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Terça-Feira 19.nov.2019

Ano VIII - Nº 372

Brasil

Maioria aprova desempenho da Lava Jato, segundo Datafolha

Mas expectativa de redução da corrupção caiu

Postado em 19 de Abril de 2019 - Congresso em Foco e Josias de Souza (UOL)

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Entre as 2.086 entrevistadas pelo Instituto Datafolha nos dias 2 e 3 de abril, 61% responderam que consideram o andamento da Operação Lava Jato ótimo ou bom. Outros 18% classificaram o trabalho da operação como regular e 18% como ruim ou péssimo. A operação completou cinco anos em março. A pesquisa foi feita em 130 municípios do país e tem margem de erro de dois pontos percentuais para mais ou para menos.

Quando os dados sobre preferência partidária e apoio à Lava Jato são cruzados, o resultado é que avaliação ótima/boa da Lava Jato chega a 91% no grupo de entrevistados que aponta o PSL como seu partido político preferido.

No recorte regional, a maior aprovação da operação é vista no Sul, onde 69% classificaram o desempenho da Lava Jato como ótimo ou bom, enquanto no Centro Oeste/Norte esse índice é 63%, 62% no Sudeste e 53% na região Nordeste. É também no Nordeste que a Lava Jato tem o maior índice de reprovação. 23% dos entrevistados desta região avaliaram o desempenho da operação como ruim ou péssimo.

A pesquisa questionou a expectativa da população sobre o combate à corrupção no país. A parcela que acha que a corrupção vai diminuir é de apenas 35%. Em dezembro de 2018, eram 58%.

Sem luz no fim do túnel

É uma pena que Bolsonaro despreze as pesquisas que não lhe trazem boas notícias. Se ainda lhe restasse algum bom senso, o presidente trocaria dez minutos de Twitter pela análise dos dados colecionados pelo Datafolha. Quem percorre a sondagem verifica que a tendência de aprovação à Lava Jato aumenta na proporção direta da simpatia dos entrevistados por Bolsonaro. Entre os que consideram o PSL seu partido preferido a taxa bate em impressionantes 91%.

Não é preciso ser um gênio para enxergar o risco político que Bolsonaro corre ao contemporizar com a falta de ética. Na campanha, prometera um governo limpinho. No Poder, convive com um ministério apinhado de nozes que não justificam a casca. Sem contar o caso Queiroz, com todas as suas implicações —da apropriação de nacos da folha do gabinete do primogênito Flávio Bolsonaro aos depósitos na conta da primeira-dama.

No momento, a complacência de Bolsonaro é mais gritante no caso do ministro Marcelo Álvaro Antônio (Turismo). A despeito do avanço do inquérito da Polícia Federal sobre o escândalo do laranjal do PSL, o capitão demora a se dar conta de que certos ministros não são os ministros certos. No mínimo, deveria afastar o suspeito temporariamente, até que se verificasse cabalmente se não se apropriou de um dado dinheiro do fundo eleitoral como um dinheiro dado.

Ao encostar no alto índice de aprovação da Lava Jato uma taxa mixuruca de crença na redução da ladroagem, o brasileiro sinaliza que passou a enxergar a corrupção como um atributo congênito dos políticos, uma condição de vida. É algo tão natural e inevitável quanto as escamas no peixe. Daí tantas pessoas enxergarem apenas pus no fim do túnel. O convívio de Bolsonaro com o inaceitável o transforma em parte da infecção.


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