Semana On

Terça-Feira 22.out.2019

Ano VIII - Nº 368

Coluna

A gaiola das Tchutchucas

A política, no que ela tem de surreal: com o jornalista Victor Barone

Postado em 04 de Abril de 2019 - Victor Barone

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Apesar de afirmar que o desgaste do governo não interessa a ninguém, o governador da Bahia, Rui Costa (PT), se diz “perplexo” com o vazio de propostas de Bolsonaro. “A oposição, assim como os brasileiros em geral, está mais perplexa do que qualquer outra coisa. Ninguém esperava um desastre tão grande nos três primeiros meses como este. O que se espera de um governo novo é uma agenda. Agora, ao fim do terceiro mês, qual é a agenda do governo na saúde, educação, infraestrutura, ou para reformas estruturantes?”, questiona o petista em entrevista ao Estadão.

Casamento desgastado

“Apenas três meses de mandato e a união entre apoiadores de Bolsonaro e o próprio presidente balança. E seu reequilíbrio depende – muito – do desempenho da economia”, escreveu Cida Damasco. A colunista compara o governo a um casamento que já não vai bem. Ela aponta as expectativas de empresários e da população, ambos decepcionados com o trabalho do presidente Jair Bolsonaro em relação à reforma da Previdência e mercado de trabalho, respectivamente.

Clima de ‘suave fracasso’

As expectativas em torno do governo vão-se ajustando ao ceticismo de sempre: a nota mostra que se espera um “suave fracasso” para os próximos anos. É o que escreve Vinicius Mota em sua coluna na Folha. Para ele, a arquitetura política bloqueia impulsos autoritários que mesmo presidentes que fazem exortação a mecanismos de democracia direta podem ter. “Quem desconhece tal evolução surpreende-se com o contraste entre um presidente errático e adepto da ligação direta com o povo, de um lado, e autoridades de origem militar previsíveis e ciosas das vias institucionais, do outro.”

Desmanche institucional

Na avaliação da presidente nacional do PT, Gleisi Hoffmann, o Brasil está à beira de um “desmanche institucional”. Para ela, o presidente Jair Bolsonaro está “querendo se encher de poderes e tratando adversários como inimigos a serem abatidos”.

Não é mensalão

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso foi direto ao opinar sobre a desarticulação do governo e disse no Twitter que “presidente que não entende isso pode cair”. Para ele, o poder de persuasão de um presidente é fundamental para a aprovação de medidas no Congresso. “Vi queda de muitos presidentes. Queria falar com o governo que do jeito que as coisas vão, (o País) está à deriva. Será que ele escutou? Não sei. O Brasil vai precisar fazer alguma reforma e o governo precisa entender que negociar com o Congresso não é fazer o mensalão. Ou tem um projeto e chama aqueles que vão decidir para participar ou fica sozinho. Não pode olhar a representação parlamentar, fechar o nariz e dizer: essa gente não tem nível”, disse em entrevista ao Globo.

Cargos em troca de base

Depois de muitas críticas, o presidente Jair Bolsonaro se reuniu com dirigentes de 11 partidos na tentativa de criar a base do governo no Congresso. Após desenhar uma aliança apenas com frentes parlamentares, Bolsonaro enfrentou uma crise política atrás da outra. O presidente foi aconselhado a aceitar a distribuição de cargos, na volta da viagem a Israel, para aprovar a reforma da Previdência. O vice-presidente Hamilton Mourão disse que, se o convite do Planalto for aceito, cargos no governo serão oferecidos em contrapartida. Nos bastidores, porém, Bolsonaro já avisou que, mesmo cedendo, não existirá “porteira fechada” na Esplanada ou em qualquer repartição federal para nenhum partido. No jargão político, o termo significa que uma mesma sigla tem o direito de preencher todos os cargos de um ministério, estatal ou autarquia.

Abacaxi

O presidente Jair Bolsonaro disse que está no cargo de forma passageira e que o que o conforta é que não precisará ficar com esse “abacaxi” por muito tempo. “Com esse abacaxi, não, com essa quantidade de problemas nas costas. A gente vai tocando o barco”, corrigiu, segundo.

