Semana On

Sábado 24.ago.2019

Ano VII - Nº 360

Especial

Heróis anônimos

Projetos desenvolvidos em universidades federais podem mudar a saúde e a vida dos brasileiros

Postado em 20 de Maio de 2019 - Ana Clara Veloso e Letycia Cardoso (O Globo), Victor Barone (Semana On)

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Rapha quer dizer, em hebraico, cura. Não à toa é o nome escolhido para um equipamento inovador em todo o mundo, que proporciona a cicatrização de pé diabético, causa de 70% das amputações de membros inferiores no Brasil.

O modelo, que aguarda apenas a liberação da Anvisa para entrar no Sistema Único de Saúde (SUS), começou a ser testado em 2013, na Universidade de Brasília, uma das três primeiras instituições educacionais que tiveram o contingenciamento de verba, em 30%, anunciado pelo governo federal, no início deste mês. E é um dos projetos desenvolvidos em universidades federais que muitas vezes a sociedade não conhece, mas que existem. Mostramos 12 deles nesta matéria.

“É um equipamento que vai ajudar a reduzir drasticamente o número de amputações feitas no Sistema Único de Saúde, que hoje são cerca de 50 mil por ano. Além disso, impacta muito a Previdência, pois o problema concede afastamento", afirma o professor Mário Fabrício Fleury Rosa, do Programa de Pós-doutorado em Ciências e Tecnologias em Saúde da UnB. 

O projeto recebeu R$ 2 milhões do Ministério da Saúde para seu desenvolvimento, mas foi todo organizado dentro da universidade, conta o professor: 

“Se você enfraquece o desenvolvimento científico na universidade, está enfraquecendo a produção de equipamentos, principalmente os médicos, no Brasil. Pois não temos desenvolvedores no âmbito privado. As empresas só importam e revendem. Este equipamento é uma novidade composta de duas tecnologias consolidadas: luz de LED, tema no qual o Brasil é o número um em pesquisas, e película de látex, sobre o qual historicamente também temos bastante acúmulo. Por análises em bancos de dados mundiais, sabemos que ninguém nunca pensou nisso no mundo”, diz. 

Das 50 instituições que mais publicaram trabalhos científicos no Brasil nos últimos cinco anos, apenas uma universidade é particular, a Pontifícia Universidade Católica (PUC) Paraná. Outras 43 são públicas, e há ainda cinco institutos de pesquisa ligados ao governo federal, segundo dados da base Web of Science, compilados pela Clarivate Analytics a pedido da Universidade de São Paulo (USP). Essas fábricas de conhecimento tornaram o Brasil o 13º maior produtor de publicações de pesquisa em nível mundial, entre 2011 e 2016. 

“A universidade, em primeiro lugar, é um ambiente para fazer pesquisa, e pesquisa exige recurso . Por isso, estamos muito preocupados com o contingenciamento de verbas anunciado. De modo geral, são as instituições de fomento, como CNPq e Capes, que concedem as principais bolsas de financiamento, mas são as universidades que criam ambientes para o desenvolvimento da pesquisa. Nelas, os pesquisadores aprendem, se encontram, testam. Se a universidade não consegue pagar seus serviços básicos, deixa de fornecer computadores, cadeiras, ar-condicionado, luz, água, a pesquisa é prejudicada”, explica Roberto Vehrine, especialista em educação de nível superior.

E a área de Humanas, produz? 

Ainda segundo Verhine, as faculdades da área de Humanas, embora nem sempre tenham resultados numéricos e objetivos a apresentar, produzem conhecimentos e são muito importantes.

“Não está certo dizer que a área de Humanas não tem produzido grandes pesquisas, não é justo. Isso não reconhece a dificuldade da pesquisa humana, que tem a necessidade de interação entre pesquisador e pesquisado, e pretende se aprofundar muito mais qualitativa do que quantitativamente. Existem diferenças com as Ciências da Natureza e muitos não entendem. Deixam então de considerar grandes avanços na área. Mas como, por exemplo, vamos definir nossas políticas públicas sem isso? A gente precisa de dados, estabelecer prioridades, saber os fatores de investimento na Educação que fazem diferença na aprendizagem. As Ciências Humanas fazem esse papel, além de impactos diretos a nós mesmos, como os estudos da Psicologia”, afirma.

