Semana On

Domingo 21.jul.2019

Ano VII - Nº 356

Coluna

O império da mitomania

A política, no que ela tem de surreal: com o jornalista Victor Barone

Postado em 14 de Março de 2019 - Victor Barone

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Desde a sua posse, em 1º de janeiro de 2019, o presidente Jair Bolsonaro deu 149 declarações passíveis de checagem, das quais 82 eram completamente falsas ou apresentavam algum grau de erro. Isso significa que, a cada 10 declarações do presidente durante as primeiras dez semanas do seu mandato, quase 6 eram falsas ou distorcidas. Também significa que Bolsonaro disse, em média, uma informação equivocada por dia desde que se tornou presidente.

A contabilidade é feita diariamente pela equipe do site Aos Fatos, que mapeia redes sociais e meios de comunicação e, desde o último dia 11, publica regularmente balanços sobre a veracidade das declarações do presidente da República, cujo acumulado estará reunido nesta base de dados.

A organização deste agregador de declarações parte de uma ideia concebida originalmente pelo Fact Checker, a tradicional coluna de checagem do jornal americano Washington Post. Tal como lá fiscalizam Donald Trump, os jornalistas do Aos Fatos têm acompanhado sistematicamente as declarações do presidente Jair Bolsonaro partindo da premissa de que checá-las isoladamente, uma vez que são muitas, é contraproducente. Por isso, reuniu em uma única base de dados tudo o que Bolsonaro diz, com checagem e contexto.

As declarações falsas mais frequentes estão na seara da economia: o presidente cometeu erros e propagou falsidades ao menos 15 vezes a respeito de temas que vão desde a construção de rodovias, passando pelo subsídio à produção de leite até resvalar em gasto público com educação. Desde que tomou posse, Bolsonaro proferiu seis declarações totalmente falsas e outras nove imprecisas ou contraditórias sobre o tema.

Também são frequentes declarações falsas ou distorcidas sobre ideologia — ou aquilo que o presidente classifica como "viés ideológico" ou mesmo "formação de mentes escravas das ideias de dominação socialista". Declarações do tipo já foram feitas ao menos 11 vezes. Como já mostrado por Aos Fatos, o discurso de Bolsonaro sobre socialismo resgata uma dicotomia entre capitalismo versus socialismo muito comum na Guerra Fria, mas que foi perdendo sentido após o fim da União Soviética e com a abertura de economias socialistas como a da China. Por exemplo, o último relatório do Banco Mundial que usa o conceito de socialismo para classificar economias é de 1987. Além disso, na Constituição Federal, o artigo 170 estabelece que a ordem econômica do Brasil tem como princípios a propriedade privada e a livre concorrência, duas características essenciais de regimes capitalistas. Outra característica de regimes socialistas que existiram na história, o unipartidarismo, também não está previsto em nossa Constituição, que consagra o multipartidarismo.

Outras afirmações incorretas recorrentes dizem respeito à constituição de sua equipe de governo. Segundo o presidente, a escolha de seus ministros e de seu secretariado não passou por indicações políticas. Ele disse ao menos quatro vezes ter conseguido "montar um governo sem conchavos ou acertos políticos", o que se mostrou falso: no governo Bolsonaro, um exemplo recente é a nomeação de apadrinhado político no DNIT (Departamento Nacional de Infraestrutura e Transportes), assim como a manutenção de indicações políticas de governos anteriores, inclusive de indicados por políticos réus ou presos em caso de corrupção.

A toada de falsidades do presidente ainda é irregular, mas é possível perceber que ele erra mais quanto maior o espaço dado para suas declarações. Foram 35 declarações falsas ou distorcidas dados em entrevistas, 23 em discursos, 11 em tweets oficiais e oito em lives do Facebook.

É possível ver em detalhes quais são as declarações mais repetidas por Bolsonaro, além de filtrá-las por tema e mídia no especial Todas as declarações de Bolsonaro, checadas. À medida que a equipe de Aos Fatos for checando novas afirmações do presidente, a base de dados será atualizada automaticamente.

Fica difícil

"Quando alguém em um cargo tão relevante como o de presidente, que deveria ser um exemplo a ser seguido, compartilha fake news, fica mais difícil a educação midiática e digital", opina o professor de Direito da Universidade Presbiteriana Mackenzie Diogo Rais, que coordena pesquisas sobre como a desinformação influencia o debate eleitoral no Brasil, em entrevista ao site DW.

