Semana On

Segunda-Feira 27.mai.2019

Ano VII - Nº 352

Poder

Arma política de Bolsonaro, milícia digital está na mira do STF

Descobrir se há dinheiro por trás de ataques e ameaças via internet aos ministros da Corte é um dos objetivos de uma polêmica investigação

Postado em 03 de Maio de 2019 - André Barrocal – Carta Capital

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O governo tem 35% de aprovação e 27% de desaprovação, informa o novo Ibope, números que desde janeiro só pioram, motivo para Jair Bolsonaro ter trocado o chefe da comunicação do Palácio do Planalto. Desde o início de abril a bola está com um empresário. Fabio Wajngarten, de 43 anos, foi importante na eleição. Suas firmas de análise do que acontece na mídia, especialmente na internet, estiveram a serviço de Bolsonaro, eternamente grato à web. É judeu, e o empresariado de origem judaica apoiou em peso o ex-capitão. Na direção da filial local de uma rede mundial judaica de caridade na medicina, a Hadassah, a partir de 2016, estreitou laços com Bolsonaro e deste com judeus. Colaborou para aproximar o ex-capitão de homens de negócio em geral, não importa a religião. Em agosto de 2018, organizou um café da manhã secreto, em São Paulo, do então candidato com uns 60 endinheirados. Bolsonaro agora espera um milagre propagandístico de seu colaborador para convencer o povo a engolir a reforma da Previdência e dessa maneira facilitar a aprovação dela no Congresso. Será que Wajngarten se revelará não um salvador, mas um pepino?

O risco está na guerra contra o bolsonarismo aberta por um grupo do Supremo Tribunal Federal. O presidente do STF, Dias Toffoli, suspeita de um complô movido a grana para desmoralizar a Corte. E que funciona através de milícias nas redes sociais (WhatsApp, Facebook). Descobrir se há dinheiro por trás de ataques e ameaças internáuticas ao STF e seus togados, e de que bolso sai, é um dos objetivos de uma polêmica investigação instaurada por Toffoli em março. Ao Valor de 18 de abril, o juiz foi além-mar. “Temos que saber se não há interesses internacionais por trás disso, de desestabilizar as instituições. Interesses nada republicanos.”

O inquérito foi entregue a outro togado desconfiado. Alexandre de Moraes acha que WhatsApp e Twitter têm sido usados em campanhas de ódio para atingir o tribunal, por meio de uma rede de robôs “que alguém paga, alguém financia, por algum motivo”. Robôs: instrumentos capazes de espalhar conteúdo virtual. No último dia 23, em Lisboa, onde participou de um evento do IDP, a empresa do colega de STF Gilmar Mendes, disse que apurar ofensas ao tribunal seria “muito pouco”. “O que se investiga são ameaças graves feitas inclusive na deep web (internet profunda).”

Guru fomenta milícias

As milícias digitais são bolsonaristas, a fonte do poder e da popularidade do ex-capitão. E, para o bolsonarismo, o STF é inimigo ideológico. O guru da turma, Olavo de Carvalho, aquele a quem o presidente chama de “grande inspirador”, acha o tribunal uma barreira ao avanço da extrema-direita. Já dedicou uma de suas aulas pela internet a malhar o judas supremo. Foi em 22 de julho de 2018, às vésperas da eleição. Teorizou que o Judiciário é usado no mundo pela esquerda para tomar o poder. E que, baseados em princípios da atualidade, os juízes favorecem mulheres, negros, gays, indígenas. Princípios civilizatórios, mas, para o “filósofo”, é “comunismo”. Bolsonaro e seus generais pensam igual: “marxismo cultural”, “politicamente correto”. “Me parecia apenas que os juízes (do STF) estavam vendidos ao PT, mas a coisa é muito pior. O esquema de apropriação do País pela Suprema Corte já está em avançada fase de realização. E nós temos alguns meses para reagir contra isso. É urgente”, disse Carvalho na aula.