Navio à deriva

O presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Paulo Afonso Ferreira, comparou o Brasil a um “navio à deriva”. “Recentemente, muitos acompanharam o drama de um navio de passageiros à deriva na costa da Noruega. Permitam-me utilizar essa imagem para o “transatlântico Brasil”, citou. “É dever dos tripulantes, que são os Três Poderes da República, e dos passageiros – a população brasileira – trabalhar (…) para que o nosso navio faça os ajustes necessários e alcance o porto seguro”, completou.

Queda livre

O presidente Jair Bolsonaro enfrenta uma perda em sua taxa de aprovação, segundo indica pesquisa da XP Investimentos divulgada nesta sexta-feira, 5. Em janeiro e fevereiro ele era aprovado por 40% dos que responderam à pesquisa da XP. Depois, em março, caiu para 37%. Agora, está em 35%. Sobre a reprovação, o índice aumentou de 17% em fevereiro para 24% em março. Em abril, ela atingiu 26%. O número dos que consideram o governo regular, 32%, se manteve entre março e abril. Em todos os casos, a oscilação foi dentro da margem de erro, que é de 3,2%. Foram ouvidas mil pessoas entre os dias 1 e 3 de abril.

Imbecil do ano

Bolsonaro é eleito “imbecil do ano” pela mídia espanhola. A revista El Jueves não poupou o capitão eleito presidente no Brasil. A revista The Mongolia também. Na El Jueves (espanhol para “quinta-feira”), semanal satírica espanhola com sede em Barcelona, ele saiu numa lista de personalidades escolhidas “Los Gilipollas de 2018”. Gilipolla significa “imbecil”, “tonto”, “idiota”.

O que queremos como nação?

Crítico da gestão de Jair Bolsonaro na Presidência e de Ernesto Araújo no Itamaraty, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso questionou: “Quais são os nossos objetivos que não acabam amanhã? Que nós queremos como nação, em conjunto?”, disse ele durante palestra sobre a economia latino-americana na fundação que leva seu nome. Ao relembrar a defesa da Área de Livre Comércio das Américas (Alca), nos anos 2000, o tucano ressaltou que era chamado de “neoliberal” pela oposição. “Achavam que era imperialismo, não que era a globalização”, afirmou o tucano.

CHUMBO

No voo de retorno de Israel ao Brasil, a comitiva brasileira assistiu ao documentário “1964: O Brasil entre armas e livros”. O documentário produzido pela iniciativa Brasil Paralelo, apresenta uma visão pró-golpe militar de 1964. Segundo tuíte do assessor especial da Presidência, Filipe Martins, o documentário foi produzido “com marcada influência do Prof. Olavo de Carvalho e seus alunos”. O documentário foi publicado na terça-feira, 2, no YouTube e soma até o momento quase 1,5 milhão de visualizações.

Tirando a máscara

Após flexibilizar suas certezas quanto à gravidade do delito de caixa dois na comparação com o crime de corrupção, Moro tornou gelatinosas suas convicções sobre o significado de ternos como "ditadura" e "golpe militar". O ministro foi citado no miolo de uma ampla reportagem do New York Times sobre a decisão de Jair Bolsonaro de comemorar o golpe de 1964. O jornal anotou que, em 2017, o então juiz da Lava Jato chamara "a ditadura  militar" de "grande erro". Na semana passada, entretanto, o agora ministro "se recusou a dizer se os termos 'golpe' e 'ditadura' são historicamente precisos." Sob Bolsonaro, informa o NYT, Moro prefere afirmar: "O que realmente interessa é que nós recuperamos nossa democracia."

Por Josias de Souza

Deixem a democracia em paz

Marina Silva, que disputou a última eleição presidencial pela Rede, também condenou a celebração do golpe militar de 1964. “A ditadura militar não pode ser vista como mera divergência entre direita e esquerda, nem apagada, comemorada ou reescrita. Foi um atentado contra a democracia e isso é um fato, muito além de quaisquer interpretações. Enterrem a ditadura, deixem a democracia em paz”, disse Marina.

Parabéns para quem não curtiu

O líder da Rede no Senado, Randolfe Rodrigues (AP), cumprimentou os militares que decidiram não comemorar neste domingo os 55 anos do golpe militar de 1964. E criticou Jair Bolsonaro por ter incentivado essa celebração. “Parabenizo a ala militar que, cumpridora de seu dever para com a democracia, mesmo instigada irresponsavelmente pelo presidente da República, não se seduziu pela oportunidade de comemorar o golpe de 64”, escreveu Randolfe nas suas redes sociais.

