Semana On

Domingo 22.set.2019

Ano VIII - Nº 364

Coluna

Cem dias, sem rumo, sem noção

A política, no que ela tem de surreal: com o jornalista Victor Barone

Postado em 10 de Abril de 2019 - Victor Barone

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O presidente Jair Bolsonaro chegou aos cem dias de governo no último dia 10. A marca simbólica costuma ser usada para avaliar a força inicial de um governo e sinalizar qual vai ser o seu tom no restante do mandato. Também costuma englobar a fase de "lua de mel" de presidentes estreantes com o Congresso e a maior parte da população. No caso de Bolsonaro, no entanto, a lua de mel foi mais curta do que o habitual, e o novo governo tem sido marcado por controvérsias, brigas, intrigas e um desempenho aquém do prometido. O tumulto já começa a esfriar a euforia de alguns setores da sociedade e do mercado.

A fatura já vem aparecendo, e o capital político do presidente tem demonstrado sinais de corrosão precoce. Segundo o Datafolha, Bolsonaro é o presidente eleito com a pior avaliação em início de primeiro mandato desde a redemocratização – 30% da população avalia seu governo como ruim ou péssimo. Além disso, 61% acreditam que ele fez menos do que o esperado. 

Já pesquisa da corretora XP Investimentos aponta queda de confiança entre investidores. Apenas 28% consideram o governo ótimo ou bom. Em janeiro, o percentual era de 80%. A pesquisa mostrou ainda que 55% dos deputados consideram ruim ou péssima a relação da Câmara com o Planalto – em janeiro, eram só 12%.

Despreparado

Para Gaspard Estrada, analista político do Instituto de Ciências Políticas de Paris (Sciences Po), o cenário confirma os temores de que "Bolsonaro não estava preparado para o cargo". "Não era um temor infundado. Ele ainda continua no modo de campanha, perseguindo inimigos invisíveis e usando de maneira desmedida as redes sociais”, diz.

Poucas ações efetivas, muito barulho

Em 23 de janeiro, o ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, apresentou 35 metas dos cem primeiros dias de gestão. Algumas foram realizadas, como o corte de 21 mil funções comissionadas da administração federal. Outras, como a independência do Banco Central, não saíram do papel. Segundo levantamento da Agência Lupa, apenas 16 das 35 metas foram cumpridas. Mas mesmo as alcançadas incluem miudezas – como a retirada do padrão Mercosul dos passaportes – ou propostas que vão contra a opinião da maioria da população – como a flexibilização do acesso a armas de fogo, que é rejeitada por 61% dos brasileiros, segundo o Datafolha.

Aposta na radicalização

Mesmo diante de dificuldades, Bolsonaro tem afastado a expectativa de que seu mandato passe por um processo de normalização. Nos últimos meses, ele mostrou disposição em alimentar sua base de militantes mais radicais, que desejam mais acesso armas e que desprezam a imprensa, que professam um revisionismo desonesto sobre temas como o regime militar e que colocam a pauta dos costumes como prioridade. Nesse sentido, Bolsonaro fez elogios a ditadores estrangeiros, ordenou que o golpe de 1964 fosse celebrado oficialmente e promoveu o ideólogo Olavo de Carvalho a uma espécie de eminência parda do governo.

Errando duas vezes

A queda de popularidade e as confusões públicas da gestão poderiam ser uma oportunidade para o governo repensar sua estratégia, mas Bolsonaro tem emitido sinais de que pretende priorizar mesmo essa agenda de guerra cultural. Após a queda do ineficiente Vélez, ele escolheu para o MEC uma figura com o mesmo perfil ideológico de extrema direita, que já disse desejar expurgar o "marxismo cultural" da educação. Também zombou da pesquisa Datafolha que apontou queda de popularidade e criticou a metodologia do IBGE que identificou a alta do desemprego.

Mea culpa

O próprio Bolsonaro reconhece que o início de governo está sendo turbulento. Na inauguração de uma ouvidoria do governo federal, ele afirmou na última sexta-feira que "não nasceu para ser presidente" e que o cargo é "só problemas". "Desculpem as caneladas, não nasci para ser presidente, nasci para ser militar, mas no momento estou nessa condição de presidente e, junto com vocês, nós podemos mudar o destino do Brasil", disse.

Cem dias de ideologia

“Há dois balanços dos cem primeiros dias do governo Jair Bolsonaro: o do próprio Bolsonaro, que admite “mar revolto”, mas vê “céu de brigadeiro”, e o da opinião pública, que só vê o “mar revolto” que engoliu 15 pontos na popularidade do presidente”, escreve Eliane Cantanhêde no Estadão. A colunista opina que nos primeiros 100 dias, mais do que metas, a grande marca do governo foi a ideologia. O governo segue condenando o excesso de ideologia da era PT, mas, ainda assim, se pauta, a cada ato, a cada fala, a cada viagem, exatamente por um excesso de ideologia. Só que do avesso.

100 dias perdidos?

Em artigo no Globo nesta quinta-feira, 11, a colunista Míriam Leitão comenta os 100 primeiros dias do governo de Jair Bolsonaro. Na opinião dela, até aqui, o governo perdeu muito tempo nos primeiros passos da reforma da Previdência. Ela aponta que o pior dos erros, no entanto, foi cometido na Educação que, não por acaso, no 99º dia teve troca de comando. Infelizmente não houve mudança de ideias. “Nestes 100 dias, o pior inimigo do governo Bolsonaro foi o governo Bolsonaro. O melhor da lua de mel de qualquer administração foi queimado num processo que deixou como saldo queda de popularidade e um grande estoque de brigas inúteis e energia desperdiçada”, escreveu.

