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Quarta-Feira 17.jul.2019

Ano VII - Nº 356

Coluna

Bacurau

O Brasil aplaudido em Cannes

Postado em 16 de Maio de 2019 - Danilo Custódio

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Em 2016, o belíssimo Aquarius foi exibido na principal mostra competitiva de Cannes, onde Kleber Mendonça Filho era um dos finalistas à Palma de Ouro, o mais importante prêmio de cinema do mundo para qualquer diretor em busca de um merecido reconhecimento pela obra de arte que realizou. Na oportunidade, toda a equipe do filme que estava presente no Festival de Cannes protestou no tapete vermelho contra a manobra do congresso para afastar Dilma Rousseff da presidência. Mas dessa vez a estratégia foi outra, o protesto estava na tela do cinema. No filme que eles foram exibir por lá. E todos aplaudiram...

O que se viu em Cannes foi uma acontecimento histórico para o cinema nacional, justamente em um momento onde vivemos um desmonte de todas as políticas públicas brasileiras. Bacurau pode até ser classificado como um western brasileiro repleto de aventura e ficção científica. Mas ele fala do Brasil de hoje, apertando a ferida do mais grave problema que vivemos nesse governo, através do desmonte do Ibama, do avanço sobre a terra demarcada e das políticas agrárias extremamente predatórias, assassinas e venenosas.

O filme se passa num futuro próximo, daqui a alguns anos... BACURAU, um pequeno povoado do sertão brasileiro, dá adeus a Dona Carmelita, mulher forte e querida por quase todos, falecida aos 94 anos. Dias depois, começam os sinais de que a tranquilidade de BACURAU estará sob ameaça. No entanto, ninguém contava com um detalhe: que no passado desse lugar extraordinário estava adormecido um talento especial para a aventura. Confira o trailer, é de arrepiar!

O Escolhido

A adaptação tupiniquim da obra mexicana Niño Santo já vem sendo anunciada desde o ano passado, mas agora ela ganhou data de estreia. Será no dia 28 de junho que poderemos assistir a série que foi reescrita para se passar num vilarejo do pantanal, mas que foi gravada no Tocantins. Como todo audiovisual é descendente do cinema, o primeiro deles a ser inventado, existe aquela máxima de que o cinema é a arte da mentira né? Pois é... Filmar no Tocantins é bem mais barato, uma vez que as despesas com logística no meio do Pantanal são extremamente onerosas. Na trama brasileira, acompanhamos a trajetória de Lucia (Paloma Bernardi), Damião (Pedro Caetano) e Enzo (Gutto Szuster), jovens médicos que recebem a missão de vacinar uma pequena comunidade no coração do Pantanal. A partir daí, o bicho pega! E apesar da série estar ambientada em um universo fantástico, sombrio e sobrenatural, repleto de natureza que retrata praticamente um mundo distópico, trata-se de uma discussão real e contemporânea: o movimento antivacina que cresce a cada dia no país.

A memória de um país

Uma das mulheres mais influentes do cinema nacional contemporâneo, se a mais influente delas, é Cristina Amaral. Ela faz parte de uma brilhante turma que se formou nas academias de cinema paulista entre os anos 80 e 90. Pode ser considerada uma veterana, pela vasta experiência que tem. Iniciou sua carreira profissional em 1977 no filme Parada 88 e de lá pra cá, de assistente de montagem passou a ser a mais importante profissional da montagem que o cinema nacional conheceu, trabalhando ao lados de cineastas como Marina Person, André Sturm, Toni Venturi, Guilherme de Almeida Prado, Ricardo Elias, João Batista de Andrade, Edgar Navarro, e muitos outros. Eis que nesse final de semana, o Sesc Pompeia em São Paulo prestará uma merecida homenagem a Cristina Amaral. No sábado (18) serão exibidos curtas e longas montados por ela e no domingo (19) vai rolar um bate papo com ela por lá. E o portal Adoro Cinema aproveitou pra bater um papo exclusivo com a Cristina, onde ela fala bastante coisa interessante sobre o cinema contemporâneo brasileiro. Vale a pena a leitura!


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