Além da pesquisa, as universidades têm o papel de extensão

“Temos o momento em que a gente gera conhecimento, na pesquisa, o momento em que a gente passa o conhecimento, no ensino, e o momento em que a gente leva esse conhecimento em ações de melhorias à sociedade, que é a extensão, um papel importante da universidade. Com contingenciamento de verba, esses três braços são prejudicados”, avalia Verhiner. 

CONHEÇA MAIS 12 PROJETOS INOVADORES

Software para detectar pornografia infantil 

Desenvolvido na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG)

Perito criminal da Polícia Federal, João Macedo viu em um programa de mestrado de Ciência da Computação na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) a oportunidade de contribuir para o desenvolvimento da corporação. Desde 2017, ele trabalha em um software, junto ao orientador Jefersson Alex dos Santos, para auxiliar a identificação de vídeos que contenham nudez ou atos sexuais envolvendo crianças e adolescentes nos milhares de computadores que são apreendidos por ano.

“A análise desse material é uma das atividades principais dos peritos da polícia e, hoje, o processo conta apenas com a ajuda de alguns softwares que conseguem identificar grande quantidade de pele exposta em uma cena, mas pode deixar passar vídeos caseiros em que há baixa luminosidade, por exemplo. A outra parte da análise é feita a olho nu. O método do João é diferente pois ele explora um conjunto de técnicas chamado "aprendizagem de máquina", pelo qual a máquina realmente aprende o que é pornografia a partir de exemplos mostrados a ela. Então quando ela vê um vídeo novo, consegue dizer se aquilo é pornografia ou não. Isso agiliza o processo e protege o perito de ficar exposto por muito tempo a este tipo de conteúdo, que faz mal psicologicamente”, explica Jefersson. 

A análise de cada arquivo vai além: após classificar a pornografia em 0,06 segundos, o software detecta as faces presentes na cena, para estimar a idade delas. Todo o processo demora cerca de 0,4 segundos e já registra quase 80% de acerto. O método é inovador, mesmo porque os pesquisadores no Brasil têm dificuldade de acessar este tipo de informação. 

“Deu certo pois o João, como perito, tem acesso a um banco de dados enorme, que não pode sair da Polícia Federal. Todos os manuseios são feitos lá dentro. Esse é um caso muito importante de parceria da universidade com a polícia, que é quem tem a demanda. O João está usando no dia a dia do trabalho dele, já emitiu laudos com a ajuda do software e agora isso está repercutindo dentro da polícia”, afirma Jeferson, indagando: “Que empresa tem interesse em trabalhar em questões de detecção de pornografia infantil? Isso não dá lucro. A não ser como uma jogada de marketing. Então, o corte de verbas em universidades públicas prejudicam pesquisas como a do João. O treinamento dele é feito com recurso público e a pesquisa vai servir à população”.

Sensor para diagnóstico de Alzheimer

Desenvolvido pela Universidade Federal de São Carlos (UFSCar)

O diagnóstico laboratorial da doença de Alzheimer pode ser mais rápido e barato. É isso o que propõe pesquisadores dos departamentos de Química e Gerontologia da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), que desenvolveram um censor que se baseia nos níveis de uma proteína do sangue, o Adam10, para diferenciar idosos saudáveis, doentes (em diferentes níveis) ou com predisposição ao Alzheimer. 

“Percebemos que em pessoas com Alzheimer, o nível desta proteína fica alterado. Selecionamos então pacientes que tinham em vários níveis a doença e conseguimos perceber as variações dessas proteínas. Agora estamos tentando licenciar o censor”, conta Márcia Caminetti, professora do Departamento de Gerontologia. 

Atualmente, a maioria dos diagnósticos são feitos com base em exames clínicos, uma espécie de teste de perguntas e respostas que identifica sintomas no paciente. Os métodos laboratorias são invasivos — como a coleta de um líquido presente no cérebro, através da espinha dorsal — ou caros — como a tomografia computadorizada, que custa de R$ 400 a R$ 800. Em contraponto, o censor poderia ser utilizado em uma coleta de sangue em postos de saúde e clínicas, com custo em torno de R$ 3. 