Pesquisa

O Datafolha registrou a pior avaliação após três meses de governo entre todos os presidentes eleitos desde 1985. Hoje, 30% consideram o seu governo ruim ou péssimo, 32% consideram ótimo ou bom e 33% acham que é regular. Mas 59% dos entrevistados ainda acreditam que ele vai fazer uma gestão ótima ou boa (antes da posse, eram 65%). Os que mais aprovam Bolsonaro são os brancos, enquanto pretos e pardos são os que mais desaprovam. Evangélicos seguem entusiasmados.  Primeiro, o presidente disse que não comentaria os resultados, mas depois foi falar disso nas redes sociais. No Twitter, riu (“kkkk”) do trecho da pesquisa que aponta que 39% dos entrevistados o consideram pouco inteligente. 

Era vidro e se quebrou 

A comparação dos dados da nova pesquisa Datafolha com os resultados obtidos por Jair Bolsonaro na eleição oferece termômetro expressivo da queima de capital político nos três primeiros meses de governo. Na região Sul, onde o presidente alcançou seu maior índice de votação, 68%, apenas 39% classificam seu governo como ótimo ou bom —e 54% dizem que ele fez menos do que o esperado. No Sudeste, onde conquistou 65,4% dos votos válidos, o percentual de frustrados chega a 59%.

O que nunca se teve

Só o Nordeste ultrapassa o Sudeste no índice de eleitores que dizem que Bolsonaro fez menos do que eles esperavam no primeiro trimestre: 68%. Mas, na região, Fernando Haddad (PT) bateu quase 70% dos votos válidos.

Meio a meio

Os eleitores que ganham mais de cinco salários mínimos são os que mais aprovam a administração de Bolsonaro, com índices que vão de 41% a 43% —o que estatisticamente representa quase um empate entre estes e os que não aprovam o governo.

Questão de fé

Detalhamento do Datafolha revela que os católicos fazem avaliação mais crítica da personalidade do presidente do que os evangélicos. No primeiro grupo, 60% o veem como autoritário, 56% como orgulhoso e 55% dizem que ele trabalha pouco. Entre os evangélicos, 49% dizem que ele é autoritário, 39% que trabalha pouco e 37% que é orgulhoso.

Torcida organizada

Para Mauro Paulino, diretor-geral do Datafolha, isso ajuda a explicar o embate nas redes sociais. “Esse é o grupo de eleitores que tem mais acesso à internet e aos temas que estão em debate”, afirma.

Dos males o menor?

Detalhamento da pesquisa mostra que, entre os que admitem ter votado em Haddad, a avaliação do vice, Hamilton Mourão, é melhor que a de Bolsonaro. Nesse grupo, o presidente é apontado como ótimo e bom por 7%, como regular por 28% e como péssimo por 63%. O general alcança 15%, 36% e 33% respectivamente.

Sem tempo

O colunista Leandro Colon afirma que o presidente Jair Bolsonaro deveria ler com calma a pesquisa do Datafolha. “Cem dias, por mais desastrosos que tenham sido, são muito pouco em um período de quatro anos. É possível corrigir a rota política, trocar ministros ineficientes, controlar o impulso na rede social e governar para valer. Só não há tempo a perder”, escreveu na Folha.

Queda vertiginosa

Em artigo na Folha o colunista Hélio Schwartsman comenta a queda de popularidade do presidente Jair Bolsonaro. Para ele, é surpreendente a velocidade com a que a avaliação está caindo. Com o índice de ruim e péssimo na marca de 30%, segundo Datafolha, Bolsonaro tem a pior avaliação entre presidentes de primeiro mandato. “Acho até que Bolsonaro conseguirá, aos trancos e barrancos, atravessar os quatro anos de mandato, se não houver uma piora notável da economia. Mas, se vier uma deterioração, em especial se a inflação de alimentos voltar a subir, o jogo muda, e a impopularidade pode tornar-se letal”, escreve o colunista.

Mais conservador do que liberal

Na opinião do escritor britânico Anthony Pereira, diretor de pesquisas sobre o Brasil no King’s College de Londres – um dos principais centros de pesquisa do Reino Unido –, o discurso economicamente liberal do presidente Jair Bolsonaro está sendo engolido por narrativas conservadoras. “Bolsonaro não parece entender a economia e parece disposto a assumir posições ideológicas mesmo quando elas prejudicam os brasileiros”, disse em entrevista ao Estadão. Para o pesquisador, o presidente deve trabalhar para construir uma base no Congresso e deixar de elogiar ditadores, como Alfredo Stroessner, do Paraguai.

Homenagem, não, pera...

O Museu Americano de História Natural em Nova York, no qual seria realizada a premiação de “Pessoa do Ano” para o presidente Jair Bolsonaro, afirmou que aceitou a reserva antes de saber quem era o homenageado e está “avaliando as opções”. “A reserva do museu para a realização do evento externo, privado, em homenagem ao atual presidente do Brasil foi feita antes que se soubesse quem seria o homenageado. Estamos profundamente preocupados, e estamos avaliando nossas opções", publicou o museu em sua conta oficial no Twitter.