Liberdade, liberdade

Filho do presidente Jair Bolsonaro, o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) não perdeu chance de bater bumbo a favor do golpe militar de 1964. Nas suas redes sociais, entre outras postagens, escreveu que “num dia como o de hoje, o Brasil foi liberto. Obrigado militares de 64! Duvida? Pergunte aos seus pais ou avós que viveram aquela época como foi”.

Inútil

Nem mesmo os próprios seguidores concordaram com a declaração do músico Roger Moreira. Em sua conta no Twitter, o líder da banda “Ultraje a Rigor” resolveu comentar o lançamento do livro “Infância Roubada”, que aborda casos de crianças presas, torturadas e exiladas durante a ditadura no Brasil. Roger justificou a prática. “A culpa é dos pais dessas crianças. Foram presos por conspirarem contra o Brasil. Pensaram nas crianças ao se envolverem?”, afirmou Roger. O livro, recém-lançado pela Comissão da Verdade do Estado de São Paulo Rubens Paiva, traz o relato de 40 pessoas, hoje com idades entre 40 e 60 anos, e que foram presas, torturadas ou perseguidas pelo regime militar.

De minha lavra

O vídeo apócrifo de apoio à ditadura militar divulgado pelo Palácio do Planalto no dia 31 de março foi financiado pelo empresário Osmar Stábile. Ele negou que tenha qualquer relação com a Presidência. “Eu nem conheço o Bolsonaro. Apoiei (o Bolsonaro) durante a eleição, evidentemente, mas era uma pessoa mandando vídeos para amigos”, disse. Ele afirma que a maior parte dos vídeos são feitos por ele mesmo ou com a ajuda de amigos. “O custo é insignificante. Não foi nada planejado (ser divulgado pelo governo), fiquei até surpreso”, completou. No dia 1º, o vice-presidente, Hamilton Mourão, afirmou que a divulgação do vídeo foi “decisão do presidente” Jair Bolsonaro. “Foi divulgado pelo Planalto, é decisão dele (do presidente)”. Ao ser questionado sobre o fato de que a comunicação do Palácio não informou quem seria responsável pelo conteúdo e envio da mensagem, Mourão desconversou. “Então… Eu nem vi esse vídeo”, respondeu.

OLAVETES X MILICOS

O escritor Olavo de Carvalho resolveu dobrar a aposta e voltou a atacar os generais do governo de Jair Bolsonaro (PSL), depois de apelos das alas militar e civil do Planalto por pacificação. O seu principal alvo é o ministro general Santos Cruz (Secretaria de Governo), que disse ser preciso restabelecer o diálogo entre Executivo e Legislativo e reinterpretar a suposta disputa entre as chamadas nova e velha política. Cruz afirmou, ainda, que “nunca se interessou pelas ideias desse senhor Olavo de Carvalho”. E que, “com linguajar chulo, o desequilíbrio fica evidente”. “O general Santos Cruz ofende de maneira brutal o nosso presidente: insinua que ele não tem maturidade para escolher sensatamente seus amigos e precisar portanto de um tutor, o próprio Santos Cruz”, disse o escritor nas redes sociais. “O truque do Santos Cruz é camuflar sua mediocridade invejosa sob trejeitos de isentismo e acusar de ‘extremista’ quem o supera intelectualmente.”

Não presta

Em uma sequência de mais de 10 mensagens postadas no Twitter o escritor Olavo de Carvalho atacou violentamente o ministro general Carlos Alberto dos Santos Cruz, da Secretaria de Governo. Olavo afirmou que o militar “simplesmente não presta” e que, “ao tratar o nosso presidente como se fosse um jovem desmiolado que não sabe escolher suas amizades, o Santos Cruz ofendeu brutalmente não somente a ele, mas a todos os brasileiros que depositaram nele a sua confiança”. “Esse Santos Cruz jamais terá a coragem de discutir comigo de cara a cara. Vai tramar por trás alguma vingancinha ou refugiar-se num silêncio fingidamente superior”, escreveu o guru bolsonarista no Twitter. “Não venha agora choramingar que foi ofendido, Santos Cruz. Foi você que começou isto, sem a menor provocação, dois dias depois de eu o haver elogiado. O escritor se refere ao comentário feito em entrevista por Santos chamando-o de “desequilibrado”. “Sem mim, Santos Cruz, você estaria, como disse o Karim Sebti, levando cusparadas na porta do Clube Militar e baixando a cabeça, como tantos de seus colegas de farda”, escreveu Olavo em uma das postagens.

