Semana On

Segunda-Feira 18.nov.2019

Ano VIII - Nº 372

Mato Grosso do Sul

Guarani Kaiowá: crianças e jovens envenenados

Há meses, comunidade indígena no MS avisa que está sendo atingida por agrotóxicos. Agora a pulverização aconteceu ao lado da escola

Postado em 17 de Maio de 2019 - Redação Semana On

Escola indígena, conquistada com ação do MPF, foi inaugurada em abril – logo depois, iniciaram as aplicações de agrotóxicos próximo à aldeia. Foto: comunidade do tekoha Guyraroka Escola indígena, conquistada com ação do MPF, foi inaugurada em abril – logo depois, iniciaram as aplicações de agrotóxicos próximo à aldeia. Foto: comunidade do tekoha Guyraroka

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A 50 metros de uma escola na Terra Indígena Guyraroka, em Caarapó, no Mato Grosso do Sul, está a Fazenda Remanso. A escola é nova, foi inaugurada em abril. Logo em seguida, o fazendeiro decidiu transformar o pasto em plantação. No preparo da terra, aviões despejaram veneno e tratores lançaram calcário, levantando uma poeira branca que se espalhou com o vento.

Na cerquinha que separa a fazenda da escola, as crianças se amontoaram, curiosas. E, na semana passada, quatro crianças e dois adolescentes tiveram que ser levados ao hospital por intoxicação: tinham asma, tosse seca, falta de ar, vômito, dores no tórax, no estômago e na cabeça. Seis cachorros também foram envenenados, e dois morreram.

A Remanso não é a única fazenda que espreme as terras Guyraroká. E desde o ano passado, os indígenas reclamam que a comunidade, formada por 120 pessoas, é atingida por agrotóxicos. De acordo com a matéria do Cimi (Conselho Indigenista Missionário), não parece casual: trata-se de pressão para que os Guarani Kaiowá se retirem dos 55 hectares que atualmente ocupam.

A demarcação da terra foi anulada em 2014 pela segunda turma do STF após uma ação do dono da fazenda Cana Verde, uma das 26 propriedades com títulos que se sobrepõe à área demarcada. Os indígenas entraram com pedido de anulação dessa decisão e o julgamento está marcado para o dia 27 de junho. “Então eles estão pressionando de todos os jeitos”, diz Erileide, uma moradora que esteve recentemente na ONU denunciando a situação. Ela diz que até drones são usados pelos fazendeiros para monitorar a aldeia. “As ameaças são permanentes. Lançam veneno em cima da gente, nos vigiam e ameaçam, buscam várias formas de nos intimidar”.


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