A cerimônia de premiação de Bolsonaro como “Pessoa do Ano”, organizada pela Câmara de Comércio Brasil-Estados Unidos, está marcada para 14 de maio. O local do evento, até o momento, é o Museu Americano de História Natural.

Muitos usuários comentaram a publicação do museu pedindo que a instituição “cancele” a realização da cerimônia no local.

Presidente editor de memes

O Estadão revelou uma atribuição até aqui desconhecida do presidente: editor dos memes que vão ao ar nos perfis ligados à família nas redes sociais. Parece ir bem na função: enquanto na vida real o governo e o presidente perdem popularidade, no Twitter ganhou seguidores, saltando de 2,7 milhões para 3,9 milhões. A reportagem teve acesso a áudios em que, entre uma e outra audiência, Bolsonaro dá o “talquei” ou veta a difusão de memes e diz que ele mesmo vai espalhar para os mais de 100 grupos que integra no WhatsApp.

Cem dias de cinzas

Em artigo na Folha, o colunista Bruno Boghossian comenta sobre os cem dias de governo do presidente Jair Bolsonaro. Para o colunista, Bolsonaro completou o período soterrado em cinzas que ele mesmo produziu. “Bolsonaro chegou a convocar um pronunciamento em rede nacional de TV na noite desta quarta (10) para celebrar seu centésimo dia de governo. Horas antes, assessores avisaram às emissoras que haviam desistido de fazer a transmissão. Talvez ele não tivesse muito o que dizer”, escreveu.

Bolsonaro entre os mais influentes da ‘Time’

O presidente Jair Bolsonaro foi escolhido pela revista americana Time para integrar a seleção de 2019 da “Time 100”, que lista as 100 pessoas mais influentes do mundo no ano. Na última década, os únicos brasileiros a integrar as listas foram o ex-presidente Lula (2010), o empresário Eike Batista (2012), o ex-ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Joaquim Barbosa (2013), o surfista Gabriel Medina (2015) e o empresário Jorge Paulo Lemann (2015), informou o Blog do Lauro Jardim.

SÓ PENSA NAQUILO

Jair Bolsonaro precisa socorrer Jair Bolsonaro. Num instante em que ostenta a pior avaliação já atribuída a um presidente em início de mandato desde a redemocratização, o capitão decidiu atravessar no seu próprio caminho uma nova pedra. Essa pedra se chama reeleição. "A pressão está muito grande para que, se eu estiver bem, que me candidate à reeleição", disse Bolsonaro em entrevista ao repórter Augusto Nunes. Na recentíssima campanha eleitoral, Bolsonaro jurou que não disputaria um segundo mandato. Em condições normais, seria apenas constrangedor assistir a um presidente que acabou de se eleger com a promessa de ser o coveiro de velhos hábitos políticos comprometendo o seu governo com uma disputa pelo Poder que, além de prematura, pode ser paralisante. Quando isso ocorre no aniversário de 100 dias de uma Presidência decepcionante, o constrangimento descamba para a aberração. Político que não ambiciona o Poder vira alvo. Mas político que só ambiciona o Poder erra o alvo. A única ambição que Bolsonaro deveria ter no momento é a ambição de trabalhar.

Por Josias de Souza

MOURÃO BEM NA FOTO

O general Mourão foi mais bem avaliado do que Bolsonaro (18% de reprovação) na última pesquisa Datafolha, mas ao mesmo tempo é desconhecido por 59% dos entrevistados. De todo modo, o vice, que tem se apresentado desde o começo como a versão moderada do presidente.

Outra turma

O vice-presidente Hamilton Mourão afirmou que se fosse presidente, convidaria outras pessoas para trabalhar com ele ao ser questionado sobre o que mudaria no governo caso lhe coubesse fazer mudanças. “Talvez pela minha personalidade, eu escolhesse outras pessoas para trabalhar comigo”, disse. Bastante aplaudido durante seu discurso no encerramento da Brazil Conference, em Boston, com o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso sentado na primeira fileira do auditório, o general da reserva também foi questionado sobre a presença de militares na gestão Bolsonaro. Segundo ele, se o “governo errar muito, a conta vai para as Forças Armadas”.

Ódio nas redes

O vice-presidente Hamilton Mourão abriu sua fala na Brazil Conference, em Boston, com um apelo contra o ódio nas redes sociais. O general fazia um histórico das transformações recentes no mundo geradas pelo processo de globalização, que aboliu fronteiras, trazendo vários benefícios, mas, também, dando espaço para que alguns se aproveitassem da tecnologia para “fins destrutivos e semear o ódio”. “Não ao ódio”, esbravejou de forma improvisada. Mourão tem sido alvo de ataques na rede pelo autor de livros Olavo de Carvalho, consultor informal do governo.

PREVIDENCIA

E uma pesquisa feita a partir da análise das postagens de deputados nas redes sociais mostra que aumentou o número dos que se manifestam favoravelmente à reforma —de 78 no mês passado para 108 em abril, ou 21% do total. O número de deputados que se dizem contra alterações na Previdência também subiu —de 117 para 137, ou 26,7% do total. Do restante, 168 (32,7%) estão indecisos (manifestam-se a favor de alguma reforma, mas criticam pontos da que foi apresentada pelo governo) e cem (19,5%) ainda não se manifestaram. A pesquisa é da startup Arquimedes, que atualiza os números em tempo real.