Mobilizados

É na tensão com a classe política que Olavo de Carvalho e o seu grupo no governo, a ala ideológica, apostam para manter o eleitorado de Bolsonaro mobilizado a seu favor. O canal direto com a população pregado por Olavo e discípulos preocupa o Congresso, que vê nos gestos uma tentação autoritária do presidente Jair Bolsonaro (PSL). “Sábio, no Brasil, só o povão. De gerente de posto de gasolina para cima, só tem palpiteiro bobão”, afirmou nesta segunda o polemista nas redes sociais. “O mal do Brasil é a elite mais inculta e presunçosa do universo”, disse o escritor.

Minha obra

Disse Olavo de Carvalho nas redes sociais que a volta dos militares ao poder é uma consequência de sua obra, que ele considera filosófica. Ele acusa os militares de terem se subordinado aos civis e à esquerda depois da ditadura, já tendo se referido aos generais como “bando de cagões”, entre outras ofensas. “Santos Cruz: sem a minha obra de três décadas, da qual você nada sabe, você jamais teria chagado ao posto que agora ocupa. O presidente Bolsonaro é um homem grato. Você é apenas um monstro de auto-adoração e empáfia”, atacou. “Sem mim, Santos Cruz, você estaria, como disse o Karim Sebti, levando cusparadas na porta do Clube Militar e baixando a cabeça, como tantos de seus colegas de farda”, insistiu.

Fracos

No aniversário de 55 anos do golpe militar de 1964, dia 31 passado, Olavo de Carvalho relativizou o papel do Exército e criticou “a fraqueza servil dos generais ante o avanço do movimento comunista que eles mesmos, até hoje, se gabam falsamente de haver exterminado.” “As Forças Armadas jamais libertaram o país do comunismo. Libertaram-no, isto sim, das lideranças civis que o haviam libertado do comunismo”, disse Olavo. “Se é verdade que ‘pelos frutos os conhecereis’, a força invencível da esquerda ao fim do regime militar já diz tudo.”

Disputa

Por trás dos virulentos ataques de Olavo de Carvalho ao general Carlos Alberto Santos Cruz, titular da Secretaria de Governo, se desenrola uma intensa disputa pelo destino da verba de publicidade do governo. O também general Floriano Amorim caiu da Secom dizendo que a economia feita na publicidade incomodou muita gente. A ala mais ideológica do governo, que segue os desígnios de Olavo de Carvalho, pressiona pela rápida nomeação de Fábio Wajngarten, que acompanhou o presidente na viagem a Israel. Esse grupo quer uma campanha publicitária mais vigorosa para a divulgação da reforma da Previdência e para tentar conter a queda de avaliação de Bolsonaro nos grandes centros, mas esbarra na resistência de Santos Cruz em liberar gastos.

DORIA X OLAVO

O guru do presidente Jair Bolsonaro (PSL), Olavo de Carvalho, criticou o governador de São Paulo João Doria (PSDB), que afirmou que não considera importantes as opiniões do escritor. Ao ser questionado sobre os ataques de Olavo ao vice-presidente Hamilton Mourão, Doria afirmou que não acha importantes as manifestações do guru a respeito do Brasil porque "ele nem sequer vive aqui [e sim nos EUA]". Olavo foi às redes sociais para responder ao tucano. "Não vou brigar com o Doria", afirmou.  "Só lhe recomendo estudar História para deixar de ser caipira e tomar conhecimento do grande número de patriotas brasileiros que viveram no exterior, a começar pelo próprio fundador do país, José Bonifácio de Andrada e Silva, e pelo chefe da campanha abolicionista, Joaquim Nabuco", acrescentou o escritor.

ERRAR DUAS VEZES É O QUE?

