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Terça-Feira 23.jul.2019

Ano VII - Nº 356

Coluna

O cinema nacional condenado ao abandono

As manobras do nosso governo para desamparar o já fragilizado mercado cinematográfico brasileiro

Postado em 17 de Abril de 2019 - Danilo Custódio

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Foi em fevereiro que Jair Bolsonaro publicou no Twitter que havia determinado a revisão da política de patrocínio da Petrobras. Na oportunidade, disse que o financiamento das atividades culturais "não deve estar a cargo de uma petrolífera estatal”. O Presidente tuitou que “A soma dos patrocínios dos últimos anos passa de R$ 3 BILHÕES”, afirmando que o Estado tem maiores prioridades e que incentivos devem ser direcionados de “forma justa, enxuta, transparente e responsável", sem prejudicar “as principais demandas de nossa sociedade". E foi no último dia 15 que o portal Congresso em Foco noticiou que a Petrobras cortou o patrocínio dos mais importantes eventos de cinema do país, que há muitos anos eram realizados com patrocínio da estatal.

De acordo com a matéria, “a empresa segue determinação do presidente Jair Bolsonaro de reavaliar os contratos de patrocínio a eventos culturais”. Nessa guerra de interesses, sofreram baixas o Festival de Brasília do Cinema Nacional, que é o mais importante festival de cinema do Brasil, além de alguns dos mais importantes festivais de cinema da América Latina, como a Mostra de Cinema de São Paulo, o Festival do Rio de Cinema e o Anima Mundi. Também deixarão de ter o patrocínio cultural da Petrobras o CineArte, o Festival de Cinema de Vitória e a Sessão Vitrine, que foi responsável por distribuir em terras tupiniquins muitos filmes nacionais belíssimos e premiados internacionalmente, mas que nunca tiveram sequer espaço no mercado desse país cada vez mais retrógrado, uma vez que esse mercado é dominado por conglomerados econômicos internacionais que priorizam o produto estrangeiro ao nacional.

Vale ressaltar também que importantes eventos de música, dança e teatro das principais cidades do país também foram cortados da linha de investimento da Petrobras, que ainda avalia romper contratos firmados em governos anteriores com grupos de teatro e cinema. Em audiência pública na última quinta-feira na Comissão de Cultura da Câmara, o gerente de patrocínios da Petrobras, Diego Pila, afirmou que sua área teve um corte de cerca de 30% em seu orçamento. As informações sobre os eventos que deixarão de contar com o patrocínio da estatal fazem parte de documento da estatal enviado aos deputados Áurea Carolina (Psol-MG) e Ivan Valente (Psol-SP), que haviam apresentado um requerimento. Na resposta, a empresa nega que esteja promovendo um desmonte na política cultural.

“Conclui-se que a alegação dos excelentíssimos parlamentares de que há uma política de ‘desmonte do setor cultural no Brasil’, são infundadas, porquanto baseiam-se em notícias veiculas pela mídia, as quais publicam matérias sobre a determinação de sua excelência o presidente da República, Jair Bolsonaro, de reavaliar os contratos de patrocínio da Petrobras, cuja reavaliação ainda não foi concluída pela estatal”, diz a companhia. Não dá pra esquecer também que a própria Ancine vive a maior crise de sua história, uma vez que o TCU determinou a interrupção imediata dos repasses destinados ao setor audiovisual através do Artigo 3 e 3A da Lei do Audiovisual e também palas licitações do FSA.

Também não dá pra esquecer que a poucos anos atrás o Brasil brilhou no Oscar com a animação mineira “O menino e o mundo”, filme importante produzido no país que foi premiado e exibido com destaque nos mais importantes festivais de animação do mundo. Foi em julho de 2014 que o portal UOL noticiou que “incentivos públicos e Anima Mundi impulsionaram o ‘boom’ da animação nacional”. De acordo com a matéria, na opinião de Luiz Bolognesi, o crescimento da produção de animações tem a ver com as políticas cinematográficas que permitiram o crescimento do cinema nacional como um todo. “Primeiro, nós temos uma política cinematográfica muito consistente, que permite a produção de cinema autoral. Por outro, acho que a gente é muito criativo, é um dos nossos valores. Com muito pouco dinheiro, fazemos filmes que têm qualidade.”

Uma pena ver tudo isso indo pro ralo só porque o atual presidente vive uma fantasia medieval onde o Nazismo é de esquerda e o cinema nacional um antro de formação ideológica comunista.

Seria cômico se não fosse trágico!


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