e do preço do diesel, com forte impacto negativo nos mercados. Para o vice-presidente Hamilton Mourão, o governo tem “falhado na comunicação”. De fato. Mas o problema é que só consegue se comunicar quem tem o que dizer e sabe o que quer – condições às quais o presidente, até agora, está muito longe de atender”, diz trecho de editorial de Estadão.

ENVIADO DE DEUS

Apenas 48 horas depois de compartilhar pelo WhatsApp um texto que se refere ao Brasil como um país "ingovernável" fora dos "conchavos", Jair Bolsonaro postou vídeo que exibe a manifestação de Steve Kunda, um pastor nascido no Congo e radicado na França. Na peça, Kunda declara que Bolsonaro "foi escolhido por Deus" para comandar o Brasil. O pastor africano declara que o próprio Deus lhe informou sobre a missão atribuída a Bolsonaro. Ele exorta os brasileiros a apoiarem o capitão, abstendo-se de fazer oposição.

Doido

O endosso do presidente Jair Bolsonaro ao vídeo no qual um pastor o chama de “escolhido de Deus” (assista acima) e o compara com Ciro II, rei da Pérsia até 530 a.C, irritou de tal forma a deputada Janaína Paschoal (PSL-SP) que ela está ameaçando deixar a bancada da sigla na Alesp. Segundo a Jovem Pan, Janaína deixou o grupo de WhatsApp do PSL após uma discussão sobre o conteúdo postado por Bolsonaro. “E esse vídeo maluco de ‘messias’? O que ele quer com isso?”, perguntou a deputada. “Eu peço que vocês assistam e respondam: ‘O senhor, um presidente da República, na plenitude de suas faculdades mentais, publicaria um vídeo desse?'”, disse.  Na sequência, Janaína criticou a “cegueira” dos colegas. “Amigos, vocês estão sendo cegos. Estou saindo do grupo, vou ver como faço para sair da bancada. Acho que os ajudei na eleição, mas preciso pensar no país. Isso tudo é responsabilidade”, escreveu a deputada.

Cegos

Deputada mais votada da história, Janaina Paschoal tem protagonizado uma guerra contra o "bolsonarismo" nas redes sociais que culminou com sua saída do grupo de WhatsApp da bancada do PSL, partido do presidente Jair Bolsonaro, da Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp). "Amigos, vocês estão sendo cegos. Estou saindo do grupo. Vou ver como faço para sair da bancada. Acho que ajudei na eleição, mas preciso pensar no país. Isso tudo é responsabilidade", disse a deputada estadual paulista antes de deixar o grupo. Apesar de dizer que pretende deixar a bancada, a deputada nega que isso seja um movimento de saída do PSL, menos ainda de oposição ao presidente. "Quando deixamos de apoiar alguém, paramos de tentar melhorar esse alguém. É o contrário. Quero que o governo dê certo. Não pretendo sair do PSL. Os partidos também precisam de alguma pluralidade", afirmou.

Nem teoria, nem conspiração

O presidente Jair Bolsonaro afirmou por rede social não haver “teoria da conspiração” no País. A declaração, acompanhada de vídeo em que um pastor diz que ele foi “escolhido por Deus”, foi reflexo do clima de incertezas criado pelo entorno do presidente ao propagar a tese de que a não aprovação da MP 870, que enxuga a Esplanada, poderia levar Bolsonaro a cometer crime de responsabilidade fiscal. Além disso, o presidente espalhou mensagem de que o País é “ingovernável” quando não há “conchavos”. “Não existe teoria da conspiração, existe uma mudança de paradigma na política. Quem deve ditar os rumos do país é o povo! Assim são as democracias”, escreveu. O próprio Bolsonaro verbalizou sua desconfiança de apelo conspirativo. “Quem decide corte não sou eu. Ou querem que eu responda a um processo de impeachment no ano que vem por ferir a Lei de Responsabilidade Fiscal?”, afirmou ele em Dallas, ao ser questionado sobre o contingenciamento no MEC.

TIRO NO PÉ?

O presidente da Comissão Especial da reforma da Previdência na Câmara, Marcelo Ramos (PR-AM), disse que o ato marcado para domingo (26) é “surreal”, por investir contra o Congresso e contra o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ). Para ele, Maia é uma das pessoas que mais trabalham pela reforma. O deputado afirmou que a Câmara terá a responsabilidade que muitas vezes Jair Bolsonaro não demonstra e aprovará a reforma. Ele afirmou que deputados do PSL, partido de Bolsonaro, atacam a tramitação da medida sem nem saber o que se passa na comissão. “Os partidos de centro não são responsáveis pela falta de articulação do governo”, afirmou.

Irracional

A deputada estadual Janaina Paschoal (PSL-SP) afirmou em caixa alta que os protestos convocados por bolsonaristas para este domingo (26) “não têm RACIONALIDADE”. “O presidente foi eleito para governar nas regras democráticas, nos termos da Constituição Federal. Propositalmente, ele está confundindo discussões democráticas com toma-lá-dá-cá”, escreveu a parlamentar, que foi cotada para ser vice do presidente Jair Bolsonaro, no Twitter neste domingo, 19. O MBL também declarou que não apoia o ato. A convocatória é contra o Congresso e a favor de pautas radicais, a julgar pelas hashtags #Artigo142Já e #OPovoVaiInvadirOCongresso.

Para Janaina, não existe um movimento conspiratório contra o presidente, como ele faz crer ao convocar a manifestação. "Quem o está colocando em risco é ele, os filhos dele e alguns assessores que o cercam. Acordem! Dia 26, se as ruas estiverem vazias, Bolsonaro perceberá que terá que parar de fazer drama para TRABALHAR! Para ela, "o presidente está gerando o caos".

Sem sentido

Para o presidente do PSL, Luciano Bivar, não há sentido nas manifestações agendadas para domingo, 26. “Nós fomos eleitos democraticamente , institucionalmente, não há crise ética, não há crise moral, estão se resolvendo os problemas das reformas, então eu vejo sem sentido essa manifestação, mas toda manifestação é válida, é um soluço do povo para expressar o que ele está achando”, disse Bivar ao chegar ao gabinete da liderança do PSL na Câmara. Bivar ainda falou que as pessoas não precisam ir às ruas para defender Bolsonaro porque o presidente não teria cometido nenhum crime e já poderia contar com a população por meio das redes sociais. “Para que tirar o povo para uma coisa que já está dentro de casa? Já ganhamos as eleições, já passou isso aí.”

Outra pauta

O ministro da Economia, Paulo Guedes, e o chefe da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, atuaram junto ao presidente Jair Bolsonaro e o entorno mais próximo (família, mobilizadores digitais, etc.) para que fosse alterada radicalmente a pauta das manifestações de domingo, dia 26. Deixaria de ser um ato contra o Congresso, o Centrão, o Supremo e demais instituições e passaria a ser um ato em favor da reforma da Previdência. “É irracional convocar um ato contra as instituições num momento como esse”, disse um dos auxiliares dos “bombeiros”.

Marco Aurélio sobre ato: ‘Governo precisa de defesa?’

