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Terça-Feira 19.mar.2019

Ano VII - Nº 342

Coluna

Cavernas e parques no México fazem da Riviera Maia alternativa a Cancún

Região ganha infraestrutura comercial e hoteleira e deixa para trás seu lado esotérico

Postado em 06 de Fevereiro de 2019 - Ygor Salles – Folha de SP

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A Riviera Maia, no Caribe mexicano, foi por muito tempo ponto de encontro de turistas bicho-grilo, atraídos pela aura esotérica em torno dos maias e de suas profecias.

Era um contraponto ao turismo endinheirado de Cancún, cidade mais conhecida do estado de Quintana Roo. Mas isso está mudando.

Praias com areia branca e mar em tons que vão do verde água ao azul-turquesa já eram atrações conhecidas. 

Acrescente a isso um sem-número de cenotes (cavernas que abrigam rios subterrâneos), ruínas arqueológicas e uma nova infraestrutura turística, com parques, centros comerciais e hotéis de luxo, e você vai entender o sucesso recente dessa parte da península de Yucatán.

A Riviera Maia é o trecho do Caribe mexicano que vai de Puerto Morelos, mais próximo a Cancún, até Tulum. São 130 km de litoral, quase todo plano, além da ilha de Cozumel. E plenamente aproveitáveis: faz calor o ano inteiro, em especial entre julho e agosto, e chove pouco.

Mas é importante lembrar que a região fica bem cheia de novembro a janeiro, por ser alta temporada, e entre março e abril, por conta do spring break, semana de férias das escolas americanas e canadenses, na qual os estudantes fogem do frio para lugares mais quentes —e o Caribe é um dos destinos preferidos.

Ir nesse período pode ser ruim para quem quer tranquilidade, mas ótimo para quem quer diversão. De junho a novembro há a temporada de furacões, quando os valores de hospedagem caem: quem quiser arriscar costuma se dar bem, já que não é tão comum eles passarem com força.

A mais desenvolvida das cidades da região é Playa del Carmen. A 70 km de Cancún, era uma vila de pescadores até o início da década de 1980, quando começaram a chegar os primeiros turistas estrangeiros, a maioria europeus. Hoje, com pouco mais de 100 mil habitantes, é o principal centro comercial e hoteleiro. 

Poucas praias da cidade são públicas —a maior parte do litoral da região é restrita a hóspedes dos resorts à beira-mar.

Algumas das praias públicas preferidas dos turistas são próximas do centro. Uma delas é Punta Esmeralda, cerca de 3 km ao norte. Recomenda-se chegar cedo, porque costuma ficar cheia.

O centro também é para onde todos vão à noite. É ali que se concentram as principais lojas, restaurantes e bares da Riviera Maia, em especial no entorno da Quinta Avenida —um calçadão de pouco menos de 2 km com acesso proibido para carros. 

É um dos lugares onde pode-se notar a mistura do turismo “raiz” com a exuberância econômica recente: convivem pacificamente, uma ao lado da outra, lojas de grifes internacionais e de souvenires (onde vale, inclusive, praticar a boa e velha pechincha).

Para quem quer farra, a pedida é o Coco Bongo, boate de Cancún que abriu uma unidade na cidade.

De Playa del Carmen partem os ferries que levam à ilha de Cozumel, a maior do México. A travessia dura cerca de 40 minutos, e é feita por três empresas, com partidas constantes ao longo do dia. Mas é bom voltar cedo: as barcas param às 23h, e as últimas costumam ficar bem cheias.

Cozumel se tornou parada de cruzeiros que transitam no lado oeste do Caribe. Tem como principal atração o mergulho em seus recifes. A ilha tem a segunda maior barreira de corais do mundo, perdendo apenas para a Grande Barreira australiana. 

Sua principal cidade é São Miguel de Cozumel, que fica no litoral voltado ao continente e tem poucas praias —as melhores estão na costa leste, ligadas à cidade por uma rodovia em linha reta. Por lá as águas são um pouco mais agitadas, mas também pouco exploradas.

Outro destino importante na Riviera Maia é Tulum. A cidade é alvo de um boom turístico e entrou no circuito das praias mexicanas preferidas pelos mais endinheirados, ao lado de Los Cabos e Puerto Vallarta, ambas na costa do Pacífico. 

Nos últimos anos, entrou na rota dos “destination weddings”, como são chamados as festas de casamento realizadas em um destino turístico.

“Ainda são poucos os brasileiros, a maioria dos clientes que se casam aqui são americanos e europeus”, diz Ary Iturralde, consultora de casamentos que atua na região. “Mas sabemos que casar no Brasil está caro, e somos uma boa alternativa.”

Além das praias, Tulum esconde uma preciosidade: possui um dos maiores sítios arqueológicos da civilização maia, que não era exatamente um império. A definição mais precisa é a de várias cidades-Estado, que compartilhavam dos conhecimentos matemáticos e arquitetônicos e faziam comércio entre si.

No auge da civilização maia, a cidade de Tulum era um porto e também morada da aristocracia local. Além da história mostrada pelas construções em pedra, há uma atração extra: uma praia pequena escondida por falésias —único ponto de toda a Riviera em que o litoral não é plano.

Outro sítio arqueológico que vale a visita está em Coba, no interior do estado, a 110 km de Playa del Carmen. São 2 km de caminhada até o ponto alto do passeio (literalmente): a pirâmide Nohoch Mul. Com 42 metros de altura, é a mais alta da península de Yucatán. O trajeto pode ser feito a pé ou em bicicletas alugadas.

O governo mexicano tem planos para impedir, ainda neste ano, que turistas escalem as pirâmides locais, como já ocorre com a de Kukulcáhn, em Chichén Itzá, o grupo de ruínas da civilização maia mais conhecido. 

Portanto, se quiser subir os quase 400 degraus e desfrutar da ampla visão da floresta da região, apresse a viagem. E retorne sentado, como mais de 90% dos turistas fazem. 

O atrito intenso provocado pelos visitantes deixou as pedras lisas, tornando a descida em pé bastante arriscada.

Os dois sítios arqueológicos têm boa infraestrutura para turistas, com estacionamento, lojas, restaurantes e muitos vendedores de souvenires.


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