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Quarta-Feira 13.nov.2019

Ano VIII - Nº 371

Saúde

Novo estudo conclui que vacina contra sarampo, caxumba e rubéola não aumenta risco de autismo em crianças

Pesquisa teve como base mais de 650 mil crianças na Dinamarca

Postado em 12 de Março de 2019 - G1

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Um novo estudo publicado na revista especializada "Annals of Internal Medicine" mostra que a vacina contra o sarampo, a caxumba e a rubéola – conhecida como tríplice viral no Brasil – não aumenta o risco de autismo nem desencadeia o transtorno em crianças suscetíveis a ele.

A pesquisa tomou como base um total de 657.461 crianças nascidas na Dinamarca entre 1999 e 2010.

O estudo foi realizado porque a ligação que é feita entre a vacina e o autismo continua a causar preocupação e desafiar a adoção da vacina por alguns pais. "Essa ideia de que as vacinas causam autismo ainda está por aí e ainda está tendo muita exposição nas mídias sociais", afirma à CNN Anders Hviid, principal autor do estudo e pesquisador sênior do Statens Serum Institut na Dinamarca.

No período pesquisado, 6.517 crianças foram diagnosticadas com autismo (uma taxa de incidência de 129,7 a cada 100 mil). "A comparação entre crianças vacinadas e não vacinadas produziu uma razão de risco de autismo de 0,93. Nenhum risco aumentado de autismo após a vacinação foi consistentemente observado em subgrupos de crianças definidas de acordo com a história de autismo dos irmãos, fatores de risco do autismo (com base em um escore de risco de doença) e outras vacinações ou durante períodos específicos após a vacinação", afirma o estudo.

À CNN, Paul Offit, diretor do Centro de Educação em Vacinas do Hospital Infantil da Filadélfia, afirma que a maior contribuição do estudo foi a inclusão de crianças com risco de autismo. Ele diz esperar que a mais recente evidência científica assegure às famílias que a vacina não aumentará o risco em crianças pequenas com risco de desenvolver a desordem do espectro do autismo.

O mito que vincula vacinas e autismo surgiu de um estudo de 1998 de Andrew Wakefield, publicado na revista médica "The Lancet". Wakefield perdeu sua licença médica em 2010. Em 2011, a The Lancet retirou o estudo depois que uma investigação descobriu que Wakefield alterou informações sobre as 12 crianças que serviram de base para a conclusão de seu estudo.

A afirmação de que a vacina estava ligada ao autismo provocou uma alarmante queda nas vacinações, além de um debate político e entre os profissionais de medicina. Vários estudos subsequentes tentando reproduzir os resultados, porém, não encontraram nenhuma ligação entre vacinas e autismo.

No Brasil, a vacina consta do Calendário Nacional. O Ministério da Saúde diz que tenta combater o que chama de "fake news" sobre a vacina. "Um estudo apresentado em 1998, que levantou preocupações sobre uma possível relação entre a vacina contra o sarampo, a caxumba e a rubéola e o autismo, foi posteriormente considerado seriamente falho e o artigo foi retirado pela revista que o publicou. Infelizmente, sua publicação desencadeou um pânico que levou à queda das coberturas de vacinação e subsequentes surtos dessas doenças. Não há evidência de uma ligação entre essa vacina e o autismo/transtornos autistas", afirma o órgão.

"Já foram realizados 17 estudos anteriores em sete países, três continentes diferentes, envolvendo centenas de milhares de crianças", diz Offit à CNN. "Eu acho que é justo dizer que uma verdade surgiu."

Apesar de todos esses estudos, casos de sarampo, por exemplo, têm aumentado em todo o mundo – parte em razão da não vacinação. Dez países, incluindo o Brasil, foram responsáveis ​​por quase 3/4 do aumento total de casos de sarampo em 2018. O país aparece na 3ª posição com o maior número de casos.

A Organização Mundial da Saúde coloca a relutância ou a recusa em vacinar como uma das 10 principais ameaças à saúde global em 2019.

"Acho que estamos em um ponto de inflexão", afirma Offit. "Acho que as pessoas precisam perceber que a escolha de não dar uma vacina não é uma escolha isenta de risco. Trata-se de assumir um risco maior."


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