Umas semanas antes, ele despontara no canal no YouTube da jornalista Joice Hasselmann, eleita deputada por São Paulo pelo PSL, o partido do presidente e dos laranjas, hoje líder do governo no Congresso. E concordou com Joice: “O Supremo é o inimigo público número 1”. Carvalho coleciona insultos ao tribunal, alimentadores do ódio bolsonarista. Em abril de 2015, escreveu no Facebook: “Enquanto houver um só juiz do STF à solta, ninguém se sentirá protegido contra o crime”. Em dezembro daquele ano, no Twitter: “STF = são todos filhos-da-puta”. Em maio de 2016, na mesma rede social: “Os juízes do STF só farão a coisa certa se forem aterrorizados pela população”.

Funcionários do Supremo sentiram recentemente o terrorismo ideológico pregado por Carvalho. Foi em fevereiro, quando começou o julgamento de uma ação sobre homofobia, movida em 2013 pelo partido Cidadania, novo nome do PPS. A ala evangélica do bolsonarismo quer ter o “direito” de ofender gays. O juiz do caso no Supremo, Celso de Mello, enquadrou a homofobia como crime de racismo, até o Congresso aprovar uma lei a respeito. Três colegas, do total de 11, concordaram, e aí o julgamento foi suspenso. O tribunal foi alvo de uma enxurrada de ataques pela internet por mostrar-se inclinado a criminalizar a homofobia. Apanhou em suas próprias redes sociais. Antecessora de Toffoli no comando do STF, Cármen Lúcia brecou na quarta-feira 24  a “cura gay”, autorizada em 2017 por um juiz de primeira instância de Brasília. Será surrada pelo bolsonarismo, provavelmente.

Logo após a aula virtual de Olavo de Carvalho contra o STF, Bolsonaro, então pré-candidato, disse a uma tevê do Ceará que, se fosse eleito, ampliaria para 21 o número de juízes do Supremo. “É uma maneira de você colocar dez isentos lá dentro porque, da forma como eles têm decidido as questões nacionais, nós realmente não podemos sequer sonhar em mudar o destino do Brasil.” Tradução: uma maneira de o governo tomar o poder na Corte. Por aqueles dias, Eduardo Bolsonaro rangia os dentes contra o STF. Em uma aula de cursinho no Paraná, o filho “zero três” do presidente afirmava que bastavam “um soldado e um cabo” para fechar o tribunal e que ninguém sairia às ruas em defesa dos juízes. Em um debate na Câmara, dizia, então a mirar a vitória eleitoral do pai: “Eu acredito que caso o próximo presidente venha a tomar medidas e aprovar projetos que sejam contrários ao gosto desse Supremo, eles vão declarar inconstitucional. E, aqui, a gente não vai se dobrar a eles não”.

Eduardo esteve dias atrás na Hungria, país governado também pela extrema-direita. Reuniu-se com o presidente Viktor Orbán. Este tem tido problemas na União Europeia devido ao trato dispensado ao Judiciário. Reeleito em 2018 com uma maioria mais folgada no Parlamento, Orbán aprovou em dezembro uma lei a criar um Supremo paralelo. Este julgará casos de interesse do governo. Coisas como corrupção, eleições e protestos de rua. Será composto por indicados do Ministério da Justiça. O clã Bolsonaro deve estar com inveja. Imagina: pintar, bordar e ser julgado pelos amigos?

Há outras ideias heterodoxas no bolsonarismo para controlar o STF. A deputada Bia Kicis, do PSL de Brasília, propôs mudar a Constituição para os juízes voltarem a se aposentar com 70 anos. Era essa idade até a reeleição de Dilma Rousseff, daí Gilmar Mendes e o ex-deputado Eduardo Cunha agiram para esticar até 75, a fim de impedir a petista de indicar mais gente ao Supremo. Bia quer o contrário. Que Bolsonaro indique mais (quatro, não dois). O impeachment de togados, uma decisão que cabe ao Senado, seria outra forma de abrir vagas. Mendes está na mira de um, devido a seus negócios no IDP, entre outras coisas. Toffoli e Moraes entraram na mira, por iniciativa do senador defensor da CPI da Lava Toga, Alessandro Vieira, de Sergipe pelo ex-PPS, motivado pelo inquérito aberto pelo primeiro e conduzido pelo segundo.