Mais recente

O presidente Jair Bolsonaro voltou a provocar celeuma no Twitter ao usar sua conta oficial para atacar a repórter Constança Rezende, do Estadão, com base na publicação distorcida de uma conversa dela com um site francês. Bolsonaro usou veiculação feita pelo site Terça Livre, que, no título, atribuiu à repórter uma declaração que ela não faz no áudio disponibilizado pelo site francês –a de que teria a intenção de “arruinar” Flávio Bolsonaro com a série de reportagens sobre o relatório do Coaf a respeito das movimentações financeiras de Fabrício Queiroz. Na gravação, Constança fala sobre as denúncias do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) sobre a movimentação atípica de R$ 1,2 milhão nas contas de Fabricio Queiroz, ex-assessor de Flávio Bolsonaro. Na conversa, em inglês, a repórter avalia que “o caso pode comprometer” e “está arruinando Bolsonaro”. Em nenhum momento declara que seria sua intenção arruinar o governo. A postagem de Bolsonaro incluiu ataques à imprensa em geral e ao pai da repórter, o também jornalista Chico Otávio, de O Globo, que cobre a ação das milícias no Rio de Janeiro. A autora do fake é Fernanda Salles, assessora de imprensa e responsável pelas mídias digitais de Bruno Engler (PSL-MG) —terceiro deputado mais votado para a Assembleia mineira em 2018.

Felipe Neto

O blogueiro Felipe Neto foi mais um a afirmar, através de sua conta no Twitter, que o presidente Jair Bolsonaro distorceu as palavras da jornalista do Estadão Constança Rezende. De acordo com o blogueiro, “a jornalista afirmou que ‘estou só nesse caso, que pode arruinar’” para, logo a seguir, retificar: “O bolóide com diarreia mental divulgou q ela disse ‘só estou trabalhando para arruinar’”.

Até o Amoedo

Crítico do “péssimo começo” do governo Bolsonaro, o ex-presidenciável João Amoêdo, presidente do Novo, também reagiu ao ataque do presidente da República a repórter do Estadão. “O tweet do presidente Bolsonaro sobre a jornalista do Estadão tenta deixar de lado o que importa: o esclarecimento dele e do senador Flávio sobre o caso Queiroz”, escreveu.

Marina também

Marina Silva usou sua conta no Twitter para criticar duramente Jair Bolsonaro por ter divulgado acusações falsas contra a jornalista Constança Rezende, do Estadão. Para a ex-senadora, o comportamento do presidente tem servido para “atiçar uma onda de ódio e difamações”. “A postura tóxica e irresponsável do presidente Jair Bolsonaro, ao atiçar uma onda de ódio e difamações, contra uma jornalista e a imprensa, com base em factoides, é muito grave e preocupante. Isso destrói reputações, divide belicosamente o País e mostra desapreço pela democracia”, disse Marina.

Mais fakes

Depois de publicar um texto que atribuiu à repórter do Constança Rezende uma declaração que ela não fez, o site bolsonarista Terça Livre voltou a atacar a jornalista utilizando-se de conteúdo falso. Desta vez, Allan Santos, colunista responsável pelo site, exibiu em um vídeo postagem de Twitter e a atribuiu a Constança. O perfil exibido, porém, não é da repórter. Em vídeo transmitido ao vivo pelo Facebook, Allan Santos exibiu a imagem de uma postagem de Twitter do perfil @constacarezen, que não pertence à repórter do Estadão. “Vamos ver de quem nós estamos falando”, disse Santos, cerca de sete minutos depois do início da transmissão. “Estamos falando dessa jornalista aqui, jornalista que disse que o Brasil virou uma ditadura, que com a morte da Marielle (Franco) isso ficou bem claro.” O perfil, que trazia uma foto de Constança, já foi eliminado do Twitter, por desrespeitar as regras de utilização da plataforma.