FILHOCRACIA

O escritor Olavo de Carvalho, considerado guru intelectual do governo de Jair Bolsonaro, em entrevista ao programa Conversa com Bial, afirmou que Bolsonaro deveria dar um ministério para cada filho. Segundo ele, não há uma “ascendência excessiva” dos filhos ao governo. “Eu não acho excessiva, eu acho que ele deveria trazer os filhos para mais perto. Dá um ministério para um deles”, disse. Ao longo da conversa, Bial disse “olha que ele segue seu conselho, hein!” e o guru foi ainda mais categórico: “Tomara que ponha os três de ministros. São pessoas muito sinceras, muito honestas”, disse.

Ministro Carluxo

Questionado sobre sua atuação nas redes sociais, o presidente Jair Bolsonaro afirmou nesta segunda, 8, que gasta, no máximo, 30 minutos por dia com a atividade, reiterando que o filho Carlos Bolsonaro, vereador pelo PSL do Rio de Janeiro, é quem o ajuda nessa tarefa. “Até o chamam de pitbull, mas ele não atrapalha em nada. Vai atrapalhar o quê? Acho que ele deveria até ser ministro. Ele que me colocou aqui”, afirmou o presidente em entrevista à Rádio Jovem Pan, relativizando que Carlos “não está pleiteando” o cargo, mas “eu (Bolsonaro) poderia colocá-lo (no cargo).

Deve a quem

A deputada federal Gleisi Hoffmann (PT-PR) aproveitou o tempo no debate da Comissão de Constituição e Justiça para criticar o presidente Jair Bolsonaro quando disse, em entrevista à Rádio Jovem Pan, que devia sua vitória na eleição à atuação do filho, o vereador Carlos Bolsonaro (PSC-RJ), nas redes sociais. “Ele disse que deve (a vitória) ao filho, e a nenhum dos senhores que o apoiaram”, disparou. Em defesa da participação do filho em sua campanha, Bolsonaro afirmara que Carlos mereceria, inclusive, ser ministro.

VISÃO IDEALIZADA

Para o guru bolsonarista Olavo de Carvalho, o presidente Jair Bolsonaro tem “uma visão idealizada das Forças Armadas”. A declaração foi feita por Olavo em entrevista ao programa Conversa com Bial, da TV Globo. Ele completou dizendo que acha que “essa visão não é muito certa”. “As Forças Armadas nos livraram do comunismo?! Não, ao contrário. Os líderes civis nos livraram do comunismo e vocês (militares), passaram 20 anos chamando os comunistas de volta”, avalia o guru. Segundo Olavo, “o governo militar facilitou a volta dos comunistas”.

FROTA ODEIA OS OLAVISTAS

Em entrevista à Folha, o deputado federal Alexandre Frota (PSL-SP) atribui ao ministro-chefe da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, a maior parte da responsabilidade pela falha na articulação política. As críticas que ele faz ao governo de Jair Bolsonaro, são um reflexo das dificuldades de diálogo entre o Executivo e o Congresso às vésperas de completar cem dias de mandato. Lamentavelmente, na opinião de Frota, o escritor Olavo de Carvalho tem mais influência do que os militares. Sobre a ala do governo ligada ao guru, Frota é direto: “Eu odeio essa ala”.

ROUBOU NADA

O jornalista Juca Kfouri informou em seu blog que no dia 12 de março, em reunião com presidentes de tribunais de conta estaduais sobre a reforma da Previdência, o ministro da Economia, Paulo Guedes, fez uma declaração sobre o ex-presidente Lula que não passou despercebida. “Estamos convencidos de que Lula não roubou um tostão. E seu patrimônio prova isso. Ele não teve foi quem o avisasse do que acontecia em torno de seu governo. Acabou vítima do jeito de fazer política no Brasil. Serve como exemplo”, afirmou Guedes, na sede do ministério.

UM ANO EM CANA

O ex-presidente Lula completou um ano no cárcere no último dia 7, ainda inconformado com sua prisão. O petista segue com o discurso de que é alvo de injustiça e perseguição, e rechaça a possibilidade de ele próprio pedir por um regime domiciliar. Lula diz que não vai se submeter a regras que considera constrangedoras ou alegar que está debilitado para sair da cela. Ele anseia pelo julgamento de seu caso nas cortes superiores. “Prefiro andar de cabeça erguida aqui dentro do que ficar de cabeça baixa lá fora”, cravou a um aliado.

Medo

O ex-presidente Lula afirmou em artigo publicado na Folha, que sua indignação só aumentou a cada dia que passou preso em Curitiba. Os motivos são conhecidos dos que acompanham a retórica petista: Lula é um preso político, não há provas que sustentem sua prisão e o atropelo da Lava Jato para que o ex-presidente fosse retirado da eleição de 2018. Hoje faz um ano que Lula foi preso. “Por que têm tanto medo de Lula livre, se já alcançaram o objetivo que era impedir minha eleição, se não há nada que sustente essa prisão? Na verdade, o que eles temem é a organização do povo que se identifica com nosso projeto de país. Temem ter de reconhecer as arbitrariedades que cometeram para eleger um presidente incapaz e que nos enche de vergonha”, assina.