E o que Wajngarten, chefe da comunicação de Bolsonaro, tem a ver com o inquérito? É especialista em web e redes sociais, arena das milícias bolsonaristas. Ajudou a atrair empresários para a canoa do ex-capitão. Meyer Nigri, empreiteiro judeu da Tecnisa, um dos participantes daquele café da manhã secreto na eleição, dizia em 2018: “Apoio quem seja contra a esquerda”, o Brasil virou um “país socialista, está impossível para os empresários”. Um desses endinheirados bolsonaristas, Luciano Hang, da rede de lojas Havan, tirou grana do bolso pelo ex-capitão, embora doações patronais fossem proibidas. Agiu na internet. Financiou a disseminação de conteúdo pró-Bolsonaro no Facebook. A lei proíbe propaganda paga na web, mesmo que por pessoa física. O tucano Geraldo Alckmin acionou o Tribunal Superior Eleitoral contra Hang e Bolsonaro. O TSE mandou o empresário recolher do Facebook o que havia patrocinado e multou-o em 10 mil reais.

Além de especialista em mídia digital e de ser capaz de mobilizar empresários dispostos a ajudar Bolsonaro financeiramente, a origem judaica de Wajngarten pode ter facilitado a montagem de redes de robôs na internet e no WhatsApp. Israel é terra de empresas de ponta em tecnologia da informação e espionagem. Uma ex-autoridade do governo Temer na seara internacional jura que Wajngarten e Eduardo Bolsonaro têm relações com empresas israelenses e que estas relações foram usadas na campanha. Será? Know-how eleitoral, certo tipo de firma israelense tem.

Em outubro, o New York Times noticiou que um membro do alto escalão da campanha de Donald Trump em 2016 negociou com uma empresa de Israel. Rick Gates queria ajuda para Trump ser escolhido o candidato do Partido Republicano e para depois bater o rival do Partido Democrata. Encomendou uma proposta à Psy Group, composta por aposentados do serviço secreto israelense, um dos melhores do mundo. A Psy propôs criar identidades online falsas, manipular redes sociais da web e arranjar informações sobre adversários. Tudo feito por “veteranos oficiais de inteligência”. Preço: 3 milhões de dólares. Não houve acordo, mas a negociação foi descoberta pelo procurador especial Robert Mueller em meio à investigação que assombra o ídolo de Bolsonaro. Trump avisou na quarta-feira 24: “Se os democratas tentarem o impeachment, eu primeiramente me dirigiria à Suprema Corte”. Um tribunal de maioria conservadora, como Olavo de Carvalho quer aqui. Só que aqui conservador não é possível: temos facínoras ou dementes.

Wajngarten sabe juntar fornecedores estrangeiros e contratantes brasileiros. Foi o responsável por trazer ao Brasil um medidor de audiência televisiva para concorrer com o Ibope. Tudo começou com um e-mail enviado por ele em 2012 ao GfK, da Alemanha, história contada por CartaCapital em 2013. A empresa trabalharia para Record, SBT e Rede TV, que acham o Ibope pró-Globo. Record e SBT que, registre-se, receberam mais verba publicitária do governo Bolsonaro do que a Globo. O GfK atuou no Brasil de 2015 a 2017 e se mandou, processado pelas tevês clientes.

Aquela ex-autoridade do governo Temer diz que empresários judeus de fora do Brasil ajudaram a campanha bolsonarista. E cita um nome: Sheldon Adelson, dono de cassinos nos Estados Unidos, um bilionário bem relacionado com Trump. Bolsonaro esteve na Casa Branca em março. Logo após sua volta, o ministro do Turismo, Marcelo Álvaro Antonio, um acusado de ameaçar de morte uma deputada do PSL mineiro, o que dirige, disse que o governo queria debater no Congresso a abertura de cassinos em resorts. CartaCapital apurou que está pronta uma decisão da Secretaria de Patrimônio da União de repassar terrenos federais ao Ministério do Turismo para este destinar, por exemplo, à construção de hotéis com cassinos.

