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Domingo 17.nov.2019

Ano VIII - Nº 372

Viver bem

Sete mitos e verdades sobre a pele saudável

Beber dois litros de água por dia para ter uma aparência boa é um dos mitos sobre o assunto; veja outros

Postado em 05 de Março de 2019 - Sara J. Brown - The Conversation

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A pele é o nosso maior órgão, e a usamos como garantia de que estamos saudáveis. Como uma dermatologista acadêmica, frequentemente ouço “fatos” enganosos que insistem em se espalhar. Aqui estão alguns dos mitos mais comuns que podem ser esclarecidos imediatamente, e também algumas verdades nas quais você pode confiar:

"A pele se renova constantemente"

VERDADEIRO: A pele proporciona uma barreira dinâmica entre o ambiente interno do seu corpo e o mundo exterior. Na epiderme (a camada externa da pele), células chamadas queratinócitos estão constantemente se dividindo para produzir um suprimento de partículas que sobem através dessa camada e são retiradas de sua superfície. A pele é uma fonte rica de células-tronco com capacidade de se dividir e de se renovar.

"Beba dois litros de água por dia para uma pele saudável"

FALSO: A quantidade de água que você bebe não afeta diretamente a sua pele. A água é fornecida ao órgão pelo sangue que flui através da derme, a camada interna da pele; e então é perdida da epiderme, especialmente em um ambiente seco.

A água é necessária para manter a hidratação do corpo, e quando você fica seriamente desidratado, sua pele parece opaca e menos elástica. Em uma pessoa saudável, os órgãos internos — rins, coração e vasos sanguíneos — controlam a quantidade de água que chega à pele. Não há volume fixo da bebida que você precise consumir; isso simplesmente depende das quantidades que você está usando e perdendo.

O estresse pode deixar a pele doente

VERDADEIRO: Há muitos problemas de saúde na modernidad que culpamos pelo estresse, e estudos científicos demonstram que várias condições de pele são agravadas por acontecimentos na nossa vida. Possivelmente, os responsáveis são os hormônios do estresse, incluindo o cortisol (um hormônio esteróide produzido nas glândulas suprarrenais). Exemplos notáveis ​​são a alopecia areata, uma condição em que a imunidade do corpo começa a atacar os folículos pilosos, fazendo com que o cabelo caia; psoríase, outra condição autoimune que causa espessamento, descamação e inflamação da pele; e eczema, uma inflamação cutânea com comichão na pele que ocorre frequentemente acompanhado de asma, rinite alérgica e outras alergias. Infelizmente, um surto dessas condições de pele é exatamente o que você não precisa quando está estressado ou sob pressão.

"Comer chocolate causa acne"

FALSO: Acne vulgaris, a acne comum em “adolescentes” que pode persistir até os 30 e 40 anos, é resultado da interação nos efeitos hormonais nas glândulas da pele, além da resposta imune do órgão a poros bloqueados e micróbios que vivem nele. Comer uma dieta rica em gordura não é saudável por muitas razões, mas não causa acne. Na verdade, alguns comprimidos prescritos para acne grave, como a isotretinoína oral, são melhor absorvidos quando as pílulas são ingeridas com uma refeição gordurosa — e isso pode incluir chocolate.

"Sabão em pó causa eczema"

FALSO: O eczema é uma condição em que a pele fica seca, vermelha e com coceira. É causada por uma combinação de fatores genéticos (como sua pele é feita) e efeitos ambientais, levando à inflamação. Sabonetes, detergentes e sabão em pó podem irritar a pele e contribuir para o ressecamento porque removem o óleo dela (assim como o líquido de limpeza remove a gordura dos pratos). Sabões em pó biológicos contêm enzimas — proteínas que quebram gorduras e outras proteínas para remover manchas —, e elas podem irritar uma pele sensível, o que piora o eczema. É importante que todo o sabão em pó seja completamente retirado das roupas antes de ser usado, para evitar irritações da pele.

"Marcas brancas nas unhas = deficiência de cálcio"

FALSO: As unhas são produzidas na matriz, uma área sob a pele na borda superior da unha. Se a matriz estiver machucada, colidida ou mordida, ocorre uma irregularidade na haste em desenvolvimento e o ar pode ficar preso ali. Isso resulta em uma marca branca quando a unha cresce. O cálcio é importante para unhas saudáveis ​​(assim como para os ossos e dentes), mas essas marcas brancas não são um sinal de deficiência dele.

"Sol é bom para você"

VERDADEIRO E FALSO: Muitas pessoas têm uma sensação agradável em um dia ensolarado, mas há bons e maus efeitos desta prática. A luz solar inclui uma mistura de diferentes comprimentos de onda de luz: alguns são visíveis ao olho humano, alguns são mais curtos do que as cores que podemos ver — são os chamados ultravioletas (UV) — e outros são mais longos, como o infravermelho. Comprimentos de onda diferentes têm efeitos diferentes na pele.

O UVB é usado pela pele para fabricar vitamina D, essencial para a saúde dos ossos. Sem exposição ao sol, essa vitamina deve ser obtida a partir da alimentação. Dermatologistas usam comprimentos de onda específicos de UVA e UVB em doses cuidadosamente controladas para reduzir a inflamação da pele; um tratamento valioso para algumas condições do órgão.

Porém, quando ficamos expostos a muito UV, o DNA das células da pele pode ser danificado, levando a um crescimento descontrolado — o que é a base do câncer. Como uma regra simples, a menos que você tenha uma doença ou tratamento que prejudique seu sistema imunológico, a luz solar é boa para você com moderação, mas sempre evite ficar queimado.

Mantenha simples

Os princípios básicos para manter a pele saudável são principalmente o senso comum. Você deve lavar a pele regularmente para remover a sujeira, mas não tanto a ponto de remover a umidade essencial e substâncias à prova d'água presentes nela. Use um hidratante se a sua aparência estiver seca — uma pomada oleosa funciona melhor, a não ser que você tenha propensão a acne. Neste caso, você deve usar um creme à base de água não oleosa. Evite o estresse, se possível, faça uma dieta saudável e beba água quando sentir sede. E, finalmente, proteja sua pele de muito sol com um chapéu, roupas ou protetor solar.

Sara J. Brown é professora de dermatologia molecular e genética na Universidade de Dundee. O artigo foi originalmente publicado em inglês no The Conversation.


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