O ministro Marco Aurélio Mello, do STF, classificou de “inusitada” a manifestação convocada por grupos aliados ao presidente Jair Bolsonaro para o domingo, 26, com lemas contra o Congresso e o STF. “O governo precisa de defesa? Eu acho que não. Eu conheço protesto para se reivindicar alguma coisa, para se reclamar. Mas para dar apoio ao governo, não vejo em um Estado democrático essa necessidade”, disse Marco Aurélio. “É inusitado. Lembra que o ex-presidente Fernando Collor conclamou a se sair de verde e amarelo e as pessoas saíram de preto…”, comentou o ministro, em referência ao gesto do ex-presidente, que em 1992, convocou o Brasil a ir às ruas de verde e amarelo, mas obteve o efeito contrário ao desejado e acabou impulsionando o movimento pelo impeachment ao ver as ruas dominadas por pessoas vestidas de preto. Marco Aurélio foi indicado ao Supremo Tribunal Federal pelo então presidente Fernando Collor, seu primo.

Erro crasso de avaliação

Em sua coluna no Estadão, William Waack diz que a lógica com a qual Jair Bolsonaro enxerga sua missão é transparente, ainda que maluca: se considera escolhido por Deus para guiar o povo, e, se o “sistema” não o deixa cumprir sua missão, cabe a ele exortar o mesmo povo a lutar contra isso. O problema, diz o colunista, é quando um governante deixa suas percepções se transmutarem em estratégia de ação, como na convocação das manifestações do próximo domingo. “Esse chamado dividiu seus apoiadores e mesmo uma estrondosa manifestação popular no dia 26 não diminui – ao contrário, até amplia – as dificuldades de relacionamento do Executivo com o Legislativo. Menos que estrondosa, e ele sai enfraquecido diretamente. A não ser que Bolsonaro tenha no recôndito das reuniões de família pensado no impensável, qual seria o próximo passo para tentar emparedar um Legislativo que, de fato, avança – ajudado principalmente pela incompetência do governo – na direção de um parlamentarismo branco?”, especula o colunista.

Bolsonaro e o ‘povo’

“O presidente Jair Bolsonaro tem feito frequentes referências ao “povo” como guia de seu governo. “Quem tem que ser forte, dar o norte, é o povo”, disse Bolsonaro, declarando-se “fiel” ao que vem do “povo”. Em outra ocasião, foi ainda mais enfático: escreveu que “quem deve ditar os rumos do País é o povo”, pois “assim são as democracias”. Cada vez mais questionado pelo modo caótico como governa e por seu comportamento hostil ao Congresso, ele vem atribuindo suas vicissitudes à ação de forças antipopulares que estariam sabotando seus esforços para modernizar o País. Segundo essa retórica, quem é contra Bolsonaro só pode ser contra o “povo”, pois o presidente nada mais faz que cumprir rigorosamente a vontade dos eleitores.” - Trecho do editorial do Estadão de quinta-feira, 23.

Os medos de Bolsonaro

O medo é o fator a guiar Jair Bolsonaro. Para Diogo Mainardi, que escreve a respeito disso em sua coluna na Folha, foi o medo que tanto fez com que o presidente incitasse os protestos deste domingo, a princípio com uma retórica anti-Congresso, quanto, depois, recuasse para evitar incorrer em crime de responsabilidade ao atentar contra a democracia.

Duas possibilidades

O fato político do final de semana é a manifestação pró-Bolsonaro de domingo (26). Os apoiadores do presidente irão às ruas. Os organizadores prometem um movimento de amplitude nacional. Há duas possibilidades. Numa, os atos serão um sucesso, lotando as ruas das principais cidades do país. Noutra, o movimento será chocho. Jair Bolsonaro ainda não percebeu. Mas em qualquer hipótese, a manifestação será ruim para o seu governo.

Para analisar adequadamente os fatos é preciso responder à seguinte pergunta: Por que essa manifestação foi convocada? Primeiro, para dar uma resposta àquele outro movimento que levou estudantes e professores ao asfalto, no dia 15 de maio, em 220 cidades do país. Em segundo lugar, os apologistas de Bolsonaro desejam pressionar um Congresso que impõe derrotas em série ao governo.

Suponha que a manifestação seja colossal. Nesse caso, Bolsonaro pode cair na tentação de continuar governando apenas para os seus súditos. E a divisão da sociedade seria potencializada num instante em que o país precisa de unidade. O capitão pode concluir também que dispõe de musculatura para emparedar o Congresso. Isso é ótimo para massagear egos populistas. Mas não é certo que produza os votos de que o governo precisa para aprovar no Legislativo as reformas necessárias ao país.

Agora suponha que os atos pró-governo sejam miúdos. Nessa hipótese, ficará entendido que um presidente recém-eleito, com apenas cinco meses de mandato, começa a perder o apoio popular. Aí, os agentes políticos e econômicos é que podem se sentir estimulados a concluir que Bolsonaro só tem futuro se for capaz de se transformar numa espécie de ex-Bolsonaro, sábio o bastante para dissolver crises em vez de fabricá-las. Seja qual for o tamanho do barulho, o capitão ainda vai se arrepender de ter atiçado as ruas como se fosse um Hugo Chávez com sinal trocado.

Por Josias de Souza

Termômetro para todos os lados

As manifestações convocadas para este domingo servirão de termômetro tanto para Jair Bolsonaro quanto para o Congresso. É o que escreve João Domingos em sua coluna no Estadão neste sábado. Ele lembra que Jair Bolsonaro tomou contato de não ser acusado de crime de responsabilidade ao não se associar diretamente aos protestos que podem ter palavras de ordem pelo fechamento do Legislativo e do Supremo, mas que o tamanho dos atos e sua conformação serão importantes para ele. “Se forem muito grandes, darão uma prova ao presidente de que ele ainda goza de apoio popular, apesar de as pesquisas, como a mais recente da XP/Ipespe, divulgada ontem, dizerem que sua popularidade está caindo rápido. Se o número de manifestantes ficar abaixo das expectativas, o presidente terá nas ruas o testemunho de que a tendência verificada pelas pesquisas reflete-se na movimentação de seus apoiadores.” Para o Congresso, diz ele, os atos deverão indicar se o caminho de apostar numa agenda dissociada do Executivo está certo.

Povo na rua com avaliação em queda?

O governo Jair Bolsonaro está fazendo uma aposta bastante inusitada: conclamar a população para as ruas no momento em que pesquisas como a divulgada nesta sexta-feira, 24, pela XP Investimentos mostram queda na sua avaliação e que a população começa a responsabilizar seu governo pela situação da economia. O resultado dos atos pode conter várias armadilhas: se forem grandes, darão ao governo a falsa ilusão de que representam o conjunto da sociedade, e, portanto, vale a pena insistir na forma atual de governar e se relacionar com os demais Poderes. Se forem modestos, podem evidenciar o desgaste do governo em sua fase inicial. Nas duas hipóteses, e se as pautas forem majoritariamente de achincalhe dos políticos, pode aumentar a hostilidade do Congresso em relação ao Executivo.

Por Vera Magalhães

MONARQUISTAS À ESPERA DE SELFIES

Um grupo monarquista pretende entreter quem for se manifestar domingo a favor de Jair Bolsonaro, em ao menos 30 cidades do País. “Vamos com as bandeiras e a indumentária específica. Não temos vergonha, a recepção é excelente, as pessoas pedem para tirar fotos e conversar sobre o movimento”, disse Rodrigo Dias, líder da Confederação Monárquica no Rio de Janeiro. Dentro do coletivo, há preferências pelo Novo, PSL e DEM, segundo Dias, e resistência ao Centrão, que inclui o DEM. O deputado Luiz P.O.Bragança (PSL-SP), figura aguardada na avenida, escreveu no Twitter que “se você confia no Centrão para combater à (sic) corrupção, aumentar segurança e promover crescimento econômico fique em casa. Eu vou para a rua”, disse.