Depois de visitar o Centro de Memória do Holocausto, em Jerusalém, o presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, disse concordar com o chanceler Ernesto Araújo em relação à avaliação de que o nazismo foi um movimento de esquerda. “Não há dúvida”, resumiu a jornalistas quando questionado sobre o assunto em sua última agenda oficial durante a viagem que teve início no domingo. E continuou: “Partido Socialista…, como é que é? Partido Nacional-Socialista da Alemanha”, pontuou. No próprio museu, a definição é que o nazismo foi um movimento de extrema direita. Da mesma forma afirmam 9,9 entre cada dez historiadores, além dos próprios alemães. Em entrevista à Deustche Welle no ano passado, o embaixador da Alemanha no Brasil, Georg Witschel, chegou a afirmar que essa discussão “não tinha base honesta”.

Polemizando

O governo e alguns de seus principais integrantes têm abusado da inteligência alheia.  No caso específico do ministro de Relações Exteriores, Ernesto Araujo, o vexame é a defesa da ideia estapafúrdia de que o nazismo foi um movimento de esquerda. Não é coincidência. Sempre que um assunto complica a vida do governo, como o anúncio do IBGE, de alguns dias atrás, de que existem 13,1 milhões de desempregados no País ou quando esbarra nas dificuldades de articulação política no Congresso, o governo tem recorrido ao expediente de tirar um desses coelhos da cartola para tentar trocar de assunto. Se a estratégia serve para desviar o foco momentaneamente, não funciona, no entanto, para resolver os problemas. Os milhões de desempregados, por exemplo, ainda estarão em busca de uma vaga e as dificuldades com os parlamentares também seguirão existindo. A tática tem alcance curto. Se serve para agitar os militantes, não serve para fazer os problemas desaparecerem como num passe de mágica.

Vaza

Ivo Herzog, filho do jornalista Vladimir Herzog, assassinado pela ditadura militar, enviou uma manifestação ao chanceler Ernesto Araújo pedindo que renuncie “imediatamente ao cargo” de ministro das Relações Exteriores do Brasil. “A família do meu pai veio para o Brasil fugindo dos nazistas. Os que lá ficaram foram brutalmente assassinados. O meu pai foi brutalmente assassinado por aqueles que te deram o emprego que o senhor tem. Meu pai sempre foi de esquerda. O senhor entendeu ou precisa desenhar?” A carta, que lembra ainda que os nazistas foram derrotados pela comunista URSS, foi uma reação à afirmação de Araújo de que o nazismo foi um fenômeno de esquerda.

Mourão: ‘De esquerda é o comunismo’

Enquanto o presidente da República Jair Bolsonaro diz não ter dúvida de que o nazismo é uma ideologia de esquerda, o presidente em exercício, Hamilton Mourão, afirmou que o que é “de esquerda” é o comunismo. “De esquerda é o comunismo. Não resta a menor dúvida”, disse ao ser questionado por jornalistas, em Brasília, se o nazismo é de direita ou de esquerda. “Quer dizer, acho que se a gente for olhar… Sou crítico contumaz dessa questão de direita e esquerda, acho que são ambas visões totalitárias de controle total da população, de desrespeito aos direitos humanos, que não se coadunam com o espírito que a gente busca para a humanidade”, completou.

A (falta de) diplomacia dos Bolsonaro

O senador Flávio Bolsonaro apagou tuíte em que bradava “Quero que vocês se explodam!!!!” diante de protestos do Hamas à visita do pai a Israel. A manifestação exclamativa tinha gerado protestos da bancada ruralista, uma vez que países árabes são mercado consumidor de proteína animal brasileira. Ao deixar Israel um dia antes do previsto, Bolsonaro disse que respeita os palestinos e não quer “encrenca”. As palavras do pai explicam por que o filho apagou o tuíte.  Além da questão de mercado do agronegócio, existe um temor entre os militares do governo de que manifestações abertas de hostilidade a um grupo terrorista como o Hamas coloque o Brasil na mira do terrorismo. Essa preocupação não é nova: já foi manifestada pelos militares quando se colocaram contra a ideia de mudança de embaixada de Tel Aviv para Jerusalém. Militares e ruralistas não são nem comunistas, nem esquerdistas, nem islamistas, mas têm posições pragmáticas e realistas sobre como se dá o intrincado jogo diplomático no xadrez internacional. Já Bolsonaro e os filhos operam nesse tabuleiro como quem joga damas: só veem esferas brancas e pretas. Dá nisso. Mais uma viagem em que a ideologia pura e simples domina a pauta.