Lula discordou de nota contra Ciro

O ex-presidente Lula não concordou com a reação do PT de publicar uma nota de repúdio às críticas de Ciro Gomes contra a presidente do partido, Gleisi Hoffmann, segundo informa O Globo. Em entrevista ao Valor, o ex-ministro chamara a deputada de “chefe de quadrilha”. Para o petista, bastaria uma conversa com o pedetista em vez oficializar a discórdia. A nota do PT dizia: “Ao atacar o PT, Lula e nossa presidenta Gleisi Hoffmann, Ciro se alia aos que atacam a democracia, os direitos sociais e a esquerda brasileira”.

PRIORIDADES

Saíram ainda os resultados de outra pesquisa do Datafolha, feita com a Oxfam, medindo a percepção sobre a desigualdade no Brasil. Quase todo mundo (86%) acha que o progresso está ligado à redução das desigualdades, 94% acham que os impostos devem ser usados para beneficiar mais pobres e 77% defendem o aumento de impostos para pessoas muito ricasOs entrevistados ainda tiveram que dar notas para dez medidas prioritárias para reduzir desigualdades. Em primeiro lugar ficou o combate à corrupção, seguido por investimento público em saúde e em educação. Quanto às prioridades que levariam a uma melhora de vida, a “fé religiosa” foi o aspecto mais citado. Só em seguida vieram “estudar” e “ter acesso à saúde”. Cultura e lazer ficaram no fim da lista. 

Boas notícias

Aumentou o percentual de pessoas que percebem como as questões de gênero e raça influenciam trabalho, rendimentos, justiça. E mais gente considera que o Estado tem a obrigação de diminuir a disparidade entre muto ricos e muito pobres: 84% dos entrevistados, contra 79% em 2017. 

SISTEMA S

Desde que Paulo Guedes anunciou cortes no Sistema S, as entidades vinculadas ao comércio e serviços estão se mexendo para evitar que eles de fato aconteçam. A avaliação é de que, com os cortes, 20 mil alunos perderiam suas vagas nas escolas Sesc, e mais de 200 escolas seriam fechadas; na saúde, havia redução de 700 mil atendimentos odontológicos e 400 mil pessoas deixariam de receber doações de alimentos. A matéria da Folha fala da corrida em direção a governadores, deputados federais e senadores para parar o ministro, e mostra o quanto essas

entidades próximas da política. “A gente já tem um alinhamento porque ele já presidiu a federação da indústria em Mato Grosso”, disse o presidente da Confederação Nacional do Comércio, José Roberto Tadros, sobre o governador Mauro Mendes, do DEM. Enquanto isso, Guedes emplacou um aliado na presidência do Conselho Nacional do Sesi e, no Sebrae, o governo busca destituir o atual presidente, João Henrique de Sousa, que chegou ao comando pelas mãos de Temer.

VELHO NOVO

O novo titular do Ministério da Educação, Abraham Weintraub, de 48 anos, já deixou clara sua proximidade com as ideias do escritor Olavo de Carvalho, conhecido pela influência que vem exercendo na pasta e responsável pela indicação de seu antecessor, Ricardo Vélez Rodríguez, demitido dia 8 em meio a uma crise de gestão. Assim como Vélez, já deu declarações polêmicas. "Quando ele (um comunista) chegar para você com o papo 'nhoim nhoim', xinga. Faz como o Olavo de Carvalho diz para fazer. E quando você for dialogar, não pode ter premissas racionais", disse em um evento no fim do ano passado, conforme relato feito à época pelo jornal O Estado de S.Paulo. Na ocasião, em 8 de dezembro, ele participava, em Foz do Iguaçu (PR), de um painel sobre economia da Cúpula Conservadora das Américas, ao lado de outros defensores das ideias de Olavo. O polemista também participou do evento por videoconfêrencia. O deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), filho do presidente Jair Bolsonaro, estava presente no encontro.

Aprender pra que?

O novo ministro da Educação, Abraham Weintraub, avalia que universidades do Nordeste não deveriam oferecer cursos de disciplinas como sociologia e filosofia. Para ele, esses estabelecimentos deveriam priorizar o ensino de agronomia, "em parceria com Israel." Substituto de Ricardo Vélez, Weintraub defendeu seu ponto de vista numa transmissão ao vivo, pela internet, em setembro do ano passado. Nessa época, ele integrava a equipe que elaborou o programa de governo de Jair Bolsonaro. Discutia a peça com Luis Philippe Bragança, hoje deputado federal pelo PSL de São Paulo.

Mal comparando, a ideia de privar estudantes nordestinos de determinados cursos é tão radioativa quanto outra tese que ajudou a compor o caldeirão de polêmicas que dissolveu a gestão do demitido Ricardo Vélez. O antecessor de Weintraub declarou que "universidade, do ponto de vista da capacidade, não é para todos. Somente algumas pessoas que têm desejo de estudos superiores e que se habilitam para isso entram na universidade."

Eliziane: ‘O que diriam Gullar, Suassuna ou Graciliano ao ministro?’

