Semana On

Quarta-Feira 13.nov.2019

Ano VIII - Nº 371

Legislativo

Falta de médicos, insumos e más condições dos postos foram as principais reclamações na Audiência sobre a saúde na capital

Secretaria Municipal de Saúde apresentou a prestação de contas da pasta referente ao 3º quadrimestre de 2018

Postado em 06 de Março de 2019 - Redação Semana On

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A falta de médicos, de insumos (como remédios, agulhas, esparadrapos) e as más condições estruturais das unidades de saúde foram as principais reclamações apresentadas durante Audiência Pública realizada no último dia 28, na Câmara Municipal de Campo Grande, na qual a Secretaria Municipal de Saúde apresentou a prestação de contas da pasta referente ao 3º quadrimestre de 2018.

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Na reunião, o secretário municipal de Saúde, Marcelo Luiz Brandão Vilela apresentou o relatório fiscal, com dados técnicos de despesas, receitas, auditorias realizadas, leitos e diagnósticos da realidade de todas as unidades de saúde pública. Logo após, o secretário ouviu as críticas e questionamentos dos vereadores, conselheiros e cidadãos que acompanharam a Audiência, respondendo a todos em seguida.

“Humildemente aceito todas as críticas. Estamos lutando para dar uma saúde melhor para as pessoas e buscando corrigir essas coisas. A condição dos postos é uma evidência, é só chover para ver como fica. Mas graças a Deus o prefeito está indo aos postos e nos ajudando a resolver esse problema. Vamos escrever e mandar todas os questionamentos apresentados pelos parlamentares para avaliação. Quero dar transparência, sempre buscando solucionar os problemas e que vocês, vereadores, me ajudem a construir a solução desses problemas, problemas que muitas vezes estão relacionados a custeio, tanto municipal, quanto estadual e federal”, afirmou o secretário. 

O conselheiro municipal de saúde, Ariolvaldo Ribeiro de Oliveira, participou da Audiência e reclamou que o relatório não foi encaminhado antecipadamente para avaliação do Conselho e cobrou a construção de mais unidades de saúde em Campo Grande. “Sei que a gente não aprova nem desaprova os balancetes. A gente vê que tudo passa aqui no resumido, a gente não vai ter aplicação naquilo que é essencial. Estamos fazendo coisas paliativas, colocando as carretas na frente dos bois. Não precisamos trocar os nomes das unidades, de UBSF para Clínica da Família. Precisamos que sejam construídas mais unidades. Fiz parte do Plano Diretor, e lá são 17 clínicas da família, tem que ter mais construção de clínicas. Volto a pedir, como sempre a construção do Hospital Municipal, chega de briga com Santa Casa, com Hospital Regional, a gente fica nesse jogo de empurra que não resolve nada”, afirmou.

O presidente da Comissão Permanente de Saúde, vereador Dr. Livio afirmou que o relatório foi encaminhado com bastante antecedência para análise dos vereadores e destacou as novas diretrizes da Comissão de Saúde na Câmara. “Uma das diretrizes da comissão de saúde será iniciar ouvindo todos os partícipes desse sistema de saúde, já fizemos um ofício ao Sindicato dos Médicos e Enfermagem, ao prefeito, Ministério Público, Santa Casa, para escutar a posição desses entes e, assim, formarmos as ações necessárias”, afirmou. O parlamentar apresentou diversos questionamentos quanto aos dados número e dados técnicos, os quais o secretário se comprometeu a responder nos próximos dias.

Em seu pronunciamento, a coordenadora do Comitê da Frente Social em Defesa dos Direitos Fundamentais, Maria do Socorro, defendeu o SUS (Sistema Único de Saúde), que completa mais de 30 anos e cobrou que os direitos dos usuários devem ser respeitados. “Não somos respeitados como cidadãos, não temos os direitos respeitados como manda a lei. São 30 anos votando em prefeitos, governadores e presidentes, que são responsáveis pelo SUS, e tudo está precarizado. As pessoas estão morrendo, são crimes institucionalizados. Falta insumos nos postos de saúde, está na hora de dar um basta”, bradou. 

