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Domingo 15.dez.2019

Ano VIII - Nº 375

Coluna

Um novo olhar sobre Cuba

A premiada antropóloga e multiartista Mariette Allen lança livro com etnografia sobre o universo trans em Cuba

Postado em 02 de Agosto de 2014 - Guilherme Cavalcante

Fotos e depoimentos de pessoas trans compõem TransCuba, uma etnografia documentada que ajuda a descontruir a compreensão essencialista das identidades de gênero. Fotos e depoimentos de pessoas trans compõem TransCuba, uma etnografia documentada que ajuda a descontruir a compreensão essencialista das identidades de gênero. Foto: Divulgação
Fotos e depoimentos de pessoas trans compõem TransCuba, uma etnografia documentada que ajuda a descontruir a compreensão essencialista das identidades de gênero. Fotos e depoimentos de pessoas trans compõem TransCuba, uma etnografia documentada que ajuda a descontruir a compreensão essencialista das identidades de gênero. Fotos e depoimentos de pessoas trans compõem TransCuba, uma etnografia documentada que ajuda a descontruir a compreensão essencialista das identidades de gênero. Fotos e depoimentos de pessoas trans compõem TransCuba, uma etnografia documentada que ajuda a desconstruir a compreensão essencialista das identidades de gênero. Fotos e depoimentos de pessoas trans compõem TransCuba, uma etnografia documentada que ajuda a desconstruir a compreensão essencialista das identidades de gênero. Fotos e depoimentos de pessoas trans compõem TransCuba, uma etnografia documentada que ajuda a desconstruir a compreensão essencialista das identidades de gênero. Fotos e depoimentos de pessoas trans compõem TransCuba, uma etnografia documentada que ajuda a desconstruir a compreensão essencialista das identidades de gênero. Fotos e depoimentos de pessoas trans compõem TransCuba, uma etnografia documentada que ajuda a desconstruir a compreensão essencialista das identidades de gênero.

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Uma das questões que mais me inquietam é sobre como a comunidade LGBT está organizada em Cuba, um país que vive sob uma ditadura socialista que, em relação à direitos fundamentais, é considerada controversa, já que a liberdade de expressão é comprometida em diversos aspectos. Vale lembrar que pôr a sexualidade em prática - concebê-la enquanto performance - é um genuíno exercício de liberdade de expressão.

Esta dúvida vem ser dirimida pelo excelente trabalho da multiartista nova-iorquina Mariette Pathy Allen, que promove verdadeiras etnografias do universo trans mundo a fora, desde 1978. Foi neste contexto que Allen lançou o livro TransCuba (Daylight Books, 2014, Hardback), que retrata a diversidade transgênera na ilha.

Com prefácio escrito por Mariela Castro Espín, filha de Raúl Castro, TransCuba conta com 80 fotografias em cores e depoimentos de pessoas trans que confrontam o senso comum no tocante às relações de gênero. Adepta das teorias culturalistas, onde o gênero se esquiva dos essencialismos cultural e biológico, Mariette adota o conceito da construção social, a mais aceita na atualidade, conforme se percebe em entrevista concedida a seu mentor, Harold Feinstein:

Vejo transexuais cubanas como uma metáfora para a própria Cuba: Pessoas que vivem entre os sexos em um país que se desloca entre doutrinas.

“Nos últimos 35 anos, tenho estado envolvida com a comunidade trans, como fotógrafa, escritora, advogada, aliada e amiga. Meu foco continua sendo o mesmo de quando comecei - as variantes de gênero, apenas no processo de viver as suas vidas. As pessoas que estão em não-conformidade de gênero fazem perguntas visivelmente profundas: Qual é a relação entre o corpo e a mente? O que significa ‘homem’ ou ‘mulher’? Finalmente, o que é a essência de um ser humano?”

Parece-me que as mudanças que estão sendo feitas pelo governo cubano são mais óbvias quando olhamos para as pessoas que, pela sua natureza, precisam fazer a transição de seu sexo de nascimento. Vejo transexuais cubanas como uma metáfora para a própria Cuba: Pessoas que vivem entre os sexos em um país que se desloca entre doutrinas.

