Semana On

Terça-Feira 19.mar.2019

Ano VII - Nº 342

Coluna

Não Bebianno, não foi despacho, foi bandalheira mesmo

A política, no que ela tem de surreal: com o jornalista Victor Barone

Postado em 20 de Fevereiro de 2019 - Victor Barone

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O agora ex-ministro Gustavo Bebianno (Secretaria-Geral da Presidência) já deu início ao vodu político depois de ter sido exonerado do posto depois de uma semana inteira de ofensas, desmentidos e suspeitas de fraude eleitoral. Chamado de mentiroso pelo vereador Carlos Bolsonaro (PSL-RJ), filho do presidente, Bebianno declarou à rádio Jovem Pan que foi demitido pelo parlamentar fluminense e que ele, Carlos, "fez macumba psicológica na cabeça do pai".

"Minha indignação é ter servido como soldado disposto a matar e morrer e, no fim da linha, ser crucificado e tachado de mentiroso, porque Carlos Bolsonaro fez macumba psicológica na cabeça do pai. Eu fui demitido pelo Carlos Bolsonaro. Simples assim", queixou-se Bebianno, coordenador da campanha de Jair Bolsonaro e, como presidente interino do PSL durante o pleito, suspeito de ter capitaneado esquema de desvio do fundo partidário por meio de candidaturas laranjas.

Bebianno é o novo Joesley?

A pergunta foi feita por Fábio Alves em sua coluna no Estadão. A gravação feita por Joesley Batista de conversa sua com o então presidente Michel Temer e divulgada em 17 de maio de 2017 sepultou as chances de aprovação da reforma da Previdência, que, então, eram bastante razoáveis. “Saberia Bebianno algum segredo constrangedor ou mais explosivo sobre o presidente Bolsonaro e o PSL, seu partido, que pudesse tirar dos trilhos a reforma da Previdência antes mesmo de chegar ao Congresso?”, questiona o colunista, reproduzindo temor do mercado. A avaliação geral de executivos e operadores de bancos e fundos é que Bebianno não teria envergadura para causar o mesmo estrago no governo e que deve ter sido feito um acordo para que ele não saia atirando.

Leal e desleal

No auge da crise, Bebianno mandou recado. "Uma pessoa leal sempre será leal. Já o desleal, coitado, viverá sempre esperando o mundo desabar na sua cabeça." Não foi o primeiro. Antes, já havia avisado: "Não sou moleque, e o presidente sabe. O presidente está com medo de receber algum respingo", disse em entrevista à revista Crusoé. Também disse a interlocutores que "não se dá um tiro na nuca do seu próprio soldado, é preciso ter um mínimo de consideração com quem esteve ao lado dele o tempo todo", de acordo com Gerson Camarotti, no G1.  E foi além: “O problema não é o pimpolho. O Jair é o problema. Ele usa o Carlos como instrumento. É assustador”, teria dito o ex-ministro, segundo informações da coluna de Lauro Jardim, de O Globo. “Perdi a confiança no Jair. Tenho vergonha de ter acreditado nele. É uma pessoa louca, um perigo para o Brasil”. "Preciso pedir desculpas ao Brasil por ter viabilizado a candidatura de Bolsonaro. Nunca imaginei que ele seria um presidente tão fraco", teria dito a um aliado. Diante de tantos recados cifrados ou indiretas que têm mandado ao presidente, seria extremamente salutar à democracia se resolvesse falar abertamente sobre esse e outros assuntos.

Traíras

A facada nas costas dada pelo clan Bolsonaro em Bebianno deixou os aliados do presidente de cabelos em pé. Além de ter sido chamado de mentiroso e execrado publicamente durante quase duas semanas, o ex-ministro foi alvo da rede de apoio que o presidente e seus filhos mantém nas redes sociais. Pessoas próximas a Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) replicaram em redes bolsonaristas texto de uma simpatizante do escrito Olavo de Carvalho contra Gustavo Bebianno. A versão insinuava que Bebianno era um agente infiltrado que agia contra os interesses do governo, conspirando contra os filhos do presidente e vazando informações sensíveis à imprensa.