Para o vereador Dr. Loester, hoje o SUS não tem recebido a atenção devida. “O que está acontecendo com a saúde do país é falta de atenção daqueles que tem a responsabilidade de conduzir a saúde, que são os prefeitos, governadores e presidente. O SUS é muito importante, mas não tem a cobertura que deveria ter para prestar um bom serviço para a população. É lamentável. Temos lutado muito, nós vereadores não temos condições de ir nos bairros todos os dias, mas tudo é encaminhado ao prefeito, não temos como fazer, só cobrar e nossa parte nós fazemos. Ser secretário de saúde não é facil, trabalhar num momento em que o dinheiro não vem e não tem de onde tirar, mas tenho confiança que isso ainda vai melhorar”, disse.

Caio Aguirre, que também é membro do Conselho Municipal de Saúde demonstrou sua preocupação com a atenção básica à saúde. “A cobertura da atenção básica nos preocupa, apesar da área de cobertura subir de 46% para 56%, o que temos sentido na prática é uma descobertura da atenção básica. Na reunião do Conselho discutimos a ausência de 300 médicos, sendo 250 só na atenção básica. Temos uma cobertura territorial no papel, não cobertura de fato. Na verdade, essa rede de expansão não está acontecendo como no papel. Também temos que saber por que os médicos não estão aderindo à rede pública de saúde, muitos participam do processo seletivo, mas não assumem. Com os odontólogos, temos unidades que tem profissionais que são contratados e atendem em outras unidades, porque não tem cadeira, nem sala. Como odontologistas que são lotados no Zé Pereira, mas atendem no Albino Coimbra e não estão atendendo na área que pertencem. Sem contar, os AS e ACS, que estão desde maio sem material, como filtro solar”, pontuou Caio.

Em resposta, o secretário afirmou que a causa dos médicos não aderirem à rede pública de saúde é multifatorial. "Temos que costurar soluções, pois essa é uma realidade nacional, vejam como foi o ‘Mais Médicos’. Faltam 24 médicos na Prefeitura hoje, falta odontólogos também. Mas como foi apresentado aqui na prestação de contas do Executivo, a gente entra nessa conta de não poder contratar por conta do limite prudencial de gasto com pessoal, entramos nessa conta como todas as secretarias”, alertou Vilela.

O vereador Odilon de Oliveira, vice-presidente da Comissão Permanente de Finanças e Orçamento cobrou os EPI’s (Equipamentos de Proteção Individual) dos agentes de saúde e agentes comunitários de saúde. “Na mesma esteira do Caio, pedimos uniformes para os agentes de saúde, em todo lugar encontramos essa reclamação, quero fazer coro a este pedido, se puder dar atenção a isso. Também com relação aos netbooks dos agentes, que foram recolhidos para manutenção e não foram devolvidos, isso dificulta o lançamento dos dados no sistema”, alegou.

Segundo o vereador Veterinário Francisco, membro da Comissão Permanente de Saúde, “os funcionários da Sesau que dão tudo de si para que a saúde possa funcionar, daí chega o prefeito e desrespeita os funcionarios, deixando todos numa situação delicada, tem que ter mais respeito com os funcionários. Eles sofrem pressão de todo lado e o indivíduo vai explodir. Precisava colocar um coração nessa administração, com mais respeito aos funcionários, aos usuários. Sobre a questão dos materiais, tinha unidade que me reclamaram que não tinha agulha para fazer injeção, falta tudo até papel higiênico, isso é ruim”, alertou.

A vereadora Enfermeira Cida, vice-presidente da Comissão Permanente de Saúde também saiu em defesa dos profissionais de saúde. “A gente percebe que os esforços estão sendo grandes, toda mudança gera um desconforto. O horário estendido nas UBSF é algo bom para a população, mas dependendo do local não é bom para população. A intenção foi contemplar a população, não podemos esquecer que essa populaão é atendida pelo profisisonal da Sesau que aumentou o serviço. Quando vamos nas unidades de saúde e falamos com o gerente, está tudo lindo, quando eu saio, sai profissionais lá de dentro chorando, pedindo socorro, dizendo: ‘quem vai cuidar de nós’. Precisamos saber como contemplar esses profissionais”, revelou.


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