Monarquistas assanhados

As declarações do deputado federal Luiz Philippe de Orleans e Bragança (PSL-SP) feitas ao STF à revista Época na sexta, 24, são indícios de que a pauta da manifestação de domingo desperta apelos antidemocráticos. “Desde 2014 até agora as manifestações são contra o quê? São contra corrupção, contra o Supremo, contra o toma lá dá cá, contra o comunismo, contra o socialismo. Se você falar assim: “Ah, não pode ter manifestação contra o Supremo…”. Pelo amor de Deus! O Supremo desde quando nos últimos anos é uma instituição séria? Perdeu totalmente a credibilidade. Totalmente”, disse ele à publicação. Também nesta sexta, pelo Twitter, o parlamentar justificou que basta uma entrevista com o alto comando das Forças Armadas “para desqualificar por completo esse papo de intervenção nas instituições”.

INVESTIGADOS E ABUSADOS

Os ardis que consistem em contratação de funcionários fantasmas, repartição das remunerações desses e de funcionários ativos e ainda o uso de funcionários para serviços privados não se limitam a irregularidades administrativas de gabinetes parlamentares, federais ou estaduais. Configuram desvio e apropriação de dinheiro público, tanto faz se para o próprio parlamentar ou para outros. É isso que, na verdade, caracteriza a numerosa série desses fatos atribuídos a Jair, Flávio e Carlos Bolsonaro pelo Ministério Público do Rio.

“Venham pra cima, não vão me pegar!” é uma boa frase de efeito, mas Bolsonaro deve saber que as circunstâncias, se não a negam, também não a confirmam. Basta o primeiro lote de sigilos bancários a serem quebrados, já próximos de uma centena, para sugerir o que é esperado daí sobre o pai e dois dos filhos. Todo o caso, por sinal, foi constatado por causa de Flávio, mas o iniciador das atividades merecedoras de investigação foi Jair.

Por Janio de Freitas

EXAGERADO

Governo sem desavenças não existe. Mas Jair Bolsonaro exagera. Preside um governo da guerra, pela guerra e para a guerra. O apreço do capitão pelo conflito leva o governo a guerrear sobretudo consigo mesmo. Os apologistas do capitão podem considerar o argumento exagerado. Pois deveriam desperdiçar um pedaço do domingo tentando identificar uma política pública —apenas uma— capaz de aproximar ou distanciar os seguintes personagens:

— Jair Bolsonaro, presidente da República;

— Hamilton Mourão, vice-presidente;

— Olavo de Carvalho, guru e polemista;

— Flávio, Carlos e Eduardo Bolsonaro, filhos do presidente.

— Onyx Lorenzoni, chefe da Casa Civil

— Major Vitor Hugo, líder do governo na Câmara

— Joice Hasseumann, líder do governo no Congresso

— Fernando Bezerra, líder do governo no Senado

Desde a estreia do governo do capitão essas dez pessoas percorrem a conjuntura vinculadas a conflitos —provocando-os, atiçando-os ou fugindo deles. Nenhuma política pública animou o surto de animosidade. Guerreou-se por ideologia e frações de poder. Nem sinal de programa governamental. Nada que impulsionasse uma reforma estrutural. Apenas a guerra pela guerra.

Bolsonaro implica com Mourão porque é um ser humano inseguro. E aprendeu com Michel Temer que os vices, como os ciprestes, costumam crescer à beira dos túmulos. Mourão oferece aos gravadores e microfones um punhado de contrapontos sóbrios aos despautérios do titular porque, embora tivesse solicitado, Bolsonaro não lhe confiou nenhuma missão capaz de preencher-lhe a ociosidade, mãe de todos os vices.

Flávio, o Zero Um, dedica-se a empurrar para dentro do governo do pai um escândalo que enferruja qualquer discurso baseado na ética. Carlos, o príncipe Zero Dois, exerce a função de intérprete do pensamento do rei. Esforça-se para provar que a melhor maneira de sair de um buraco é cavando um buraco ainda maior nas redes sociais. Eduardo, o Zero Três, estarrece o Itamaraty com seu desempenho como chanceler extraoficial.

Na articulação política, Onyx dá caneladas no Major Vitor Hugo para mostrar quem é que manda na tropa do Legislativo. O Major dá de ombros para o ministro para realçar que é Bolsonaro quem dá as cartas. Joice se achega a Rodrigo Maia e à turma do centrão porque percebeu que o importante é saber embaralhar, não distribuir as cartas. E Fernando Bezerra, egresso do ministério de Dilma, com um pé na Lava Jato, frequenta o palco como evidência de que o MDB não se retirou do pôquer.

Incapaz de administrar a troca de tiros doméstica, Bolsonaro declara guerra ao mundo. Em sua penúltima incursão, o capitão distribuiu pelo WhatsApp um texto sobre o Brasil terrível e "ingovernável" que ele ganhou das urnas de 2018. Pela lógica, um governante deveria buscar aliados e evitar brigas. Mas a única lógica que Bolsonaro conhece é a lógica do confronto.

Essa obsessão pela guerra tem suas raízes nos 28 anos de exercício de mandato parlamentar. O problema é que, na Câmara, o custo do destempero e dos xingamentos de Bolsonaro limitava-se ao desperdício de verbas públicas com o pagamento do seu contracheque e com a estrutura do seu gabinete. No governo, o custo é mais alto.

Suprimindo-se do enredo dos primeiros quatro meses do governo a brigalhada inútil, sobram a conversa fiada, a perda de tempo, a frustração das expectativas econômicas e a alta do desemprego. O que torna o Brasil ingovernável é um sujeito que se elege como a solução de 57 milhões de eleitores e vira um problema antes do quinto mês de mandato.

Por Josias de Souza

NÃO É O MOMENTO

Os partidos de oposição ao presidente Jair Bolsonaro, PT, PSB, PCdoB, PDT e PSOL, não querem saber de pedido de impeachment. Ao menos não neste momento. Segundo reportagem do Estadão, eles avaliaram que não é momento de tentar retirar Bolsonaro do cargo, já que não haveria motivo formal para afastamento.” “Não é hora de tomarmos nenhuma iniciativa neste sentido. O terreno é o da luta política com mobilizações e ações conjuntas no Congresso”, disse o presidente do PSOL, Juliano Medeiros.

PACOTÃO DO MORO

O presidente da OAB, Felipe Santa Cruz, entregou a Rodrigo Maia (DEM-RJ) documento que destrincha o pacote anticrime do ministro Sérgio Moro (Justiça). Dez propostas são alvo de crítica ou rechaço de advogados e juristas. A mudança nas regras que caracterizam legítima defesa de policiais —o chamado excludente de ilicitude— e a gravação de conversas de advogados com clientes deveriam ser excluídas da proposta, segundo a OAB.

Mapa da guerra

O presidente da Comissão de Constituição e Justiça, Felipe Francischini (PSL-PR), vai conversar com o coordenador da Frente Armamentista, Loester Trutis (PSL-MS), para verificar quais dos projetos que tratam do porte de arma no colegiado poderiam ser levados adiante. Francischini busca alternativa caso o decreto das armas de Bolsonaro seja derrubado por ter a constitucionalidade questionada.