Diplomacia ideológica

Em artigo no Globo, a colunista Míriam Leitão afirma que o governo de Jair Bolsonaro não tem uma política externa formulada. Para sobreviver às recentes viagens ao exterior, Bolsonaro precisa improvisar. “O ministro das Relações Exteriores se comporta como se estivesse numa cruzada mística na luta entre o bem e o mal”, escreveu. Míriam afirma ter feito críticas semelhantes às decisões de política externa tomadas durante o governo do ex-presidente Lula.

Itamaraty sem doutrina diplomática

Em artigo na Folha, o colunista Matias Spektor escreve que no Itamaraty, o presidente Jair Bolsonaro abriu mão de construir um consenso tecnocrático e dele se valer, assim como fizeram FHC e Lula. Em vez disso, o grupo que está no poder operou, desde o início, para impedir que a máquina impusesse limites às ideias revisionistas prometidas na campanha”, escreveu. “Sem doutrina diplomática para chamar de sua, o governo continuará na mesma toada, destruindo a capacidade do Itamaraty de conter, retardar ou atrapalhar a agenda revisionista, sem capacidade de colocar uma alternativa no lugar”

SUMIU

Sérgio Moro esteve na maior feira de defesa e segurança da América Latina, a Laad, que reúne fabricantes e fornecedores de armas para as Forças Armadas, Forças Especiais e de segurança privada. O general Mourão fez o discurso de abertura. O governador do Rio, Wilson Witzel, e o prefeito da cidade Marcelo Crivella também estavam lá. E uma arma que estava em exposição foi furtada, ali na cara de todos. 

BEABÁ

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou nota, após o presidente Jair Bolsonaro duvidar dos critérios de aferição do desemprego no País. A instituição afirma que a metodologia adotada segue recomendações da Organização Internacional do Trabalho. Também explica quem são as “pessoas desocupadas” (13,1 milhões): “aquelas que não têm emprego e estão em busca de uma ocupação”. Sobre os beneficiários do Bolsa Família, o IBGE destaca que eles “podem encontrar-se em diferentes condições, em relação ao mercado de trabalho: desempregados, trabalhando apenas para consumo próprio, fora da força de trabalho e outros, ainda, desalentados”. A nota conclui que o “IBGE mantém um diálogo permanente com os diversos segmentos da sociedade brasileira na busca de um aprimoramento de suas pesquisas. O Instituto está aberto a sugestões e se coloca à disposição do governo e dos cidadãos para esclarecimentos a respeito do seu trabalho”.

Seria um recorde? 

Na entrevista à Record em que criticou a metodologia do IBGE para calcular o desemprego, Jair Bolsonaro falou três informações erradas em menos de um minuto. Ironicamente, foi no dia 1º de abril.  

SAÍDA PELOS FUNDOS

A ministra da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, Damares Alves, saiu pelos fundos de um restaurante, usando um elevador de serviço, para evitar um grupo de anistiados políticos perseguidos pela ditadura militar (1964-1985) que protestava contra mudanças e decisões tomadas pela ministra sobre a Comissão de Anistia. Instalada no final do governo FHC, em 2002, a comissão tem por objetivo reconhecer e reparar os danos causados pela ditadura. Desde janeiro último, quando assumiu o cargo, Damares tomou diversas medidas que, para os anistiados, indicam o objetivo de desmontar a comissão. Ela mudou a composição do conselho, inserindo militares ou ex-militares, indeferiu em bloco 265 processos, anunciou uma suposta auditoria e insinuou, sem apresentar provas, que houve danos aos cofres da União. Atualmente há cerca de 12,6 mil processos aguardando uma definição na comissão. Desde que foi criada, há 18 anos, a comissão analisou 66,3 mil casos, dos quais deferiu 39,3 mil e indeferiu 23,5 mil.

