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Quarta-Feira 24.abr.2019

Ano VII - Nº 347

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Poder

Esquerda articula frente de oposição em ensaio para coalizão em 2020

Políticos querem fazer contraposição ao presidente Jair Bolsonaro nas próximas eleições

Postado em 05 de Abril de 2019 - Gustavo Uribe e Angela Boldrini (Folha de SP), Leonardo Fernandes (Brasil de Fato)

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Na tentativa de fazer uma contraposição ao presidente Jair Bolsonaro, que deve atuar como um cabo eleitoral nas próximas disputas municipais, siglas de esquerda querem a formação de uma frente de oposição, em um ensaio para uma coalizão partidária em 2020.

Após terem se dividido na eleição presidencial, partidos como PT, PDT e PSOL tentam abandonar divergências programáticas e adotar uma postura pragmática no esforço de fazer frente ao governo.

Nas últimas semanas, dirigentes das legendas têm debatido uma linha única de atuação legislativa em oposição à reforma previdenciária. 

A estratégia é reproduzir para outras propostas governistas, criando condições para uma aliança eleitoral no ano que vem.

Para dirigentes dos partidos, a discussão ainda é prematura. Reconhecem, no entanto, que uma união na disputa municipal seria uma consequência natural caso a aliança legislativa seja exitosa e fortaleça o campo da oposição.

"Se a gente conseguir criar uma unidade programática, é uma consequência natural, no futuro, discutir alianças municipais", disse Carlos Lupi, presidente nacional do PDT de Ciro Gomes.

"O que está em jogo é o Brasil. Ou a gente tem juízo e estabelece prioridades ou seremos vencidos", acrescentou.

A avaliação feita por líderes das legendas, em caráter reservado, é de que não se pode desperdiçar a oportunidade de aproveitar as eleições municipais para tentar recuperar o protagonismo da esquerda e barrar o avanço da direita no país, sobretudo do PSL, partido do presidente.

A sigla, que, empatada com o PT, tem a maior bancada da Câmara, discute aproveitar o impulso eleitoral do ano passado para lançar candidatos em capitais como São Paulo, Rio de Janeiro, Curitiba e Belo Horizonte.

"É uma oportunidade de a oposição apresentar um projeto alternativo", disse o presidente nacional do PSOL, Juliano Medeiros. Segundo ele, é preciso respeitar a autonomia de cada partido, mas "colocar o interesse do povo brasileiro em primeiro lugar". 

A proposta de formar uma frente legislativa nasceu após PT, PSB e PSOL terem conseguido chegar a um consenso e formar um bloco único para a disputa à sucessão da Câmara dos Deputados.

Na discussão da reforma previdenciária, eles conseguiram atrair PDT e PC do B e fecharam questão contra a proposta.

No mês passado, integrantes dos cinco partidos se reuniram para esboçar uma estratégia de reação à mudança nas aposentadorias, que inclui a atração de apoios em siglas de centro e a criação de um "movimento cívico nacional" em oposição ao projeto.

"Antes de 2020, temos que pensar em derrotar o Bolsonaro agora, senão não terá 2020", afirmou o secretário de assuntos institucionais do PT, José Guimarães. "O esforço é de unir a oposição em torno de algumas bandeiras, como a luta pela democracia e os direitos do povo", acrescentou.

A possibilidade de formar uma frente eleitoral, no entanto, pode esbarrar em ambições partidárias das siglas, que já começaram a articular candidaturas próprias para a disputa do ano que vem. 

No Rio de Janeiro, por exemplo, o PSOL defende o lançamento do deputado federal Marcelo Freixo, que ficou em segundo lugar na disputa municipal de 2016.

O PDT, por sua vez, considera o nome da deputada estadual Martha Rocha, que sofreu ataque a tiros neste ano, e o PSB discute o do deputado federal Alessandro Molon.

Em São Paulo, o PT avalia os nomes dos ex-ministros Alexandre Padilha e Aloizio Mercadante, enquanto o PSB prega o do ex-governador Márcio França e o PDT discute o da deputada federal Tabata Amaral.

"Nós temos de estar juntos quando há risco de retirada de direitos e de precarização de trabalho. Eleição só se discute em ano de eleição", disse o presidente nacional do PSB, Carlos Siqueira.

Lindbergh Farias e Vanessa Grazziotin estreiam canal “À Esquerda” no YouTube

Os ex-senadores Lindbergh Farias (PT) e Vanessa Grazziotin (PCdoB) estrearam o canal “À Esquerda” no YouTube. Segundo Farias, esse será mais um instrumento de disputa de um espaço hegemonizado pelos setores da direita. 

"A gente decidiu lançar esse canal ‘À Esquerda’ porque infelizmente no YouTube há uma hegemonia muito grande da direita. E a gente acha importante ocupar esse espaço, que é um espaço de resistência a esse governo do Bolsonaro, é um espaço de quem defende a democracia, de quem defende a liberdade do Lula”. 

A programação vai contar com entrevistas de peso, como ex-candidato à Presidência da República pelo Partido dos Trabalhadores (PT), Fernando Haddad, e o membro da direção nacional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), João Pedro Stedile.


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