Semana On

Segunda-Feira 25.mar.2019

Ano VII - Nº 343

Coluna

Paz na América Latina

Que forças humanitárias nos autogovernem

Postado em 27 de Fevereiro de 2019 - Emerson Merhy

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Já estamos tão acostumados com a violência no nosso continente, que não nos damos conta que guerras de fronteiras são uma raridade há mais de 150 anos. Não temos a experiência de confrontos entre nossos países de forma muito explícita a ponto de se declarar uma guerra de um país a outro. Temos fronteiras tensas, Argentina e Chile que digam, Bolívia e Perú também, mas grandes escaramuças entre países, do porte das violentas guerras entre países europeus, só aconteceram no período de transformação das colônias em repúblicas.

Estados Unidos e México, Brasil-Argentina-Uruguai e Paraguai são bem marcantes. Mas, essa aparente calmaria não elimina o fato de que somos um dos continentes mais violentos do mundo. Temos uma guerra oculta, diária.

No Brasil, mata-se no mínimo 70 mil pessoas por ano, por homicídios de diferentes razões, com uma tendência a eliminação de grupos bem vulneráveis como jovens negros, mulheres, gays e trans. A polícia armada é responsável direta pela morte de 25% destas pessoas.

Sim, polícia armada, pois não é em qualquer país que há polícias permanentemente armadas para o combate. Em nosso país, e nos vários vizinhos latino-americanos, a polícia está sempre em alerta contra um inimigo invisível, que como regra são os próprios cidadãos do país.

Uma abordagem policial, já do nosso costume, sempre nos amedronta. Chegam de modo brusco, fazem assédios dos mais variados e, em nome do poder de estado, agem da maneira mais soberana possível, muitas vezes decidindo ali no encontro quem ficará vivo.

Essa situação é tão comum, que quando vamos de um país latino-americano a outro nem nos estressa o fato de que as forças policiais são sempre ameaçadoras. O que fazemos é torcer para não nos tomarem como seus objetos, seja para violentar nossas cidadanias, seja para nos roubar.

É isso mesmo, estamos sempre em guerra, guerra promovida pelo estado violento latino-americano contra seus próprios cidadãos.

E nisso, o Brasil é campeoníssimo. Fenômeno mundialmente conhecido.

Muitos lugares são até governados diretamente por forças policiais, as que ainda estão na máquina do estado e aquelas que transitam para um clandestinidade miliciana, usufruindo dessas relações já constituídas e normalizadas.

Por isso, quando ouvimos que um certo governo procura construir junto com outros ações contra uma nação específica, a Venezuela no caso, muitos de nós normalizam isso: sempre foi assim e sempre será.

Até achamos, em várias situações, excitante uma guerrinha entre nações, pois isso é o que o lixo do cinema americano, que consumimos a exaustão por aqui, mostra o tempo todo. Temos que eliminar o outro para construir um futuro melhor. Nem lhes passa pela cabeça que um futuro melhor não se constrói à bala, mas com solidariedade e amor.

Nesse momento, temos uma grande oportunidade para falarmos a exaustão sobre isso. É uma janela de oportunidade para disputarmos o imaginário imperial desses governos alinhados ao grande mal: o trumpismo e seu modelo neoliberal imperial.

Marcar posição pela PAZ de modo radical é o mais importante a fazer, pois assim estamos lutando para que forças humanitárias possam também governar nossas vidas, por aqui, na nossa guerra diária.

Desarmar e amar é lema fundamental nos dias de hoje; entretanto não amar só o igual, mas centralmente o outro, que não é cópia de mim.


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