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Quarta-Feira 17.jul.2019

Ano VII - Nº 356

Viver bem

Acordar sempre cedo ou muito tarde altera a função cerebral, diz pesquisa

A adaptação aos horários comerciais pode afetar a saúde e a produtividade de quem costuma deitar depois das 23:00

Postado em 19 de Fevereiro de 2019 - Galileu

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A função cerebral de quem acorda muito tarde e de quem levanta cedo é diferente, de acordo com novo estudo publicado na revista Sleep. Pesquisadores examinaram os cérebros de 38 voluntários que iam dormir às 02:30 da madrugada e acordavam às 10:15, e de pessoas que costumavam deitar antes das 23:00 e levantavam por volta das 06:30 da manhã.

Testes cognitivos encontraram menos conectividade nas regiões do cérebro ligadas à manutenção da consciência nos participantes que foram dormir mais tarde. Eles também apresentaram menos atenção, reações mais lentas e aumento da sonolência. Os cientistas sugerem que pessoas que deitam mais tarde são prejudicados pelas "restrições de tempo" do dia a dia. 

A pesquisa investigou a função cerebral em repouso dos voluntários usando ressonância magnética. Eles ainda realizaram uma série de tarefas das 08:00 às 20:00, e foram solicitados a relatar seus níveis de sonolência. 

Os que levantavam cedo estavam menos sonolentos e tiveram reações mais rápidas nos testes matinais. Eles também desempenharam melhor suas atividades do que quem deitou mais tarde. Em contraste, quem foi dormir depois das 23:00 tinha menos sono e tempo de reação mais rápido às 20:00 da noite do dia seguinte, embora não tenham sido mais ativos. 

A conectividade do cérebro nas regiões que previam melhor desempenho e menor sonolência foi maior em quem levanta cedo. Isso sugere que a conectividade nas pessoas que dormem tarde é prejudicada durante todo o dia de trabalho.

Elise Facer-Childs, do Centro para a Saúde do Cérebro Humano da Universidade de Birmingham, no Reino Unido, afirmou que as descobertas "podem ser parcialmente motivadas pelo fato de que as atividades de quem dorme tarde são comprometidas por toda a vida". A justificativa é o relógio biólogico. "Durante a escola, eles têm que levantar mais cedo. Depois começam trabalhar e têm que acordar cedo", ela comentou. "Eles estão constantemente tendo que lutar contra suas preferências e seus ritmos inatos."

Segundo a pesquisadora, havia uma "necessidade crítica" de entender como a adaptação aos horários rígidos pode afetar a saúde e a produtividade de quem costuma deitar mais tarde. 

Cerca de 40 a 50% da população tem preferência por dormir mais tarde e levantar depois das 08:20 da manhã. "Um dia típico pode durar das 09:00 às 17:00, mas para quem deita tarde isso pode resultar em menor desempenho durante a manhã, menor conectividade cerebral em regiões ligadas à consciência e aumento da sonolência diurna”, disse Facer-Childs. “Se, como sociedade, pudéssemos ser mais flexíveis sobre como administramos o tempo, poderíamos percorrer um longo caminho para maximizar a produtividade e minimizar os riscos à saúde."

Ela ainda enfatizou que as diferenças na conectividade cerebral não são um tipo de dano e provavelmente são reversíveis. Os testes não analisaram a função cerebral no final do dia, e é possível que outros fatores não detectados no estudo, como as escolhas de estilo de vida, possam ter afetado os resultados.

Alex Nesbitt, neurologista do King's College em Londres, que não participou da pesquisa, disse que o estudo acrescenta evidências de que o desempenho do cérebro de uma pessoa é influenciado não apenas pela hora do dia, mas também pelo relógio biológico. "Está ficando cada vez mais claro que esses fatores são importantes quando as rotinas das 09:00 às 17:00 são impostas às pessoas", acrescentou.


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