SAI PRA LÁ

Na avaliação do vereador carioca Cesar Maia (DEM), o anúncio precoce feito pelo presidente Jair Bolsonaro, de que indicará o ministro da Justiça e Segurança Pública, Sérgio Moro, para a primeira vaga que surgir no STF, é uma jogada clara de quem está pensando na eleição de 2022. Em entrevista ao Estadão, Maia disse que com isso, Bolsonaro se prepara para “tirar da frente aqueles que são adversários muito fortes”. “Ele elimina o principal adversário, não tem dúvida nenhuma. Pode fazer a pesquisa que você quiser entre Moro e Bolsonaro, você vai ver o que vai dar. Mostra que o próprio presidente está preocupado com o desdobramento de tudo isso. Ele precisa tirar da frente aqueles que são adversários muito fortes, que é o caso do Moro”, afirmou o pai do presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ).

CRESCENDO SEM PARAR

Pois é… A desiigualdade de renda no Brasil subiu pelo 17º trimestre consecutivo e atingiu o maior nível dos últimos sete anos, segundo levantamento do Instituto Brasileiro de Economia da FGV. 

LINGUÃO

A passagem do deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) pelo programa Mega Senha, da Rede TV ficou marcada. No jogo, a tarefa dele era dar dicas de palavras para que a outra jogadora acertasse uma senha. No caso, esta era a palavra “livre”. A primeira dica do parlamentar foi “preso”, mas a moça não acertou. Com o cronômetro rodando, Eduardo deu a última dica na esperança de que ela acertasse: “Lula”. Nem assim a jogadora soube responder “livre”.

ALVISSAREIRAS

Ex-ministro dos ex-presidentes José Sarney e Fernando Henrique Cardoso e amigo de Lula, o economista Luiz Carlos Bresser-Pereira disse pelo Facebook que o petista “está apaixonado e vai se casar” quando sair da prisão. Segundo a revista Época, a noiva é socióloga, paulista, mora em Curitiba, se chama Rosângela da Silva e é amiga de Lula desde os tempos da Caravana da Cidadania feita entre 1993 e 1996 por 359 cidades de 26 Estados.

NAS RUAS

Uma das principais atrações da Virada Cultural de São Paulo, o músico Caetano Veloso não insuflou a plateia de milhares de pessoas no Vale do Anhangabaú na noite de sábado, 18, durante seu show, contra o governo federal. Enquanto eram bradados gritos de protesto, o artista seguia com seu canto. Apenas nos minutos finais da apresentação, Caetano puxou um “Dia 30 vai ser maior” em referência aos atos convocados pela UNE para o dia 30 de maio em todo o País aos moldes dos realizados no dia 15 em mais de 200 cidades.

Aprovação

No último dia 15 de maio o presidente Jair Bolsonaro enfrentou o primeiro protesto popular contra seu governo. Reagiu chamando os manifestantes que foram às ruas protestar contras os cortes na Educação de “idiotas úteis” e tentou circunscrever a insatisfação a grupos manobrados pela esquerda. Pesquisa feita pelo Ideia Big Data mostra que não é essa a percepção da maioria da sociedade. De acordo levantamento feito pelo telefone, 58% dos entrevistados concordaram com a mobilização, contra 48% que discordaram. A mesma fatia (58%) discordou da afirmação de que “o contingenciamento na Educação pelo governo de Jair Bolsonaro segue critérios técnicos, e não ideológicos”.

SE METEM EM TUDO

O presidente Jair Bolsonaro criticou a atuação do Ministério Público com relação a questões ambientais e defendeu a gestão do ministro do Ambiente, Ricardo Salles. “A questão ambiental virou um óbice para o Brasil, tudo o MP se mete, algumas vezes com razão e outras vezes não, inviabiliza a obra”, afirmou o presidente. Sobre Salles, Bolsonaro afirmou que o ministro está “comprometido com o futuro”. Bolsonaro citou o caso do linhão de transmissão de energia para Roraima, projeto que enfrenta objeções da Funai. “Vamos resolver essa questão”, disse. Também voltou a sugerir que a região de Angra dos Reis vire “a nossa Cancún”. O presidente foi multado por pesca ilegal na região, em 2012, porém a multa do Ibama foi anulada quando assumiu a Presidência. O presidente negou ter cometido crime ambiental, afirmando que estava no Congresso no dia da multa. As declarações foram feitas em um evento Firjan, no qual Bolsonaro é homenageado.

DE NOVO

O presidente Jair Bolsonaro voltou a repetir, em discurso na Firjan, que não tem vocação para presidente. “Outro dia falei que não nasci para ser presidente. Desceram a lenha em mim. Quem nasceu (para ser presidente) está preso ou está estocando vento”, disse Bolsonaro. 

Ofertório

Na Firjan, Bolsonaro culpou a imprensa pelos problemas do seu governo. “Eu tenho enfrentado grupos corporativista, é uma vontade enorme de colocar o Brasil onde ele merece. E grande parte desse sonho passa pelos senhores, os empreendedores”, disse. Na ocasião, Bolsonaro foi homenageado com a medalha Mérito Industrial. Ele também aproveitou a ocasião para criticar novamente os órgãos de fiscalização. “Os senhores são verdadeiros heróis, pelo que têm de enfrentar das autoridades municipais, estaduais e do executivo federal”, afirmou. “O que eu tenho que oferecer a vocês é o meu patriotismo, a humildade, e a coragem de enfrentar grupos corporativistas e uma vontade enorme de colocar o Brasil no lugar que ele merece”, afirmou após receber a medalha Mérito Industrial da Firjan.

PASSOS TORTOS

Desde que o Ministério da Educação reacendeu o pavio das ruas, Jair Bolsonaro só fez bobagens. Em poucos dias aprontou o seguinte: Chamou estudantes e professores de "idiotas úteis", endossou um texto que diz que o Brasil é "ingovernável", avalizou um vídeo no qual um pastor declara que ele foi enviado por Deus para consertar o país e empurrou seus seguidores nas redes para uma manifestação anti-Congresso convocada para domingo.

Apoiador de presidente convocando manifestação popular é parte do jogo democrático. Presidente da República atiçando as ruas contra o Congresso é coisa que beira a insensatez. É como se Bolsonaro quisesse introduzir no processo eleitoral brasileiro um terceiro turno. No primeiro, prevaleceu como candidato antissistema. No segundo, despachou o petismo. No terceiro, tenta encurralar o Congresso. A conjuntura, que já era confusa, ficou ainda mais atrapalhada.

Um presidente que acaba de ser eleito para implantar um projeto de regeneração econômica e moral, em vez de negociá-lo na instância competente, recorre às ruas para desqualificar um Legislativo que saiu das mesmas urnas que o consagraram. A manobra é burra e incoerente. Bolsonaro flerta com a burrice ao injetar turbulência numa conjuntura que pede tranquilidade. Revela-se incoerente porque a jogada o deixa muito parecido com gente que ele sempre abominou.