Métodos conhecidos de ataque à imprensa

“Há várias formas de ameaçar a liberdade de imprensa. O governo Bolsonaro tenta um novo tipo, que é expor na rede os jornalistas como forma de tolher, ameaçar, intimidar pessoas que estão no exercício da profissão”, escreveu Míriam Leitão no Globo. A colunista, que já foi vítima de ataques bolsonaristas, destaca que o presidente não gosta dos jornais e jornalistas que não lhe seguem cegamente. Nos ataques, ele tem métodos já conhecidos: ameaças, xingamentos, uso de pedaços de verdade para construir uma grande mentira, intimidação, exposição do rosto do repórter com o aviso de que aquela pessoa é o alvo da vez. No Twitter, o presidente acha que pode tudo. Mas não pode.

1 ataque à mídia a cada 3 dias

O presidente Jair Bolsonaro desfere um ataque à imprensa a cada três dias em sua conta no Twitter desde que foi empossado. Foram 29 publicações com críticas, ironias ou ataques à mídia desde janeiro. Entidades como a OAB, a ANJ e a Abraji condenaram os sistemáticos arroubos de Bolsonaro contra a imprensa e jornalistas desde o último fim de semana.

MARIELLE

Um dia depois de afirmar que a polícia civil ofereceu “uma resposta importante” à sociedade na “elucidação de um crime bárbaro” como a execução da vereadora Marielle Fanco e seu motorista Anderson Gomes, o governador Wilson Witzel afastou do caso o delegado Giniton Lages. Ou seja: a “resposta” era cenográfica e a “elucidação” era ficcional. Diz o jornalista Josias de Souza.

Crime de ódio

O delegado Giniton Lages sugeriu que Ronie Lessa, suspeito pelo assassinato (e matador de aluguel, como já se apurou) poderia ter agido por conta própria, num verdadeiro “crime de ódio”, porque “você percebe ódio, percebe um comportamento de alguém capaz de resolver uma diferença da forma como foi no caso Marielle”. Segundo ele, a identificação dos mandantes está em aberto para uma segunda fase do inquérito. 

Cara de pau

O governador Wilson Witzel afirmou que o crime foi elucidado, mesmo sem que se conheçam os motivos e os mandantes. “É uma resposta importante que nós estamos dando para a sociedade: a elucidação de um crime bárbaro cometido contra uma parlamentar, uma mulher, no exercício de sua atividade democrática. Teve sua vida ceifada de forma inaceitável”. Durante a campanha eleitoral, ele animou uma pequena multidão no interior do estado ao lado dos então candidatos a vereador e deputado estadual que quebraram e exibiram a famosa placa em homenagem à Marielle, enquanto prometiam “varrer” militantes de esquerda. Segundo Witzel, os acusados pelo crime vão ser convidados a fazer delação premiada. 

Sem noção

Em coletiva de imprensa, o presidente Jair Bolsonaro tergiversou sobre as ações de seus vizinhos: “Também tô interessado em saber quem mandou me matar”.

Homenageado

Mais um caso de suspeitos de crimes sendo homenageado na Alerj. Desta vez é o policial militar reformado Ronnie Lessa, suspeito de ter disparado os tiros que mataram a vereadora Marielle Franco e o motorista Anderson Gomes. Ele foi homenageado na Alerj há mais de 20 anos. A justificativa para a condecoração foi a maneira como Lessa “vem pautando sua vida profissional como policial militar do 9 Batalhão de Polícia Militar (BPM)”, indica o texto protocolado na época, segundo o G1. Lessa recebeu uma moção de congratulações, aplausos e de louvor no final do ano de 1998.O autor da condecoração é o deputado Pedro Fernandes Filho, já falecido, que era avô de Pedro Fernandes Neto (PDT), outro ex-parlamentar estadual que atualmente é secretário de educação do governador Wilson Witzel (PSC).

Obstrução

Após a prisão dos dois suspeitos da morte de Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes, o ministro da Justiça e Segurança Pública, Sérgio Moro, avisou que a PF continuará contribuindo para impedir as tentativas de obstrução das investigações relacionadas ao caso. “A PF tem contribuído e continuará contribuindo com todos os meios necessários para as investigações do crime e das tentativas de obstruí-las”, disse.

Cachorrada

No dia que a morte da vereadora Marielle Franco completou um ano, a bancada do PSOL fez homenagens a ela na Câmara. Uma faixa com a frase "Quem matou Marielle?" foi exposta no Salão Verde, principal rota de acesso ao plenário da Casa. Deputados da legenda e de outros partidos de esquerda, assessores e entusiastas da causa também vestiam camisetas com o mesmo dizer. Algumas dezenas de pessoas fizeram discursos, cobraram que consideram ainda a serem dadas pelas investigações e gritaram palavras de ordem: "Marielle vive". A poucos metros, um grupo menor fez um outro protesto, contra a violência animal, usando caixas de som que emitiam latidos. Entre os participantes estava o deputado Daniel Silveira (PSL-RJ), que rasgou a placa com o nome de Marielle.