Financiada pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) e pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) para a compra de materiais brasileiros, a pesquisa agora busca parcerias e empresas interessadas em fabricar o dispositivo para comercialização.

Pele de tilápia para reconstrução vaginal

Projeto da Universidade Federal do Ceará (UFC)

Em 2015, o Núcleo de Pesquisa e Desenvolvimento de Medicamentos, da Universidade Federal do Ceará (UFC) inovou ao propôr a reconstituição de tecido lesionado por queimadura de segundo grau, com uso de pele de tilápia. O produto, de descarte no mercado e com grande teor de colágeno tipo 1, também presente na pele humana, se mostrou capaz de ajudar na cicatrização de feridas, evitar perda de água, reduzir a dor no local da lesão e prevenir infecção em 300 pacientes, entre os quais 30 crianças, na unidade de Queimados do Hospital Municipal de Trauma Instituto José Frota (IJF). Os estudos, inclusive, apontam que mais de 50% dos custos são reduzidos no tratamento de queimaduras em pacientes ambulatoriais, e quase 70% em internados, com o uso da tilápia. Isso porque, além de barato, o material possibilita fazer, ao invés de curativos diários, apenas um ou dois durante todo o tratamento. 

O material ganhou novos usos mais recentemente. 

“Existem mulheres que nascem sem vagina. Então, os médicos obstetras Leonardo Bezerra e Zenilda Bruno, do nosso grupo de pesquisadores, tiveram a ideia de substituir a pele da região pela de tilápia na formação do canal vaginal. Seis mulheres já foram submetidas com êxito à nova técnica no hospital universitário. É importante ressaltar que se trata de uma técnica inovadora em todo o mundo. E algumas das mulheres já têm vida sexual ativa. É possível ter orgasmo após a operação. Depois, veio a ideia de utilizar a mesma técnica na redesignação sexual. A primeira foi feita (em abril deste ano) na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) pelo doutor Leonardo Bezerra, pois o paciente era de lá”,  conta o professor Odorico de Moraes, responsável pelo núcleo.

Coleta de dados de trabalho infantil

Feito pela Universidade Federal de Alagoas (Ufal)

Desde o início do ano, estudantes e professores da Faculdade de Serviço Social da Universidade Federal de Alagoas (Ufal) buscam responder pela primeira vez, através de pesquisas em 20 escolas da rede municipal de ensino de Maceió, quantas crianças e adolescentes têm o trabalho explorado na cidade. O foco é identificar serviços em mercados e feiras livres, considerado um dos piores para menores, e entregar os dados, até o final de junho, para o Ministério Público do Trabalho (MPT), que deve elaborar políticas públicas de enfrentamento ao problema. 

O trabalho do grupo é feito a partir da aplicação de questionários e da realização de oficinas nas escolas localizadas no entorno dos mercados e feiras livres da cidade. E conta com o apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa de Alagoas (Fapeal), que outorgou R$ 38 mil em recursos específicos oriundos do MPT.  

“As situações de trabalho infantil são denunciadas pelas crianças através dos desenhos. É um momento de preparação, até para eles compreenderem o tema com maior profundidade, especialmente em um espaço onde a gente encontra muitas crianças ainda que não sabem ler. Aplicamos também questionários nas escolas. E desenvolvemos paralelamente aulas com o objetivo de trabalhar com professores a prevenção”, explica a professora Márcia Iara da Costa Silva.

Monitoramento de bacias hidrográficas

Estudo da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM)

É adotado no Brasil um modelo simplista de produção agrícola, que resulta em um processo paulatino de degradação do solo. Embora essa maneira moderna de fazer agricultura não apresente um acréscimo relevante nos gastos com a produção de alimentos, gera impacto direto à saúde da população, com a transferência de químicos, como agrotóxicos, da área do solo para dentro dos rios, e elevação do custo da produção de energia elétrica, ao promover o assoreamento das bacias hidrográficas. 