Estimulado por uma ala do Supremo, há chance de o Congresso investigar “a utilização de perfis falsos para influenciar os resultados das eleições de 2018”. A mira está apontada em uma proposta de CPI das Fake News, outra investida contra o bolsonarismo e suas guerrilhas virtuais. Quem coleta assinaturas para a CPI é o deputado Alexandre Leite, do DEM paulista. Ele defende uma comissão a juntar deputados e senadores para apurar ainda “ataques cibernéticos que atentam contra a democracia e o debate público”, “a prática de cyberbullying sobre os usuários mais vulneráveis da rede de computadores, bem como sobre agentes públicos, e o aliciamento e orientação de criança para o cometimento de crimes de ódio e suicídio”.

Milícias digitais e notícias falsas na web ameaçam a democracia, e não só no Brasil. Em 16 e 17 de maio, o TSE promoverá um seminário internacional intitulado “Fake News e Eleições”, com apoio da União Europeia. Entre os participantes, o espanhol Ricardo Gutierrez, secretário-geral da Federação Europeia de Jornalistas, o mexicano Gerardo de Icaza, diretor da Organização dos Estados Americanos (OEA), e o americano David Brassanini, adido policial do FBI no Brasil. Na eleição, o TSE foi omisso a maior parte do tempo diante da guerra suja bolsonarista, mas agora a presidente do tribunal, Rosa Weber, parece disposta a melhorar as coisas. Rosa sofreu na pele na campanha. Um bolsonarista escreveu no Twitter oficial do TSE que seu herói já era vitorioso e que haveria revolta popular em caso de outro resultado. E a Rosa: “Espero que a sra. fique de olho”. E depois: “É só um aviso, com todo respeito”. A juíza, que pertence ao Supremo, também foi xingada em um vídeo por um coronel aposentado, Carlos Alves, que terminou de tornozeleira eletrônica. Alves comentou também que, se os togados do TSE “aceitarem essa denúncia ridícula e derrubarem Bolsonaro por crime eleitoral, nós vamos aí derrubar vocês aí, sim”.

O general aposentado Paulo Chagas, candidato derrotado do bolsonarismo ao governo do Distrito Federal, foi um dos alvos de busca e apreensão ordenadas por Alexandre de Moraes no inquérito do Supremo sobre ameaças à Corte, fake news e robôs virtuais pagos. Levaram um laptop dele. Outras seis pessoas foram alvo do juiz, a suspeitar de crimes como impedir de forma violenta o livre exercício de qualquer dos poderes e incitar animosidade entre as Forças Armadas e instituições civis. Um dos alvos “anda constantemente armado”, anotou Moraes.

É Osmar Rocha Fagundes, delegado civil em Goiás. No dia em que Toffoli abriu o inquérito, Fagundes escreveu em uma rede social: “Nosso STF é bolivariano, todos alinhados com os narcotraficantes e corruptos do País. Vai ser a fórceps!”. E dias depois: “O Peru fechou a corte suprema do país. Nós também podemos! Pressão total contra o STF”.

As descobertas do Supremo ou aquelas feitas por uma eventual CPI das Fake News podem alimentar apurações do TSE sobre a chapa de Bolsonaro. No Congresso, gente do dito “Centrão” acha que a Justiça Eleitoral pode ser o caminho para se livrar do presidente, caso ele insista em resistir à “velha política”. A CPI tem sido incentivada pelo presidente da Câmara, Rodrigo Maia. Leite, o coletor de assinaturas, é do partido de Maia. Há uma dobradinha entre Maia e Toffoli. O deputado prestigiou a sessão do tribunal convocada pelo juiz como “autodesagravo” do STF, em 3 de abril. Ali foi lido um manifesto a unir sindicalistas, Fiesp, CNBB, um total de 168 entidades, todos em defesa do Supremo contra ataques. Quem leu o texto foi o presidente da OAB, Felipe Santa Cruz, que dias antes apontara “uma milícia organizada nas redes sociais, e precisamos compreender a quem ela serve”.

