Semana On

Segunda-Feira 18.mar.2019

Ano VII - Nº 342

Coluna

O carnaval muito doido dos Bolsonaro

A política, no que ela tem de surreal: com o jornalista Victor Barone

Postado em 06 de Março de 2019 - Victor Barone

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Um sujeito, empoleirado sobre um ponto de ônibus, manipula o ânus. Ao fundo o som de um bloco de Carnaval. Na sequência, outro homem urina sobre a cabeça do primeiro. A cena, escatológica, foi compartilhada pelo presidente Jair Bolsonaro nas redes sociais como se fosse a regra do que acontece nos blocos de foliões Brasil afora.

"Temos que expor a verdade para a população ter conhecimento e sempre tomar suas prioridades. É isto que têm virado muitos blocos de rua no Carnaval brasileiro", comentou o presidente.

Imaginar que a cena representa o que acontece nos milhares de blocos carnavalescos que reuniram milhões de famílias brasileiras - pais, mães, avôs e avós, filhos e filhas, netos e netas - nos últimos dias é uma ofensa aos brasileiros, um delírio, uma preocupante desconexão da realidade, ou, apenas uma estratégia obscena para fazer frente as críticas e sátiras que pulularam no Carnaval tendo como alvo o presidente e seus apoiadores.

A última hipótese parece a mais provável. É provável Bolsonaro compreenda o significado de uma Falácia de Generalização: seria algo como atribuir a todo governante de direita com perfil autoritário o crime da pedofilia usando como ponto de partida a biografia do ex-ditador paraguaio Alfredo Stroessner; ou afirmar que todo militar anticomunista é um torturador bárbaro como o coronel Brilhante Ustra.

É compreensível que Bolsonaro e seu clan estejam chateados com o Carnaval. Afinal, foram alvos de chacota, marchinhas críticas, fantasias alaranjadas e quetais. Para quem tem tido o ego afagado por uma parcela da população que o classifica como um “mito”, a crítica debochada das ruas deve doer. O troco é a estratégia da desmoralização e outra falácia, desta vez ad hominem: ao ligar a cena escatológica aos blocos de Carnaval, tenta manipular o senso comum – todos os que me criticaram no Carnaval enfiam o dedo no ânus e recebem chuva de urina sobre pontos de ônibus.

Ao divulgar este vídeo na rede social que usa para informar a população de suas decisões e medidas, Bolsonaro mostra o que resta do decoro que se esperava dele no cargo em que ocupa.

A parte mais difícil do problema, afirma o jornalista Josias de Souza, “é ter que lidar por pelo menos quatro anos com um presidente cuja massa cinzenta não produz senão pensamentos sombrios”.

O cientista social Leonardo Sakamoto resume o drama: “A questão não é peito, bunda, pinto ou cu. É usá-los, como ferramentas na disputa por corações e mentes da população. Parece insanidade, mas Bolsonaro investe em narrativas sexuais como instrumento de poder, com o objetivo de dar coesão a uma parte de sua base. Busca ser defendido por ela diante da esperada resposta crítica às suas declarações e assim fortalecer a identidade reativa. Poderia ganhar apoio de outra forma, por exemplo através do diálogo político, de grandes discursos à sociedade e da execução de medidas para combater o desemprego e a violência. Preferiu o caminho que conhece melhor.”

Polêmicas de Momo

As polêmicas do presidente em seu primeiro Carnaval no cargo não se restringiram à publicação do vídeo pornozão. Enquanto críticas ao clan se multiplicavam em blocos de Carnaval pelo país, ele saiu em defesa de seu filho Carlos nas redes sociais no domingo (3), voltou a prometer uma “Lava Jato da Educação” na segunda-feira (4) e divulgou marchinha em resposta a uma música de Daniela Mercury e Caetano Veloso na terça-feira (5). Na Quarta-Feira de Cinzas, quando retomou suas agendas oficiais, publicou em seu perfil do Twitter: “'O que é golden shower?", expressão em inglês que se refere ao fetiche de urinar na frente de um parceiro ou sobre ele, alongando a repercussão das polêmicas.