CAPITÃO DO MATO

O vereador Fernando Holiday (DEM-SP) voltará a processar Ciro Gomes (PDT-CE), e pelo mesmo motivo que já levou o ex-presidenciável a ser condenado pelo Tribunal de Justiça de São Paulo a lhe pagar R$ 38 mil de indenização por danos morais: chamá-lo de capitão do mato. Em junho de 2018, Ciro se referiu a Holiday como "capitãozinho do mato" em entrevista à rádio Jovem Pan, o que gerou o processo contra ele (ele pode recorrer da sentença). A expressão foi usada mais uma vez, agora sem o diminutivo, em entrevista no dia 25 de fevereiro à rádio cearense Tribuna BandNews FM.

A apresentadora repassa ao ex-governador do Ceará a pergunta de um ouvinte, que quis saber se ele não considerava racismo definir um negro como capitão do mato. "Claro que não", responde o pedetista. Em seguida, justifica: "Esse garoto em São Paulo é negro e assumiu o mandato falando em negritude". E de cara propôs acabar com as cotas raciais e com o Dia da Consciência Negra, afirma. "É um negro traidor da negritude. E quem era o negro traidor da negritude na história brasileira? Esse é o problema, eu sei ler, fiz o primário bem feito", continua Ciro, antes de responder à própria pergunta: "O escravo submetido à humilhação do patrão que aderia a essa humilhação e se prestava ao serviço de matar escravos, açoitar escravos." Para o ex-governador, seria a "perfeita metáfora" para "o senhor não sei das quantas aí, não quero nem mais dizer o nome".

QUE ELEGÂNCIA

Olavo de Carvalho, que provocou a queda de seis servidores do Ministério da Educação (MEC, após críticas nas redes sociais voltou à web para negar que pretende 'derrubar' o ministro Ricardo Vélez Rodríguez, titular da pasta. O colombiano foi uma indicação do próprio filósofo, que é conhecido como o maior guru ideológico do bolsonarismo. "Não quero derrubar ministro nenhum. Apenas apresentei pessoas, sem a menor pretensão de influenciá-las (sei que isto é inimaginável para o pessoal da mídia, para quem influenciar é orgasmo). O ministério é do Velez. Que o enfie no c*", escreveu Olavo de Carvalho. Fãs e críticos do filósofo especulam que ele pretende assumir a pasta após uma possível queda do atual ministro.

Olavo manda, Vélez obedece e demite mais um

Um dia depois do “guru” Olavo de Carvalho dizer que Luiz Antonio Tozi, secretário executivo do MEC, deveria ser demitido, o ministro Ricardo Vélez Rodrigues obedeceu fielmente ao ideólogo. Em seu Twitter, Vélez informou que exonerou Tozi e agradeceu aos serviços prestados por ele no Ministério. Para o lugar dele, o ministro indicou Rubens Barreto da Silva, que segundo o Estadão é próximo de Tozi por ter trabalhado com ele no Centro Paula Souza. Silva tinha acabado de ser indicado para o cargo de Secretário Executivo Adjunto.

Moedor de reputações não poupa nem militares

A máquina de moer reputações montada nas redes sociais pelo braço mais ideologizado do governo, que tem como uma das forças motrizes os seguidores de Olavo de Carvalho, não poupa nem os militares, outro grupo influente no governo. O coronel Ricardo Roquetti, ex-assessor do ministro Vélez Rodríguez (Educação) identificado pelos olavistas como o responsável por recomendar o expurgo dos alunos do ideólogo de cargos relevantes do MEC, foi submetido ao linchamento virtual dos seguidores do “bruxo da Virgínia. Detalhe: o próprio Roquetti é, além de militar, ex-aluno de Olavo e evangélico ligado à igreja da primeira-dama, Michelle Bolsonaro. Se tornou o assessor mais próximo de Vélez Rodríguez – que tentou interceder por ele, mas não foi ouvido por Bolsonaro. Entre as acusações levantadas pelos olavistas nas redes sociais, o coronel da Aeronáutica foi acusado até de ter ligações com o Foro de São Paulo. A fonte da informação distorcida foi reportagem do próprio site do Ministério da Defesa que mostrava que, em 2014, o então coronel da Aeronáutica fez parte de um comitê técnico para a construção de aeronaves para a Unasul.