Expurgos

O episódio da demissão de Gustavo Bebianno não significa o expurgo de um único aliado. O suplente de Flávio Bolsonaro, Paulo Marinho, que se aproximou do clã Bolsonaro a ponto de ajudar na produção dos programas de TV na campanha, ceder sua casa para reuniões e ser escolhido primeiro suplente na chapa de Flávio Bolsonaro ao Senado é outro que se afasta da família com a demissão do amigo. O rompimento com o suplente se dá num momento em que Flávio Bolsonaro pode enfrentar questionamentos ao mandato em razão dos desdobramentos da investigação do caso Fabrício Queiroz. Em menos de dois meses de mandato, dois aliados que tiveram papel fundamental na campanha já estão no time dos desafetos do governo.

É verdade este bilete

Tentando evitar retaliações, o presidente Jair Bolsonaro divulgou vídeo para dar ares de normalidade à turbulenta demissão do Gustavo Bebianno (Secretaria-Geral da Presidência), um de seus principais coordenadores da campanha eleitoral de 2018. Cinco dias depois de ter sido chamado de mentiroso por Carlos Bolsonaro, o filho vereador do presidente – com o aval do pai, por meio do Twitter –, Bebianno ganhou elogios no vídeo.

A fala do presidente foi negociada com o ministro demitido. Em troca dos afagos, Bolsonaro o presidente receberia em troca o silêncio do ex-coordenador de sua campanha presidencial. Bebianno é um arquivo-vivo da campanha eleitoral. Advogado de Bolsonaro, Bebianno atuou na estratégia jurídica, na definição da agenda e, no mais importante, na arrecadação e nos gastos. Um arquivo vivo.

Bandalheira

Gustavo Bebianno e o ministro do Turismo Marcelo Álvaro Antônio estão encrencados no mesmo escândalo do laranjal do PSL. Ao demitir Bebianno sem conseguir explicar as razões, Jair Bolsonaro revelou-se intelectualmente lento. Ao manter Marcelo Antônio no cargo sem que ele ofereça boas explicações, o presidente revela-se eticamente ligeiro. As duas velocidades de Bolsonaro são insultuosas e manda pro ralo o discurso ético do presidente, que prometera honrar os eleitores que lhe deram votos no pressuposto de que ele saciaria a fome de limpeza que está no ar.

O ministro do Turismo recorreu ao Supremo Tribunal Federal para trancar a investigação aberta contra ele pelo Ministério Público de Minas Gerais, transferindo-a para Brasília. Difícil saber o que é mais constrangedor, se a chuva de laranjas que cai sobre a cabeça do ministro ou a tentativa de se refugiar embaixo da marquise do foro privilegiado. Se quisesse ser levado a sério, Bolsonaro demitiria o ministro do Turismo.

“A esse ponto chegamos: ao manter o ministro do Turismo no cargo, Bolsonaro flerta com o escárnio. Se mandar o ministro para o olho da rua por ter imitado seu filho, o capitão se transformará no caso raro de uma piada que ocupa a Presidência da República”, afirma o jornalista Josias de Souza em sua coluna no UOL.

Superado?

O vice-presidente, general Hamilton Mourão, diz considerar o episódio da demissão de Gustavo Bebianno superado e afirma ser preciso compreender as condições em que o presidente Jair Bolsonaro se encontrava quando conversou com ele nos áudios depois divulgados. “As pessoas têm que dar um desconto por tudo o que o presidente vem passando, sobrevivendo a cirurgias, com antibióticos, analgésicos”, diz. E, mesmo no hospital, sofrendo pressão pelo que ocorria do lado de fora.

Planalto blindado

Diante de uma crise, os generais estão concentrados em assegurar que o afastamento do filho mais explosivo de Jair Bolsonaro das questões de governo não seja apenas momentâneo, até a poeira assentar. A escolha do general Floriano Peixoto para a Secretaria-Geral da Presidência foi condição dos ministros militares para que Carlos Bolsonaro não aproveitasse a derrubada de Gustavo Bebianno para colocar alguém sob sua influência no cargo — reportagem do Estadão mostrou que o vereador já tem assessores ligados a ele nomeados em cargos no palácio.

Desgaste

Carlos Bolsonaro pode ter vencido a batalha para derrubar um desafeto, mas causou a primeira fissura séria no casco da popularidade do pai, além de fazer com que, no episódio da demissão de Gustavo Bebianno, o presidente tivesse de capitular publicamente por receio do que o ex-aliado pudesse dizer. Se Bebianno caiu, Carluxo também terá de sair de cena publicamente, ao menos por um tempo. Foi com isso que Bolsonaro se comprometeu diante dos muitos bombeiros (principalmente os militares) que tentaram apagar o fogo que ele mesmo acendeu.