CRONOLOGIA DAS POLÊMICAS

Domingo (3)

Usou seu perfil no Facebook para defender o filho Carlos, criticado após atuar pela queda do ministro Gustavo Bebianno, em fevereiro, em meio ao escândalo de candidaturas de laranjas do PSL. Disse que vai continuar "ouvindo suas sugestões".

Segunda-feira (4)

Voltou a prometer uma "Lava Jato da Educação", sem entrar em detalhes. Anteriormente, a expressão derrubou ações de empresas da área.

Terça-feira (5)

Foi o dia mais agitado nas redes do presidente. Pela manhã, divulgou marchinha em resposta à música "Proibido o Carnaval", de Daniela Mercury e Caetano Veloso. Sem citar os cantores, criticou "dois famosos" e disse que "esse tipo de artista não mais se locupletará da Lei Rouanet". Bolsonaro vinha sendo alvo de protestos durante blocos de rua pelo país.

Durante a tarde, ele chamou o jornalista Guga Noblat de "cérebro mofado" e ainda criticou o perfil de uma rádio. À noite, compartilhou um vídeo em que um homem aparece dançando sobre um ponto de táxi após introduzir o dedo no próprio ânus. Na sequência, a gravação mostra outro rapaz que urina na cabeça do que dançava. O presidente escreveu: "É isto que tem virado muitos blocos de rua no carnaval brasileiro".

Quarta-Feira de Cinzas (6)

No dia em que o presidente retomou suas agendas oficiais, ele publicou em seu perfil: 'O que é golden shower?" A expressão em inglês se refere ao fetiche de urinar na frente de um parceiro ou sobre ele.

Ressaca

Líderes de partidos de centro e centro-direita do Congresso oscilaram entre a incredulidade e o deboche diante do vídeo obsceno e escatológico. O presidente foi, primeiro, alvo de chacota. Depois, de cobrança. O saldo foi amplamente negativo. Integrantes da cúpula do Parlamento avaliam que Bolsonaro está, aos poucos, ele mesmo, minando a credibilidade que tem para liderar mudanças estruturais. A decisão do presidente de publicar o filme na rede que centraliza os anúncios de sua gestão foi alvo de debate. Deputados questionavam se a mensagem tinha mesmo sido escrita por Bolsonaro. Aliados de Carlos, o 02, trataram de dizer que ele estava longe do pai, em Florianópolis.

Modo Bolsonaro de governar

O colunista Matias Spektor, em artigo na Folha, afirma que a divulgação de vídeo obsceno feita pelo presidente Jair Bolsonaro não é um ato ao acaso. Indica, sim, uma forma de governar. E, “ainda revela que a crise política que impede a restauração da economia está longe de acabar”, escreveuO objetivo é tirar a atenção das péssimas notícias que recaíram sobre o governo nas últimas semanas: queda na taxa de aprovação, desemprego ainda maior, falta de maioria para aprovar a reforma da Previdência, e os gritos carnavalescos contra o presidente.

Ciro chocado

Adversário de Jair Bolsonaro na última eleição, Ciro Gomes usou hoje suas redes sociais para criticar o presidente, depois do episódio de divulgação de um vídeo escatológico. “Cada dia me choca mais o despreparo de Bolsonaro”, escreveu Ciro.

Desviar atenção

“O mais recente vexame presidencial é característico de um governo que tem pouco a mostrar e muito a esconder”, escreveu Bruno Boghossian na Folha. O colunista afirma que o apelo do presidente às discussões nas redes sociais sobre a pauta de costumes é uma estratégia para desviar a atenção de seus primeiros meses de mandato, que até agora está sem sinal de organização para aprovar a reforma da Previdência ou melhorar a educação.

Menino impulsivo

“Seria bom se o presidente tivesse uma assessoria mais próxima nas suas postagens”, recomendou a deputada estadual pelo PSL, partido de Jair Bolsonaro, Janaina Paschoal. Em entrevista à rádio Eldorado, Janaina afirmou que considera que o presidente errou ao compartilhar vídeo obsceno e escatológico no Twitter. “O presidente é impulsivo e convive ali com o Carlos que também é impulsivo. Foi um erro”, disse. Contudo, a deputada afirma que a reação sobre o caso foi “oportunista” e considera que este não é caso para impeachment.

