Semana On

Sábado 16.nov.2019

Ano VIII - Nº 372

Poder

Irmã de milicianos assinou cheques de campanha de Flávio Bolsonaro

Valdenice Meliga era lotada no gabinete do então deputado na Alerj e recebeu procuração dele para liberar gastos eleitorais

Postado em 22 de Fevereiro de 2019 - O Globo

 No Instagram, Flávio e Jair Bolsonaro, ao lado dos irmãos Valdenice, Alex e Alan Foto: Reprodução/Instagram No Instagram, Flávio e Jair Bolsonaro, ao lado dos irmãos Valdenice, Alex e Alan Foto: Reprodução/Instagram

Clique aqui e contribua para um jornalismo livre e financiado pelos seus próprios leitores.

Além de ter empregado em seu gabinete na Assembleia Legislativa do Rio (Alerj) a mãe e a mulher do chefe do grupo de milicianos conhecido como Escritório do Crime , o senador e ex-deputado estadual Flávio Bolsonaro (PSL-RJ) entregou suas contas de campanha para o Senado à irmã de outros dois criminosos.

Valdenice de Oliveira Meliga, que era lotada no gabinete de Flávio na Alerj, assinou cheques de despesas de campanha em nome dele, segundo reportagem publicada pela revista "Isto É". Ela é irmã de Alan e Alex Rodrigues de Oliveira, presos, em agosto do ano passado, na operação Quarto Elemento , do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) e do Ministério Público do Rio de Janeiro.

A revista teve acesso a dois cheques assinados por Valdenice, em nome da campanha de Flávio: um de R$ 3,5 mil e outro de R$ 5 mil. Dona de uma produtora de eventos, a Me Liga Produções e Eventos, Valdenice foi uma das pessoas a quem Flávio deu procuração para administrar os gastos de campanha, de acordo com documento enviado à Justiça Eleitoral.

Os irmãos, Alan e Alex, chegaram a participar de atos de campanha do senador, antes da prisão. Em foto publicada no perfil de Flávio no Instagram, em outubro de 2017, o então deputado estadual aparece ao lado dos irmãos Alan, Valdenice e Alex, e do pai, Jair Bolsonaro, com a seguinte mensagem: "Parabéns Alan e Alex pelo aniversário. Essa família é nota mil!!!"

Logo após a prisão de Alan e Alex, Flávio enviou uma nota ao jornal "O Estado de S.Paulo" em que afirmava que: "Eles são irmãos da Valdenice, que é um dos pilares do nosso trabalho de política aqui no Rio. Mas os irmãos dela não trabalham comigo. De vez em quando aparecem (nas agendas), mas não têm vínculo nenhum comigo”.

Contabilidade Paralela

Além da atuação da irmã dos milicianos como tesoureira da campanha de Flávio, outra funcionária do gabinete de Flávio Bolsonaro na Alerj exerceu a função de primeira-tesoureira do PSL no Rio. Alessandra Cristina Ferreira de Oliveira fez, por meio de sua empresa, a Alê Soluções e Eventos Ltda, a contabilidade de 42 campanhas eleitorais do partido no estado.

Um dos cheques assinados por Valdenice, aos quais a "Isto É" teve acesso, no valor de R$ 5 mil, era destinado justamente à empresa de Alessandra. Desta forma, a responsável por distribuir os recursos do partido, recebia de volta parte desse dinheiro, como pagamento pelos serviços de contabilidade prestados por sua empresa. De acordo com a revista, ao todo, Alessandra recebeu R$ 55 mil das campanhas do PSL, cobrando valor entre R$ 750 e R$ 5 mil de cada candidato.

A Alê Soluções foi constituída em maio de 2007. Para a Receita Federal, a empresa está localizada na Estrada dos Bandeirantes 11.216, em Vargem Pequena. No entanto, o endereço registrado no Tribunal Regional Eleitoral é Avenida das Américas número 18.000 sala 220 D, no Recreio dos Bandeirantes, o mesmo endereço na sede do PSL.

Procurada pela "Isto É", Alessandra Oliveira disse não enxergar conflito ético no fato de ser ao mesmo tempo tesoureira do partido, funcionária de Flávio Bolsonaro e ter contratado sua empresa para fazer a contabilidade das campanhas. Ela afirma ter fundado a empresa junto com seu ex-marido. Segundo ela, inicialmente a empresa funcionava na casa dele. Na campanha, mudou-se para uma sala no mesmo prédio onde funciona o PSL.

Outro Lado

Em nota,  Flávio Bolsonaro diz que a reportagem da revista faz "uma ilação irresponsável" ao tentar vinculá-lo com candidaturas irregulares e milicianos em "mais uma tentativa de denegrir a imagem do senador". E completa:

" Val Meliga é tesoureira geral do PSL. Tinha como determinação legal a obrigação de assinar cheques do partido em conjunto e jamais em nome do atual senador.Os supostos irmãos milicianos apontados pela revista são policiais militares.

Em relação aos serviços de prestação de contas eleitorais, não houve qualquer direcionamento do PSL-RJ relacionado à escolha dos profissionais de assessoria contábil e jurídica. Todas as prestações de contas foram aprovadas, ratificando a legalidade e lisura durante o processo eleitoral."


Voltar


Comente sobre essa publicação...