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Ano VII - Nº 347

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Saúde

Parceiros sexuais mudam os microrganismos do seu corpo, diz estudo

Pesquisa utilizou amostras de fezes de homens gays e de homens héteros

Postado em 17 de Abril de 2019 - Galileu

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Um novo estudo conduzido por pesquisadores da Universidade do Colorado, nos Estados Unidos, indica que parceiros sexuais podem mudar os microrganismos do corpo. No trabalho, os cientistas observaram que homens que fazem sexo com homens têm diferenças na ativação imunológica e na composição do microbioma intestinal em comparação com homens que fazem sexo com mulheres.

Publicado na revista PLoS Pathogens, os pesquisadores realizaram testes em alguns camundongos. No experimento, os ratos foram separados em dois grupos: um que recebeu doação de fezes de homens que tiveram uma relação com sexo anal e, um segundo grupo, cujos doadores de fezes só tiveram relações vaginais. 

Ao analisarem os dados do sistema imunológico dos camundongos, os cientistas notaram que aqueles que receberam doação de fezes de homens que tiveram sexo anal com homens, se fossem humanos, poderiam ter um maior risco de infecção pelo HIV. 

O estudo foi conduzido por Sam Li, pós-doutorando na UCD, e sua equipe. Juntos, eles também coletaram amostras de fezes de 35 homens saudáveis, e transferiram esse material para os camundongos — criados especificamente para não terem um microbioma intestinal.

"O HIV ainda é um problema em todo o mundo, e quanto mais aprendemos sobre o que torna certas populações mais suscetíveis ao HIV, mais poderemos ajudar", disse, ao portal Stat, Laurel Lagenaur, diretor de pesquisa da Osel, empresa especializada em microbioma humano.

"Entender esse componente biológico, seja em mulheres ou em homens, nos ajuda a definir maneiras pelas quais podemos ajudar a modular isso", explica Lagenaur, que não estava envolvida no estudo.

Apesar dos resultados, o estudo de LI tem algumas limitações: como o estudo foi apenas conduzido entre homens, as conclusões não podem ser levadas em conta para as mulheres. Além disso, não está claro se as conclusões podem sequer ser consideradas em homens, já que o estudo foi conduzido com camundongos.

"Quero deixar claro que nosso estudo não mostra uma ligação entre o microbioma e a transmissão do HIV em humanos", enfatiza Li. "Os dados sugerem fortemente que poderia haver uma ligação e fornece uma boa razão para fazer esses estudos também em humanos."

Li também explica que ainda não está claro a causa dessas diferenças microbiológicas. Para ele, "pode haver outros comportamentos que podemos ter perdido em nossa pesquisa, que podem estar ligados a essas diferenças microbianas."


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