A senadora Eliziane Gama (Cidadania-MA) crfiticou o entendimento do novo ministro da Educação, Abraham Weintraub, de que nordestino não precisa estudar filosofia, sociologia e antropologia. Em entrevista ao Estadão, o economista fez um exercício mental com resultado polêmico: “Imagina uma família de agricultores que o filho entrou na faculdade e, quatro anos depois, volta com título de antropólogo? Acho que ele traria mais bem-estar para ele e para a comunidade se fosse veterinário, dentista, professor, médico”. A senadora perguntava aos colegas: “O que diriam Ferreira Gullar, Gonçalves Dias, Ariano Suassuna, Graciliano Ramos?”. Parlamentar do Maranhão, afirmou que até se entusiasmou com a possibilidade de o senador Izalci Lucas (PSDB-DF) ocupar o cargo, como especulado, o que seria, segundo ela, algo “sensato”. No final da fala, pediu: “Ministro, cuide da educação”.

Viés ideológico

Uma das características que Jair Bolsonaro mais admira em Abraham Weintraub, o novo ministro da Educação, é o seu "viés ideológico" e a forma rude como ele trata o petismo. Ele se refere a Lula como "Nove Dedos". Xinga o ex-presidente petista de  "sicofanta" (patife, impostor). Em setembro de 2018, numa transmissão ao vivo pela internet, o agora ministro da Educação insinuou que o programa de governo de Bolsonaro romperia paradigmas. Para enfatizar seu ponto de vista, evocou Lula: "Como diria o Nove Dedos, nunca antes na história republicana se discutiu esse tipo de coisa."

Muita ideologia, pouca experiência

O ministro da Educação, Abraham Weintraub, escolheu quadros sem experiência em educação para ocupar seis cargos na pasta, incluindo o segundo mais importante, quase todos oriundos do Ministério da Economia e Casa Civil, informa o Estadão. O secretário executivo, por exemplo, será Antonio Paulo Vogel de Medeiros, que atuou como analista no Ministério da Fazenda e estava como secretário executivo adjunto da Casa Civil. Ele terá como adjunto Rodrigo Toledo Cabral Cota, atual subsecretário de governança das estatais, no Ministério da Economia. A Secretaria de Educação Superior (Sesu) será assumida por Arnaldo Barbosa de Lima Júnior, ex-secretário adjunto de Política Econômica do Ministério da Fazenda na gestão Temer. A Secretaria de Educação Profissional e Tecnológica (Setec) será assumida pelo também economista Ariostolo Antunes Culau, que atuou nos últimos anos na Secretaria de Orçamento Federal, do Ministério do Planejamento, Desenvolvimento e Gestão. O único que deve permanecer no cargo é Carlos Nadalim. Da ala dos olavistas, ele é o secretário de Alfabetização.

OS PLANOS PARA A AMAZÔNIA

Durante a campanha eleitoral, Jair Bolsonaro prometeu que não iria demarcar mais nenhum centímetro de terras para indígenas. Nesta semana, em entrevista à Jovem Pan, foi mais longe: “A demarcação que eu puder rever, eu vou rever“, garantiu. E ainda lembrou: “Quando estive agora com Trump, conversei com ele que quero abrir para ele explorar a região amazônica em parceria. Como está, nós vamos perder a Amazônia, aquela área é vital para o mundo”.  O presidente acha que existe uma “indústria da demarcação” de terras indígenas, e que isso “inviabiliza qualquer projeto na Amazônia”. Insinuou que as demarcações são definidas por “laudos suspeitos”, relatando que já ouviu queixas de fazendeiros sobre isso. Ele também reclamou  do tamanho da área destinada a indígenas no país. Quer que indígenas e quilombolas possam “vender ou explorar suas terras como quiserem”.

CANABISTA JURAMENTADA

A deputada estadual Ana Campagnolo (PSL-SC) deletou sua conta no Twitter, uma das principais ferramentas de comunicação da rede bolsonarista. A exclusão da rede social veio depois que internautas resgataram postagens antigas da parlamentar em que sugeria que fumava maconha e que gostava de trabalhar pouco. Os prints com postagens principalmente do ano de 2012 rapidamente viralizaram nas redes pela suposta hipocrisia da deputada, que foi eleita se autointitulando “antifeminista, conservadora, cristã e de direita”. De discurso antimoralista e crítica ferrenha do PT, Campagnolo ganhou notoriedade ao defender a perseguição de professores “doutrinadores” e pedir para que eles fossem filmados em sala de aula.

Entre as postagens resgatadas de Campagnolo, está, por exemplo, uma em que diz que “é impossível legalizar a maconha porque ela já é legal pra caralho”. Em outra publicação, pergunta se seria melhor usar “fluoxetina ou canabis”. Entre várias outras postagens, a deputada ainda fazia brincadeiras com letras que formavam a palavra “cannabis”.

Outro tuíte de Campagnolo que chamou a atenção é um em que ela diz que quer ganhar muito dinheiro, mas não quer “trabalhar muito”. “Como faz?”, questiona.

Diante do deboche nas redes, a deputada deletou a conta do Twitter e, pelo Facebook, se manifestou. Ela negou que fosse usuária de maconha e justificou dizendo que as postagens seriam irônicas contra “manés que se drogam na faculdade”.

PESQUISA

O presidente Jair Bolsonaro criticou a produção científica das universidade federais, enquanto o Ministério da Ciência e Tecnologia perdeu recentemente quase 43% de seu orçamento por meio de decreto e a comunidade científica, em vários Estados do Brasil, sofre com corte de investimentos, como a Fapemig, que cortou 5 mil bolsas de iniciação científica. Na semana passada, a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) publicou uma nota, com outras cinco entidades, criticando os cortes. “Temos 68 universidades que gastam metade do orçamento. Poucas universidades têm pesquisa”, afirmou o presidente, citando na sequência o exemplo de uma universidade privada.