Visando sugerir melhores práticas conservacionistas de solo e água, há 17 anos, o Departamentos de Solos da Universidade Federal de Santa Maria começou a monitorar 10 bacias hidrográficas experimentais, financiado 100% por recursos públicos. Entretanto, o professor Jean Minella acredita que o projeto esteja ameaçado: 

“Monitorar é muito caro, precisa de pessoas, equipamento, verba para deslocamento. Durante dez anos, recebemos mais de R$ 1,5 milhão. Sem falar no valor das bolsas, porque a gente não tem funcionário, quem faz o trabalho de campo são os alunos. Nos últimos dois anos, tivemos que finalizar o trabalho em metade das bacias e, se não houver uma continuidade no financiamento, iremos parar. É o tipo de pesquisa que não atrai interesse privado”, diz.

Segundo Minella, desde o princípio do projeto, cerca de 30 alunos de pós-graduação, mestrado e doutorado tiveram a oportunidade de ter uma formação nessa área técnica e agora podem disseminar o conhecimento.

Aulas para crianças em tratamento oncológico

Realizadas pela Universidade Federal de Alagoas (Ufal)

Embora a constituição federal de 1988 estabeleça o direito à educação a todos os cidadãos, e as classes hospitalares sejam regulamentadas, o ensino a crianças em tratamento oncológico vinha sendo negligenciado em Alagoas. Para atender a essa demanda da sociedade, a professora Edna Prado do Centro de Educação da Universidade Federal de Alagoas (Ufal), junto a uma equipe composta por outras docentes e graduandas, lançou um projeto de extensão no fim do ano passado: 

“Nós concorremos a um edital da Pró-Reitoria de Extensão e ficamos entre os primeiros colocados com nota dez, conseguindo três bolsas, com duração de um ano e meio, no valor de R$ 400 mensais cada uma. Há outras estudantes voluntárias. A gente faz esse trabalho com crianças atendidas pelo SUS, porque em Alagoas nunca houve esse acompanhamento e muitas delas até perdiam o ano letivo”, explica a Universidade.

Carro autônomo inteligente

Feito pela Universidade Federal do Espírito Santo (UFES)

Quando um experimento com robôs pequenos deixou de ser desafiador, o professor Alberto Ferreira de Souza, PHD em Ciência da Computação e professor titular da Universidade Federal do Espírito Santo (UFES), desafiou seu grupo de pesquisa a colocar uma câmera em um carro e fazê-lo dirigir sozinho. A ação foi escolhida por ser uma tarefa difícil até mesmo para um humano, que precisa ser treinado para realizar com eficiência. 

“Tudo começou em 2009, quando o grupo de pesquisa que eu coordeno começou a estudar como a visão funciona, como o cérebro nos dá a capacidade de ver. Depois, tentamos fazer o computador aprender as capacidades humanas para dirigir o carro. Tivemos bastante investimento público, a nível federal e estadual, e conseguimos comprar comprar um carro híbrido — que funciona por combustível ou energia elétrica — para fazer experimentos para controlar esse carro pelo computador: girar o volante, ligar seta”, explica o professor. 

Em 2017, o Automóvel Robótico Autônomo Inteligente realizou uma viagem de 74 quilômetros, da UFES até Guarapari, de forma autônoma, com um responsável monitorando o computador e um motorista humano de segurança para intervenções necessárias, se tornando o 8º carro autônomo do mundo e o primeiro brasileiro a realizar uma viagem passando por várias cidades. Souza acredita ser importante disponibilizar recursos para a ciência e transferir essa tecnologia para indústrias, a fim de gerar empregos e renda para o Brasil: 

“A universidade pública brasileira presta grande contribuição para o desenvolvimento do país. Espera-se, nos próximos 10 anos, o investimento de 7 trilhões de dólares em carros autônomos. Então, o Brasil vai ser um mero consumidor ou vai produzir parte dessa tecnologia? Esse conhecimento tem que criar mercado no Brasil, para que sejamos participantes ativos”, diz.

Sorvete para pacientes em quimioterapia

Feito na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC)

Após constatar que o tratamento quimioterápico interfere no consumo alimentar, influenciando no estado nutricional do paciente, o qual pode emagrecer muito no período, pesquisadoras do Hospital Universitário da Universidade Federal de Santa Catarina (HU/UFSC) desenvolveram um sorvete capaz de agir como complemento alimentar e anestesiante sensorial. 