No plano nacional, dois presidentes tentaram emparedar o Congresso. Em 1964, o esquerdista João Goulart, com suas reformas de base. Deu em golpe e ditadura militar. Em 1992, o embusteiro Fernando Collor, com sua ilicitocracia. Deu em impeachment. No plano internacional, Bolsonaro parece inspirar-se no modelo venezuelano, no qual o coronel Hugo Chávez e o pupilo Nicolás Maduro deram brilho aos seus pendores golpistas com o verniz extraído das manifestações de rua. Deu no que está dando: ruína e baderna.

Era só o que faltava: um Bolsonaro com cheiro de naftalina pré-64, aparência collorida e hábitos venezuelanos.

Por Josias de Souza

CHICO

Lula enviou uma carta a Chico Buarque parabenizando o músico pelo Prêmio Camões, de literatura. “Fiquei feliz pelo prêmio, mas muito mais feliz porque a [TV] Globo teve que colocar você no ar em horário nobre, pela primeira vez vi sua cara na Globo”, disse o petista. Chico e sua namorada, a advogada Carol Proner, enviaram de volta ao ex-presidente, por meio de amigos que o visitam, uma foto dos dois fazendo o L de “Lula Livre”. A TV Globo, por sua vez, fez um levantamento para mostrar que Chico Buarque já apareceu “incontáveis” vezes em seus telejornais. De acordo com o levantamento, desde 2010 Chico Buarque já apareceu nove vezes no Jornal Nacional, quatro no Fantástico, dez em telejornais do Rio, cinco no Bom Dia Brasil e sete no Jornal da Globo. Em algumas delas, Chico apareceu apoiando o movimento Lula Livre, a candidatura de Fernando Haddad a presidente, em atos contra o impeachment de Dilma Rousseff e em homenagens à vereadora Marielle Franco. “Chico Buarque sempre mereceu e merecerá toda a atenção e respeito da TV Globo, pelo que representa para a cultura brasileira”, diz a emissora.

RARVARDI

Nem o próprio Wilson Witzel acreditava que chegaria ao governo do Rio. Azarão no início da campanha de 2018, o ex-juiz tinha planos de passar um período na Universidade Harvard naquele ano, como parte de seu doutorado. Na reta final da disputa, ele disparou nas pesquisas, venceu a eleição e acabou ficando por aqui. Mesmo assim, decidiu embelezar seu currículo. Witzel manteve em seu perfil acadêmico, pelos últimos quatro anos, uma referência a uma passagem pela escola americana. O jornal O Globo descobriu, porém, que ele não se sentou naquelas cadeiras como aluno. O governador do Rio incluiu até um conhecido professor de direito constitucional como orientador. Depois que a notícia rodou as redes, um Witzel indignado gravou um vídeo para se explicar. “Tive que parar minha atividade como governador para responder a uma notícia fraudulenta, mentirosa”, reclamou.

Por Bruno Boghossian

Bem acompanhado

O ex-juiz federal e governador do Rio de Janeiro Wilson Witzel (PSC) não é o único político que inflou seu currículo acadêmico ao registrar ter sido aluno de universidade que, na verdade, nunca frequentou. 

Damares Alves - A ministra da Mulher, Família e Direitos Humanos, Damares Alves, por exemplo, já se apresentou em eventos como “uma advogada” que é também “mestre em educação” e “em direito constitucional e direito da família”. Após ser questionada sobre em quais instituições ela teria cursado as especializações, a assessoria de imprensa do ministério informou que Damares não possui esses títulos acadêmicos. Damares afirmou que seu título tem a ver com o ensino bíblico. “Diferentemente do mestre secular, que precisa ir a uma universidade para fazer mestrado, nas igrejas cristãs é chamado mestre todo aquele que é dedicado ao ensino bíblico.”

Ricardo Salles - Seu colega de Esplanada, Ricardo Salles (Novo), ministro do Meio Ambiente, também não é mestre em direito público pela Universidade Yale, nos Estados Unidos, como foi informado pela imprensa em diversas ocasiões. Em artigo publicado por Salles em 2012 na seção Tendências/Debates da Folha incluía, em sua biografia, a formação em Yale. O erro foi revelado pelo site The Intercept Brasil. O ministro confirmou que não estudou em Yale e disse que o equívoco foi cometido por sua assessoria de imprensa, que, segundo ele, enviou o texto ao jornal em 2012. Salles é formado em direito pela Universidade Mackenzie. Ele fez especialização em administração de empresas na Fundação Getúlio Vargas e pós-graduação em direito na Universidade de Coimbra, em Portugal, segundo o site do Ministério do Meio Ambiente. 

Dilma Rousseff - A ex-presidente Dilma Rousseff (PT), quando era ministra, também teve o currículo contestado. Na época, Dilma admitiu que não concluiu os cursos de mestrado e doutorado na Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), mas afirmou não saber quem havia inserido essas informações em seu Lattes. O currículo acadêmico, porém, tem certificado digital do autor. A petista afirmou ter cumprido todos os créditos do mestrado e do doutorado, mas não finalizou a dissertação. A revelação dos erros foi feita pela revista Piauí. 

Celso Amorim - O ex-ministro de Relações Exteriores Celso Amorim foi outro que exagerou o currículo publicado na página do Itamaraty. O chanceler do governo Lula (PT) dizia ter doutorado em ciência política pela London School of Economics (LSE), mas a instituição informou à revista Exame que o doutorado nunca foi concluído. Fora do mundo político, a química e professora Joana D'Arc Félix passou por contestação semelhante. Ela também citou em seu currículo acadêmico que estudou em Harvard, o que acabou desmentido. Posteriormente, pediu desculpas. 

MEDALHA, MEDALHA, MEDALHA...

O presidente, Jair Bolsonaro (PSL),  condecorou os filhos, o senador Flávio (PSL-RJ) e o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), com a Ordem do Mérito Naval, distinção entregue a personalidades civis ou militares que tenham prestado “serviços relevantes” à Marinha do Brasil. Além dos filhos, receberam a homenagem 15 ministros, sete governadores, outros dois senadores e 14 deputados e nomes como a procuradora-geral da República, Raquel Dodge, o presidente do Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4), Thompson Flores e ao presidente da Petrobras, Roberto Castello Branco. É a segunda vez, em menos de um mês, que Bolsonaro distribui distinções oficiais da República entre membros da própria família. No início do mês, Flávio e Eduardo foram condecorados com a comenda de Grande Oficial da Ordem de Rio Branco, oferecida pelo ministério das Relações Exteriores (Itamaraty), que “distingue serviços meritórios e virtudes cívicas” e estimula “a prática de ações e feitos dignos de honrosa menção”.

DO PRÓPRIO VENENO

O “humorista” Danilo Gentili, aliado convicto de Jair Bolsonaro, experimentou do próprio veneno. Pressionado nas redes sociais por bolsonaristas para que convoque seus milhões de seguidores aos atos favoráveis ao governo, ele disse que a hashtag #chamaGentili não passa de intimidação. Assim como Gentili, outras conhecidas “personalidades” da direita, como o cantor Lobão, a deputada estadual Janaína Paschoal (PSL-SP) e os integrantes do MBL, estão sofrendo ataques de bolsonaristas por não apoiarem as manifestações. Com a tradicional grosseria, Gentili tuitou: “Sendo assim a única coisa que vou chamar é vocês de filhos da puta. Vão patrulhar e intimidar a mãe de vocês na zona. É isso que vocês conseguem sendo esse monte de escroto truculento que são. Vão tomar no cu e aprendam a ser gente”.