À procura de inimigos imaginários

Em sua coluna no Estadão, Eliane Cantanhêde escreveu sobre a necessidade de uma ala do governo, ligada ao ideólogo Olavo de Carvalho, de escolher inimigos imaginários a todo momento para manter influência no governo de Jair Bolsonaro e atiçar as tropas virtuais. Lembra episódios recentes de confusões provocadas por “olavettes” no Ministério da Educação e no Itamaraty, duas pastas estratégicas. “O mais incrível, porém, é como essa besteirada consome a energia e o tempo do presidente da República, tendo de arbitrar ora em favor de Olavo de Carvalho e seus seguidores, que vivem criando tumultos desnecessários e falsas crises, ora em favor de Mourão e os ministros militares, que não criam confusão e ainda têm de consertar o tempo todo as confusões geradas pelos “olavetes” e pelo próprio Bolsonaro”, escreve.

Quatro anos muito doidos

Eduardo Bolsonaro, um dos filhos do presidente Jair Bolsonaro mais ligados a Olavo de Carvalho, saiu em defesa do “guru” após a confusão no MEC gerada pelos tuítes disparados da Virgínia. Para Eduardo, Olavo está “no papel dele de crítico”. “A outra opção que ele tem seria ficar quieto e olhar coisas que ele não concorda acontecendo. Certamente, ele, como brasileiro, não vai fazer isso. Gente, serão quatro anos assim. Eu não vejo como crise, vejo como saudável”, disse, reconhecendo que a palavra do ideólogo tem “um peso diferenciado por conta da história”.

LULA

Aliados do ex-presidente Lula voltaram a ter esperança de que ele possa ser transferido para a prisão domiciliar. A expectativa é a de que o STJ reveja parte da pena imposta no processo do tríplex do Guarujá (SP), o que abriria brecha para mudança do regime imposto ao petista. A Quinta Turma do STJ deve julgar ainda neste mês o recurso do ex-presidente. Ministros da corte relatam que colegas do Supremo passaram a criticá-los por adotarem posição “de chancela automática” dos atos de Curitiba. A tese é a de que, se eles não fazem uma análise fundamentalmente técnica, a revisão sobra só para o STF.

MIMIMI

No dia Internacional da Mulher, comemorado no último dia 8, o presidente Jair Bolsonaro não deu grandes declarações a respeito do tema, limitando-se em boa parte a dizer que seu ministério, formado por 20 homens e 2 mulheres, é equilibrado - cada uma das duas ministras vale "por dez homens", afirmou. Mas em 2017, ainda como deputado, causou polêmica ao defender o fim do "mimimi" do feminicídio (vídeo abaixo). O Brasil é o quinto país do mundo que mais mata mulheres de formas violenta, aponta a Organização das Nações Unidas (ONU). Nesse mesmo discurso de ontem, porém, o capitão não mencionou nada sobre violência.

MAIS UMA EXILADA

A filósofa Márcia Tiburi, que em 2018 se lançou às águas turvas da política nacional com a candidatura ao governo do Rio de Janeiro, decidiu sair do país após sofrer ameaças. Com a obrigatoriedade de andar com seguranças em eventos, e uma enorme força-tarefa para contra-atacar mentiras na internet, além de ter a vida pessoal virada do avesso, a escritora afirma que se viu forçada a mudar-se do Brasil. Ela está vivendo em algum lugar do nordeste dos EUA desde dezembro, onde foi convidada para uma residência literária (ela prefere não revelar o local por razões de segurança). Márcia, que é autora de mais de vinte livros de filosofia e ficção, acaba de lançar “Delírio do poder”. Na nova obra, ela trata justamente da loucura coletiva na era da (des)informação e da necessidade de se valorizar a reflexão em meio aos descaminhos de um governo que ameaça a democracia e induz ao narcisismo adquirido. O livro é dedicado a Lula e Marielle Franco e inspirado parcialmente por “Memórias do cárcere”, de Graciliano Ramos, e “Totem e tabu”, de Freud, entre outros.

