Semana On

Quarta-Feira 26.jun.2019

Ano VII - Nº 356

Campo Grande

Governo e Prefeitura entregam mais uma etapa de moradias no loteamento Bom Retiro

Famílias que viviam em barracos podem dormir tranquilas em casas de alvenaria construídas com as próprias mãos

Postado em 20 de Março de 2019 - Redação Semana On

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A vida está melhor para Rosangela de Jesus, de 42 anos. Ela trabalhava no lixão e morava em um barraco, mas nesta terça-feira (19.3) recebeu as chaves da casa de alvenaria, que ela mesmo ajudou a construir, no conjunto Bom Retiro (antiga Cidade de Deus).

“Estou muito feliz! Vivi muitos anos dentro do barraco. Quando chovia alagava tudo, perdia tudo. É uma tristeza. Agora, vou dormir tranquila, graças a Deus. Quatro anos vivendo em um barraco. É difícil, passei dificuldade”, contou.

Ela fez curso de pedreiro azulejista. A capacitação foi oferecida pela Fundação Social do Trabalho (Funsat), da Prefeitura. Já os materiais de construção foram subsidiados pelo Governo de Mato Grosso do Sul.

Ao lado do prefeito de Campo Grande, Marquinhos Trad, o governador Reinaldo Azambuja participou da visita que marcou a conclusão de mais 24 casas e destacou a parceria para garantir moradia, dignidade e profissionalização.

“É um projeto inovador, que você qualifica mão de obra, faz uma parceria em que o Estado repassa recursos financeiros para compra do material, dá uma oportunidade de formação profissional e o mutuário constrói a sua própria casa. É um projeto que todo mundo ganha. É um exemplo a ser seguido”, disse Reinaldo Azambuja.

O Governo do Estado subsidiou a compra dos materiais de construção no valor de R$ 4,9 milhões para a edificação das 136 unidades e mais 192 unidades que serão distribuídas nos bairros Jardim Canguru, José Teruel e Vespasiano Martins. Trinta e nove residências já foram edificadas – 15 delas concluídas na primeira etapa, em novembro de 2018.

O projeto está sendo executado em parceria com a Prefeitura da Capital para abrigar famílias que viviam em situação de vulnerabilidade, em barracos. Os moradores edificaram suas próprias casas com piso, reboco e forro. Eles estão inscritos no Programa de Inclusão Profissional (Proinc), recebendo bolsa-auxílio de R$ 954,00, cesta básica, almoço e vale-transporte, e não terão que pagar mensalidade. Metade da mão de obra é de mulheres.

As novas habitações têm dois quartos, sala, cozinha, banheiro e área de serviço, em 46,07 m² de área construída. “Eram pessoas que simplesmente não tinham onde morar e não tinham nenhum tipo de trabalho. Nós fornecemos cursos. Hoje tem homens e mulheres que hoje são especialistas em azulejo, em pedreiro, em servente, em marcenaria, serralheria, pintura, em todas as etapas até a colocação das telhas”, afirmou Marquinhos Trad.

O Projeto

Reconhecido nacionalmente como projeto inovador pela ODS Brasil (Objetivos de Desenvolvimento Sustentável) da Agenda 2030, promovida pela Organização das Nações Unidas (ONU), o Ação Casa Pronta já consta no recém-criado banco de práticas inspiradoras em todo o território nacional.

Diariamente, 140 moradores da antiga comunidade Cidade de Deus passam, desde meados de 2018, por capacitação especializada no segmento da construção civil para construírem suas casas em regime de mutirão.

Mãe de dois filhos, Valéria Pereira Beltrão também fez o curso de pedreira e azulejista. “Estudei por dois anos. Gostei bastante. Aprendi muita coisa aqui e graças a isso consegui construir minha casa. Não sei nem descrever a sensação. Agora eu e meus filhos vamos ter a nossa casa”, afirmou.

Para o prefeito Marquinhos Trad, a grande importância do projeto está em dar moradia às pessoas, ao mesmo tempo, que oportuniza uma profissão. “Pessoas que estavam sem uma casa, que estavam em uma favela, em um aglomerado de lonas, hoje, através do próprio esforço delas, através de orientação, de capacitação, construíram suas casas e estão todos qualificadas, prontas para o mercado de trabalho”, disse.

Além das casas do Bom Retiro, os ex-moradores da favela Cidade de Deus estão readequando as próprias moradias no reassentamento do Jardim Canguru, Vespasiano Martins e José Teruel.

A Agência Municipal de Habitação (EMHA) e Fundação Social do Trabalho de Campo Grande (Funsat), órgãos vinculados à Prefeitura da Capital, lideram a força-tarefa com o objetivo de conduzir as obras, além de ensinar aos moradores, novas habilidades para o mercado de trabalho. Como se trata de um canteiro-escola, os participantes do Programa de Inclusão Profissional (Proinc) aprendem as rotinas de trabalho, bem como as técnicas necessárias para a construção das unidades habitacionais, respeitando todos os protocolos de segurança do trabalho.

Bom Retiro

Primeira das quatro áreas a receber o programa Ação Casa Pronta, o Bom Retiro caminha para a finalização das 136 unidades habitacionais previstas.

Para o diretor-presidente da EMHA, Enéas Netto, a parceria com Funsat e Governo do Estado propiciaram um atendimento mais humanizado, diante das circunstâncias pelas quais as famílias da antiga Cidade de Deus se encontravam antes do início do projeto.

“A imprensa e a sociedade acompanharam todo o desgaste e a desesperança vivida por essa comunidade antes do início dessa ação que chegou não só para entregar casas, mas para transformar vidas”, ressaltou.

Cleiton Franco, diretor-presidente da Funsat, reiterou que o evento corrobora todos os esforços do Executivo Municipal em entregar moradias dignas, com qualificação profissional para o desenvolvimento da cidade.

“É com grande alegria que a Fundação Social do Trabalho participa da entrega dessas 24 unidades habitacionais. O trabalho que a Funsat vem realizando em parceria com a EMHA em educar, ensinar, passar conhecimentos aos moradores, que hoje constroem suas próprias casas, é de grande valia. Este é um sonho que está se realizando”, considerou.

As obras não têm data para finalização, já que o andamento é conforme a aprendizagem dos participantes, observando ainda, as condições climáticas necessárias para a continuidade dos trabalhos. Diferentemente de uma empreitada tocada por empresa de construção civil, o projeto visa dar dignidade aos participantes com moradias adequadas, além de estimular a geração de emprego e renda após o recebimento das unidades habitacionais.


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