No comment

Alvo de parte da ala “olavista” da militância bolsonarista por discordar de decisões do presidente, o vice Hamilton Mourão preferiu não comentar o vídeo divulgado por Jair Bolsonaro nas redes sociais com cenas escatológicas supostamente gravadas no carnaval. “Não vou comentar o que eu não sei. Não quero ser ventríloquo do presidente”, disse, segundo o Broadcast Político. “O vídeo morre amanhã”, afirmou, negando que a nova polêmica vá atrapalhar a tramitação da reforma da Previdência na Câmara dos Deputados.

Alhos e bugalhos

Eduardo Bolsonaro misturou “alhos com bugalhos” para defender a atitude de seu pai, o presidente Jair Bolsonaro, de publicar no Twitter um vídeo com atos escatológicos que supostamente teria acontecido no carnaval. Para o deputado federal, quem não reclamou do caso de uma “professora defecando em público” não poderia “pedir o impeachment” do presidente pelo compartilhamento das imagens de um homem urinando sobre outro.

Quebra de decoro

O jurista Miguel Reale Júnior, um dos autores do pedido de impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff, afirmou que o fato de o presidente da República ter divulgado um vídeo obsceno pode configurar quebra de decoro. “O caso se enquadra como falta de decoro, o que pode levar ao impeachment. Por que divulgar cenas abjetas para o povo brasileiro?” Ele (Bolsonaro) só pensa em factoide”, disse ele ao Estadão. Ao Globo, o advogado afirmou que a prática de ato obsceno em lugar público é menos grave do que a sua divulgação, segundo o Código Penal. A pena para o primeiro caso é de 3 meses a 1 ano de detenção, enquanto para os propagadores, a pena varia de 6 meses a 2 anos. Segundo a lei 1.079 de 1950, crimes de improbidade administrativa são aqueles que procedem “de modo incompatível com a dignidade, a honra e o decoro do cargo”.

Cortejo ‘Eu Avisei’

Ainda no inferno astral carnavalesco, um grupo com dezenas de foliões com fantasias da cor laranja fez uma apresentação de seus hinos e adereços contra o presidente da República na porta do condomínio de Jair Bolsonaro, na Barra da Tijuca, no Rio. Teve até “fantasma do comunismo” vestido de vermelho.

Dani e Cae

Sobrou até para Caetano Veloso e Daniela Mercury.  Bolsonaro publicou em sua conta no Twitter um vídeo em que um cantor rebate críticas feitas pelos artistas na música “Proibido o Carnaval”, lançada há um mês. Sem citar o nome da dupla, Bolsonaro escreveu que “dois ‘famosos’ acusam o governo de querer acabar com o Carnaval. “A verdade é outra: esse tipo de ‘artista’ não mais se locupletará da Lei Rouanet”, escreveu.

Papo amigo

Após o presidente da República provocar a cantora Daniela Mercury pelo Twitter com a mensagem de que “esse tipo de “artista” não mais se locupletará da Lei Rouanet” nem que o carnaval  será feito com dinheiro do povo, em reação à música “Proibido o Carnaval”, lançada há um mês por ela e Caetano Veloso, a cantora respondeu a Jair Bolsonaro: “Sr. Presidente, sinto muito que não tenha compreendido a canção ‘Proibido o Carnaval’, que defende a liberdade de expressão e é claramente contra a censura (…) Se assim desejar, irei com minha esposa, que é também minha empresária, até Brasília para conversar com o senhor sobre o assunto”, sugeriu ela, após detalhar valores que já recebeu a partir do incentivo.

DEMOCRACIA NÃO É BENESSE DE MILITARES

Em discurso para militares, o presidente Jair Bolsonaro afirmou que a democracia é uma benesse, uma dádiva das Forças Armadas à sociedade. “Democracia e liberdade só existe quando a sua respectiva Força Armada assim o quer”, afirmou.

Bolsonaro não tem uma compreensão exata do papel das Forças Armadas em uma democracia. A democracia e a liberdade não são favores que os militares prestam aos civis. Diz o art. 1º da Constituição: "Todo poder emana do povo, que o exerce por meio de representantes eleitos ou diretamente". O papel das Forças Armadas pode ser observado no artigo 142: "são instituições nacionais permanentes e regulares, organizadas com base na hierarquia e na disciplina, sob a autoridade suprema do Presidente da República".