Da Lua

Em reportagem na revista Época, em que busca destrinchar o PSL, “o partido do presidente” Jair Bolsonaro, o jornalista Bruno Góes afirma que parlamentares da sigla se referem ao vereador Carlos Bolsonaro (PSC/RJ), o mais polêmico dos três filhos da prole presidencial, como Tonho da Lua – personagem de Marcos Frota na novela Mulheres de Areia, da TV Globo, que aparentava ter deficiência mental. Segundo a reportagem, o apelido maldoso é justificado, na avaliação de alguns nomes do PSL, pela incapacidade de Carlos em manter um diálogo linear e por seus rompantes de raiva.

Prisioneiro

De crise em crise, Bolsonaro tornou-se uma espécie de prisioneiro do próprio impudor. Suas ações e declarações perderam o nexo. Para se comportar como um autêntico presidente, seguindo as regras do manual, o capitão teria de responder a pelo menos três perguntas:

1) Como pode o pai do senador Flávio 'Coaf' Bolsonaro, marido de Michele 'Cheque de R$ 24 mil' Bolsonaro e amigo de Fabrício 'Faz-Tudo' Queiroz espicaçar Gustavo 'Laranjal' Bebianno?

2) Como levar a sério um presidente que invoca valores éticos para livrar-se apenas de Bebianno se pelo menos sete dos 22 ministros que nomeou ostentam algum tipo de suspeição?

3) Como acreditar na cara de nojo que Bolsonaro faz para o escândalo do PSL se o ministro do Turismo, Marcelo Álvaro Antônio, tão enrolado no caso do laranjal quanto Bebianno, continua no cargo como se nada tivesse sido descoberto sobre ele?

Desde que Bolsonaro elegeu-se presidente, aconteceram tantas esquisitices, uma se sobrepondo à outra, que muitas delas parecem esquecidas, diz o jornalista Josias de Souza.

JORNALISMO À VENDA

Uma das razões de ser basilares do Jornalismo é – ou deveria ser -  a construção de uma sociedade livre, justa e equilibrada. Este objetivo, no entanto, esbarra no fato de que, hoje mais do que nunca, o Jornalismo é um negócio que vende um produto: a notícia. A notícia, no entanto, mesmo que seja construída sob a lógica da mercadoria, não deve – ou não deveria – ser moldada de acordo com as preferências do cliente, o leitor. A notícia, isso sim, deveria passar ao largo das manipulações mercadológicas, em busca de liberdade, justiça e equilíbrio.

Um áudio que circula nas redes sociais, no entanto, mostra a grave encruzilhada do Jornalismo na atualidade. Nele, uma operadora de telemarketing conversa com um ex-assinante do jornal O Globo. A profissional explica ao ex-cliente, insatisfeito com a linha editorial do veículo, que empresa teria feito reuniões com colunistas para adaptar suas opiniões à satisfação dos leitores. "O Merval já tem se colocado de uma forma mais imparcial... A Miriam Leitão está mais focada no conteúdo de economia, não está mais dando tanto palpite na parte de política, e esse é só o começo", diz a atendente, que em seguida pede um "voto de confiança" do antigo leitor, para que volte e assinar o jornal por apenas R$ 5,90.

Em nota, o jornal O Globo afirma que “não há, nem nunca houve, qualquer reunião para alterar a linha editorial do jornal”, e que o veículo de comunicação “foi, e sempre será, de um jornalismo apartidário e independente”. Torçamos que sim. Por mais que seja um negócio e que venda uma mercadoria, o Jornalismo não pode transformar a busca pela verdade em uma prateleira de jujubas que fidelizem o cliente pela cor, cheiro e sabor.

O ROLO COMPRESSOR DO AUTORITARISMO

"Os governos democráticos devem pensar juntos em formas e legislações, porém sem produzir censura, para controlar essas plataformas (as redes sociais) e evitar que elas afetem os processos eleitorais e sejam utilizadas para destruir a democracia", disse ontem o ex-deputado federal Jean Wyllys, em entrevista ao portal DW, em Berlim. Foi sua primeira aparição pública após ter renunciado ao mandato e deixado o Brasil por conta de constantes ameaças de morte e de uma sórdida campanha de difamação baseada em fakes disseminados pelas redes sociais.

