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Sexta-Feira 30.out.2020

Ano IX - Nº 416

Coluna

Brasil, Alemanha e o Twitter

A mídia social substitui o mais popular das mídias, a televisão.

Postado em 01 de Agosto de 2014 - Gerson Martins

Redes sociais mostraram sua força durante a Copa. Redes sociais mostraram sua força durante a Copa.

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O qualificativo para o resultado do jogo entre Brasil e Alemanha pela Copa do Mundo de Futebol da Fifa de 2014  - sim é necessário toda essa identificação, afinal existem várias “copas do mundo”, não só do futebol. E como a Copa do Mundo de Futebol tem dono, há a obrigação de mencionar o nome da entidade “dona”, ou seja, a Fifa – pode se dar em inúmeras palavras, os jornais desta quarta-feira estampam, em boa parte, “humilhação”, outros “vexame”, “salsichaço”, “vergonha”, enfim vários qualificativos, sendo que humilhação é um dos mais frequentes, principalmente entre os jornais europeus. O jornal A Notícia de Joinville facilitou para o leitor e deu várias opções, era preciso apenas marcar um X.

Depois dos 10 minutos de humilhação o jogo que mais teve audiência, frequentadores, participantes foi a rede social, ou mídia social Twitter. Literalmente o Twitter “bombou” no restante do jogo. A partir daí foi um jogo muito divertido de acordo com várias postagens publicadas na rede social. O pesquisador em ciberjornalismo espanhol, Carlos Scolari mencionou que “a partida de ontem sintetizo a transição do paradigma da TV para as redes sociais. Aos 30 minutos abandonamos a TV para tuitear”. Segundo o próprio Twitter foi um recorde absoluto de conversações, de postagens para um evento esportivo desde que o Twitter existe, ou seja, 35,6 milhões de postagens.

O resultado do jogo entre Alemanha e Brasil demonstrou o poder e a facilidade de comunicação das mídias sociais.

No que diz respeito ao conteúdo das postagens, foi uma avalanche divertida, muitos citaram as “pérolas” mencionadas pelo narrador da TV Glogo, Galvão Bueno, como por exemplo quando fez a confusão e disse que o jogador Neymar Júnior estava no jogo, ou ainda quando falou “vejam esse menino, quantos anos vai levar para se recuperar desse trauma!”. Outras postagens no clima da “humilhação” brasileira depois do placar de 7 gols da Alemanha como “uma coisa está provada hoje: o Twitter é o melhor lugar pra se estar no Apocalipse”. E ainda “nós do Twitter somos tipo aqueles violinistas que ficaram tocando com o Titanic afundando” ou ainda “bonito da parte dos jogadores, se Neymar não jogo, ninguém jogo! Solidariedade a gente viu nesse jogo”. E para finalizar, senão se pode ocupar dezenas de páginas para citar as milhares de postagens produzidas no Twitter, “Alemanha foi se preparar nos terreiros baianos. Brasil, nos alpes teuto-fluminenses com auxílio de terapeuta freudiana. Deu nisso”. E mais uma para finalizar de fato “nem a fábrica da Volkswagen faz cinco gols em 30 minutos”.

Não há dúvidas que a mídia social substitui o mais popular das mídias, a televisão. E que os donos da mídia fiquem “espertos”, pois em breve podem perder sua hegemonia, mesmo entre os brasileiros. O Brasil é um dos principais países no crescente uso da internet, consequentemente das mídias sociais em todo mundo. De acordo com dados apresentados em artigos anteriores nesta coluna, o barateamento dos aparelhos, dos equipamentos, o crescimento da oferta de redes de internet em banda larga, como também um baixo custo, proporciona as condições para que a principal fonte de informação da população brasileira migre, rapidamente, para a internet e para as mídias sociais. Diferente da televisão onde as pessoas buscam a informação, pelas redes sociais a informação chega até a pessoa.

O jogo entre Alemanha e Brasil, e não apenas o jogo, mas o resultado, demonstrou o poder e a facilidade de comunicação das mídias sociais, que não são editadas, controladas, em que as pessoas se expressam livre e publicamente.


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