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Domingo 15.set.2019

Ano VIII - Nº 363

Mundo

Deputados dos EUA criticam política de Bolsonaro para indígenas e quilombolas

Documento que aponta violações contra minorias é assinado por 54 parlamentares

Postado em 03 de Maio de 2019 - Patrícia Campos Mello (Folha de SP) e Fórum

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Congressistas americanos enviaram nesta sexta-feira (3) uma carta para o secretário de Estado dos EUA, Mike Pompeo, alertando para “violações dos direitos humanos de comunidades indígenas e quilombolas no Brasil”.

A carta, proposta pela deputada democrata Deb Haaland, a primeira indígena americana a se eleger para a Câmara de Deputados dos EUA, obteve a adesão de 54 deputados americanos. É a terceira carta de legisladores democratas com críticas ao presidente Jair Bolsonaro desde que ele assumiu, e a que angariou o maior apoio.

“Direitos dos indígenas a suas terras estão sob ameaça, com o presidente Bolsonaro afirmando que não irá designar nem um centímetro quadrado para reservas indígenas”, diz a missiva.

“As palavras e as ações de Bolsonaro indicam a determinação de enfraquecer sistematicamente as proteções dos direitos, e catalisam um ambiente de violência e impunidade, resultando em ataques, assassinatos e invasões de territórios.”

A carta cita o enfraquecimento da capacidade da Funai de demarcar territórios, a transferência do órgão para o Ministério da Família, afirma que a invasão de terras indígenas se intensificou desde que Bolsonaro assumiu e aponta para lentidão na demarcação de territórios quilombolas.

“Queremos que os EUA aumentem o escrutínio em relação ao desrespeito aos direitos humanos no Brasil, especialmente nas violações contra indígenas e afro-brasileiros”, disse a deputada. Segundo ela, há muitos paralelos sobre as violações contra territórios indígenas nos governos Bolsonaro e Trump. “O secretário de Estado precisa fazer alguma coisa, a população indígena brasileira está sob ataque neste momento crucial, em que o aquecimento global representa um enorme desafio, e há uma grande destruição da floresta amazônica. A população indígena brasileira precisa saber que estamos aqui para apoiá-la.”

Durante a visita do presidente Bolsonaro a Washington, em março, parlamentares do Partido Democrata divulgaram um comunicado com críticas a sua postura em relação às minorias, aos direitos humanos e à possível relação de sua família com a milícia do Rio de Janeiro. Segundo os congressistas americanos, Bolsonaro tem um histórico de discurso "homofóbico, misógino e racista" .

Na carta desta sexta-feira, os parlamentares também pedem que o embaixador americano no Brasil e diplomatas do país pressionem o governo brasileiro para que reforce a investigação e o julgamento de casos emblemáticos de violência política como o assassinato de Marielle Franco.

Com fuga de patrocinadores, BB e Itamaraty ajudam a bancar homenagem para Bolsonaro em NY

Recursos públicos foram usados para reservar mesas por até R$ 47,5 mil no evento promovido pela Câmara de Comércio Brasil-Estados que é alvo de boicote de patrocinadores pela presença de Bolsonaro

Depois que apoiadores e patrocinadores anunciaram boicote ao evento da Câmara de Comércio Brasil-Estados que homenageará Jair Bolsonaro (PSL) no próximo dia 14 em Nova York, os cofres públicos foram abertos para ajudar a financiar a festa para o capitão.

Reportagem de Ricardo Balthazar, na Folha de S.Paulo, informa que o Banco do Brasil e o Consulado-Geral do Brasil em Nova York, órgão ligado ao Itamaraty, estão ajudando a bancar a festa, patrocinada em grande parte por banqueiros brasileiros.

É a primeira vez que o BB participa do evento como patrocinador. O banco pagou US$ 12 mil (R$ 47,5 mil) para ter uma mesa com dez lugares no jantar de gala anual da entidade, cujo objetivo é arrecadar fundos para patrocinar interesses de empresas brasileiras e americanas nos Estados Unidos.

Já o Ministério das Relações Exteriores afirmou ter pago US$ 10 mil (R$ 39,6 mil) por sua mesa e que contribuiu para o evento em outros anos.

Diversidade

O evento tem sido alvo de boicotes pela presença de Bolsonaro. O Museu Americano de História Natural desistiu de emprestar sua sede para o jantar após receber críticas da comunidade acadêmica.

O prefeito de Nova York, Bill de Blasio, do Partido Democrata, disse que Bolsonaro não era bem vindo à cidade e o chamou de racista, homofóbico e destrutivo. O senador democrata Brad Holyman promoveu um abaixo assinado e subiu a tag #CancelBolsonaro no Twitter para buscar adesão ao boicote da homenagem ao “homofóbico notório”.

A companhia aérea Delta, a consultoria Bain & Company e o jornal Financial Times, que tinham topado apoiar a festa, recuaram no início desta semana. Ao explicar a decisão, a Bain disse à CNN que “celebrar a diversidade é um princípio essencial” da empresa.

Na semana passada, Bolsonaro mandou demitir o diretor de marketing do BB e suspender uma campanha publicitária que usava jovens, mulheres e negros para representar a diversidade da sociedade brasileira. “Essa não é a minha linha”, disse Bolsonaro a jornalistas, ao explicar o veto.


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