Para ele, a eleição de Bolsonaro foi movida pela falta de memória sobre a escravidão no Brasil, pelo machismo, pela homofobia, pela rede de manipulação de notícias falsas, por empresários que financiaram as campanhas difamatórias e também, pela intervenção direta da política americana na América Latina. Sobre sua saída do país, disse que as causas que defende não precisam de mártires, “mas de ativistas, e ativistas devem estar vivos”.

"O recado político já foi dado. Minha decisão foi um ato de preservação da minha vida e proteção da minha família, mas também um recado ao mundo e uma maneira de deixar de naturalizar o que estava sendo naturalizado no Brasil", complementou.

PILARES DA BASE

O sociólogo Celso Rocha de Barros afirmou, em sua coluna na Folha de S.Paulo, que o Jair Bolsonaro (PSL) pode deixar a presidência até o Carnaval caso desista dos ministros Paulo Guedes (Economia) e Sérgio Moro (Justiça) e do apoio do braço militar no Planalto. “Bolsonaro precisa se perguntar se vale a pena estar cercado de gente leal em um governo fraco. Porque se ele desistir de Guedes, Moro e, especialmente, dos generais, não chega o Carnaval”, diz.

OLAVO NA MESA

A ala mais “ideológica” do governo de Jair Bolsonaro esteve reunida nesta segunda-feira, 18. Os ministros Ernesto Araújo (Relações Exteriores), Ricardo Vélez Rodrigues (Educação) e Damares Alves (Mulheres, Família e Direitos Humanos) almoçaram juntos e, como revelou o titular do MEC, tiveram de “sobremesa” uma conversa com ninguém menos que Olavo de Carvalho. “No cardápio: amor pelo Brasil, fidelidade ao nosso presidente e uma deliciosa sobremesa via Whatsapp com nosso amigo, o prof. Olavo de Carvalho”, disse. Bom apetite.

DAMARES FAZENDO DAMARICES

A ministra da Mulher, Família e Direitos Humanos, Damares Alves, voltou a dar uma declaração polêmica ao defender uma “revolução cultural” no combate à violência contra a mulher. Em entrevista concedida à Rádio Jovem Pan de João Pessoa, Disse que aconselharia pais de meninas a fugirem do Brasil por causa dos alarmantes índices de violência contra as mulheres no país. Veja a íntegra da entrevista da ministra (a partir do minuto 8):

Mais damarices

Damares Alves deu entrevista à Folha. Reafirmou muito do que tem dito – a coisa dos príncipes e princesas, o combate à ideologia de gênero, sua defesa no caso Lulu etc. Mas mencionou, sem detalhar, algo que desconhecíamos e chamou atenção. Na pergunta sobre aborto, disse que o Ministério da Mulher, Família e Direitos Humanos vai “propor o Estatuto da Gestante e desenvolver políticas garantindo direitos para as mães e as crianças na fase gestacional”. Completou que sua ideia era incorporar as propostas no Estatuto do Nascituro. “Mas, como há pontos polêmicos, vamos apresentar a proposta do Estatuto da Gestante”. Vamos aguardar para ver o que sairá.

Sara quem?

Damares confirmou que convidou a ‘ativista antifeminista’ Sara Winter para um cargo de nível baixo no Ministério, com salário de R$ 6 mil, voltado para atender mulheres em situação de risco. Quando perguntada se ela própria é antifeminista, respondeu que é “anti-ativismo exagerado”. E que abraça certas pautas feministas e irá para a rua com elas. “Por exemplo: salários iguais entre homens e mulheres e luta contra a violência. Se for para eu e as feministas irmos para as ruas de braços dados contra isso, eu vou. Mas sem o exagero de seios à mostra. Sem a doutrinação que parece pregar o ódio aos homens”. Só faltou mencionar a depilação.

Me deixa ser preconceituoso...

Ainda em entrevista à Folha, Damares afirmou que a criminalização da homofobia penaliza cristãos por sua “expressão de fé” – a ministra acredita que movimentos gays são usados a serviço de partidos políticos e ideologia de gênero. E declarou que a Comissão de Anistia deve ser revisada: “precisa começar a pensar em acabar”, pois “perdeu o foco”. 