Extrema direita

O “humorista” declarou que a hashtag #chamaGentili estava sendo impulsionada nas redes por perfis falsos de grupos de extrema direita e que pensou em montar também um perfil falso para convocar às manifestações. “Mudei de ideia. Não preciso fazer isso. Já temos um exército de cavaleiros templários munidos de extrema sabedoria social e política e grande poder de ação e influência. Certamente não precisam que nenhum agente globalista da mídia faça isso. Eles têm muitos perfis foda pra isso!”, tuitou.

Vergonha alheia

Dá vergonha ouvir Danilo Gentili dizer que “não gosta de Paulo Freire” sem sequer ser capaz de citar uma simples frase do autor. Este é Gentili: estúpido, arrogante e, sobretudo, um ignorante perfeito.

KATAPIROCA

A crescente ruptura entre os setores que apoiam Jair Bolsonaro (PSL) deu palco a uma nova batalha nas redes sociais. O embate envolveu o líder do Movimento Brasil Livre (MBL), Kim Kataguiri (DEM/SP), e o guru do clã bolsonarista, Olavo de Carvalho. O astrólogo foi o primeiro a lançar a provocação ao líder do MBL – que há dias está sob ataque de doutrinados do guru. Criticando a negativa de Kim em apoiar o movimento pró-Bolsonaro, marcado para domingo (26), Olavo disse que não poderia nivelar a Janaína (Paschoal, PSL/SP) com o “Kim Katapiroka”, embora ambos estivessem “unidos no erro”. O parlamentar do MBL rebateu, dizendo que o astrólogo não teria “estatura moral para isso”. “Um senhor dessa idade que tem de recorrer a trocadilhos toscos para transmitir a própria mediocridade de espírito precisa sair do Twitter e trocar as fraldas mentais”.

Rainha da Inglaterra

O deputado e líder do MBL, Kim Kataguiri (DEM-SP), perdeu as esperanças no governo de Jair Bolsonaro. Questionado pela revista Crusoé se “ainda há tempo para conserto”, o parlamentar demonstrou pessimismo. “Acho difícil. Acho que passou do ponto de tensão. Ou a gente tem um parlamentarismo branco em que o presidente vira uma rainha da Inglaterra ou a gente passa por um processo de impeachment dependendo da votação do crédito suplementar”, respondeu. O MBL apoiou a candidatura do presidente Jair Bolsonaro no segundo turno das eleições de 2018. Tenta, no momento, se distanciar do governo e tem, inclusive, pretensões de virar partido.

TUCANOS REBELDES

Tucanos querem a expulsão do partido do sociólogo Fernando Guimarães. O motivo seria a participação de Guimarães na formação de um grupo suprapartidário de oposição ao presidente Jair Bolsonaro. Segundo o Estadão, a participação de Guimarães no movimento, que conta com representantes do PDT, PSOL, PT, PCdoB e Cidadania, irritou dirigentes do PSDB em São Paulo. “O Diretório Municipal do PSDB de São Paulo informa que não compactua com a postura de Fernando Guimarães Rodrigues ao assumir sua posição pessoal como a do partido”, disse o diretório em nota oficial. Fernando Alfredo, presidente do PSDB paulistano, disse que quer que as medidas também sejam aplicadas para outros tucanos que apoiam o movimento como o ex-senador José Aníbal, o ex-ministro da Justiça José Gregori, o ex-governador Alberto Goldman e o senador José Serra.

RESISTÊNCIA

A deputada federal Luiza Erundina (PSOL-SP), de 84 anos, contestou as informações apresentadas pelo secretário adjunto de Previdência e Trabalho, Bruno Bianco, com um forte discurso autobiográfico, na Comissão Especial da reforma da Previdência. Emocionada, foi aplaudida por vários colegas do colegiado sob o olhar atento de Bianco.

TABATA QUER PROCESSAR WEINTRAUB

A deputada Tabata Amaral, que já havia antagonizado com o ex-ministro da Educação, Ricardo Vélez, não gostou nem um pouco da postura do atual titular da pasta, Abraham Weintraub, ao responder seus questionamentos. O motivo do discussão foi novamente supostos convites enviados pelo MEC para reunião com a deputada, que já haviam sido motivo de conflito na semana passada. Para provar seu ponto de vista, Weintraub distribuiu cópias dos convites, que continham o número pessoa de Tabata e da equipe dela.

“Cobrei planos, metas e ações do MEC. O ministro respondeu divulgando meu número de telefone pessoal e tentando manchar a minha imagem e a da minha equipe. Usou comigo dos mesmos mecanismos que emprega na análise dos problemas da educação: polemiza, manipula informações, e mente. Isso não é atitude de ministro”, disse a deputada, prometendo processar o ministro da Educação pelo ato.

BRUXAS NORDESTINAS

Mais uma fala polêmica da ministra Damares Alves ganhou repercussão nas redes sociais. Durante uma pregação evangélica feita na Primeira Igreja Batista de João Pessoa, Damares afirma que “está chegando no Nordeste um manual prático de bruxaria para crianças de seis anos”. Segundo ela, o suposto material ensina a como ser bruxa, como fazer roupa e comida de bruxa, além de ensinar as crianças a produzirem a vassoura de bruxa em sala de aula. O discurso de Damares foi feito antes de ela ocupar o cargo de ministra. O seu resgate nas redes sociais, no entanto, não favorece uma das próximas agendas do governo.

‘Não dá para viver de cadáveres’

A ministra Damares Alves (Mulher, da Família e dos Direitos Humanos) questionou o trabalho de identificação de corpos de desaparecidos políticos feito pela Comissão de Mortos e Desaparecidos Políticos com ossadas da vala comum do cemitério de Perus, na zona oeste de São Paulo. Além dos custos para manter a comissão, Damares levantou duas suspeitas: a de que foram enviadas ossadas de cachorro para análise e de que a vala de Perus pode ter sido usada para enterrar vítimas de meningite.

“Há um teoria. Houve uma época em que havia muita morte por meningite. Havia muito medo e as pessoas enterravam em um único lugar. As ossadas de Perus estão lá, é um desafio (…) Tenho informações que não posso comprovar, de que já foi enviado pedaço de osso de cachorro para analisar”, acrescentou.  A ministra concluiu que mudará o foco do colegiado, já inoperante pelo decreto presidencial que acabou com conselhos e comissões, como o Grupo de Trabalho Perus, vinculado à comissão. “Desculpa, senhores não dá para viver hoje de cadáveres. Queremos otimizar essa Comissão de Mortos e Desaparecidos para que ela busque desaparecidos no Brasil, mas desaparecidos hoje”, disse. O presidente Jair Bolsonaro, enquanto parlamentar, criticava as buscas por desaparecidos políticos. Posou ao lado de cartaz sobre os trabalhos na região do Araguaia que dizia: “Quem procura osso é cachorro”.

Marielle que nada

A ministra de Direitos Humanos, Damares Alves, afirmou “não vai atrás dos criminosos de Marielle”, assassinada no dia 14 de março de 2018 junto a seu motorista, Anderson Pedro Gomes. A ex-vereadora era ativista dos direitos humanos, especialmente dos negros, populações LGBTI, mulheres e jovens das favelas mais pobres do Rio de Janeiro. A declaração de Damares foi dada durante audiência na Comissão de Fiscalização Financeira e Controle, da Câmara dos Deputados. “É a terceira vez que eu venho na Câmara. Na segunda, vim lançar um mega trabalho de acolhida das crianças com microcefalia no Brasil. Eu não vou atrás de criminosos da Marielle (Franco). Eu vou cuidar de crianças, isso é direitos humanos”, disse ela, acrescentando outra agenda da pasta, a adoção de crianças, como exemplo de “direitos humanos”. Em março deste ano, o Escritório do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos (ACNUDH) fez um apelo ao Brasil por maior celeridade nas investigações do crime.