TCHUTCHUCA

Um tumulto na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara obrigou o deputado Felipe Francischini (PSL-PR), presidente do colegiado, a encerrar a audiência que ouvia o ministro da Economia, Paulo Guedes, a falar sobre a reforma da Previdência. O clima esquentou quando o Zeca Dirceu (PT-PR) dirigiu uma crítica ao ministro. Segundo o petista, Paulo Guedes é "tigrão" contra os idosos, "portadores de necessidades", agricultores e professores, mas é uma "tchutchuca" (sic) "quando mexe com a turma mais privilegiada do nosso país". Diante do insulto, Paulo Guedes reagiu: "Olha, desrespeito não. Eu não vim aqui pra ser desrespeitado não. Você não falte com respeito comigo não. Tchutchuca é a mãe, é a avó!", disparou.

Cobrança

Depois de chamar o ministro da Economia, Paulo Guedes, de “tchuchuca” durante audiência na CCJ, o deputado Zeca Dirceu (PT-PR) justificou. “O que fiz foi questionar e cobrar uma posição do ministro, que não aguentou a verdade que coloquei na comissão, ele não fala de reforma tributária, bancária, de sonegadores e quer começar pela Previdência com os mais pobres. Isso eu não aceito, nem tolero”.

FELICIANO: ‘O QUE HOUVE COM O PSL, PRESIDENTE?’

O vice-líder do governo no Congresso, deputado Marco Feliciano (PSC-SP), ficou decepcionado com a atuação de parlamentares do PSL durante a audiência com o ministro da Economia, Paulo Guedes, na CCJ da Câmara. Depois de assistir ao vídeo da sabatina do ministro, Feliciano questionou o presidente Jair Bolsonaro sobre “o que houve com o PSL?”. Para o deputado, mesmo com o partido comandando a comissão, os parlamentares da sigla “não conseguiram se articular para colocar seus deputados no início das falas e não houve um acordo de procedimento para intercalar oposição e situação”, escreveu no Twitter. Feliciano disse que a performance no PSL foi de “amadorismo” e que “o despreparo dos que se dizem bolsonaristas desde criancinha, deixou a desejar”. O deputado, no entanto, elogiou a postura do ministro Paulo Guedes. “Mostrou não apenas ser um gênio da economia mas também um gladiador”, disse. Feliciano terminou a sequência de mensagens dizendo que “é preciso treinar a tropa de choque na CCJ”.

PESQUISA PRA QUE?

Entidades de fomento a pesquisa estão preocupadas com o futuro. Isso porque o governo anunciou na semana passada um novo corte no já reduzido orçamento do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC). O novo corte ameaça o pagamento de bolsas de estudo de pesquisadores. o cenário de crise foi acelerado, com um decreto estabelecendo o contingenciamento de 42,2% das verbas previstas para a pasta em 2019. Com o corte, algumas das principais entidades científicas do País, que estimam que com a redução das verbas destinadas ao CNPq, principal órgão de fomento da pesquisa brasileira, só será possível cobrir auxílios a alunos e pesquisadores até julho. Para o resto do ano, não há verba. “Este corte prejudica a formação de pesquisadores que poderiam contribuir para áreas críticas ao progresso do País, como o desenvolvimento de remédios que permitam enfrentar epidemias ou tecnologias para aumentar a segurança de barragens”, avaliou Luiz Davidovich, presidente da Academia Brasileira de Ciências (ABC) ao Globo.

MORO NO TWITTER

Não se põe em questão se o twitter é dele ou não... o que preocupa é o ministro (e ex-juiz) Sergio Moro imaginar que um calendário marcado é prova do que quer que seja... Imagine as provas que este senhor se baseia para fazer juízo de valor alheio.

Coisa do Bolsonaro

O ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro, afirmou que a criação de um perfil pessoal no Twitter para informar ações da pasta foi incentivada pelo presidente Jair Bolsonaro. Ao lado do presidente em vídeo ao vivo nas redes sociais, brincou: "se der errado, a culpa é dele [Bolsonaro]". Segundo Moro, a ideia ao criar o perfil é de se "comunicar de uma maneira mais moderna, nas redes sociais". O ministro afirmou que usará a plataforma principalmente para divulgar políticas públicas, e menos posições pessoais.

