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Sexta-Feira 15.nov.2019

Ano VIII - Nº 371

Poder

Olavistas prevalecem no MEC e Vélez anuncia 2ª mudança em cargo número 2 em três dias

Iolene Lima está na pasta desde janeiro e religião pesou para sua escolha

Postado em 15 de Março de 2019 - Redação Semana On

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O ministro da Educação, Ricardo Vélez Rodriguez, confirmou a escolha de Iolene Lima para a Secretaria-Executiva do MEC, cargo considerado o número dois na organização da pasta. Ela já estava no MEC e é ligada aos evangélicos. É o segundo nome anunciado para o cargo em três dias. 

O ministro desistiu de promover o adjunto da secretaria, Rubens Barreto, após críticas a seu nome vindas do grupo ligado ao escritor Olavo de Carvalho.

Iolene chegou ao MEC em janeiro para ocupar uma das diretorias da Secretaria de Educação Básica. Apontada como uma evangélica moderada, ela já foi uma das dirigentes da Associação de Escolas Cristãs de Educação por Princípios, uma ONG que apoia escolas confessionais.

O fato de ser evangélica deu força para a escolha de Iolene. Na quarta-feira (13), ela viajou com o ministro para Suzano, região metropolitana de São Paulo, para acompanhar os desdobramentos do ataque na escola Raul Brasil.

O anúncio ocorre em meio a uma crise envolvendo a troca de cargos e choques entre grupos de influência no MEC e no governo. Pessoas ligadas a Olavo de Carvalho fomentaram uma campanha associando mudanças no quadro de servidores a uma perseguição a discípulos do escritor.

Após a confirmação da saída do secretário-executivo Luiz Antonio Tozi na segunda (11), a pedido do presidente Jair Bolsonaro (PSL), o ministro anunciou nesta semana que o assessor de Tozi, Rubens Barreto, assumiria o posto.

Assim como Tozi, Barreto também é oriundo do Centro Paula Souza, de São Paulo.Barreto tornou-se, então, alvo de ataques por parte de olavistas. O próprio Barreto não almejava liderar a secretaria. 

A secretaria executiva do MEC é considerada o motor da pasta. Por lá passam todas as decisões importantes do ministério. A exoneração de Luiz Tozi foi publicada nesta quinta-feira no Diário Oficial.

As mudanças na pasta, iniciadas no dia 8, tinham o objetivo de dar mais agilidade técnica à pasta, que enfrenta um cenário de paralisia de ações importante e a má repercussão de iniciativas ideológicas. O afastamento de pessoas ligadas a Olavo de Carvalho desencadeou a crise.

Apesar da questão religiosa ter pesado para a escolha de Iolene, a bancada evangélica afirma não ter responsabilidade pela indicação. O deputado Sóstenes Cavalcante (DEM) afirmou nas redes sociais que ela não é indicação da bancada.

"Como um membro da Frente Evangélica posso afirmar que em nenhum momento a FPE deliberou indicação de cargos para o MEC, menos ainda a Sra. Iolene Maria de Lima, que a maioria de nós nem sabemos quem é. Não coloquem na conta. Entendo que a FPE não nasceu para indicar cargos", disse o parlamentar no Twitter.

Entenda a crise no MEC

Vélez tem sofrido com disputas internas dentro de seu ministério. Desde o último dia 8, servidores ligados ao escritor Olavo de Carvalho e à ala dos militares foram exonerados.

Em meio à crise, houve expectativa de que o próprio Vélez pudesse ser demitido e substituído por outro nome indicado por Olavo de Carvalho, "guru" intelectual de Bolsonaro.

Na terça, no entanto, Bolsonaro afirmou que Vélez continuava no cargo e que os problemas no MEC estavam resolvidos. Em evento em Brasília, o presidente disse que houve um "probleminha com o primeiro-homem" de Vélez --sem explicitar quem seria este "primeiro-homem".

Nos últimos dias, Vélez havia deixado os seguidores de Olavo de Carvalho de lado e passado a se aconselhar com seus ex-alunos e com Tozi, que foi diretor do Centro Paula Souza, administrador das Fatecs (Faculdades de Tecnologia), em São Paulo.

O grupo de Tozi defendia o foco do MEC em políticas educacionais de evidência comprovada e o abandono do discurso ideológico. Já o grupo indicado por Olavo acusa o grupo de Tozi de ser “tucano” e de não seguir as ideias do presidente Jair Bolsonaro.

CRONOLOGIA DA CRISE NO MEC

8.mar.19 - sexta-feira

Mudanças 

Ministério da Educação inicia alterações na equipe para tentar destravar projetos na pasta e mitigar repercussão negativa de iniciativas como a carta exigindo que estudantes fossem gravados cantando o Hino Nacional. No mesmo dia, o escritor Olavo de Carvalho pede, pelo Twitter, que seus ex-alunos deixem o governo.

Repercussão 

A demissão de ex-alunos de Olavo de Carvalho, como o chefe de gabinete Tiago Tondinelli, provoca reações da seguidores do escritor. Nas redes sociais, o agora assessor do MEC Silvio Grimaldo escreve que "o expurgo de alunos do Olavo de Carvalho do MEC é a maior traição dentro do governo Bolsonaro que se viu até agora".

10.mar.19 – domingo

Reação

Ministro atende exigência do presidente Jair Bolsonaro (PSL) e demite um de seus assessores mais próximos, coronel Ricardo Roquetti. Os nomes de Roquetti e do secretário executivo Luiz Antonio Tozi haviam surgido no fim de semana como responsáveis pela suposto expurgo de alunos de Olavo

11.mar.19 - segunda-feira

Exonerações

Vélez é recebido por Bolsonaro no Palácio do Planalto. Após a reunião, outras exonerações são publicadas em edição extra do Diário Oficial da União

Viagem

A crise fez com que o ministro cancelasse viagem que faria, a partir de terça-feira, a três países, incluindo Israel

12.mar.19 - terça-feira

Segunda reunião

Enfraquecido, o ministro encontra-se mais uma vez com o presidente. Bolsonaro confirma a permanência de Vélez, que anuncia a demissão de Luiz Antonio Tozi pelo Twitter. Na mensagem, indica Rubens Barreto, adjunto de Tozi, para o cargo. 

13.mar.19 - quarta-feira

Mais pressão

A ligação entre Tozi e Barreto, ambos oriundos do Centro Paula Souza, é usada como munição para novos ataques. Ministro vai a Suzano (SP) para acompanhar caso de tiroteio na escola Raul Brasil

14.mar.19 - quinta-feira

Novo nome

Vélez cede a pressão mais uma vez e anuncia, também pelo Twitter, o nome de Ioelene Lima para a secretaria executiva. Evangélica considerada moderada, Iolene já estava no MEC desde janeiro, na secretaria de Educação Básica

Repercussão

O deputado Sóstenes Cavalcante (DEM) afirma nas redes sociais que Ioelene não é indicação da bancada evangélica. "Como um membro da Frente Evangélica posso afirmar que em nenhum momento a FPE deliberou indicação de cargos para o MEC, menos ainda a Sra. Iolene Maria de Lima, que a maioria de nós nem sabemos quem é. Não coloquem na conta! Entendo que a FPE não nasceu para indicar cargos", disse no Twitter.


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