Tortura é bom

Um comunicado do Mecanismo Nacional de Prevenção e Combate à Tortura (MNPCT) acusa o ministério de Damares de impedir a vistoria de penitenciárias cearenses, onde há denúncias de  falta de água, comida e visitas, e ainda práticas de violência. Segundo o comunicado, o ministério afirmou que “não autorizaria nenhum custeio de visita ao Estado do Ceará se não fosse interesse do Governo Federal”. Só que a legislação diz que deve ser garantido o apoio ao Mecanismo, em especial para as visitas regulares e periódicas em todo o país. Outra acusação é a de que o ministério não recompôs o quadro de peritos após o vencimento do mandato de parte da equipe. Era para haver 11, mas atualmente há 8, e o número deve cair para 5 em março, quando vencem mais três mandatos. 

Ah, Damares

A ministra tem um novo colaborador para a campanha de combate à violência contra as mulheres. O “querido maquiador” Agustín Rúbio. “Com sua sabedoria e estratégia, iremos desenvolver políticas de qualidade para capacitação profissional das vítimas”, tuitou Damares, com as hashtags #PróMulher e #8deMarço. Não sabemos se o objetivo é maquiar estatísticas ou hematomas. 

DESCULPAS DE CANIBAL

O ministro da Educação, Ricardo Vélez, desculpou-se pelo Twitter por uma declaração dada em entrevista à revista Veja, na edição de 6 de fevereiro, onde afirmou que "o brasileiro viajando é um canibal".

FALSA ESCOLHA

“Ou é Previdência, ou é cortar gastos em saúde e educação, ou é nada”. Esta fala do economista Marcos Lisboa, presidente do Insper (institução privada de ensino superior) foi escolhida pelo Globo como título da entrevista. Ele detalha: “Não pode reduzir salário de servidor, não pode cortar aposentadoria, não pode mexer nas transferências para estados e municípios, o que sobrou para desvincular mesmo? Saúde e educação”. Lisboa se refere especificamente do plano B de Paulo Guedes em caso de não aprovação da Reforma, que é desvincular todo o Orçamento. 

TCHAU, CURA GAY

Não são muitos os países que já baniram terapias de reversão sexual. Agora, o ministro da Saúde da Alemanha quer proibi-las por lá. Um projeto de lei deve ser rascunhado até o meio do ano. 

COLARINHO BRANCO

O presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Robson Andrade, foi preso em São Paulo durante a Operação Fantoche da PF. Em colaboração do Tribunal de Contas da União, a operação visa desarticular uma organização de crimes contra a administração pública, fraudes licitatórias, associação criminosa e lavagem de ativos envolvendo contratos com o Ministério do Turismo e entidades do Sistema S.

RACISTA E CANALHA

O Tribunal de Justiça do RJ julgou improcedente uma ação na qual o então deputado federal Jair Bolsonaro (PSL-RJ) acusa o seu ex-colega de Câmara Jean Wyllys (PSOL-RJ) por calúnia, injúria e difamação. A ação se baseia em uma entrevista publicada pelo jornal "O Povo", em agosto de 2017, na qual Wyllys se refere a Bolsonaro usando termos como "responsável por lavagem de dinheiro", "burro" e "fascista". Ele também usa as palavras "desonesto", "desqualificado", "racista", "corrupto", "canalha", "nepotista" e "boquirroto".

DUPLA PERSONALIDADE

O ministro Sergio Moro mudou da água para o vinho. O paladino da Justiça, que, com cenho cerrado, assumia a função de algoz dos colarinhos brancos e políticos na Lava Jato deu lugar a um articulador com todas os vícios da velha política que dizia condenar. Cansado de tomar bola nas costas, Moro ingressou na política sob as bênçãos do clan Bolsonaro. Agora, atrelado a ele, resolveu fazer lançamentos nas costas dos brasileiros. Quando juiz, Moro defendeu com veemência a criminalização do Caixa Dois. Para ele, uma trapaça, “especialmente reprovável” e “sem justificativa ética”. Nesta semana, porém, o discurso mudou: ao justificar o fatiamento do pacote anticrime proposto pelo governo de Jair Bolsonaro, afirmou ter atendido à queixa de alguns políticos de que “o caixa dois é um crime grave, mas não tem a mesma gravidade que corrupção, crime organizado e crimes violentos”. O ex-juiz está se transformando em uma paródia de si mesmo, uma figura menor que, a continuar assim, vai sumir na história sob o aplauso dos imbecis.