A simples sugestão de que Exército, Marinha e Aeronáutica possam agir de acordo com sua vontade e não a dos Três Poderes é uma afronta à Constituição. Democracia e liberdade existem quando as Forças Armadas cumprem suas responsabilidades dentro de limites e competências constitucionalmente atribuídos a elas. Quando agem de acordo com a opinião de sua cúpula, via de regra submetem liberdades e instituições democráticas.

Perceber que o presidente da República não percebe estas nuances da democracia é preocupante; observar que parte de seus apoiadores bate palmas para isso, é muito desanimador.

Fala dúbia

A fala dúbia do presidente sobre o papel das Forças Armadas desagradou à ala militar do governo, que interveio para tentar controlar a escalada do caso dentro do Planalto. Para os militares, o problema não foi tanto a segunda parte da afirmação, já que em todo mundo Forças Armadas são garantidoras da ordem constitucional —eles se queixaram do "quando assim o quer", que implica algum poder discricionário que não está previsto na Constituição.

INCANSÁVEL

Depois da sanha no Twitter, Jair Bolsonaro deu não uma, mas duas declarações preocupantes. Comecemos pela que concerne à saúde: o presidente – que voltou a fazer transmissões ao vivo no Facebook seguindo um conselho de Olavo de Carvalho – afirmou que pediu para o Ministério da Saúde recolher uma caderneta distribuída pelo governo federal desde 2008 para promover a saúde do adolescente. O motivo? O material contém imagens que mostram como prevenir a gravidez e doenças sexualmente transmissíveis. Bolsonaro quer colocar no lugar um material “com menos páginas, mais barato e sem essas figuras”.

BAIXO CLERO

“Bolsonaro saiu do baixo clero, mas o baixo clero não sai dele. Ele se mostra incapaz, inconsequente e, pior, desequilibrado. Começo a achar que será um milagre que ele termine o mandato. E eu não acredito em milagres”, escreveu a colunista Mariliz Pereira Jorge em artigo na Folha. A colunista indica que nos dois primeiros meses de governo, o presidente conseguiu incomodar e apavorar parte do eleitorado que depositou nele as esperanças de mudar o País. Este eleitor tem visto que os dois principais ministros do governo têm seu poder menor do que hashtag no Twitter.

ARAUGISMO

Surgiu em Brasília, no Ministério das Relações Exteriores, o Araujismo. É uma versão tropical do Machartismo. Assim como Joseph McCarthy deu nome à era que, entre os anos 40 e 50, obrigou muitos talentos dos Estados Unidos a viverem na semiclandestinidade no seu próprio país, o chanceler Ernesto Araújo personifica no Itamaraty uma caça às bruxas que constrange a diplomacia brasileira. A afirmação é de Josias de Souza, em seu blog.

Itamaraty tutelado

Em entrevista ao blog do repórter especial do Estadão José Fucs, o diplomata Paulo Roberto Almeida, exonerado do comando do Instituto de Pesquisa de Relações Internacionais (Ipri) pelo chanceler Ernesto Araújo, diz que foi afastado por criticar o ideólogo Olavo de Carvalho e que a preocupação com os rumos da política externa na nova gestão levou os militares a criarem uma espécie de “comitê de tutela” para o Itamaraty. “A direita chegou ao poder pela via legítima, mas você tem esses radicais que estão tentando influenciar não só a política externa como a política geral do governo. Isso gera muita tensão interna”, declara o diplomata, que passou 13 anos da gestão do PT na “geladeira” por também ser crítico ao modelo de política externa adotado pela esquerda.

QUEDA DE BRAÇO NO MEC

A já famosa carta em que Ricardo Vélez (Educação) solicitou vídeos de crianças e a leitura do slogan da campanha de Jair Bolsonaro nas escolas escancarou queda de braço que estava latente na pasta. Secretários de perfil técnico atribuíram o documento à influência de auxiliares ligados a Olavo de Carvalho. A péssima repercussão e o consequente recuo abriram caminho para uma conversa franca. Até ex-alunos disseram ao ministro que é hora de medidas práticas, e não ideológicas.

