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Sexta-Feira 15.nov.2019

Ano VIII - Nº 371

Poder

Aliados demonstram preocupação com atuação de Flávio e Eduardo Bolsonaro no Congresso

Para diminuir os riscos de turbulência, ambos já foram aconselhados por aliados a adotar tom de cautela

Postado em 15 de Fevereiro de 2019 - Bruno Góes – O Globo

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O novo Congresso foi empossado há apenas duas semanas. Neste curto período, parlamentares já perceberam que uma associação será inevitável: tudo o que dizem os filhos do presidente da República, o senador Flávio Bolsonaro (PSL-RJ) e o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), será diretamente relacionado ao governo. Para diminuir os riscos de turbulência, ambos já foram aconselhados por aliados a adotar tom de cautela.

Desde que começou o ano legislativo, ambos são assediados por aliados e pela imprensa. Alvo de uma investigação sobre transações financeiras atípicas, Flávio prefere não abordar o tema.

Apesar dos conselhos, na última quarta-feira, depois de ignorar jornalistas durante a semana, Eduardo foi incentivado pela segunda condenação do ex-presidente Lula. Foi ao plenário comemorar. Considerou a extinção do PT e apresentou a ideia de que o pacote do ministro Sergio Moro poderia ser “um termômetro” para a reforma da Previdência. No mesmo dia, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), sinalizou que a reforma é a prioridade.

Um deputado do DEM próximo ao ministro Onyx Lorenzoni criticou o fato de Eduardo ter usado a tribuna para atacar Lula. O parlamentar ponderou que o filho do presidente precisa compreender o papel de quem é governo e trabalhar para pacificar o plenário. Disse ainda que o desejo do governo é que os filhos atuem com discrição para evitar crises na base.

Eleito senador por São Paulo, Major Olímpio (PSL), parlamentar próximo a Eduardo, acredita que a associação com o pai foi intensificada durante a campanha eleitoral. Segundo ele, após o atentado sofrido por Jair Bolsonaro, Eduardo percorreu as ruas representando também o pai.

“Houve uma identificação da população do Eduardo com a figura do Bolsonaro. Aquele negócio de fazer uma selfie, milhares de pessoas acompanhando. Aí explodiu o assédio e a vinculação de ativistas de direita”, diz o senador, que participou da campanha.

Olímpio reconhece que a conexão dos filhos com o governo é algo evidente:

“São sabedores de que têm uma influência diferenciada porque estão na intimidade do presidente”.

Na confusa eleição para presidência do Senado, durante a primeira votação, Flávio Bolsonaro contrariou seus eleitores ao decidir pelo voto fechado.

Explicações

“Sou a favor do voto aberto, mas nessa ocasião específica, por ser filho do chefe de outro poder, optei por não abrir meu voto, para evitar especulações com intuito de prejudicar o governo. Que o eleito, independentemente de quem for, apoie as pautas que o Brasil necessita”, escreveu no Twitter.

Depois de 82 votos serem contabilizados, em uma Casa com 81 senadores, houve nova votação. Na segunda oportunidade, Flávio mudou de postura e declarou voto no vitorioso Davi Alcolumbre (DEM-AP).


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