“Pesquisas mostram que esses pacientes sentem dores ao ingerir alimento, têm dificuldade na formação de saliva. Como o alimento gelado diminui a dor, escolhemos transformar o sorvete em um alimento enriquecido, aliando a figura convidativa da sobremesa a nutrientes”, explica a professora do departamento de nutrição, Raquel Kuerten de Salles. 

A receita não leva aditivos, nem gordura hidrogenada. Ao contrário, o alimento é rico em proteína de alto valor biológico, fibras e não tem lactose, já que muitos paicentes desenvolvem intolerância durante o tratamento. A segunda etapa foi chegar a um paladar, aroma e visual adequados. Para isso, foi feita uma parceria com a marca catarinense YPY Sorvetes Premium. 

“A gente propõe essa tecnologia inovadora, numa parceria público privada, na qual nós entramos com a tecnologia e eles com a produção. Quando testamos, tivemos aceitação superior a 75% e identificamos que era um produto interessante”, diz Raquel.

Corrente elétrica em crianças com microcefalia

Proposta feita pela Universidade Federal da Paraíba (UFPB)

Entre 2015 e 2016, em decorrência de um surto de Zika Vírus, vários bebês nasceram com microcefalia. Até então, esses dados foram usados apenas para informações epidemiológicas, mas para nada terapêutico. Pesquisadores do Programa de pós-graduação em Neurociência Cognitiva e Comportamento querem testar mecanismos de tratamento não invasivos para reduzir o número de convulsões nesses pacientes e estimular o desenvolvimento em longo prazo. 

“A corrente elétrica ETCC vai ser colocada na cabeça das crianças, em locais que organizam o funcionamento neuromotor. Submetemos o projeto ao comitê de ética e aguardamos o parecer para começar os tratamentos em julho. A corrente é uma terapia de baixo custo, que não provoca efeitos adversos, usada desde a década de 90 para paralisia cerebral. Fizemos parceria com centros nacionais e internacionais para catologar os casos”, explica a professora do Departamento de Fisioterapia da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), Suellen Marinho Andrade. 

É a primeira vez no mundo que a corrente será usada para casos de microcefalia e zika congênita. A inovação pode melhorar o déficit neurológico das crianças; a qualidade de vida dos parentes e reduzir os custos com a saúde, como consequência da queda do número de convulsões. Todos os serviços ofertados de tratamento, desde o transporte até exames de imagem, serão gratuitos, em parceria com hospitais municipais e regionais. A previsão para a conclusão da pesquisa é de quatro anos.

Planta endêmica que age na dor

Estudo feito na Universidade Federal do Cariri (UFCA)

Popularmente conhecida como candeeiro, uma planta endêmica da Chapada do Araripe, no Ceará, já era utilizada pela população local no tratamento de dores. Em seu mestrado na Universidade Regional do Carici (URCA), que é estadual, Laura Hevila levou o tema para a academia e comprovou, a partir de pesquisas com camundongos, o efeito. Agora, como professora da Universidade Federal do Cariri (UFCA), a continuidade dos estudos tem um objetivo maior: fazer um produto comercializável com o óleo essencial da planta, complexado em ciclo dextrina. 

“É um açúcar apto a forçar sua liberação controlada, aumentando o tempo do efeito. Sem ele, 70% do efeito se perde na biodegradação da planta — conta Laura, professora da universidade atualmente: — Fizemos um gel, que já foi utilizado em camundongos. E pedimos a patente do estudo para o Instituto Nacional da Propriedade Industrial (Inpi). Se virar um medicamento humano, por ser de origem natural, pode reduzir os efeitos colaterais que os fármacos sintéticos geram. Mas o principal benefício é que a gente valida, através da pesquisa, o conhecimento popular”.

Selênio para tratar tuberculose 

Pesquisa feita na Universidade Federal de Rondônia (Unir)

A principal arma disponível no mercado para tratamento de tuberculose começou a sofrer resistência bacteriana. Para lidar com isso, foram produzidos fármacos de forma associada, que diminuem a resistência das bactérias. Mas, ao mesmo tempo, surgiu outro problema: em estudos realizados em ratos, até 10% desenvolveram hepatite medicamentosa branda. Professor da Universidade Federal de Rondônia (Unir), Elton de Lima Borges, aponta para uma alternativa.