Calado seria melhor

Em clara alusão ao exílio da filosofa e escritora Márcia Tiburi, que deixou o Brasil para morar nos Estados Unidos por receber ameaças de morte após se candidatar ao governo do Rio de Janeiro pelo PT, o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL/RJ) criticou pelo Twitter, nesta terça-feira (12), a “resistência” que está deixando o país “alegando falta de segurança”.

“Aguentamos 13 anos de PT vendo o número de homicídios e a insegurança só aumentar. Agora, bastam 2 meses de governo Bolsonaro para o pessoal da “resistência” sair do Brasil e ir morar nos EUA ou europa alegando falta de segurança. Cara-de-pau é uma marca registrada da esquerda”, tuitou o filho de Bolsonaro.

A crítica ganhou diversas invertidas de seguidores de Eduardo na sequência. “Começou a campanha para fingir que não viu as notícias pela manhã”, tuitou Ricardo Carvalho.

“Ouvi dizer que a vizinhança do teu papai é todinha composta por cidadãos de bem. Confere, Dudu?”, tuitou Li_Fe.

CONTA CARA

A internação de Jair Bolsonaro no hospital Albert Einstein neste ano, para a cirurgia de retirada da bolsa de colostomia, custará R$ 400 mil à Presidência da República. A informação foi publicada em reportagem da Folha neste domingo, horas antes do novo ataque à imprensa deflagrado por sites de apoio ao presidente e replicado por ele mesmo em sua conta no Twitter. A verba sairá dos recursos reservados para a Presidência em 2019. O custo de R$ 400 mil não inclui os honorários médicos, cujo valor não foi informado pelo hospital. Segundo resposta da Presidência à Folha, os médicos abriram mão de receber pela cirurgia nem pela consulta de revisão para a alta, em 27 de fevereiro.

EM BOAS MÃOS... SQN

Foi instalada na quarta-feira (13) a Comissão de Constituição e Justiça da Câmara (CCJ). É o colegiado mais importante da Casa depois do plenário. Será presidido por um deputado novato: o paranaense Felipe Francischini, de 27 anos. Foi indicado pelo PSL, partido de Jair Bolsonaro. Ultraconservador, Francischini é fã de Donald Trump. Olha de esguelha para o Supremo Tribunal Federal. Combate o que chama de "marxismo cultural". E defende a "escola sem partido." Na campanha de 2018, uma entrevista de Felipe Francischini a um canal gospel ofereceu um bom resumo do que vai no pensamento do novo deputado federal. Foi exibida em julho do ano passado. Pode ser assistida no vídeo abaixo. Nela, o personagem sustenta que o "pior legado" dos governos do PT não foi a ruína econômica, mas o "marxismo cultural".

BOLSONARO VIRA PIADA NA HBO

Jair Bolsonaro virou piada no programa Last Week Tonight, do apresentador e comediante John Oliver, exibido aos domingos pela HBO. Depois de apresentar Bolsonaro como o novo-presidente de extrema-direita do Brasil, Oliver afirma que o presidente fez um “inesperado ataque” ao Carnaval do Brasil. Em seguida, o apresentador diz que não vai exibir o vídeo. “Esta é a HBO, não exibimos vídeos indecentes”, diz Oliver. Em seguida, ele critica o presidente e diz que o ataque foi ocasionado pelos protestos contra o presidente no Carnaval.

EM DIREÇÃO À AUTOCRACIA

O Washington Post anunciou que voltará a ter correspondente no país, justificando com “as questões que o Brasil enfrenta: uma mudança em direção à autocracia; tensões ferozes em torno de raça e violência; ameaças urgentes ao meio ambiente e, particularmente, à Amazônia”.

TOGA CURTA NO STF

A decisão do ministro Dias Toffoli de delegar ao colega Alexandre de Moraes a missão de investigar a disseminação de notícias falsas e ofensas contra integrantes do STF acionou alarmes entre procuradores –categoria que já enfrenta um racha interno. A ordem chega em meio não só à disputa aberta da Lava Jato com a corte, mas também à ofensiva de ala do Senado que quer investigar o Supremo e cobrar o andamento de pedidos de impeachment de membros do tribunal. Toffoli, vinha demonstrando irritação com os ataques de procuradores a ministros nas redes. A gota d’água foi a revelação no Painel de que, nos últimos dias, grupos bolsonaristas elegeram a corte como alvo de fake news, chegando a atrelar o Judiciário ao narcotráfico.

