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Quarta-Feira 21.ago.2019

Ano VII - Nº 359

Comportamento

Games violentos não tornam os jovens mais agressivos, indica estudo

De acordo com os pesquisadores, comportamentos vistos em ambiente virtual não são transportados para o mundo real

Postado em 19 de Fevereiro de 2019 - Galileu

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É verdade que adolescentes que jogam games violentos podem ter um comportamento qualificado como antissocial. Basta entrar em uma sala de jogo online de Grand Theft Auto, que invariavelmente você vai encontrar alguma voz juvenil de mal com o mundo, xingando tudo e todos.

Diante disso, há quem pense que o comportamento é transportado para a vida real. Ou que esteja “moldando os pensamentos dos jovens”, conforme defendeu o presidente norte-americano Donald Trump após o massacre do colégio Marjory Stoneman Douglas, em Parklands, na Flórida, que ocorreu no ano passado. 

Mas, de acordo com um dos mais completos estudos sobre o tema já realizados, não é bem assim. "A ideia de que videogames violentos geram agressões reais é popular, mas não foi testada muito bem com o tempo", disse ao jornal britânico The Independent o pesquisador-chefe Andrew Przybylski, diretor de pesquisa do Oxford Internet Institute.

Os pesquisadores analisaram uma amostra representativa de mil britânicos, de 14 e 15 anos de idade, sobre seus hábitos de jogo e comportamento. A primeira conclusão foi que quase metade das meninas e dois terços dos meninos jogam videogames. Em seguida, entrevistaram pais e responsáveis ​​para ver se achavam que seu filho se tornara mais anti-social.

Depois avaliaram o nível de violência no jogo e os sistemas de classificação etária do Reino Unido e dos EUA, para fornecer uma medida mais objetiva. “Apesar do interesse no assunto pelos pais e responsáveis ​​pelas políticas, a pesquisa não demonstrou que há motivo para preocupação”, garantiu o pesquisador.

"Nossas descobertas sugerem que os vieses de pesquisadores podem ter influenciado estudos anteriores sobre esse assunto e distorceram nossa compreensão sobre os efeitos dos videogames", diz o co-autor Dr. Netta Weinstein, da Universidade de Cardiff.

Segundo eles, em busca de resultados mais interessantes, as pesquisas anteriores fizeram o que se chama de “escolher cereja”. Ou seja, escolheram somente os dados e informações que poderiam confirmar a tese que defendiam, sem o devido rigor científico.


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