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Segunda-Feira 18.nov.2019

Ano VIII - Nº 372

Coluna

Ilha das Flores, o melhor curta nacional

Ministro oficializa cota para filmes nacionais nos cinemas

Postado em 08 de Maio de 2019 - Nexo e DW

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“Ilha das Flores”, documentário dirigido pelo cineasta gaúcho Jorge Furtado, foi eleito o melhor curta-metragem brasileiro de todos os tempos, em levantamento promovido pela Abraccine (Associação Brasileira de Críticos de Cinema). Lançado em 1989 e vencedor do Urso de Prata do 40º Festival Internacional de Cinema de Berlim em 1990, ele lidera a lista que será destacada no livro “Curta Brasileiro - 100 Filmes Essenciais”, produzido pela Abraccine em parceria com o Canal Brasil e a Editora Letramento.

O caminho da ‘Ilha das Flores’ Ilha das Flores é um aterro sanitário à margem do Rio Guaíba, a poucos quilômetros de Porto Alegre, capital do Rio Grande do Sul. Ao longo dos 13 minutos do documentário produzido pela Casa de Cinema de Porto Alegre, o ator Paulo José narra a trajetória de um tomate, do campo de cultivo até o aterro. Na época da filmagem, 500 toneladas de lixo eram despejadas na Ilha das Flores por dia.

O roteiro original do diretor Jorge Furtado, premiado em diversos festivais, mostra o passo a passo das relações desiguais entre seres humanos no sistema capitalista, entre lucro e miséria, consumo, fome e lixo.

O projeto inicial do filme era mais modesto: na época, a UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul) convidou Jorge Furtado para gravar um vídeo sobre o tratamento do lixo. Durante a pesquisa sobre o tema, o diretor descobriu e ficou chocado com a realidade da Ilha das Flores. “Diante de tamanho despautério social, como levar adiante um vídeo didático sobre o tratamento do lixo? No entanto, havia lá um filme a ser feito. Na verdade, um filme que exigia ser feito. Pensando na situação daquelas pessoas, Furtado concluiu que aquela situação fazia parte da lógica de um sistema. Lógica perversa, mas lógica, ainda assim” Luiz Zanin Oricchio jornalista, em crítica no livro “Documentário: 100 Filmes Essenciais”

Ministro oficializa cota para filmes nacionais nos cinemas

Osmar Terra, ministro da Cidadania, assinou um decreto que estabelece cotas para os filmes nacionais nos cinemas em 2019. A expectativa é que a decisão seja publicada no Diário Oficial nos próximos dias.

A medida acontece após uma polêmica recente com a estreia de Vingadores: Ultimato, que ocupou cerca de 80% das salas de cinema do país. Por enquanto não há detalhes sobre a porcentagem exigida no novo decreto, mas o descumprimento implica em multa para as redes de cinema.

A regra que prevê uma reserva mínima para o cinema nacional existe há algum tempo e costuma ser renovada anualmente, mas não foi assinada no final de 2018, deixando a decisão para a gestão atual.

Filme alemão mostra infância num mundo de extrema direita

O filme Kleine Germanen (pequenos germânicos, em tradução livre), que estreiou na quinta-feira (09) na Alemanha, conta a história de crianças que são educadas em famílias de extrema direita e até mesmo neonazistas.

Ideias populistas de direita têm encontrado um terreno fértil em muitos países nos últimos anos, incluindo Alemanha e o resto do continente europeu. A produção teuto-austríaca, misto de documentário e animação, procura refletir sobre as consequências políticas e sociais dessa tendência, incluindo para gerações futuras, para crianças e adolescentes.

Os diretores Frank Geiger e Mohammad Farokhmanesh pesquisaram durante muito tempo para contar uma história baseada em fatos reais. A personagem principal é Elsa, criada numa família de extrema direita e que também educa seus filhos seguindo os mesmos preceitos de seus pais, até que uma mudança dramática em sua vida a faz mudar de perspectiva.

O destino de Elsa é contado com a ajuda de sequências em animação, permeadas por depoimentos de especialistas – os quais não aparecem em cena – e também por entrevistas com ex-neonazistas e ativistas de ultradireita. Um dos entrevistados é Götz Kubitschek, conhecido militante alemão de extrema direita.

Integrantes de movimentos nacionalistas na Alemanha e Áustria falam sobretudo sobre os ideais de educação e de seus próprios sonhos de infância, lembram de sua "infância feliz" e reclamam de uma suposta perda dos valores tradicionais do passado.

Os testemunhos dos ativistas de ultradireita são isentos de palavras de ordem ou declarações bombásticas. Estas, entretanto, aparecem em cenas curtas, quando eles são mostrados proferindo discursos inflamados durante manifestações de rua.

"Quando crianças, tínhamos que ser sempre fortes", conta Elsa, cujo nome verdadeiro não é revelado. "Não podíamos chorar nem nos ligar demais a coisa alguma. Disciplina e ordem eram as coisas mais importantes." Ela afirma que entendeu como isso funcionava quando era criança e após brincar de ser soldado. Numa "guerra contra os russos", foi condecorada pelo avô com uma medalha da SS, tendo que fazer a saudação nazista e dizer: "Pelo Führer, pelo povo e pela pátria".

Nascida em 1970, Elsa conta como provocava controvérsias na escola com declarações de extrema direita, como conheceu seu futuro marido Thorsten, famoso pelos discursos pregando a expulsão de estrangeiros da Alemanha. Ela diz que ambos educaram seus filhos segundo esse pensamento, os enviaram a colônias de férias onde é ensinada filosofia de ultradireita, segundo a qual o homem manda na casa e a mulher deve cuidar dos afazeres do lar.

"Em todas essas famílias, havia uma forte figura paterna que exercia pressão pelo desempenho das crianças", afirma Frank Geiger. "Isso é muito acentuado naqueles casos, em que as pessoas recebem ordens e não há espaço para discussões. Sentimentos não são muito valorizados. Apenas o sentimento de amor pela pátria", acrescenta o diretor.

Nascido no Irã, o cineasta Mohammad Farokhmanesh, codiretor do filme, chegou à Alemanha com 22 anos. Ele afirma que uma das coisas que o levou a fazer o filme foi sua surpresa ao ver que existem poucas pesquisas sobre o tema. "Eu cresci num país que é ditatorial e não tinha nele muitas possibilidades de me desenvolver e me educar", afirma. "Mas me questionava como pode ainda haver tais coisas num país como a Alemanha? Como pode ser que ainda existam crianças assim, que são educadas desde pequenas a odiar estrangeiros e tudo o que lhes pareça pouco conhecido?" 


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