NO NORDESTE

O presidente Bolsonaro está no Nordeste com a intenção de fazer uma ofensiva na região onde tem menos popularidade – estão previstas a entrega de casas populares e o anúncio de mais verbas para obras de infraestrutura. Dados do Ibope mostram que apenas 25% dos entrevistados dos estados do Nordeste aprovam a administração de Bolsonaro, 29% a consideram “regular”, 40%, “ruim” ou “péssimo”. Os índices são bem diferentes dos encontrados no Sul do País, por exemplo, onde 44% dos entrevistados aprovam o governo. A desaprovação no Nordeste é algo que o pesselista enfrenta desde as eleições. O Nordeste foi a única região em que Bolsonaro perdeu para Fernando Haddad, candidato à presidência pelo PT. Foram 69,7% dos votos válidos para o petista (20,3 milhões) contra 30,3% para o capitão do Exército (8,8 milhões).

Tamo chegando...

O "diz-me com quem andas que eu te direi quem és" não quer dizer muita coisa para Jair Bolsonaro. Em sua primeira visita ao Nordeste depois de eleito, o capitão levou a tiracolo seu líder no Senado, Fernando Bezerra (MDB-PE). Por uma trapaça da sorte, a viagem ocorreu no mesmo dia em que o TRF-4, tribunal que julga as causas da Lava Jato, determinou o bloqueio de R$ 258 milhões em dinheiro ou bens de Bezerra. Deve-se a decisão a uma ação de improbidade administrativa movida pela força-tarefa de Curitiba. Ou seja: o presidente da República voou na companhia da suspeita de improbidade.

BAHIA É UM LIXO

O clima esquentou na Câmara dos Deputados. O líder do PSL na Casa, Delegado Waldir, gritou para todos ouvirem que “a Bahia é um lixo”. O representante do presidente Jair Bolsonaro (PSL) completou dizendo que o lixo era governado pelo PT, em uma clara menção ao governador Rui Costa (PT). O descontrole aconteceu durante uma sessão da Comissão de Educação da Câmara. Ele ainda chamou estudantes de instituições públicas de maconheiros. Assista:

Governo baiano responde com belo comercial

Fascista assanhado

Deputado Delegado Waldir é um louco. Chama professores e estudantes de maconheiros e vagabundos. Esse tipo de político não compreende o diálogo típico da democracia.

SEM LIMITES

Uma “armadilha”: é como Jair Bolsonaro classifica os radares móveis em rodovias. São seus novos alvos, depois de ele ter cancelado os contratos dos radares fixos. Ontem ele disse que tem conversado sobre isso com Sergio Moro e que já engavetou os novos pedidos para radar. Também reafirmou que vai encontrar Rodrigo Maia para acertar mudanças no Código de Trânsito já anunciadas por ele. A ideia é passar, de 20 para 40 o número de pontos necessários para perder a carteira de habilitação. Mas o “ideal” seriam 60.

Quantas Mortes

A cada hora, cinco pessoas morrem e 20 vão para o hospital por conta de acidentes de trânsito no Brasil. Ao todo, entre 2007 e 2016, mais de 1,6 milhão de pessoas ficaram feridas, 438 mil morreram e o SUS gastou R$ 3 bilhões com isso. Os dados foram apresentados ontem pelo Conselho Federal de Medicina. 

Bolsonaro não tira ‘pardais’ da cabeça

Jair Bolsonaro não tira os radares eletrônicos da cabeça. O presidente voltou a falar de sua “cruzada” contra os “pardais” nas rodovias federais em conversa com jornalistas. “Estou agora conversando com o Sergio Moro, que a Polícia Rodoviária Federal está a comando dele. Nós queremos acabar com os radares móveis, que é uma armadilha para pegar os motoristas”, disse. A ordem agora, segundo Bolsonaro, é não renovar nenhum dispositivo. “O que está acertado com o ministro da Infraestrutura, Tarcisio Freitas, é que todo e qualquer radar ou pardal, uma vez vencendo o seu prazo, nós não revalidaremos isso daí.”

RATAZANA

Contratado pelo governo federal para ser garoto-propaganda da Reforma da Previdência, o apresentador Carlos Roberto Massa, conhecido como Ratinho, deve R$ 76,4 milhões em impostos à União. Os débitos, quando isolados, revelam que do montante, R$ 38 mil são dívidas com a Previdência. Os dados estão disponíveis no banco de dados de dívidas ativas da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN), vinculada ao Ministério da Economia. As dívidas fiscais foram acumuladas por uma das empresas de Ratinho, a Agropastoril Café no Bule Ltda, com sede em Apucarana, no Paraná, e que é responsável por administrar as fazendas da família Massa.

TEM QUE PAGAR

O presidente Jair Bolsonaro terá 15 dias para pagar R$ 10 mil para a deputada Maria do Rosário. Segundo determinação da juíza Tatiana Dias da Silva Medina, da 18ª Vara Cível de Brasília, Bolsonaro terá não apenas de pagar o valor como parte da punição por ofender a petista, mas também fazer retratações públicas nas redes sociais e em um jornal de grande circulação. Maria do Rosário disse ao Broadcast Político que doará o dinheiro recebido. “Compartilho a vitória com todas as mulheres que sofrem humilhações e violências, a quem sempre defenderei. E que na política, tenham aprendido que não existe imunidade parlamentar para agir contra a lei e desrespeitar quem quer que seja”, disse. O Planalto não se manifestou.

OTIMISTA?

O ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, demonstrou otimismo após o Ministério da Agricultura francês reagir contra o acordo do Mercosul (Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai) com a União Europeia, negociado já há 20 anos, por temor de que itens como o meio ambiente sejam desrespeitados. “A França não ratificará nenhum acordo que prejudique os interesses dos agricultores e consumidores, as exigências de qualidade sanitária e alimentar das normas europeias e os nossos engajamentos ambientais do Acordo de Paris”, afirmou o titular da pasta, Didier Guillaume. O desmatamento na Amazônia é um dos entraves às negociações. A reação vai “na linha de uma atitude que a gente conhece que a França vem tendo em proteção de sua agricultura. Cabe ao conjunto dos países europeus fazer um balanço do valor estratégico do acordo como um todo em função de eventuais sacrifícios em certas posições, assim como nós fazemos. Não acredito que seja uma barreira maior da que já existia”, avaliou o chanceler nesta tarde de quinta, 23, na sede da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) em Paris.

INCONSTITUCIONAL

O Ministério Público Federal considera que o decreto que liberou o porte de armas para vários setores da sociedade continua inconstitucional, a despeito de correções feitas pelo governo Jair Bolsonaro. Nota técnica enviada na sexta-feira ao Congresso pela Procuradoria Federal dos Direitos dos Cidadãos diz que o novo decreto com correções do anterior não só não retira a inconstitucionalidade da matéria como em diversos aspectos “agrava as ilegalidades que marcam a medida”, informa o jornal O Globo. Para o MPF, “o regulamento cria as condições para a venda em larga escala e sem controle de munições e armas, o que certamente facilitará o acesso a elas por organizações criminosas e milícias e o aumento da violência no Brasil”.