Um parcela de crédito para fazer suas vidas mais fáceis, pertence a filha de Raul Castro, a sexóloga Mariela Castro Espín. Ela está fazendo sua própria revolução através da criação de campanhas de combate à discriminação, trabalhando para melhorar o tratamento jurídico, psicológico e médico, incluindo a cirurgia de mudança de sexo, e fomentar ligações mais estreitas entre as minorias sexuais em Havana e em todo o país.

Embora todas as mulheres que conheci são altamente individuais, todos elas pareciam querer a mesma coisa romanticamente: um namorado adolescente, bonito, a quem se referiam como seus ‘maridos’. Por outro lado, se a mulher transexual era muito jovem, ela queria um homem muito mais velho. Eu quase não encontrei ninguém que quisesse se envolver com alguém da mesma idade, e nunca conheci ninguém que se sentia atraído por mulheres ou outras mulheres transexuais.

Quando perguntei a elas porque queriam homens jovens, a maioria disse: ‘Eles são tão bonitos!’ Para mim, esta tradição romântica é mais uma variação ao longo da identidade de gênero e orientação sexual contínuos e eu amo a indefinição do sexo e estereótipos de gênero.”

Autora dos premiados “Transformações: Crossdressers e aqueles que os amam" e “A Fronteira do Gênero”, Mariette tem feito uma enorme contribuição com suas etnografias desta camada ainda tão marginalizada da população. A aquisição de suas obras é relativamente fácil, estando as três disponíveis à venda em sites como Amazon ou na página oficial da artista.

 

Uma Flor de Dama

Campo Grande vai ter a oportunidade única de contemplar um dos espetáculos mais intrigantes do universo LGBT brasileiro. Uma Flor de Dama, monólogo adaptado pelo ator Silvero Pereira a partir da obra de Caio Fernando Abreu finalmente pousará em Campo Grande no próximo dia 11, às 20h, no teatro SESC Horto, com entrada gratuita. O espetáculo que já assisti, é simplesmente imperdível.

Uma Flor de Dama é um espetáculo multipremiado Brasil a fora, que nos proporciona uma necessária fuga da zona de conforto e nos põe em contato com a realidade dura e marginalizada de uma travesti. A peça resultado de uma longa pesquisa do universo trans e é produto de um dos coletivos de arte e pesquisa mais bacanas de que tenho notícia - Coletivo Artístico As Travestidas, que explora todo o universo da arte e suas manifestações para romper os paradigmas que empurram o universo trans para baixo do tapete.

Serviço - Uma Flor de Dama, espetáculo de Silvero Pereira, baseado no conto de Caio Fernando Abreu. Dia 11 de agosto de 2014, no teatro SESC Horto, às 20h. Entrada gratuita.
 

Vizcaya Boogie Disco Club Vol. 0

No clima disco que começa nesta segunda-feira, com a estreia da telenovela Boogie Oogie (TV Globo, 18h), o projeto musical Las Bibas From Vizcaya se antecipa e lança uma maravilhosa mixtape para você sair escutando na rua, na chuva e na fazenda os hits que embalaram a juventude dos anos 70. São 90 minutos com o que tem de melhor da disco music. “Revirei minhas coletaneas do PARADISE GARAGE e saiu um set luxuoso”, disse o DJ e produtor George Mendez, fundador do projeto.

Detalhe: a arte da mixtape foi feita em cima da capa de um dos vinis de disco mais famosos do Brasil, o Papagaio Dico Club, coletânea produzida pela boate homônima que inspirou a novela Dancy’n Days. Ah, Las Bibas disseram que semana que vem outra mixtape “disco” também será lançada. “A segunda mixtape será mais conceitual. Será composta por hits que foram hits, mas que vai exigir mais das bunitas”, disse o DJ. Bem, preparem o app Shazam ou Soundhound de vocês para não fazerem feio no dancefloor. Se joga o play!


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