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Quinta-Feira 25.abr.2019

Ano VII - Nº 347

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Brasileiros são presos na Itália por esquema ilegal de cidadania

Megaoperação da polícia italiana detém sete cidadãos do Brasil acusados de fraudar obtenção de passaporte europeu. Grupo cobrava 7 mil euros por cidadania. Mais de 800 brasileiros terão documentos italianos anulados

Postado em 27 de Março de 2019 - DW

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A polícia da Itália prendeu no último dia 26 ao menos sete brasileiros e um padre suspeitos de atuar em um esquema ilegal de concessão da cidadania italiana. As detenções ocorrem no âmbito da megaoperação Super Santos, que investigou as fraudes por mais de um ano.

As apurações apontam que mais de 800 cidadanias e 200 passaportes foram emitidos pelo grupo, que atuava na província de Verbano Cusio Ossola, no norte da Itália. Segundo as autoridades, esses 800 brasileiros terão seus documentos italianos anulados.

"As agências de negócios, administradas ilegalmente pelos brasileiros detidos, haviam se transformado em verdadeiras agências de turismo", disse a polícia italiana em nota.

Ao cobrar 7 mil euros (cerca de 30 mil reais) em dinheiro vivo pela cidadania, o grupo teria lucrado mais de 5 milhões de euros (22 milhões de reais) com as fraudes.

"Eles conseguiram obter quase mil cidadanias italianas falsas, com um volume de 5 milhões de euros. Oitocentos brasileiros investigados, sete prisões. São os números do enorme negócio ilegal descoberto pela operação Super Santos", disse o ministro do Interior italiano, Matteo Salvini. "É preciso respeito e controle."

A operação teve início depois de a prefeitura de Macugnaga ter desconfiado do alto número de brasileiros registrando residência na cidade. Por meses, envolveu interceptações telefônicas e operações em aeroportos e nos imóveis onde os brasileiros ficavam hospedados.

As investigações mostraram que o grupo falsificava certidões e outros documentos a fim de criar relações de parentesco com imigrantes italianos que nunca existiram. Com esses documentos, eles solicitavam a cidadania italiana a brasileiros.

Segundo as autoridades, os criminosos administravam cerca de 60 residências em cidades como Novara e Verbania, onde os brasileiros eram alojados a fim de forjar uma residência fixa na Itália e, com isso, poderem iniciar o processo de obtenção de cidadania.

Além dos sete brasileiros envolvidos no esquema, a polícia prendeu um padre da diocese de Pádua que teria vendido uma certidão de batismo falsa para confirmar a ascendência italiana de um dos brasileiros que comprou o pacote.

Os detidos devem responder pelos crimes de falsidade ideológica e corrupção. Procurado pelo jornal O Globo, o Ministério das Relações Exteriores do Brasil disse que ainda busca informações sobre as prisões de brasileiros na Itália.

A lei italiana é clara sobre o direito de descendentes serem reconhecidos como cidadãos italianos. A cidadania jure sanguinis (por descendência) é transmitida a partir do ascendente italiano aos filhos sem interrupção e sem limite de gerações.

Como as filas para dar entrada no processo administrativo nos consulados no Brasil chegam a mais de uma década de espera, milhares de brasileiros se valem de um dispositivo legal que permite a descendentes de italianos terem o pedido de cidadania reconhecido caso tenham residência registrada num município italiano.

Essa simples condição, no entanto, tem fomentado diversos esquemas de corrupção. Há pouco mais de um ano, outro caso de concessão ilegal de cidadanias a brasileiros chamou a atenção para estratégias usadas por clientes e assessores para acelerar os trâmites e tornar mais fácil a obtenção do passaporte europeu.

Em fevereiro de 2018, as autoridades italianas cancelaram a cidadania de 1.118 brasileiros com processos envolvidos num esquema de fraude na cidade de Ospedaletto Lodigiano. Agentes públicos recebiam propina para comprovar a residência de brasileiros na pequena cidade de 1.500 habitantes, mas alguns nunca chegaram a pisar na Itália.


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