Toffoli e Maia têm algo em comum: apanham dos bolsonaristas nas redes sociais e de membros da Operação Lava Jato. O lava-jatismo é aliado do bolsonarismo, faz parte do governo do ex-capitão na figura de Sérgio Moro, o ministro da Justiça. O municiamento da mídia com informações e declarações sobre Maia, Toffoli e Mendes é usado por integrantes do Ministério Público, os quais enxergam numa ala do STF uma trava. Há identidade de ação entre o bolsonarismo e o lava-jatismo. Olavo de Carvalho defende que os direitistas devem desmoralizar intelectuais progressistas. Definições incorretas, mas comum em um país que pretende ser civilizado. Em artigo escrito em 2004 de análise da Operação Mãos Limpas, da Itália, uma cartilha do que seria a Lava Jato ‒, Moro dizia que o combate à corrupção dependia “da progressiva deslegitimação” do sistema político e do apoio da opinião pública. De um tribunal da mídia, em suma.

Toffoli e Maia levaram bordoadas do chefe da força-tarefa da Lava Jato em Curitiba, Deltan Dallagnol. Em 24 de março, o procurador escreveu: “Rodrigo Maia pressionou o governo Bolsonaro a distribuir cargos e vantagens aos deputados como condição para aprovação das reformas. Como não conseguiu, começou a criticar o governo e seus principais líderes. Nesse contexto, a pressão das redes sociais contra a velha política será fundamental. No STF, não há dúvida de que foi a força-tarefa de Dallagnol a origem da reportagem sobre Toffoli ser chamado por Marcelo Odebrecht de “amigo do amigo do meu pai”, no governo Lula. A reportagem foi censurada por Moraes, mas o juiz voltou atrás nos últimos dias, diante da péssima repercussão.

Graças à língua, Dallagnol será investigado pelo Conselho Nacional do Ministério Público, decisão tomada pelo CNMP na terça-feira 23. Em agosto de 2018, Toffoli, Mendes e Ricardo Lewandowski tiraram de Curitiba parte da delação da Odebrecht. O procurador reagiu na CBN: “Os três mesmos de sempre do STF que tiram tudo de Curitiba e que mandam tudo para a Justiça Eleitoral e que dão sempre os habeas corpus, que estão sempre formando uma panelinha, assim mandam uma mensagem muito forte de leniência a favor da corrupção”. No STF, corre que numa festa recente Toffoli bateu no peito meio alegre e disse: “Eu vou prender o Dallagnol”. Será?

O juiz age hoje com o fígado e parece disposto a manter aberto o inquérito dos ataques ao STF, apesar das contestações de Raquel Dodge, a PGR, de uma penca de juristas e até de um membro da Corte, Marco Aurélio Mello, quanto à legalidade de o tribunal instaurar por conta própria uma investigação. Mais do que sentimentos republicanos quanto ao papel do STF, Toffoli, Mendes e Moraes têm razões pessoais para peitar todos, o bolsonarismo, o lava-jatismo.

Corre o rumor que Toffoli teria dito “Eu vou prender o Dallagnol”. Cármen Lúcia sonhava ser estrela de uma reviravolta na segurança pública. Contudo, Moro entrou em cena…

Toffoli tentou bolsonarizar-se. Empregou um general, prestigiou a posse de ministros do ex-capitão, fala a língua do governo nos temas “reformas” e “segurança pública”, foi a um culto evangélico ao lado do presidente. Não adianta: não entende que será sempre visto como ex-advogado do PT e de José Dirceu, diz um funcionário do Supremo. Mendes teve as nebulosas finanças examinadas por auditores fiscais da Receita Federal, uma análise com cheiro de prestação de serviço à Lava Jato. Moraes, ex-filiado do PSDB, foi posto em dúvida pela Lava Jato (e por qualquer pessoa razoável) ao ser indicado por Michel Temer para o Supremo, viu Cármen Lúcia forçar a mão para a Lava Jato não ser assumida por ele no lugar do falecido Teori Zavascki. Agora sonhava em ser estrela de uma reviravolta na segurança pública, liderava a elaboração de um pacote de medidas até surgir Moro com um pacote abençoado por Jair Bolsonaro.

O STF assistiu conivente à loucura que tomou conta do País a partir da reeleição de Dilma, quando não foi ele a botar lenha na fogueira. Foi preciso que alguns de seus juízes entrassem na mira, para nascer alguma reação. Agora o bolsonarismo e o lava-jatismo que aguentem.


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