Lava Toga

Um dos senadores que protocolOU um pedido de impeachment contra o ministro Gilmar Mendes, quer “com urgência” a instauração da “CPI do Lava Toga” como resposta após Dias Toffoli anunciar uma investigação para apurar fatos notícias falsas contra membros do STF. “Juízes não podem intimidar o Parlamento ou cidadãos!”, disse. “Depois da ofensiva do STF contra parlamentares e cidadãos que desejam ver suspeitas contra juízes devidamente apuradas, a CPI da Lava Toga do colega senador Alessandro Vieira se faz mais do que necessária e urgente!”. Na quinta, a CPI conseguiu as 27 assinaturas necessárias no Senado para ser apresentada.

Não curtiram

Associações ligadas ao Ministério Público reagiram à abertura de um inquérito criminal sigiloso pelo STF, sem objeto definido, para investigar supostas ameaças a ministros e à Corte. A entidade afirmou, em nota, que o presidente do Tribunal, Dias Toffoli, usurpou competência da procuradora-geral da República, Raquel Dodge, pois só ao Ministério Público caberia pedir a abertura de inquérito. Os procuradores lembram que na Segunda Turma do próprio STF foi considerado ilegal e anulado um pedido de abertura de inquérito feito por Gilmar Mendes para investigar a remoção entre presídios do ex-governador Sérgio Cabral. Na época, Dodge arguiu a ilegalidade.

CAIXA DOIS

Por 6 votos a 5, o Supremo Tribunal Federal decidiu que crimes como corrupção e lavagem de dinheiro serão julgados pela Justiça Eleitoral quando estiverem relacionados com caixa dois de campanhas eleitorais. Os votos favoráveis à decisão foram de Gilmar Mendes, Marco Aurélio Mello, Celso de Mello, Alexandre de Moraes e Ricardo Lewandowski, além do presidente Dias Toffoli que desempatou a questão. Contrários votaram Edson Fachin, Luís Roberto Barroso, Rosa Weber, Cármen Lúcia e Luiz Fux, que defenderam que seria responsabilidade da Justiça Federal processar crimes como corrupção, mesmo envolvendo campanhas eleitorais.

Deltan nervoso

Coordenador da força-tarefa da Operação Lava Jato, o procurador Deltan Dallagnol não escondeu sua decepção com a decisão tomada pelo Supremo, permitindo à Justiça Eleitoral julgar casos de corrupção envolvendo caixa 2. Os integrantes da Lava Jato vinham criticando essa possibilidade por acharem que ela enfraqueceria suas ações, avaliando que a Justiça Eleitoral não tem instrumentos para analisar esses casos. Ontem, o Supremo aprovou a decisão por 6 a 5, com o voto de desempate sendo dado pelo presidente da Corte, Dias Toffoli. “Hoje, começou a se fechar a janela de combate à corrupção política que se abriu há 5 anos, no início da Lava Jato”, afirmou Deltan.

JANTAR A DOIS

O primeiro dia do presidente Jair Bolsonaro em Washington já tem dono. Nada de se encontrar com empresários, diplomatas ou membros do governo norte-americano. O presidente irá participar de um jantar na casa do embaixador brasileiro Sérgio Amaral no domingo, 17, com ninguém mais, ninguém menos que o “guru” Olavo de Carvalho, o homem que dia sim, dia também pede a cabeça de algum membro do governo na internet (e tem sido atendido). A agenda presidencial ainda deixou aberta a participação de outros “formadores de opinião” que ainda serão confirmados. O encontro com Donald Trump será na terça-feira, 19.

QUE GRACINHA

A deputada federal Carla Zambelli (PSL-SP) protagonizou uma cena inusitada no plenário da Câmara na quarta, 13. Enquanto presidia a "Sessão Solene pelo Brasil e contra a Corrupção", ela se irritou pelos burburinhos em frente à Mesa Diretoria e assoviou para pedir silêncio.

"Eu gostaria de pedir às pessoas que estão aqui no centro... (assovio)... Que por favor, façam silêncio. Muito obrigada", disse a deputada. Assista à cena abaixo.
 

 


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