Semana On

Sábado 07.dez.2019

Ano VIII - Nº 374

Mato Grosso do Sul

Ampliado em 2019, Ensino Fundamental em Tempo Integral também é destaque no Programa Escola da Autoria

Ao todo, 29 unidades escolares, em 17 municípios, são responsáveis pelo atendimento à quase cinco mil estudantes matriculados nas duas etapas do Ensino Fundamental

Postado em 06 de Março de 2019 - Redação Semana On

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O programa Escola da Autoria, criado em 2015, elevou a ideia do Ensino em Tempo Integral à um novo patamar. Com a proposta, o estudante se tornou protagonista, passou a conviver de forma mais ativa no ambiente escolar e ganhou novas perspectivas com disciplinas que aliam as teorias da sala de aula com as práticas do cotidiano. Se no Ensino Médio o Programa se tornou referência, no Fundamental não foi diferente.

Atualmente, a Secretaria de Estado de Educação (SED) trabalha com 29 escolas, da Rede Estadual de Ensino (REE), que ofertam as vagas para o Ensino Fundamental em Tempo Integral em MS. Se em 2018 o número de estudantes era de 4,5 mil, em 2019 as Escolas da Autoria do Ensino Fundamental já são responsáveis pelo atendimento à quase cinco mil estudantes, matriculados nas etapas dos anos iniciais (até o 5º ano) e anos finais (6º ao 9º). Número esse que pode aumentar no decorrer no ano.

Para a diretora-adjunta da EE Rita Angelina, de Dourados, Rosalina de Fátima, o sucesso da proposta se traduz na aceitação da comunidade e rendimento dos estudantes. Integral desde 2017, a escola faz parte do Programa desde o início. “Nossa escola foi a primeira a ofertar o Ensino Fundamental em Tempo Integral, no município. Iniciamos este ano com uma nova organização, um novo horário e todos se adaptaram muito bem. A aceitação do atual modelo foi muito positiva, pais e alunos aprovaram bastante”, diz.

Com o passar dos anos, a proposta é refinada de acordo com as avaliações de todas as escolas que participam do Programa e, em 2019, uma das novidades foi a inserção de disciplinas e práticas adotadas no Ensino Médio, com o objetivo de familiarizar os estudantes com o modelo já adotado na outra etapa.

“Para este ano, nós fizemos uma reorganização pedagógica da proposta, para alinhar com o modelo aplicado no Médio. Além da acolhida, nessa nova proposta, nós repaginamos a disciplina de Estudo Orientado. Agora ela tem uma vertente mais científica. Isso auxilia o estudante no processo de leitura, raciocínio lógico e interpretação, com atividades voltadas para pesquisa e autoria. Nas eletivas, demos um caráter mais personalizados. O Projeto de Vida – disciplina já utilizada no Médio – tem como objetivo estimular e fortalecer, no estudante, o autoconhecimento. Assim, eles se conhecem melhor, identificam as prioridades e aptidões, entendem o papel na família, no grupo de amigos, entre outros”, explica a coordenadora de Políticas para o Ensino Fundamental da SED, Eleida Arce Adaminski.

Uma das novidades para este ano, a acolhida temática, com apresentações e atividades diversificadas, foi adotada com sucesso. Para o diretor da EE Profª Célia Maria Náglis, José Antônio Souza da Silva, novato no modelo, a aceitação e presença dos pais foi surpreendente. “Na primeira semana, realizamos um ‘mix’ entre pais e estudantes, em função da presença em grande número logo no primeiro dia. Muitos alunos, muitos pais (risos), com isso tivemos que alterar um pouco nossa organização. Foi uma acolhida muito familiar e dinâmica, além de esclarecedora. Foi tudo muito proveitoso. Nos demais dias já pudemos seguir com a acolhida conforme planejado”, afirma.

Destaque em todas as unidades, a acolhida temática é uma prática de rotina nas escolas que ofertam o Ensino Médio em Tempo Integral e chamou a atenção de quem ainda não fazia uso da prática. Novidades que também agradaram os coordenadores, pensando na organização e planejamento escolar.

“Com esse modelo, a escola possui diversas práticas que promovem essa aproximação, como o acolhimento. Com o Fundamental em Tempo Integral, o tempo de contato dos estudantes com as disciplinas aumenta, assim o professor pode aprofundar o conteúdo, aliando teoria e prática. Assim, ele faz com que o estudante possa enxergar ainda mais significado no processo de aprendizagem”, comenta Tarsila Bibiane Lima Ramos, coordenadora pedagógica da EE Rita Angelina.

Pensamento nas práticas e também na gestão dos profissionais. Com a implementação do Ensino em Tempo Integral, o professor passa mais tempo na escola e – assim como os estudantes – se envolve ainda mais com o modelo. “Para gestão, especificamente, isso gera alguns desafios: no aspecto humano é importante fazer com que o professor se aproprie melhor do conhecimento sobre a Escola Integral. É preciso estudar e estar por dentro de tudo que acontece, além de controlar os medos iniciais, que são comuns. (…) Nesse modelo, a organização é preparada por todos, não apenas pela direção e coordenação, para que todos possam entender a proposta dessa modalidade e para que todos possam participar ativamente”, conclui o diretor da EE Profª Célia Maria Náglis, José Antônio.

Outra importante característica das unidades que trabalham com o Ensino em Tempo Integral no programa Escola da Autoria, as Disciplinas Eletivas ganharam mais aceitação dos estudantes com a inclusão de práticas que modificam o processo de escolha. Durante o trabalho da escola, o envolvimento dos jovens passa por três etapas: manifestação do interesse, decisão pela disciplina e engajamento nas aulas. Para a coordenadora Tarsila, todas com o máximo de dedicação.

“Com as eletivas, o estudante pode escolher aquilo que deseja cursar durante o ano letivo. Para isso, os professores fazem uma pesquisa: na primeira semana de aula, eles procuram saber quais as disciplinas de maior interesse. Os temas podem envolver atualidades, informática, artes, música, entre outros. Depois, os professores partem para o planejamento, seguido da ‘feira das eletivas’, um momento de exposição das disciplinas para que os estudantes possam escolher quais eles desejam cursar. Percebemos que, quando eles escolhem a disciplina, a dedicação, o envolvimento e aproveitamento são muito maiores. Eles optaram por fazer aquela disciplina, escolheram estar ali”, finaliza Tarlisa.


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