MOURÃO E WYLLYS

“No caso especifico de Wyllys, particularmente acho que ele deveria ter continuado [no país] e acreditado na nossa lei, na nossa política e na nossa polícia, então a gente poderia protegê-lo. Acho que ele deveria ter ficado. É muito triste quando coisas assim acontecem”, disse o vice presidente Mourão em palestra no Brazil Institute, do Wilson Center. “Nosso governo não tem política para perseguir minorias, esse não é o jeito que nos comportamos. Todo mundo que é brasileiro deve continuar no Brasil e deve estar livre de medo”, afirmou Mourão.

AS ÚLTIMAS DE TEREZA CRISTINA

A Ministra da Agricultura, Tereza Cristina, esteve na Comissão de Meio Ambiente da Câmara para explicar a liberação recorde de agrotóxicos no governo Bolsonaro. Ela errou (ou mentiu) ao falar sobre o papel dos agrotóxicos na morte de meio bilhão de abelhas no Rio Grande do Sul. “O problema das abelhas é que foi usado um produto chamado Sulfoxaflor. Esse produto não está registrado no Brasil. Esse é o grande problema dessa fila enorme. Esse produto muito provavelmente entrou de maneira ilegal, está sendo usado de maneira errônea e causou a morte das abelhas”, disse ela, que já presidiu a Frente Parlamentar da Agropecuária. Só que o inseticida, produzido pela Dow AgroSciences, está registrado: foi aprovado nos últimos dias do ano passado e liberado em janeiro. Seu impacto potencial sobre insetos polinizadores é conhecido há anos.

Pesquisa pra que?

Ela ainda contestou pesquisas científicas (o que aparentemente é uma marca deste governo), defendeu o glifosato como sendo insubstituível e, quanto ao boom de registros, jogou a bola para a Anvisa, argumentando que é a Agência quem dá a palava final sobre isso. Mas não deixou de afirmar que o país precisa liberar ainda mais agrotóxicos: “Nós temos que mudar a legislação para que os produtos de baixa toxicidade tenham seu registro facilitado e possam chegar mais rápido ao mercado”.

Chupa esta manga

Tereza Cristina também deu seu palpite sobre a fome no país: “Nunca tivemos guerra e nós não passamos muita fome, porque temos manga nas ruas em nossa cidade e clima tropical”.

DEPUTADO ARMADO

A sessão de leitura do relatório da PEC da reforma da Previdência viveu seu ápice de tensão quando o deputado Eduardo Bismarck (PDT-CE) afirmou no microfone que o deputado Delegado Waldir (PSL-GO) estava armado no recinto. “Presidente, tem um deputado armado aí na sua mesa”, dizia. A partir daí, vários parlamentares pediram para que as portas fossem fechadas e a Polícia Legislativa fosse chamada. Até então, desde o início da sessão, parlamentares tentavam aplicar manobras contra e a favor da leitura do relatório.

Só coldre

O deputado Delegado Waldir (PSL-GO) negou que estivesse armado na sessão da CCJ. Ele afirmou que estava apenas carregando o coldre de sua pistola e que não entra no Congresso carregando arma de fogo. “Isso aqui não é bang bang”, dizia a deputada Erika Kokay (PT-DF).

MORO DE SAIAS E SEM MANDATO

Ex-juíza linha dura de Mato Grosso, conhecida como “Moro de saias”, a senadora Selma Arruda (PSL-MT) teve seu mandato cassado nesta quarta, 10, pelo Tribunal Regional Eleitoral do Estado por suposto abuso do poder econômico e caixa 2 nas eleições de 2018. O desembargador Pedro Sakamoto impôs inelegibilidade de 8 anos. As investigações começaram quando a senadora fez gastos de campanha incompatíveis com seu patrimônio declarado ao TSE. Após a quebra de seu sigilo, foram identificadas transações de seu primeiro suplente, Gilberto Possamai, e sua mulher, Adriana, para a conta de Selma. Questionada, a ex-juíza afirmou que vai recorrer “às instâncias superiores, para provar a minha boa fé e garantir que os 678.542 votos que recebi da população mato-grossense sejam respeitados”.

MAIS PREJUDICADO

O ministro da Justiça e Segurança Pública do Brasil, Sérgio Moro, participou do programa Conversa com Bial. Na entrevista, o juiz, chamado de “avalista moral do governo Bolsonaro” por Pedro Bial, fez um balanço do seu trabalho nos 100 primeiros dias como ministro. Ele disse que a revogação da nomeação de Ilona Szabó foi um episódio “lamentável” e classificou como um dos momentos “ruins” do período. “Quem saiu mais prejudicado fui eu”, disse Moro sobre o episódio. Em fevereiro, a cientista política convidada por Moro para a suplência do Conselho de Políticas Criminais e Penitenciárias. Mas por pressão da redes sociais e por pedido do presidente Jair Bolsonaro, Ilona foi exonerada do cargo um dia após a nomeação ser publicada no Diário Oficial da União.