Rejeição

A Associação Juízes para a Democracia (AJD) divulgou nota em que “rejeita veementemente” o projeto de lei anticrime apresentado pelo ministro Sergio Moro, da Justiça e Segurança Pública. A entidade sustenta que o projeto concentra “experiências malsucedidas” e evita “enfrentar os principais desafios para a superação da violência e do crime”. Segundo a AJD, as justificativas do projeto “foram formalmente substituídas por rodadas controladas de entrevistas, evitando, de forma confessa, o diálogo aberto com a comunidade científica, com os profissionais das áreas afetadas e até mesmo com parlamentares responsáveis por sua discussão”.

Bode na sala

O desmembramento da criminalização do caixa dois do restante das medidas do pacote anticrime de Sérgio Moro mostra que a proposta, antes menina dos olhos do ministro da Justiça e Segurança Pública e tema constante de entrevistas e palestras dele quando era juiz federal, virou um bode na sala do projeto: pode ser sacrificado em prol da aprovação do restante. Deputados e integrantes do governo admitem que a aprovação é quase impossível, mas que o importante era “salvar” as outras medidas.

Laranjada

O ministro da Justiça, Sergio Moro, afirmou que seria prematuro falar neste momento sobre as responsabilidades do ex-ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Gustavo Bebianno, e do atual ministro do Turismo, Marcelo Álvaro Antônio, no esquema de candidaturas de laranjas do PSL. Em entrevista à rádio CBN, declarou que a Polícia Federal há vinha fazendo investigações preliminares do caso, e que a legislação eleitoral determina uma requisição do Ministério Público Federal para que um inquérito seja aberto.

PEDEU PLAYBOY

O Congresso derrubou o decreto assinado pelo vice-presidente Mourão que modificava a Lei de Acesso à Informação. O texto expandia o número de autoridades que podiam impor sigilo a seus dados públicos. “Perdi, perdi, playboy. O pessoal do Congresso não gosta de mim. Se fosse o presidente, tinha passado”, disse o vice.

Recado

As sucessivas derrotas do governo ontem foram um recado claro: Jair Bolsonaro não sabe o que o espera se insistir em lidar com o Congresso de forma desorganizada ou, pior, impositiva. Na mesma tacada, ficou claro que: 1) deputados e senadores não vão deixar virar moda a história de se governar por decretos, 2) ainda não existe articulação política que se possa chamar desse nome, e 3) as brigas na base isolam o PSL, que não tem coesão interna nem influência sobre os demais partidos.  

BOI & BALA NA REFORMA AGRÁRIA

Intercept conta quem é Luiz Antonio Nabhan Garcia, responsável no governo Bolsonaro pelas demarcações de terras e pela reforma agrária. De cara, a descrição de um episódio de julho de 2003, logo após a chegada de Lula ao poder, quando um grupo de fazendeiros do oeste paulista apareceu no Jornal Nacional, de armas em punho, anunciando a formação de um ‘centro de treinamentos’ para resistir às ações do MST. Pois as investigações mostraram que os caras eram ligados a ninguém menos que Nabhan , que tem um histórico com milicianos armados usados para proteger terras na região. Ele já foi preso em 1997 por atirar em um grupo de Sem-Terras (um menino de 13 anos foi atingido de raspão na cabeça), e novamente no ano 2000, quando foram apreendidas 21 armas e mais de 5 mil cartuchos em sua fazenda. Em 2004, agrediu a coronhadas um funcionário.

Organização criminosa

No cargo, ele já disse que o MST é organização criminosa e que não vai negociar com Sem-Terra, além de defender a revisão dos assentamentos de 350 mil famílias e o fim das escolas rurais do movimento. 

NÃO DEU

O ministro do STF Marco Aurélio Mello manteve a decisão do Supremo sobre o caso em que Jair Bolsonaro disse à deputada Maria do Rosário que ela não merecia ser estuprada. Uma indenização por danos morais no valor de R$ 10 mil já havia sido determinada, mas Bolsonaro entrou com recurso. Mello não aceitou o recurso. Além da (pequena) indenização, que deve ser revertida a alguma entidade voltada a vítimas de violência, a condenação determina a publicação de uma retratação em um jornal de grande circulação, na página oficial do réu e em seu canal no YouTube. 