A cúpula do MEC está dividida em ao menos quatro núcleos: o de ex-alunos do ministro, o dos militares, o dos especialistas e o dos assessores simpatizantes do guru Olavo de Carvalho.

Quando o texto enviado às escolas já havia causado um estrago, Vélez compartilhou a redação do discurso que teria de fazer em comissão do Senado com os representantes da área técnica.

O titular do MEC foi aconselhado por assessores a usar assinatura diferente da que chancela atos da pasta na polêmica carta que enviou às escolas. Motivo: receio de que falsificassem sua rubrica.

DESCAMINHO

Em artigo no jornal O Globo, Fernando Henrique Cardoso aponta risco de “descaminho” na política externa brasileira, representado pelo excesso de ideologia nas decisões do Itamaraty e a um alinhamento automático aos Estados Unidos que nem sempre atende aos interesses do Brasil. “Insistirá o governo no descaminho de subordinar a política externa a uma ideologia, e não às realidades? Em nenhum outro lugar as consequências dessa reviravolta seriam mais nocivas do que na nossa vizinhança. A crise da Venezuela se aprofunda”, escreve. Para o ex-presidente, no caso venezuelano “é de louvar a prudência dos militares, mas é de temer a vocalização de alguns líderes políticos sobre nossa ação nesse drama”.

QUEM DIRIA

Em artigo sobre o governo do presidente Jair Bolsonaro, o site da agência internacional Bloomberg afirma que, apesar do alarme que surgiu durante o período eleitoral e pós-eleitoral, os militares têm sido os responsáveis por limitar o extremismo do governo. Enquanto isso, os civis são os responsáveis por causar confusão neste primeiro bimestre de governo. A publicação avalia que o resultado disso é a diminuição da resistência por parte da população em relação aos militares. “Em meio a um começo turbulento do governo Bolsonaro, com escândalos e crises internas e externas, os militares mantiveram-se fora das manchetes e foram aplaudidos por sua capacidade de resolver problemas, em vez de criá-los”, aponta um trecho do artigo.

NADA DE CONTROLE SOCIAL

O governo Jair Bolsonaro desativou, extinguiu ou alterou as regras de funcionamento de ao menos 11 conselhos, comissões ou outros órgãos de participação da sociedade civil que existiam na estrutura do Executivo. O levantamento do Estadão encontrou grupos desse tipo sem funcionar nos Ministérios de Meio Ambiente, Cidadania, Agricultura e Mulher e Direitos Humanos. O último, comandado por Damares Alves, concentra o maior número de casos: ao menos seis grupos com participação social estão inativos por alguma razão.

ATÉ QUANDO MORO AGUENTA?

“Com essa confusão toda e os filhos do presidente a mil por hora nas redes sociais, eis a pergunta que não quer calar em Brasília: Sérgio Moro, um ídolo nacional, com grande visibilidade internacional, começa a se arrepender de ter trocado a magistratura pelo governo Bolsonaro? Até quando ele aguenta?”, questiona a colunista Eliane Cantanhêde no Estadão. A colunista aponta algumas das divergências políticas já conhecidas entre o presidente e o ministro da Justiça. O primeiro tem uma visão mais conservadora e extrema. Já este, tem posições mais duras sobre corrupção e mais liberal sobre aborto, maioridade penal, progressão de pena e desarmamento.

TRUCULÊNCIA

A abordagem policial que resultou na quebra do braço esquerdo de um advogado e dirigente petista provocou o afastamento de pelo menos quatro policiais militares em Atibaia (SP). Eles estão afastados do serviço de patrulhamento de rua até que sejam concluídas as investigações. Geovani Leonardo Doratiotto da Silva teve o braço quebrado, quando já estava imobilizado, após ser conduzido a uma delegacia na cidade paulista.

