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Segunda-Feira 17.jun.2019

Ano VII - Nº 355

Viver bem

Consumo de ovos deve ser moderado para evitar doenças cardíacas

Estudo revela como o alimento e o colesterol alto podem fazer mal a longo prazo

Postado em 26 de Março de 2019 - Galileu

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Péssima notícia para quem ama um ovo mexido no café da manhã: um novo estudo da Universidade de Northwestern de Evanston, nos Estados Unidos, indicou que o consumo elevado de ovos aumenta o risco de doenças cardiovasculares e de morte. “A mensagem para levar para casa é que o colesterol é alto em ovos e especialmente na gema”, conta a coautora do estudo, Norrina Allen, professora ligada à Feinberg School of Medicine, em comunicado.

De acordo com os pesquisadores, um ovo grande tem 186 miligramas de colesterol dietético. Outros produtos, como carne vermelha ou processada e laticínios com alto grau de gordura – tais como manteiga e chantilly, por exemplo – também têm níveis altos de colesterol, segundo Victor Wenze Zhong, especialista em medicina preventina, que conduziu o estudo. 

Até 2015, a recomendação era consumir menos de 300 miligramas de colesterol dietético por dia. Porém, para se ter uma ideia, o adulto médio residente dos Estados Unidos consome média de 300 miligramas por dia de colesterol e come aproximadamente três ou quatro ovos por semana.

Alguns estudos omitiram o limite estipulado e chegaram até mesmo a defender o consumo semanal de ovo como parte de uma dieta saudável. Outros ainda afirmaram que que não havia risco de problemas cardiovasculares atrelados ao consumo do alimento. Mas, segundo Norrina Allen, os estudos precedentes tinham amostras muito reduzidas em diversidade, pouco tempo de acompanhamento e habilidade pequena em incluir outras partes da dieta. 

“Nosso estudo mostrou que se duas pessoas têm exatamente a mesma dieta e a única diferença entre as dietas são os ovos, então seria possível medir os efeitos do seu consumo em relação a doenças cardíacas”, argumenta Allen.

Dados de dieta

Para o novo estudo, os pesquisadores analisaram os dados de seis grupos dos Estados Unidos, totalizando mais de 29,6 mil pessoas. As dietas de todos foram acompanhadas em um período médio de 17 anos e meio através de questionários. Durante o tempo estudado, houve 5,4 mil incidências de eventos cardiovasculares e 6,1 mil mortes por outras causas. 

Os resultados mostraram ainda que consumir 300 miligramas de coleterol por dia aumenta em 3,2% os riscos de se ter uma doença do coração e há ainda um risco 4,4% maior em se ter uma morte prematura. A metade de um ovo, consumida adicionalmente, foi atrelada ao aumento de 1,1% em problemas cardíacos e 1,9% em risco de morte. 

Uma dieta de qualidade e a quantidade de gordura na dieta não mudaram o cenário, de modo que a associação entre colesterol dietético, doenças cardiovasculares e morte manteve-se a mesma. 

Devo parar?

Com base na pesquisa, as pessoas devem comer menos alimentos ricos em colesterol, tais como ovos e carne vermelha. “Como parte da dieta, as pessoas devem consumir quantidades menores de colesterol. Quem consome menos colesterol tem menores riscos de doenças do coração”, aponta Allen.

Isso não significa que deve-se banir completamente o ovo: segundo Victor Wenze Zhong, o alimento, assim como a carne vermelha, é rico em nutrientes importantes e aminoácidos essenciais. Uma opção boa é comer a clara — em vez do ovo todo — ou consumir ovos inteiros com moderação.


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