“No mestrado e no doutorado, eu trabalhei com selênio, um elemento que também é um micronutriente e tem dois benefícios: potencializa outras substâncias e, como entra na cadeia metabólica, pode ser excretado. Então, comecei a pensar se o selênio seria uma boa forma de aumentar a atividade da isoniazida, a ponto dela voltar a ser resistente às bactérias, sem causar acúmulo de medicamentos no fígado”, anuncia.

O projeto conta com verba da fundação de fomento de Rondônia, a Fapero, e funciona em parceria com outras duas universidades, do Rio Grande do Sul (UFGRS) e de Pelotas (UFPel). Atualmente, está sendo fechada a fase de síntese e caracterização da molécula. Com isso, poderão começar os testes em peixes ornamentais, que desenvolvem a tuberculose como a dos humanos. 

“É uma pesquisa de, no mínimo, cinco anos, mas que se tem um resultado positivo, traz um grande passo — pontua Elton, do Laboratório de Síntese Orgânica da Região Amazônica (Lasora)”, afirma.

Projeto Respira

Ação realizada na Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS)

Na Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), o projeto “Respira - Fisioterapia Cardiorrespiratória Ambulatorial em Pediatria e Neonatologia” intervém diretamente junto à comunidade oferecendo gratuitamente atendimentos de fisioterapia cardiorrespiratória ambulatorial para recém-nascidos e crianças maiores com afecções agudas ou crônicas que necessitam de acompanhamento fisioterapêutico.

Os atendimentos são realizados na Clínica Escola Integrada (CEI) da instituição, por acadêmicos do curso de Fisioterapia, com supervisão direta da coordenadora do projeto, professora Doutora Leila Foerster Merey, juntamente com a fisioterapeuta da CEI, Juliana Teixeira.

O projeto tem caráter de promoção, prevenção e atenção fisioterapeutica e surgiu devido à lacuna que existe dentro do sistema público de saúde do Município de Campo Grande que não dispões dentro da rede do Sistema Único de Saúde (SUS) o serviço de Fisioterapia respiratória á nível ambulatorial gratuito. Os poucos locais que oferecem algum tipo de atendimento no setor público estão voltados à parte motora e não realizam procedimentos invasivos em pacientes que necessitam de atendimento específicos relacionados ao sistema respiratório.

“A UFMS está contribuindo de forma significativa com a melhora da saúde ao disponibilizar esse tipo de atendimento que impacta diretamente na vida dos pacientes, pois eles não têm outro lugar para procurar atendimento dentro da rede de atenção à saúde.  Além disso, o processo de melhora é visível quando o paciente pode dar continuidade ao tratamento após a alta hospitalar, assim como conseguimos melhorar muito a qualidade de vida dos pacientes crônicos que fazem parte dos programas de reabilitação”, explica Leila.

O projeto recebe recém-nascidos prematuros e a termo, assim como  lactentes e crianças com risco biológico, acometidos por doenças cardiorrespiratórias correlacionados a prematuridade, tempo de internação, que necessitem de acompanhamento específicos da fisioterapia cardiorrespiratória á nível ambulatorial, encaminhados dos hospitais do Município de Campo Grande e/ou hospitais do Interior do Estado de Mato Grosso do Sul, assim como aqueles oriundos das unidades básicas de saúde  ou encaminhados por colegas profissionais que identifiquem a necessidade, além da  demanda espontânea através da procura pelo serviço de qualquer pessoa da comunidade interna ou externa  a UFMS que almeja avaliação específica de Fisioterapia Cardiorrespiratória, a fim de identificar a necessidade ou não de atendimento.

Os atendimentos foram iniciados em agosto do ano passado e a demanda de pacientes que procuraram atendimento nos primeiros meses de atendimentos foram tabulados para que os pesquisadores da UFMS pudessem construir um panorama geral dos casos no Estado e de como a Saúde deve agir para mitigá-los

Os atendimentos na UFMS são realizados durante todo o período letivo, nas segundas, quartas e sextas-feiras, das 14h às 17h, com agendamento prévio, através do telefone (67) 3345-7967.


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