HATERS

Um texto do jornalista e escritor Reinaldo Azevedo, publicado em seu blog, foi retirado do ar pela ação de hackers. O jornalista, que é colunista da Folha, afirmou que, por precaução, todo o blog foi retirado do ar após o ataque ao texto em que ele expressou solidariedade ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e à família do petista pela morte do neto Arthur, 7. "Invadiram em particular o post que eu escrevi sobre o Lula e a morte de seu neto e lamentava a exploração política vil feita em redes sociais. Houve quem comemorasse a morte de uma criança, o que me parece ultrapassar qualquer limite imaginável da estupidez. E foi justamente esse texto que foi tirado do ar", disse. Na publicação, Azevedo dizia ter compaixão e solidariedade em relação a Lula.

EDUCAÇÃO COMO ALVO

Embora pregue cautela em relação ao anúncio “Lava Jato da Educação”, a comunidade acadêmica já admite que há apreensão entre educadores. O principal temor é de que o governo use as apurações sobre eventuais irregularidades para dar início a uma caça às bruxas nas universidades federais. A avaliação é a de que a operação pode selecionar seus alvos, mirando gestores que não são alinhados a Jair Bolsonaro. Em conversas durante o feriado, integrantes da academia lembraram que, em 2017, uma ofensiva da PF levou ao suicídio do reitor da Universidade Federal de Santa Catarina, Luiz Carlos Cancellier. Auxiliares de Sergio Moro (Justiça) na Polícia Federal dizem que não viram até agora nenhuma investigação da “Lava Jato da Educação”, como o presidente Bolsonaro vem propagandeando.

TERRA DE MARLBORO

Carlos Bolsonaro, vereador pelo Rio de Janeiro e filho do presidente Jair Bolsonaro, ameaçou o deputado federal Rogério Correia (PT) pelo Twitter. Correia tuitou a frase: “Ei Bolsonaro vai tomar no cu! Retuíte e mostre coragem!” O vereador respondeu: “Teu ‘grito de coragem’ será respondido de outro jeito! Prepara ai, amigão! Tudo encaminhado!” Veja a troca de tuítes abaixo:

OPOSIÇÃO FRAGMENTADA

Líderes de partidos de oposição a Jair Bolsonaro estimam ter entre 160 e 180 cadeiras na Câmara. O número seria suficiente para, no limite máximo, barrar a aprovação de emendas à Constituição e inviabilizar reformas. No mínimo, já poderia complicar a vida do governo – que ainda enfrenta dificuldades para montar uma base sólida de apoio na Casa. Isso seria verdade se a oposição estivesse unida, algo que não ocorreu até agora. Disputas pela hegemonia no campo da esquerda – que nos últimos anos esteve sempre nas mãos do PT–, por espaços e postos no Parlamento e diferenças regionais ou de concepção estratégica estão por trás da falta de coesão das esquerdas. Outra forte razão é a perspectiva de candidaturas opostas nas eleições de 2022.

MAL HUMOR

O presidente Jair Bolsonaro afirmou que processará o ator José de Abreu, que fez piada e se "autoproclamou" presidente - uma sátira ao atual momento político da América Latina. Na Venezuela, Juan Guaidó se declarou presidente do país, com base em um artigo da Constituição local, e tenta tirar o ditador Nicolás Maduro do poder.

"Alo, @jairbolsonaro, seu meteoro chegou! Sou eu, seu fascista!", escreveu Abreu em seu Twitter hoje pela tarde. 

Bolsonaro respondeu minutos depois: "Estamos processando alguns e este "meteoro" será o próximo!". Após a resposta de Bolsonaro, José de Abreu rebateu dizendo que "não tem medo". "Venha, fascista! Não tenho medo de você! Você é um tigre de papel, perdeu a arma, a moto e foi humilhado por um ladrãozinho!" 

Nos últimos dias José de Abreu vem ironizando o presidente, seus slogans e os de seus apoiadores. Na descrição de seu perfil, Abreu escreveu: "O BRASIL AO LADO DE TODOS, NEM ACIMA, NEM ABAIXO. Nossa Bandeira jamais será laranja", em referência ao escândalo de candidaturas laranjas que permeia o partido do presidente.