UM PORCARIA

Quem acompanhou o presidente do PSD, Gilberto Kassab, contou a aliados que Bolsonaro abriu a audiência com um pedido de desculpas por declarações do passado. Ele chamou o ex-ministro de Michel Temer de “porcaria”. Kassab aceitou.

CABO DE GUERRA

Em artigo na Folha, Bruno Boghossian aponta que o novo adiamento da discussão sobre a prisão de condenados em segunda instância é centro de um cabo de guerra no STF. O processo, desde o ano passado, carrega na primeira página uma grande fotografia do ex-presidente Lula. “Alguns integrantes (do STF) consideram a vacilação um mau sinal. Creem que o tribunal corre risco de ficar acuado diante da pressão popular e política. Para a ala que se denomina garantista, evitar um embate com o retrato de Lula como pano de fundo foi a única maneira de preservar fôlego”, escreveu o colunista.

TARA POR POLÍCIA

O ministro da Justiça, Sergio Moro, empossou no Ministério da Justiça um conselheiro que, em entrevistas à imprensa, associou a homossexualidade a “desvio de conduta” e afirmou que, para a mulher, é o máximo “estar dando para um policial”. As declarações foram dadas pelo delegado federal aposentado e ex-diretor do Sistema Penitenciário Federal Wilson Salles Damázio, que assumiu na semana passada vaga no Conselho Nacional de Política Criminal e Penitenciária (CNPCP).  O cargo de conselheiro é o mesmo oferecido em fevereiro à especialista em segurança pública Ilona Szabó de Carvalho. Moro revogou a nomeação dela por pressão de Bolsonaro e uma onda de críticas de apoiadores do presidente.

Em entrevista concedida ao Jornal do Commercio em 2013, quando era secretário de Defesa Social de Pernambuco, Damázio foi perguntado sobre casos de exploração sexual de meninas por policiais. Ele relatou um episódio de abuso, supostamente cometido por agentes da polícia local, e concluiu: “Desvio de conduta a gente tem em todo lugar. Tem na casa da gente, tem um irmão que é homossexual, tem outro que é ladrão, entendeu?”  O então secretário disse que, em seu entendimento, “homossexualidade não quer dizer bandidagem”. “Mas foge ao padrão de comportamento da família brasileira tradicional. Então, em todo lugar tem alguma coisa errada, e a polícia, né? A linha em que a polícia anda, ela é muito tênue, não é?” Na ocasião, Damázio também foi questionado sobre a possibilidade de instalar câmeras em viaturas, uma vez que policiais as usariam para praticar sexo. Ele explicou que haveria problemas com “associações” e opinou que as mulheres, às vezes, “se acham” porque estão com policial. “O policial exerce um fascínio no dito sexo frágil. Eu não sei por que é que mulher gosta tanto de farda”, declarou. 

Para Damázio, segundo a entrevista publicada pelo Jornal do Commercio, “todo policial militar mais antigo tem duas famílias, tem uma amante, duas”. Ele falou sobre o suposto magnetismo exercido pela categoria em mulheres. 

“É um negócio. Eu sou policial federal, feio pra c. A gente ia pra Floresta (Sertão), para esses lugares. Quando chegávamos lá, colocávamos o colete, as meninas ficavam tudo sassaricadas. Às vezes tinham namorado, às vezes eram mulheres casadas. Pra ela é o máximo estar dando pra um policial. Dentro da viatura, então, o fetiche vai lá em cima, é coisa de doido.”

TEM MINHA SENHA?

O presidente Jair Bolsonaro disse que não é apenas ele quem tem a senha e publica em sua conta oficial nas redes sociais. Bolsonaro não contou quem também opera as suas páginas, mas disse que confia e respalda todo conteúdo compartilhado. "No meu Twitter, é responsabilidade minha. Quem tem minha senha tem minha confiança. Não sou eu que posto (algumas vezes), mas dou o aval", disse Bolsonaro, em um café da manhã com jornalistas no Palácio do Planalto.

XIXI NA CAMA...

O presidente Jair Bolsonaro afirmou que já deu muitas declarações polêmicas em 28 anos de carreira política e que não tem como se arrepender delas. "Não posso [me arrepender]. Vou me arrepender que fiz xixi aos cinco anos na cama? Saiu, pô", disse, em um café da manhã com jornalistas no Palácio do Planalto.


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