TUDO GENTE BOA

Questionado sobre a atuação criminosa das milícias no Rio de Janeiro pelo deputado Carlos Zarattini (PT-SP), o ministro da Defesa, Fernando Azevedo e Silva, resgatou a benevolência social em relação aos grupos paramilitares nos anos 1980, lembrando que eles surgiram da “boa intenção de proteger a comunidade”, mas após ser interrompido pela deputada Talíria Petrone (PSOL-RJ), questionando o deferimento, admitiu que os grupos paramilitares são hoje “bandos armados”. Na resposta, o ex-chefe do Estado Maior do Exército, e também ex-assessor do ministro Dias Toffoli, afirmou que os militares fizeram sua parte, mas o Estado não. “Foi assinado um convênio com o governo do Estado: ‘os militares ficam, mas vão ser colocadas tantas UPPs, escolas, os policiais militares vão nos acompanhar nas operações’. Nós cumprimos a parte do convênio, o Estado não fez a parte dele. Nós saímos e voltou tudo”, disse o general sobre a ocupação das Forças Armadas no Conjunto de Favelas da Maré, no Rio, em 2014. Ele, no entanto, disse que não estava fazendo uma “crítica (ao governo de Luiz Fernando Pezão), mas uma constatação”.

MEDO

O percentual de brasileiros que dizem ter mais medo do que confiança na polícia explode quando são considerados apenas jovens, negros e de baixa renda (até dois salários mínimos).  Entre eles, 59% dizem temer os policiais, contra 39% que revelam ter mais confiança, segundo pesquisa do Datafolha. A sensação se inverte entre brancos, velhos e de maior renda: 64% deles dizem confiar na polícia, contra 36% que afirmam temê-la. No total da população, 51% afirmam ter mais medo do que confiança nos profissionais da segurança pública. Estudos mostram que homens, negros e jovens são as principais vítimas de homicídio doloso por parte da polícia. Um levantamento do Fórum Brasileiro de Segurança divulgado no ano passado, por exemplo, mostrava que 67% dos mortos por policiais em SP eram pretos e pardos.

CRENTES

A presença do presidente do Supremo, Dias Toffoli, num encontro do Conselho de Ministros Evangélicos, no Rio de Janeiro, causou grande incômodo em ministros de tribunais superiores. O blog conversou com dois colegas de Toffoli. Um deles, do STJ, declarou-se "chocado". Outro, do próprio Supremo, disse ter ficado "pasmado". Também estiveram no encontro Jair Bolsonaro e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre. Os dois ministros realçaram que um dos organizadores do evento, o pastor Silas Malafaia, é investigado pela Polícia Federal na Operação Timóteo. Ele é suspeito de ceder contas bancárias de instituição religiosa sob sua influência para um esquema de cobranças judiciais supostamente fraudulentas de royalties da exploração mineral. Malafaia nega as acusações. Para os colegas, Toffoli constrangeu o Judiciário ao encostar sua autoridade de presidente do Supremo nas pendências judiciais de Malafaia.

Amigo dos amigos

O codinome "Amigo do amigo do meu pai" em planilhas de propinas da Odebrecht se refere a Dias Toffoli, atual presidente do Supremo, conforme delação de Marcelo Odebrecht em um dos processos da Lava Jato, divulgou a revista Crusoé. Cópia do material foi enviada à procuradora-geral Raquel Dodge, para que ela avalie se é caso ou não de abrir investigação sobre o ministro que, por integrar a Suprema Corte, só pode ser investigado pela PRG. O site O Antagonista, ligado à Crusoé, diz que o material foi enviado à Dodge em fevereiro, mas até agora "a PGR não tomou qualquer providência". O Estadão relata que a explicação de Marcelo Odebrecht sobre o codinome enviada à Polícia Federal se refere a um e-mail de 13 de julho de 2007, quando Toffoli era advogado-geral da União (AGU) no governo Lula. "Procurado, o Supremo não se manifestou. Interlocutores do ministro Dias Toffoli alegam que a troca de e-mails já era de conhecimento público desde o ano passado", diz o jornal.

DÉCIMO TERCEIRO

Bolsonaro oficializou ontem o anúncio do prometido 13º para o Bolsa Família. Porém, com o acréscimo, não vai haver reajuste neste ano. Os recursos virão do pente-fino: no início do ano, 381 mil famílias perderam o benefício. 

ASSANGE

O fundador do WikiLeaks, Julian Assange, foi preso pela polícia britânica na embaixada do Equador em Londres. E então a rede publicou todos os documentos do seu arquivo, com dados secretos de governos de vários países, inclusive o Brasil. Algumas coisas parecem interessantes na saúde. E, aqui, os vazamentos mais importantes já feitos pela organização.

MATOU NADA

Seis dias depois da morte do músico e segurança Evaldo Rosa dos Santos, 46, o presidente Jair Bolsonaro (PSL) se manifestou publicamente pela primeira vez sobre o caso, em entrevista a jornalistas em Macapá, nesta sexta-feira (12). “O Exército não matou ninguém, não, o Exército é do povo. A gente não pode acusar o povo de ser assassino não. Houve um incidente, houve uma morte, lamentamos a morte do cidadão trabalhador, honesto, está sendo apurada a responsabilidade”, disse ele. Segundo Bolsonaro, o Exército sempre aponta responsáveis e, na corporação, “não existe essa de jogar para debaixo do tapete”. Ele citou ainda a perícia e investigação que estão sendo realizadas para apurar as circunstâncias do crime e “ter realmente certeza do que aconteceu naquele momento”.


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