MAÇONARIA

A coluna de Lauro Jardim informa que a liderança da maçonaria Grande Oriente do Brasil, uma das mais importantes do país, situada no Rio de Janeiro, instituiu uma homenagem a Jair Bolsonaro no calendário da sociedade. O ano de 2019 ganhou o dístico “Brasil acima de tudo, G.a.d.u. acima de todos” — versão maçônica do slogan de campanha do presidente, com “Grande Arquiteto do Universo” no lugar de “Deus”.

Com o “decreto” do grão-mestre da divisão fluminense, autoridade máxima em âmbito regional, todas as lojas do estado ficam obrigadas a organizar, neste ano, ao menos uma “Sessão Magna Comemorativa a ‘2019: Brasil acima de tudo, G:.A:.D:.U:. acima de todos'”.

Representantes do Grande Oriente no Rio compareceram à posse de Bolsonaro, em janeiro, e declararam “apoio institucional” ao governo. O apoio tem ao menos um motivo: o “irmão” Hamilton Mourão, que é maçom há 20 anos e fez uma palestra na entidade durante a campanha.

GRANDE FELIPE

O filho do presidente Jair Bolsonaro e vereador pelo Rio de Janeiro, Carlos Bolsonaro, tomou outra lambada em decorrência das críticas feitas à Mangueira, Escola vencedora do Carnaval carioca. Irritado com o enredo da Escola, Carluxo tentou desmerecer o título dizendo que o presidente da Mangueira teria envolvimento com tráfico, bicheiros e milícias. O blogueiro Felipe Neto respondeu: “Menino, dizem o mesmo do teu irmão, que mundo pequeno”, tuitou.

O deputado federal Marcelo Freixo (PSOL-RJ) foi um dos primeiros a responder ao ataque feito pelo vereador à escola campeã do Carnaval do Rio de Janeiro.

“Rapaz, o presidente da mangueira foi afastado da escola. Ele é investigado por participar dos esquemas do MDB. Eu sempre denunciei, diferente da sua família que sempre apoiou. Esqueceu do apoio de vocês ao Cabral, pezão e Paes? O que tá virado é sua memória”, postou Freixo.

MAIS DO CARLUXO

Escalado para trombetear nas redes sociais o que o governo chama de "Nova Previdência", o vereador carioca Carlos Bolsonaro (PSC), filho 'Zero Dois' do presidente, levou duas postagens ao ar na noite da quinta-feira pós-carnavalesca. Em ambas insuflou os internautas contra o Legislativo. Num post, Carlucho divulgou vídeo em que o ministro Paulo Guedes (Economia) revela seu entusiasmo com as perspectivas econômicas do Brasil pós-reforma.

Noutro post, o 'pitbull', como Bolsonaro se refere ao filho, anexou vídeo protagonizado pelo pai. Na legenda, contou "a verdade".

ÉPICO!!!!!

Jair Bolsonaro fará uma visita de três dias aos Estados Unidos —de 17 a 19 de março. O ponto alto da viagem será uma reunião com Donald Trump. O deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), filho 'Zero Três' do presidente, deu uma ideia das expectativas da família Bolsonaro:

TOMA OLAVO

Alvo de reparos cada vez mais duros de Olavo de Carvalho, considerado 'guru' intelectual do presidente Jair Bolsonaro (PSL), o vice-presidente Hamilton Mourão (PRTB) respondeu às críticas hoje com um "beijinho". O general deu recado acompanhado do gesto, levando a mão aos lábios, e com um sorriso.

Todo mundo fora

Guru intelectual do bolsonarismo, Olavo de Carvalho disse que orientou os próprios alunos a abandonarem os cargos que ocupem no governo do presidente Jair Bolsonaro , do qual ele mesmo é entusiasta. A orientação, conforme Carvalho explicou em publicações feitas em redes sociais, foi motivada pela impressão de que há “inimigos do presidente e do povo” nos quadros do governo federal. Para o filósofo, isso deveria ser suficiente para fazer os seguidores dele abandonarem seus postos e pretensões junto à administração pública para focarem apenas na “vida de estudos”. O trecho em que critica a composição do governo de forma mais contundente chama integrantes do time de Bolsonaro de “pústulas”. “O presente governo está repleto de inimigos do presidente e inimigos do povo, e andar em companhia desses pústulas só é bom para quem seja como eles”, disse Carvalho.

 


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