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Sábado 14.dez.2019

Ano VIII - Nº 375

Brasil

Recuperou, mas pode piorar

Mortalidade infantil recuou, mas vai aumentar quando chegarem os números de 2018 e 2019

Postado em 18 de Abril de 2019 - Outra Saúde

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A mortalidade infantil recuou 2,7% entre 2016 e 2017. A taxa brasileira voltou ao patamar de 2015, com 12,4 óbitos a cada cem mil nascidos. O levantamento, preliminar, é da Fundação Abrinq – a mesma que alertou ano passado para a volta do problema.

Houve melhora entre os óbitos pós-neonatais, que ocorrem entre o primeiro mês de vida até um ano (caíram de 11,2 mil para 10,6 mil) e no total dos óbitos até os quatro anos (passaram de 14,9 mil em 2016 para 14,4 mil em 2017). Mas as mortes antes do primeiro mês de vida não tiveram recuperação: aumentaram em quatro mil no período, chegando a 25,5 mil.

Que conclusões tirar desses números?

Os especialistas ouvidos pelo Valor constatam que se o país vinha numa tendência acelerada de melhora neste que é um dos mais importantes indicadores de saúde, com os dados preliminares se confirma a desaceleração iniciada a partir de 2010. Depois de avanços graças à expansão da atenção básica e da melhora na renda e nas condições de vida, principalmente no Norte e no Nordeste, o país não consegue enfrentar o gargalo da qualidade no atendimento à mulher gestante e ao parto, problemas responsáveis respectivamente por altas de 3,3% e 3,5% nas mortes entre 2016-17.

Com isso, há um aumento na iniquidade, pois grupos populacionais com mais acesso à tecnologia e atendimento continuado seguem melhorando, enquanto aqueles que vivem em locais onde houve desinvestimento no SUS pioram.

E, apesar da recuperação em 2017, o cenário pode ficar mais turvo quando chegarem os números de 2018 e 2019, nos próximos anos. Isso porque o fim da parceria de Cuba no programa Mais Médicos e a dificuldade de o governo atual fixar esses profissionais deixa populações sem assistência adequada.

Como se não bastasse, a nova orientação política do governo brasileiro pode repercutir na atenção reprodutiva e sexual, que em fevereiro se manifestou contra menções a esse direito na ONU, sob alegação de que essas expressões podem contribuir para a “promoção do aborto”. “Essa combinação de crise, redução de recursos e novas orientações é desastrosa para a perspectiva de indicadores”, constata Adriano Massuda, pesquisador visitante da Escola de Saúde Pública de Harvard.


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