DE MALA E CUIA

O ministro Paulo Guedes (Economia) disse que deixará o cargo se a reforma da Previdência que sair do Congresso for uma “reforminha”. “Pego um avião e vou morar lá fora. Já tenho idade para me aposentar”, disse ele em entrevista à revista Veja. Para ele, sem a reforma o Brasil “pega fogo”. “A velha Previdência quebrou. Não vamos ter nem dinheiro para pagar aos funcionários. Vai ser o caos no setor público, tanto no governo federal como nos estados e municípios”, declarou o titular da Economia, para quem o sistema previdenciário hoje é um “buraco negro” que engole tudo ao redor.

Reincidente

Não é a primeira vez que o ministro mais importante do governo Jair Bolsonaro ameaça pedir o boné caso as coisas não saiam como planejou. Ao usar essa retórica reiteradamente, Guedes vai minando, aos poucos, seu próprio papel de âncora da estabilidade de um governo altamente instável.

Bolsonaro não gostou

Em Recife, o presidente Jair Bolsonaro reagiu à declaração do ministro Paulo Guedes à revista Veja de que pegaria um avião para morar fora se o Congresso aprovar uma “reforminha”. “Paulo Guedes está no direito dele. Ninguém é obrigado a ficar como ministro meu”, disse a jornalistas. Bolsonaro se irritou quando questionado sobre sua alta rejeição no Nordeste: “Faça uma pergunta mais inteligente”.

O contexto

O aviso de Guedes chega num momento especialmente delicado para o governo. Pesquisa da XP Investimentos mostra que pela primeira vez a aprovação a Bolsonaro é menor numericamente que a rejeição. 36% dos entrevistados avaliaram o governo como ruim e péssimo ante 34% que disseram que é ótimo ou bom. As relações com o Congresso estão em ponto alto de tensão, e os protestos marcados para domingo se apresentam como um risco múltiplo para o presidente.

Equações perigosas

Trata-se de aposta bastante inusitada conclamar a população para as ruas no momento em que a população começa a responsabilizar o atual governo pela situação da economia. O resultado dos atos pode conter várias armadilhas: se forem grandes, darão ao governo a falsa ilusão de que representam o conjunto da sociedade, e, portanto, vale a pena insistir na forma atual de governar e se relacionar com os demais Poderes. Se forem modestos, vão evidenciar o desgaste do governo em sua fase inicial. Nas duas hipóteses, e se as pautas forem majoritariamente de achincalhe dos políticos, podem aumentar a hostilidade do Congresso em relação ao Executivo.

Firme e forte

O presidente Jair Bolsonaro não viu problema nenhuma ao ver Paulo Guedes declarar que poderá deixar o cargo de ministro da Economia caso a reforma não traga a economia planejada. Em suas redes sociais, Bolsonaro culpo “a mídia” por tentar causar uma polêmica entre ele e seu “Posto Ipiranga”. “Nosso casamento segue mais forte que nunca”, disse. “Caso não aprovemos a Previdência, creio que deva trocar o Ministério da Economia pelo da Alquimia, só assim resolve”, escreveu o presidente.

Sem influência

Enquanto o presidente da Comissão Especial, Marcelo Ramos, subiu o tom após Paulo Guedes ameaçar abandonar o cargo caso a reforma não seja a desejada, o relator da PEC 06, Samuel Moreira (PSDB-SP), foi pelo caminho contrário. O tucano minimizou a polêmica com o Ministro da Economia e garantiu que a reforma segue firme e forte na Câmara. “Acho que (a declaração) não contamina (a tramitação da reforma). Aliás, essa é uma conversa talvez dele com o presidente”, disse Moreira. “O presidente é o dono do cargo, faz o que quiser com o Paulo Guedes. Eu considero o Paulo Guedes alguém com espírito público, ele tem bons diagnósticos”, afirmou o relator, dizendo que ainda está atrás da meta de R$ 1 trilhão de economia. .

Choque de humildade

O presidente da Comissão Especial da reforma da Previdência, Marcelo Ramos, se juntou ao time dos que não gostaram nem um pouco das declarações de Paulo Guedes à revista Veja desta semana, na qual o ministro avisa que pode deixar o governo caso a reforma não traga a economia desejada. Na opinião do deputado, o ministro da Economia precisa de um “choque de humildade”. “A declaração é desrespeitosa com o presidente e constrange o presidente, que é chefe dele. O Brasil é maior do que ele, ele não é maior que o Brasil. O ministro Paulo Guedes precisa de um choque de humildade, ele precisa entender que é ele que trabalha para o Brasil, não é o Brasil que trabalha para ele. O ministro não está fazendo nenhum favor ao país”, disse.

Chantagem

Alguns parlamentares que têm ficado ao lado do governo em algumas pautas não gostaram de ver o ministro Paulo Guedes falar que “deixará o Brasil” caso a reforma da Previdência seja aprovada sem a economia desejada. O líder do Podemos, José Nelto, por exemplo, viu uma espécie de “chantagem” na fala do ministro da Economia. “Ao invés de pegar um avião e morar fora, caso a reforma não vá ao encontro das suas expectativas, o ministro poderia ficar no Brasil e ajudar a resolver os graves problemas”, disse Nelto.

TURMA DO SELFIE

Após serem flagrados mais preocupados com suas lives nas redes sociais do que na votação em andamento no plenário, membros da “bancada da selfie” do PSL defenderam a necessidade da “comunicação direta” com seu eleitorado nos mais diversos momentos. Vice-líder do PSL, o deputado Filipe Barros, avisou que “está levando a população para dentro do plenário pelo celular”. “Continuarei fazendo. Isso é transparência”, escreveu. Seu colega de PSL, Carlos Jordy (RJ) também manterá a postura. “Não somos bancada das lives, somos a bancada que se comunica com seu eleitor, que mostra o que acontece no dia a dia da política. Os tempos mudaram, esse é o novo modo de fazer política, acostumem-se.”

CHEIO DE GRANA

Investigado por movimentações financeiras suspeitas e alvo de quebra de sigilos fiscal e bancário, o ex-assessor do senador Flávio Bolsonaro (PSL-RJ), Fabrício Queiroz, pagou R$ 64,58 mil em espécie ao hospital Albert Einstein após ser submetido a uma cirurgia para a retirada de um câncer no intestino e ficar internado por 9 dias no hospital, informa O Globo. O Coaf apontou movimentações “atípicas” de R$ 1,2 milhão entre 2016 e 2017 em conta ligada a Queiroz, conforme revelou o Estadão. Ele é suspeito de integrar um esquema criminoso conhecido como “rachadinha”, em que assessores parlamentares devolvem seus salários aos deputados. Queiroz se defende dizendo que é um homem que “faz dinheiro”, com venda de carros, o que o Ministério Público do Rio de Janeiro contesta, e que usava o dinheiro detectado pelo Coaf para “multiplicar a base eleitoral” de Flávio. Também já afirmou que o filho do presidente não tem nada a ver com as suspeitas investigadas pelo MP-RJ. Segundo a instituição, Queiroz integraria uma organização criminosa.


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