GENTE BOA

Escolhido Pelo presidente Jair Bolsonaro como novo líder do governo no Senado, Fernando Bezerra Coelho (MDB-PE), é suspeito de ter de recebido R$ 2 milhões de empreiteiras por obras no Porto de Suape, em Pernambuco. Ao todo, o senador é alvo de cinco inquéritos, dois deles por supostos crimes contra a lei de licitações quando era prefeito de Petrolina, dois do período em que era secretário estadual e um da época em que foi ministro da Integração do governo Dilma Rousseff.

JORNALISTAS COMUNAS

O comunismo está se espalhando perigosamente pela imprensa brasileira e ganhando adeptos entre os jornalistas mais improváveis. Ao menos essa é a conclusão de uma parte considerável das redes sociais bolsonaristas. O Twitter, especialmente, foi tomado nas últimas semanas por uma lista de “comunistas desmascarados”: profissionais que sempre foram associados à direita e ao conservadorismo, mas que têm feito críticas a aspectos do governo de Jair Bolsonaro. A relação de “traidores” só cresce. Alguns jornalistas já vêm sendo acusados de se bandear para o outro lado há alguns meses, como Reinaldo Azevedo (Folha e Band News) e Rachel Sheherazade (SBT). A trinca que mais tem apanhado nos últimos dias é formada por Diogo Mainardi (O Antagonista e GloboNews), Felipe Moura Brasil (Jovem Pan) e Carlos Andreazza (O Globo e Jovem Pan). Todos ferrenhos e babantes antiesquerdistas, mas isso pouco importa para a turba bolsonarista ensandecida.

Mais comunas...

“O governo Bolsonaro foi eleito pela maioria, de forma democrática. Alguns de seus ministros, Agricultura e Meio Ambiente, consideram que o controle ambiental sobre a produção é coisa de comunista fantasiado de defensor do meio ambiente”, escreveu Fernando Gabeira em seu artigo nesta sexta-feira, 22, no Estadão. O colunista afirma que por mais que o presidente Jair Bolsonaro deteste os comunistas, nada se parece mais com eles do que as posições de seu governo em relação ao crescimento e meio ambiente. O próprio PT em 2003, diz o colunista, tinha uma visão ambiental atrasada e replicava a visão dos velhos partidos comunistas.

RANGENDO OS DENTES

O vice-presidente, general Hamilton Mourão, afirma que há militares rangendo os “dentes” por causa da reforma da Previdência —mas diz que todos têm disciplina e vão aceitar as mudanças. “O pessoal fica meio cabreiro, como todo mundo. Tem choro e ranger de dentes. Mas cumprirá [as determinações da reforma]. Ninguém vai fazer lobby para alterar nada”, garante o general. A maior parte das propostas para os militares já tinha sido negociada pelo próprio Mourão no governo de Michel Temer —entre outras, o aumento do tempo de permanência na ativa, de 30 para 35 anos.

FLAVINHO

Dinheiro do fundo eleitoral entregue a candidatas do PSL no Rio de Janeiro beneficiou a empresa de uma ex-assessora de Flávio Bolsonaro (PSL-RJ) na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro e parentes de outra colaboradora do agora senador. Uma das beneficiadas é a contadora Alessandra Ferreira de Oliveira, primeira-tesoureira do PSL-RJ, partido presidido pelo senador, filho do presidente Jair Bolsonaro. Durante as eleições, a empresa dela (Ale Solução e Eventos) recebeu R$ 55,3 mil a partir de pagamentos de 42 candidatos do PSL no Rio. Desse total, R$ 26 mil tiveram como origem 33 candidatas que só receberam a verba do diretório nacional na reta final da eleição.

Olha o Queiroz

O primeiro ex-assessor a depor no inquérito que apura as movimentações bancárias atípicas de funcionários do gabinete de Flávio Bolsonaro confirmou ao Ministério Público que repassava todo mês 66% do seu salário a Fabrício Queiroz –que, segundo relatório do Coaf, movimentou R$ 1,3 milhão em um ano em sua conta e recebia depósitos de vários assessores do gabinete. No depoimento, dado em 11 de janeiro, Agostinho Moraes da Silva disse que depositava cerca de R$ 4.000 na conta de Queiroz a título de “investimento” no negócio de compra e venda de carros, e que recebia “retorno” de valores entre R$ 4.500 e R$ 4.700 em espécie. Ele não apresentou nenhum documento que comprove as declarações. Ele afirmou que não comparecia sempre ao gabinete e declarou não conhecer outras quatro funcionárias.


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